É o saci!

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Há alguns anos, misteriosos fatos ocorreram no hospital.

Em um dia normal, descemos as escadas, como de costume, e fomos ao andar térreo para atender na Emergência. Tudo como sempre: andar térreo, sair da Emergência, corredor, depois primeira à esquerda, primeira à direita, em frente e…

CADÊ O AMBULATÓRIO? CADÊ AS CRIANÇAS?

Ah, deve ter sido só um desencontro de horários, pensamos. O ambulatório deve ter convidado as crianças para tomar um lanche lá embaixo. Subimos pro terceiro andar. Saímos da escadaria, como de costume, viramos pro corredor à direita e…

CADÊ A ENFERMARIA? CADÊ AS CRIANÇAS? 

Foi aí que começamos a ficar com muito medo. Tudo estava sumindo, de repente.

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Não que a gente acredite nessas coisas, mas pensamos logo em mula-sem-cabeça, cuca, lobisomem. Brrrrrrr!

Quando estávamos todos juntos tirando par ou ímpar pra saber quem entrava primeiro no banheiro, surpresa! A enfermeira entrou perguntando se já tínhamos visto as crianças do ambulatório no primeiro andar e se já tínhamos visto as novíssimas enfermarias do lado esquerdo da escada, no terceiro andar.

Foi aí que compreendemos tudinho. Quem é que em sã consciência teve coragem de fazer mudanças tão significativas sem nos consultar? Somos besteirologistas especialistas em transferências médicas, decoração e mudanças de ambiente!

Um nobre cientista de seis anos, profundo conhecedor de Folclore aplicado à Medicina, recentemente me orientou:

É o Saci, doutora. É o Saci que muda tudo de lugar!

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E é por isso que nós não duvidamos de mais nada. Aplicamos essa máxima científico-folclorista à Besteirologia e solucionamos o problema: descobrimos onde ele havia escondido o ambulatório, as enfermarias e as crianças, e tivemos um plantão tranquilo. Ufa!

Dra Monalisa (Greyce Braga)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Hospital feito casa da gente

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Cada um enxerga o mundo de um jeito.

Uns fingem que veem, mas não falam. Outros usam óculos para ver melhor. Alguns tropeçam quando andam de tanto que ficam admirados com ele. Assim também é com o hospital.  

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Tem uns que acham o lugar uma loucura, outros vão lá raramente, alguns vão e vêm, outros tantos vão e nem vêm.

A gente vive no hospital duas vezes por semana e lá é uma extensão da nossa casa. Comemoramos dias festivos, feriados. Sabemos de um tudo e quase nada, vemos o tempo correr na urgência e muitas vezes sobreviver na nascença.

A gente vive lá como a maioria dos pacientes: o hospital vira segunda casa

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Esse pensamento veio quando nossa paciente, de aproximadamente 7 anos, teve finalmente alta médica e disse uma coisa que ficou na minha cabeça quando perguntamos:

- Você vai sentir falta dos palhaços?
- Claro que vou, né! Aqui tem cachorro, comida boa e palhaço, melhor que lá em casa.  

Ela tem razão. O hospital, lugar de cuidados, vem tentando sempre ampliar o seu olhar, é uma longa busca, como na vida de toda pessoa, mas ao menos se busca. E se não faz, alguém dá um jeito para se fazer.

E é bom quando o hospital não tem cara de hospital, mas que a gente se sinta como se estivesse numa casa, de férias, cuidando da vida como ela pede.

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E para não deixar de falar, vamos contar o sucesso do momento. Quem conhece o D. da UTI, no 3ª andar, sabe do que falamos. Ele vive babando por questões de saúde.

É um desses que fizeram – não porque quiseram – o hospital feito casa. E pela intimidade que temos de longos anos de visitas semanais, o D. tá quase careca de saber sobre nossas besteiras. Mas alegra os seus olhos, pois ele se comunica com eles, pisca mais que pisca-pisca, quando ouve a canção: 

♫♪ Djalma baba baba, baby,
Djalma baba babá
Djalma baba babá
 ♪♫

Dr. Dud Grud (Eduardo Filho) e Dr. Lui (Luciano Pontes)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Doutores recomenda: Antes do Dia Clarear

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Diz a lenda que depois da meia noite não se pisa no picadeiro do circo!

É que o lugar é reservado aos ancestrais circenses para que possam fazer seus espetáculos…

Com base nessa tradição, os artistas David Taiyu e Sandro Fontes, integrantes do elenco do Doutores da Alegria, trazem ao palco a história de dois homens que silenciosamente invadem um grande circo antigo na calada da noite, revelando o universo mágico dos palhaços e uma forte relação de amizade.

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O espetáculo Antes do Dia Clarear traz para a cena reprises, truques e segredos dos antigos palhaços de circo, sua ingenuidade e música para adultos e crianças. Reflete sobre as diferenças e conflitos com muita graça, beleza e poesia e traz diversas gags e esquetes musicais, com trilha sonora assinada por Fernando Escrich e músicas de Nino Rota, compositor dos filmes de Federico Fellini.

O espetáculo está em cartaz no Sesc Pompeia (Rua Clelia, 93 – Barra Funda), em São Paulo. As apresentações ocorrem aos sábados e domingos (até 31/10 às 12h e de 1 a 22/11 às 11h) com ingressos gratuitos para crianças de até 12 anos.

Doutores recomenda!

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Serviço

Antes do Dia Clarear
Sesc Pompeia | Rua Clelia, 93 – Barra Funda – São Paulo
Elenco: David Taiyu e Sandro Fontes (CIA 2DOIS)
Direção: Fernando Escrich e Ronaldo Aguiar
Trilha sonora: Fernando Escrich 
Músicas: Nino Rota
Duração: 55 minutos

O sorriso de N.

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Quando Sandoval e Valdisney assumiram os plantões besteirológicos no Hospital do Campo Limpo, costumavam ver a mãe de N. acompanhando o garoto em sua estadia. Faz algum tempo que isso não acontece mais.

N. tem problemas de mobilidade e fica em sua cama. Não fala e só se comunica através do olhar e de expressões de seu lindo rosto. Há meses que os palhaços entram no quarto para fazerem suas consultas e ele não manifesta nenhum afeto, apenas observa. 

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Um dia, por obra do destino, Sandoval esqueceu o chapéu de malabarismo na mala e acabou levando-o, sem querer, para o hospital. Valdisney disse a Sandoval com essas doces palavras:
- Já que trouxe, agora usa, né? 

Dito e feito! A dupla passou o dia trabalhando no hospital e usando o chapéu de tudo quanto é jeito. 

Entraram no quarto do N. Sandoval alegou ter esquecido a peruca em casa e precisou comprar um chapéu pra não ficar com sua careca à mostra. Valdisney confirmou o relato. 

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Sandoval começou a mostrar os truques que sabia fazer com seu chapéu. N. e Valdisney apenas observavam. Ele fez um truque de morder o chapéu e arremessá-lo com a boca, seguido de um giro no ar direto para sua careca.

Então aconteceu o que esperávamos há meses: o garoto sorriu. 

Valdisney não acreditou no que viu e pediu que Sandoval repetisse o truque. Mais um lindo sorriso surgiu! Depois que a consulta besteirológica acabou, os palhaços foram até a porta e se despediram de N. E o melhor de tudo: o sorriso continuava em seu rosto.

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Dr. Valdisney (Val Pires)
Hospital do Campo Limpo – São Paulo

FBI

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Nas férias das doutoras Baju e Mary En, o hospital recebeu uma dupla que veio fazer uma investigação sobre o trabalho das duas besteirologistas. 

Apresentaram-se como Dr. Juba e Dra. Marx, integrantes do FBI, o Fiscals Besteirologists Internationals.  

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No primeiro dia de visitas, os investigadores foram muito bem recebidos por todos. O Dr. Juba só não gostou quando foi confundido com o Enéas. Em contrapartida, deu-se bem em algumas paqueras com as enfermeiras.

A dra. Mary En foi delatada pelo Dr. Leo, fisioterapeuta da UTI, quando este revelou para os fiscais que ela era muito “farrapeira” por conta das suas faltas. Depois do primeiro dia de visitas, os investigadores identificaram que seria necessária uma pesquisa mais apurada, então desenvolveram um questionário para ser preenchido pelos funcionários do hospital.fbi6

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Mas a grande surpresa se deu mesmo pelos pacientes apaixonantes M. e M. Os dois eram mais sagazes que os investigadores e mataram a charada depois de alguns minutos. Primeiro fizeram comparações:
Huuuum… Você parece muito com a Mary En!
- Ei, essa voz aí parece com a da Baju!

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Depois, passaram a nos seguir nos corredores. Quando não tinha ninguém olhando, eles puxaram a barba do Dr. Juba e a peruca da Dra. Marx e a vaca foi pro brejo! Identidades secretas reveladas, segredo velado: os espertos prometeram guardar com eles a descoberta!

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Ah, o resultado da pesquisa deu que, mesmo com as besteiras nos atendimentos, elas tinham mais é que voltar para o hospital, afinal, o chefe as ama e elas amam os seus pequenos pacientes! 

Dra. Baju (Juliana de Almeida) e Dra. Mary En (Enne Marx)
IMIP – Recife

Um pouco sobre bufões

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Como parte do treinamento dos nossos artistas, em agosto rolou um intercâmbio entre as unidades de São Paulo e Recife. A artista Roberta Calza juntou-se aos palhaços pernambucanos pra falar sobre bufões.

Você, caro leitor, deve estar se perguntando do que se trata esse nome esquisito.

Explicamos: nas Artes Cênicas existe uma figura que explora tanto o campo sagrado quanto o campo profano na relação do homem com o universo ou com um grupo social. É o bufão.

O bufão aponta comportamentos grotescos na sociedade através de seu corpo deformado e do trabalho em bando. Tem características muito próprias da máscara que usa, que é também corporal. Ele traz à tona relações absurdas, violentas ou ainda poéticas. Dá um novo sentido ao que se entende como profano (ou que transgride regras consideradas sagradas).

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O elenco pernambucano dos Doutores da Alegria experimentou essa linguagem por uma semana, na criação de figuras e na organização do jogo, de maneira profunda. Foi um trabalho físico muito intenso, que ampliou os olhares sobre a bufonaria. Experimentou-se a criação dos bufões desde a mais pura abstração ao aspecto mais concreto das relações humanas.

O treinamento de diversas linguagens artísticas e o intercâmbio fazem parte da nossa estratégia para qualificar e abrir possibilidades no trabalho feito no hospital.

A artista Juliana de Almeida (doutora Baju) trouxe a citação abaixo, que traduz um pouco do sentimento vivido nesses dias:

 “Ao abraçar a sombra, descobrimos que estamos vivendo em um plano divino tão importante e tão vital para a evolução quanto para a evolução da humanidade. Assim como uma flor de lótus nasce na lama, precisamos honrar as partes mais sombrias de nós mesmos e as nossas experiências de vida mais dolorosas, pois são elas que nos permitem o nascimento do mais belo self. Precisamos do passado turbulento e enlameado, da sujeira da vida humana – da combinação de cada mágoa, ferimento, perda e desejo não realizado, misturada a cada alegria, sucesso e benção para nos dar sabedoria, perspectiva e nos conduzir a ingressar na mais magnífica expressão de nós mesmos. Essa é a dádiva da sombra.”
(trecho do livro “O Efeito Sombra”, Deepak Chopra, Debbie Ford & Marianne Williamson)

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Equipe musical

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A equipe de saúde do Hospital Geral do Grajaú é bem musical.

Descobrimos uma dupla de estudantes internos, oriundos do Mato Grosso, com um talento especial para o violão e o canto.

Eu, dr. Zequim, passei meu instrumento para eles e, junto com a minha parceira, Greta Garboreta, ficamos uns bons minutos apenas ouvindo e nos deliciando… Trabalho duro esse, não?

equipe musical

Junto conosco uma pequena multidão se formou no balcão de enfermagem da Cirurgia Pediátrica. O tempo deu uma parada. Seus colegas internos não sabiam do talento de seus pares. Os pacientes, adultos e crianças não imaginavam que futuros médicos também podiam se divertir durante o trabalho.

Mal sabem os estudantes-músicos, ou talvez saibam inconscientemente, que aquela quebra na rotina pode ser inibidora de estresse e, consequentemente, geradora de uma melhor relação com pacientes e professores que por lá circulam. 

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  1. Equipe musical, mas não tanto.

Na UTI ela já é conhecida como “Tomatinho”. Na verdade, trata-se de uma auxiliar de Enfermagem que se vê como compositora e intérprete.

É só ela começar a cantar que o tempo fecha, as nuvens se carregam e suas colegas fogem de perto dela. Não se sabe o que incomoda mais, se é a melodia descompassada ou a letra estapafúrdia.

Pra resumir, a nobre composição relata a triste história de um pobre tomatinho que virou ketchup. Ninguém aguenta mais. E como ela sabe disso, ela canta, ela canta! E o povo foge, rindo, rindo. 

equipe musical

É, minha gente, a concorrência para nós anda quente por aquelas bandas. Estudantes com talento para o canto, auxiliares de Enfermagem com talento para o humor… Tá tudo certo! Quem ganha são as crianças!

Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso), direto do Hospital Geral do Grajaú, em São Paulo.