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A peleja do noivo que tentou enganar a noiva na Festa de São João ou vice-versa

Tempo de leitura: 4 minuto(s)

Em pleno mês de São João e com a inspiração em alta, depois do cordel de despedida dos profissionais de saúde, os palhaços levaram aos hospitais do Recife uma criação inusitada.

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Trata-se de “A peleja do noivo que tentou enganar a noiva na Festa de São João ou vice-versa”. Criado por Arilson Lopes e encenado pelo elenco pernambucano do Doutores da Alegria, o cordel tem sido motivo de aplausos e gargalhadas nos hospitais. Pra quem não sabe, a literatura de cordel é um gênero literário popular que se dá na forma de rimas cadenciadas. Olha só um trecho com a Dra. Baju e o Dr. Marmelo e acompanhe, abaixo, o cordel inteiro. 

 

Cordel São Joãoilustração: Luciano Pontes | produção: Nice Vasconcelos

 

Bom dia, meninada
Meu sinhô, minha sinhora!
Puxe o banco e sente logo
Se avexe, sem demora
Porque tô aqui doidinho
Pra contar essa história

Tanto tempo encalhado
Marmelo se aperriô
Fez promessa pra Antônio
O santinho protetô
Pra arranjar casamento
E acabar com sua dor

Em troca daria ao Santo
Na festa de São João
Uma peruca novinha
Coisa fina, de barão
Contanto que em sua busca
Não houvesse confusão

É que Marmelo era frouxo
Feito chapa sem Corega
Tinha medo de injeção
De barata, de pereba
Mas dizia que com ele
Não tinha choro nem vela

Amuntô em Dud Grud
Seu jumento Alazão
Partiu no mundo sem rumo
Seu guia era o coração
Encontrou três faladeiras
Fuxiquinha, Fuxiqueira e Fuxicão

Contou ao trio seu dilema
Que se apressou a falar
Entoou o seu refrão
Ô ô xá lá lá lá lá
E disse: “Quem tu procura
Mora na casa acolá”

Marmelo avistou de longe
A casinha de Baju
Imendaram as fuxiqueira
“Uma flor de mandacaru
É uma moça aprumada
Dava certinho mais tu”

Ele arriô de Alazão
Se aproximou de fininho
E ao chegar no pé da porta
Se assustou com um passarinho
Que fugia da donzela
Ía depressa pro ninho

Caiu de bunda no chão
Bem na frente de Baju
Que apontou o estilingue
Pra ele, não pro anum
O coitado atrapalhado gritou
“Vim casar com tu”

Ela nem contou conversa
Aceitou o compromisso
Se afeiçoara a Marmelo
Seu cabelo de ouriço
O seu nariz engraçado
E seu ar de pouco juízo

Nasceram um para o outro
Como o sapo é pra jia
Como o leão pra leoa
Como a torneira é pra pia
A baleia pra baleia
O Tonico pro Tinoco
E o riso pra alegria

Baju correu lá pra dentro
Voltou trazendo um vestido
Branco, já amarelando
De mofo um pouco fedido
Pendurou pra levar sol
Tudo certo pro casório
Só faltava o pedido

“Ôxe, outro?” – Ele indagou
Ela explicou então:
“Oficialize o pedido
Peça a meu pai minha mão
Ele saiu, volta já
Dele já ouviste falar
É Mircolino Lampião”

Ouvindo o nome do sogro
Marmelo pôs-se a tremer
Seu cabelo arrupiô
Se preparou pra correr
Fingindo pediu: “Tem água?
Queria tanto beber…”

Ela atendeu seu pedido
E foi lá dentro buscar
Marmelo desesperado
Não parava de suar
Se aproveitou do momento
Amuntô-se em seu jumento
E fugiu pro Arraiá

Atrapalhado, Marmelo
Se enganchou no vestido
Pendurado no varal
Na pressa o levou consigo
Pensou: “Me visto de noiva
pra escapar do perigo”

Baju voltou com a água
E tudo se apresentou
O noivo tinha fugido
Feito o anum que voou
Pro pai contou num bilhete
E partiu feito foguete
No rastro do seu amor

No Arraiá era dia
De fogueira de São João
Tudo pronto pra festança
Era certa a animação
Marmelo, agora de noiva,
Se escondeu no salão

Baju chegou em seguida
Reconheceu Alazão
Pensou “Tô pertinho dele
Esse sujeito cagão
Que tem medo do meu pai
Mircolino Lampião”

Parou no meio da praça
Conteve a respiração
Não sabia o que fazer
Qual seria a solução
Encontrou com as faladeiras
Fuxiquinha, Fuxiqueira e Fuxicão      

- “Mulé, que foi? Fale logo!”
- “Adoro uma confusão”
- “Tô procurando um sujeito!”
- “Sujeito tem de montão”
- “Tem gordo, baixo, comprido”
- “Tem até um de vestido”
- “De noiva, num visse não?”

Ouvindo isso correu
Deixou o trio sem ação
Procurou o Rei do Milho
Que tava na ocasião
Era amigo de infância
Quase irmão de criação

Pediu a ele emprestado
Camisa, calça, gibão
Ela se vestiu de noivo
Tinha achado a solução
Casava com a noiva Marmelo
E acabava a confusão 

 

O Rei do Milho cedeu
Aos caprichos de Baju
Emprestou a melhor roupa
“Óia, foi feita pra tu!”
Lui é o nome dele
Vibrava com o buruçú

Ela foi de um em um
E nada de encontrar
Perguntou pras fofoqueira
As espiãs do lugar
Que foram logo apontando:
“Ô ô xá lá lá lá lá
Aquele que tu procura
Correu pro lado de lá”

De repente, ouviu-se um grito
De voz conhecida por lá
Mircolino Lampião
Chegava pra clarear
Ía encontrar o danado
No escuro que tivesse
Pra fazer ele casar

Mircolino assim cantava:
“Ói eu aqui de novo xaxando
Ói eu aqui de novo para xaxar”
Todo mundo acompanhava
Cantava e procurava
Ninguém podia parar

O pai escutara a fofoca
Tinha lido o bilhete
Já sabia a trama toda
Da palha ao alfinete
Praquele que o ajudasse
Ele pagava um sorvete

Esse era um homem bom
Brincalhão, era um ator
Ía gritar a quadrilha
Foi pra isso que chegou
Aí entrou na esparrela
Pra ajudar sua flô

Baju foi até seu pai
Disfarçada de menino
Se revelou só pra ele:
“Tenho um plano, segue o tino,
Sei onde tá Marmelo
Vou selar nosso destino”

Arrudiaram o salão
Até num canto encontrar
Uma noivinha amuada
Nem sabia disfarçar
Baju falou para o pai:
“Olha o que eu achei aqui!”
Ele pôs-se a interrogar

- “Como é teu nome?”
- “É Marmela, mas isso só pro sinhô”
- “Mulé de bigode, Marmela?”
- “É buço! Faça o favor!”
- “E esses cabelos na perna?
Faz tempo que depilou!”
- “Eu sou assim cabeluda!
É de família, um horror!”

- “Não adianta enganar
Eu já sei quem é você!”
- “E quem sou eu? Diga não!
Tenho medo de morrer!”
- “Pois se seu medo for esse
Vamo logo resolver!”

Baju se jogou no meio
Entre o pai e o seu amor
Tava tudo combinado
Só pra fazer o caô
Ela rogou pela vida
Daquele que a enganou

Marmelo se emocionou
Com a coragem de Baju
Disse: “Êpa, corri com medo
Do teu pai, num foi de tu!
Caso contigo agorinha
Te procurei norte a sul”

“Se ele poupar minha vida
E aceitar nosso amor
Pago a promessa pro Santo
Num sou de dever favor
E a festa acontece
Com alegria e fervor”

Santo Antônio apareceu
Na festa de São João
Trouxe São Pedro consigo
Cobrou peruca e quentão
Marmelo pagou a dívida
E acabou-se a discussão

“Solta o rojão!” – gritou Lui
“E bota esse trio pra tocar”
As fuxiqueiras gritaram:
“Ô ô xá lá lá lá lá
Forró só se for agora
Pegue seu par, vem dançar!”

Dud Grud entrou na roda
Já não era mais jumento
Agora ele era fogueira
Um bom papel pro momento
Se acendeu tocando fogo
Nos cabelo que trazia
No sovaco fedorento

Esse causo assim contado
Dá até pra encenar
Eita, tive uma ideia!
Vamo levar pro hospitá
Vai ser bonita essa peça
As criança vão gostar

Nós é Dotô da Alegria
Tu já ouvisse falar?
Sim! Da besteirologia
Uma ciência arretada
Depois te conto, ôto dia
Hoje o assunto é São João
São Joãozim, como eu diria

Vixe, o traque estourô
Tenho que subir agora
Até logo, meninada!
Meu sinhô, minha sinhora!
Já demorei o bastante
Desenrolando essa história
É tudo coisa inventada
Mas tá no sangue, é memória

Cresci menino com isso
Com a festa de São João
Colheita, comida de milho,
Quadrilha, forró, tradição
Vi tudinho aqui de cima
Prazer, me chamo Balão!

Eita, tá ouvindo?!

“O Balão vai subindo
Vai caindo a garoa
O céu é tão lindo
A noite é tão boa
São João, São João
Acende a fogueira
Do meu coração
São João, São João
Acende a fogueira
Do meu coração”

 

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Todo dia ela faz tudo sempre… Igual?

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Toda segunda e quarta trabalhamos no Instituto da Criança, em São Paulo.

Como este hospital é muito grande e complexo, temos dois itinerários diferentes, com duas duplas de palhaços. Ou seja, somos quatro palhaços dentro das veias pulsantes deste hospital no coração da cidade.

Meio pessoa, meio palhaço 

Pela manhã, chegamos e cumprimentamos as moças que ficam na recepção e vamos para uma salinha onde ficam nosso figurino, maquiagem e utensílios médicos besteirológicos. Entenda-se por isso instrumentos musicais, bolhas de sabão e outros objetos inusitados como galinha de plástico, máquina fotográfica de brinquedo, flores de tecido e até uma calçola tamanho GG furada.

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Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Já neste meio tempo, que leva em média meia hora, encontramos muitas pessoas e nos relacionamos com cada uma delas, seja por um aceno ou um bom papo matinal com os mais chegados. E isso ainda em processo, meio “pessoa gente”, meio palhaços. 

PS, enfermaria, UTI…

Depois, já totalmente caracterizados como Dr. Dadúvida e Dra. Pororoca, partimos rumo ao Pronto Socorro. Muitos amigos por lá, equipe calorosa. Em alguns dias cheio de pacientes, médicos, residentes, enfermeiros e outros profissionais; em outros o movimento e a intensidade estão mais brandos e até certa tranquilidade paira no ar. A verdade é que, na maioria das vezes, até o corredor vira lugar para maca e paciente

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De lá, seguimos de elevador para o terceiro andar, na ala destinada aos convênios. Outro ambiente, outra arquitetura, outra disposição de quartos e pacientes. Outros parceiros, parceiras. Começamos com nossa conversa sobre o número de pacientes no dia, o que se repete em cada novo ambiente que chegamos, e especificidades sobre os quartos. Logo partimos para uma prosa mais pessoal, um comentário sobre o penteado novo de uma enfermeira, uma brincadeira com a moça da limpeza, e assim começamos os atendimentos. 

Subimos um lance de escada e no quarto andar temos a Enfermaria. Farra garantida com os profissionais de lá… Encontramos enfermeira que samba, enfermeiro sorridente e cantor, pacientes que ficam bastante tempo no hospital e, por conta disso, acabamos construindo muitas e muitas histórias juntos. São sempre 21 crianças internadas, o máximo que pode acontecer é terem 20, mas sempre com alguém por chegar. 

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De lá, no mesmo quarto andar, partimos para a temida e gelada (sim, lá é muito frio!) UTI. Ali soam apitos e outros sons, deixando uma música permanente no ar. Mas por baixo da seriedade e gravidade do ambiente, encontramos espaço para o olhar e a delicadeza, e até por que não dizer, para a bobeira. Saindo da UTI pegamos carona no elevador e voltamos para a salinha onde tudo começou. 

Toda segunda e quarta

Uma jornada diária, como tantos outros profissionais fazem naquele complexo-complexo-hospitalar. Risadas, lágrimas, tristeza, esperança, cansaço, mal humor, amor, dor, espanto, desdém, compaixão, afeto, raiva, doença, saúde, vida e morte.

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Toda segunda e quarta o mesmo itinerário, toda segunda e quarta conhecemos pessoas novas, toda segunda e quarta reencontramos pessoas. Toda segunda e quarta. Ou quarta e segunda, como bem gostamos de lembrar. Tudo sempre igual, mas cada dia, um dia diferente.

Dra. Pororoca, mais conhecida como Layla Ruiz,
escreve do Instituto da Criança, em São Paulo.

A solidão e as lembranças que carregamos

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Nesta semana uma senhorinha internada me perguntou: Como é uma UTI? Eu nunca vi”.

A pergunta transparecia o medo de em breve precisar ir a esse lugar. A UTI nunca vista e, provavelmente, imaginada como um lugar frio e silencioso. Sobretudo, a senhorinha tinha medo da solidão, de ficar sem a família. Medo de não ter quem segure sua mão, como dizia Clarice Lispector. 

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Tentei acalmá-la: falei dos profissionais que sempre estão lá, monitorando os pacientes. Falei que a todo tempo passa um médico pra lá, uma enfermeira pra cá, uma auxiliar de limpeza que recolhe coisas enquanto canta uma música. Não sei se essa informação confortou aquele coração amedrontado, porque apesar de todas as pessoas que circulam por lá, o que ela queria mesmo era saber se ao acordar na UTI veria um rosto conhecido, que ajudasse a lembrar do quintal de sua casa, do baile que frequentou na adolescência, do cheiro do bolo assado dos sábados, do aconchego dos amigos, do carinho de sua mãe. 

Coisas boas de lembrar. Lembranças que também curam.

Eu não pude falar para aquela senhorinha, naquele momento, de duas crianças que por hora moram na UTI do Hospital Barão de Lucena. Dois bebês de alguns meses de vida. Estão na UTI, mas não há quem venha lembrá-los de outros dias mais propícios, porque não há ninguém que os acompanhe. Eles não têm família.

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Com apenas alguns meses de vida, já estão naquele lugar onde a senhorinha de cabelo branco tem medo de ir. Um berço ao lado do outro. Dois bebês de origens distintas, que se encontraram nesse ponto de interseção da vida: companheiros da mesma UTI pediátrica. Sozinhos. 

Colocamos o nariz vermelho, vestimos o jaleco branco onde se lê “Doutores da Alegria”, entramos na UTI, cantamos e dançamos para aquelas duas pessoinhas. Será que se sentem sozinhos? Automaticamente, por reflexo, seguro a mão de um deles por um momento. Enquanto cantamos, seus olhos seguem nossos movimentos, vemos uma mãozinha se erguer no berço tentando agarrar um instrumento percussivo, depois ao lado uma cabecinha se vira para seguir o som da música – percebe quando vamos mais pra longe, quando chegamos mais pra perto.

Eles também têm medo? Procuro olhá-los nos olhos.

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Nesse momento alguém começa a filmar a reação dos pequenos. Médicos e enfermeiras se acercam e os chamam pelos nomes – há muita afetividade ali. Sentimos o tempo sobrelevar e parar, para que duas palhaças sejam os “rostos conhecidos” daqueles pequenos.

Nós, duas palhaças, desejamos com nosso ofício, lembrá-los dos muitos dias propícios, que ainda virão.

Desejamos que eles não sintam medo, nem solidão, nem tristeza, ou qualquer dessas coisas-de-gente-grande-que-não-são-coisas-de-criança. Desejamos tanto que eles lembrem o quintal da casa que terão, o baile que ainda frequentarão, o aconchego dos futuros amigos e os bolos quentes nos dias de chuva. Nós somos apenas duas bobas e não sabemos se tudo que desejamos acontece. É por isso que seguimos desejando até agora.  

“Receba o mundo sem medo,
pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados
e nós mesmos também incompreensíveis”
Clarice Lispector 

Dra. Monalisa, mais conhecida como Greyce Braga,
escreve do Hospital Barão de Lucena, no Recife.
 

Da cura para o cuidado: precisamos falar sobre isso

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Depois de anos trabalhando como psicóloga em unidades pediátricas de cuidados intensivos, a americana Kathy Hull se deparou com uma enorme frustração. 

Durante sua carreira, viu muitas mortes indignas de crianças e tudo o que seus familiares tinham que suportar. Em 2004, Kathy fundou nos Estados Unidos o George Mark Children"s House, primeiro centro de repouso e cuidados paliativos para crianças.

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A área da Medicina que trabalha com cuidados paliativos vem pouco a pouco ganhando relevância no mundo. Trata-se de uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida.

A origem do cuidado é antiga: na Idade Média os hospices (hospedarias) eram comuns em monastérios, abrigando doentes, famintos, mulheres em trabalho de parto, pobres, órfãos e leprosos. Mais do que a busca pela cura, o objetivo era o acolhimento e o alívio do sofrimento.

O Reino Unido é referência na área. Em 1967, foi fundado o St Christopher"s Hospice, primeiro lugar a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas ao alívio da dor e do sofrimento psicológico. Hoje, há muitos centros como este na Inglaterra.

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Em um emocionante vídeo para o TED Talks, Kathy Hull conta algumas histórias de crianças que passaram pelo centro de repouso.

“Essas famílias estavam passando por alguns dos momentos mais dolorosos de suas vidas. Com certeza, pensei, deve haver um lugar melhor que a unidade de terapia intensiva de um hospital para as crianças no fim de suas vidas. Em vez de quartos luminosos e barulhentos de hospital, os quartos são silenciosos e confortáveis, com áreas de moradia para as famílias, jardins que são refúgios, e um maravilhoso playground externo feito especialmente para crianças com limitações físicas.”, conta ela.

 (clique para assistir e selecione, no canto da tela, a legenda em português)

É sabido que os cuidados paliativos diminuem custos dos serviços de saúde e trazem enormes benefícios aos pacientes e seus familiares. Aqui no Brasil, os primeiros serviços organizados, ainda de forma experimental, surgiram na década de 80. Segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, ainda há uma lacuna na formação de profissionais de saúde e um enorme desconhecimento sobre o tema. O atendimento paliativo é confundido com eutanásia e há uma barreira em relação ao uso de opioides, como a morfina, para alívio da dor. 

Em 2013, o Brasil ganhou seu primeiro hospice pediátrico, localizado em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Fundado pela Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA), o Hospice Francesco Leonardo Beira atende à Oncologia Pediátrica do Hospital Santa Marcelina.

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São direcionados para lá os pequenos pacientes em estado terminal e que não possuem condições sociais e médicas de ficar em sua própria casa, necessitando de auxílio e cuidados especiais, em um ambiente com todos os recursos necessários e na companhia de seus familiares. O atendimento é gratuito.

“Poucas pessoas querem falar sobre a morte, e menos pessoas ainda sobre a morte de crianças.”, afirma Kathy Hull, enfática sobre a importância da abordagem dos cuidados paliativos. E finaliza: “A transição da cura para o cuidado é ainda muito desafiadora para muitos médicos, cujo preparo tem sido para salvar vidas, e não para gentilmente levar o paciente até o fim da vida. O que podemos controlar é como vivemos nossos dias, os espaços que criamos, o sentido e a alegria que causamos. Não podemos mudar o desfecho, mas podemos mudar a jornada.”

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Eu te via, mas não te enxergava

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Quantas coisas passam despercebidas ao longo do dia. 

A janela aberta nos ofertando paisagens e soprando brisas. O passarinho cantando no portão, até que ouvi, mas nem olhei e já esqueci. O café da manhã feito às pressas. Olhando a TV nem percebi que já comi, será que estava bom? Bom, não dá tempo de repetir. O vizinho deu bom dia, mas passei com o vidro fechado e o fone de ouvido alto. 

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Pego o caminho da praia, lembro-me de apreciar no primeiro minuto, depois me perco em pensamentos e acelero. A hora não espera e na fila do elevador ninguém conversa, os olhos estão interessados em outras vidas habitadas em redes sociais.

E lá vamos nós dando início aos likes de cada dia. Estou perdendo o controle, sinto necessidade de pegar o celular e gastar tempo, hipnotizada por esta tela que me diz mais dos outros do que de mim. Faz muito tempo que visitamos a UTI e sempre encontramos alguns pacientes que moram lá. 

E talvez por isso eu via, mas não enxergava algumas coisas. 

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Depois de tantas visitas, parando no leito e falando, pela primeira vez eu enxerguei os olhos dela, uma garotinha de uns três anos. Foi em um desses segundos que tudo congela e fiz questão de gastar meu tempo olhando para aqueles olhos, e pela primeira vez nos conectamos. 

Senti vergonha por não ter parado naquele olhar antes. Percebi que ela tem olhos verdes e a pupila dilatada. Da íris à alma. Sim! A partir desse encontro, mesmo sabendo antes que existia vida ali, fui levada para além do que pode ser visto. Uma menina que há muito tempo mora ali, cuja rotina se limita a sentar e deitar, cuja paisagem são outras crianças, muitas paralisadas.

Não tem esconde-esconde, amarelinha, seu rei mandou. 

Pequenina, vou pedir à dona Chica que ela não atire mais o pau no gato, e que seu rei mande o rato parar de roer suas roupas. Que a Bela Adormecida desperte e venha brincar com você. Quem sabe Aladdin empreste o tapete voador para darmos umas voltinhas no País das Maravilhas e, por favor, pequena, não vamos aceitar nenhuma maçã!

Sim, existem pessoas nesse mundo e no encantado que não são tão boas… Precisamos estar atentas. Quando estiver ficando escuro, a gente dorme e sonha e amanhece para sonhar mais. Que a vista da janela lhe oferte sempre arco-íris. E que seus olhos grandes e contadores de histórias estejam sempre brilhando, dizendo tanto de você.

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Prometo não mais passar sem antes enxergar aquela que habita por dentro do olhar. 

E mesmo só nos olhando, é tanta conversa calada, e mesmo sem falar muita coisa, eu sei tanto dela e ela de mim. Pequena, com você aprendi a parar e contemplar; e enxergar e calar dizendo muito. Porque conversa boa também pode ser conversa calada.

Dra Svenza e Dr. Lui,
mais conhecidos como Luciana Pontual e Luciano Pontes,
direto do Hospital da Restauração, em Recife.

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Um sentido chamado sensibilidade

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Já faz um tempo que conhecemos a L. Ela tem a visão bem fraca, só enxerga muito de perto. Mas tem uma sensibilidade muito forte.

Em nossos primeiros encontros, já percebemos o quanto ela gosta de palhaço. Ela tocou nossos narizes, nossos sapatos, tudo o que tínhamos nos bolsos. Um fantoche de dedo, cartas de baralho mágica, bolas de cristal e até minha cartola de malabarismo voadora. Ela soube exatamente quem éramos: Dr. Pinheiro e Dra Greta.

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De um tempo para cá, ela esteve internada e temos nos encontrado direto. Sempre que chegamos o pai ou a mãe perguntam se ela sabe quem chegou.

- DOUTORES DA ALEGRIA!, ela grita.

Perto de completar seis anos, L. é uma criança encantadora, conversa melhor que muito adulto. Dia desses chegamos ao seu quarto e a encontramos brincando com uma residente do hospital. Entramos na brincadeira: L. pegava o fogãozinho de brinquedo, a cama e os móveis e me passava, dizendo:

- Pega para você sentir como é!

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Ao final do dia, passamos pelo corredor e lá estavam elas, juntas novamente. E dessa vez dançando valsa… Isso nos emocionou! Na última semana, quando chegamos ao quarto, L. estava saindo com outra criança em direção ao andar da Quimioterapia.

- Vamos juntos!, disse ela, pegando em minha mão.

E eu fui como seu guia, um sentimento de parceria e confiança que ganhamos com o tempo, a cada visita, a cada encontro.

Dr. Pinheiro,
mais conhecido como Du Circo,
direto do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, em São Paulo.

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Doutores recomenda: mostra Mão Molenga Teatro de Bonecos

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Embora seja conhecido nos hospitais de Recife como Dr. Eu Zébio, o ator Fábio Caio também é famoso por seus trabalhos no Mão Molenga de Teatro de Bonecos.

Desde 1986, o coletivo – formado por Fábio Caio, Carla Denise, Marcondes Lima, Fátima Caio – resgata e preserva a tradição dos mamulengos na história do teatro em Pernambuco. O estado é considerado um dos berços do mamulengo, fantoche típico do nordeste brasileiro.

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E para celebrar o legado de 30 anos e aproximar o público do trabalho, a mostra “Mão Molenga – Cenas de uma história” está em cartaz em Recife, na Galeria Corbiniano Lins (Sesc Santo Amaro).

Durante seis anos, o Mão Molenga se dedicou a filmar uma série sobre passagens importantes dos 500 anos do Brasil. Cerca de 50 bonecos foram restaurados, entre eles personagens da família real, como Dom Pedro I, Dom Pedro II em várias fases, a princesa Leopoldina, dona Maria I, além de nomes como José Bonifácio, Zumbi dos Palmares, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco.

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A exposição é gratuita e conta com trechos acessíveis a espectadores surdos ou com baixa audição, e cegos, ou com baixa visão, e poderá ter visitas guiadas sob agendamento para esses públicos específicos. E a comemoração inclui ainda oficinas, debates e apresentações de três espetáculos do repertório do grupo (Babau, O fio mágico e Algodão doce), além de exposição virtual.

Clique aqui para fazer o download do flyer da programação completa ou veja abaixo.

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Exposição “Mão Molenga – Cenas de uma história”

Segunda a sexta, das 9h às 17h, até 28 de julho
Galeria Corbiniano Lins (Sesc Santo Amaro – Rua Treze de Maio, 455, Santo Amaro)
Entrada gratuita
Informações e agendamento: (81) 3216-1728

Oficina Construção de bonecos

20 de maio a 17 de junho, aos sábados, das 9h às 12h
Sesc Santo Amaro
R$ 40 e R$ 20 (comerciários e dependentes)
Inscrições: Sesc Santo Amaro ou pelo telefone (81) 3216-1728

Roda de conversa: 500 anos, a série – Os bonecos no audiovisual pernambucano

23 de maio às 19h
Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
Entrada gratuita 

Debate sobre teatro de animação em Pernambuco

31 de maio às 19h
Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
Entrada gratuita

Lançamento da exposição virtual

30 de junho às 17h
Galeria Corbiniano Lins (Sesc Santo Amaro)

Espetáculo “Babau”

27 de maio às 16h
Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Espetáculo “O fio mágico”

28 de maio às 16h
Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Espetáculo “Algodão doce”

28 de julho às 10h
Teatro Marco Camarotti
R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Uma sabiá no isolamento

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Antes de entrar na UTI pediátrica, perguntamos a duas técnicas de Enfermagem se havia algo que precisávamos saber antes de começar as visitas. É uma prática habitual em nossa rotina de trabalho. 

- Sim, isolamento na enfermaria 4.
- Não podem entrar.
- Mas podem ficar na porta.
- Usem máscara, avental e luva se quiserem entrar.
- Por que tudo isso?, perguntei.
- É uma superbactéria, Dr. Euzébio!

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Fiquei assustado e quase comecei a chorar, dizendo que não iria lá por nada nesse mundo. Dr. Micolino, meu parceiro, me convenceu a fazer o contrário, me empurrando até a porta da tal enfermaria onde reinava a superbactéria que impedia a entrada dos médicos.

A porta estava fechada e não se ouvia um ruído sequer. Havia um monte de papel toalha na pia, logo na entrada da enfermaria. Peguei algumas folhas, usando-as como escudo, e bati na porta. Instantes depois um homem muito simpático abriu a porta. Era o pai da F., que ria das nossas caras inquisidoras. 

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Ficamos na porta do quarto e olhamos por todos os cantos, de cima a baixo, procurando a tal vilã. A superbactéria estava muito bem escondida, quem sabe até já havia fugido. Depois de nos apresentarmos, cantamos uma canção para a menina, que nos olhava com seriedade. 

Até cheguei a achar que não estava gostando. Só que ao final da canção, ela balbuciou algo tão baixinho que o pai teve que traduzir.

- Entra!
- Eles não podem, respondeu o pai.
– Então canta outra!

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Dessa vez foi Micolino quem pegou a viola e puxou a canção do sabiá, enquanto eu puxei um pedaço de papel colorido e comecei a construir, ali mesmo, um pássaro que bate asas.

- Pai, não deixa eles irem embora!, o pai traduziu para nós.

Terminada a canção, tinha em minhas mãos uma sabiá de papel, que pegou carona nas mãos do pai da F. e saiu batendo asas para dar-lhe um beijinho na testa. A última frase nem precisou de tradução. De onde estava, ela sorriu e nos mandou um beijo dizendo: Volta, viu?.

Dr. Eu_zébio, mais conhecido como Fábio Caio,
direto do IMIP, em Recife.

A cidade e o feminino, por uma jovem artista

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Todos os dias, pouco mais de 20 jovens circulam pela nossa sede, em São Paulo.

Pela manhã, têm aulas de palhaço: aprendem, praticam, refletem, trocam experiências. De tarde, alguns se vão. Outros permanecem e continuam o treino: arriscam um instrumento musical ou um devoram um livro

Uma destas jovens é a Jéssica Ferreira, que mantém a prática da escrita com um olhar muito sensível, crítico e poético.

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Cidade e Feminino

“Olha lá. Sentada no banco da praça, perdeu a dignidade, coitada. Olha lá, se despindo na praça do centro, colocando pra fora peito, bunda, sujeira, calor, grito de quem tá calada faz tempo. Olha lá, olho perdido olhando pra nada, olhando pra tudo. Olha a angústia, olha. Vê? Deixo a minha dor, deixo a voz, deixo história interrompida. Deu tudo que tinha, se deu e deu alma, deu corpo, deu pro tempo, deu pra esse, deu pra aquele, deu pra rua, deu pra nunca mais se ter. Mulher perdida na praça sem roupa, esse olhar você não aguenta. Agora tá dançando, olha lá. Bota a mordaça.

Na esquina, amontoada com saco, bolsa, roupa, pombo, passado, fome e caderno e caneta na mão desenhando o labirinto perdido há tempo. Desenhando passado, desenhando história desenhando luta e grito e dor, de quem foi, mas não é mais. Concentração na ponta da caneta, concentração no toque do papel, ignora a multidão que passa, e passa. E ela? Ela fica. Ela tá aqui esperando o outro dia chegar. Não. Ela tá aqui desenhando labirinto, ela tá aqui agora, só agora. Mulher na rua, fedida, perdida, desenhando labirinto, a se organizar. Êta.

Jogada em qualquer canto da cidade, jogada no papelão da carne, da carne que come, da carne que deita no papelão da carne, que se aquece no papelão da carne, que mija no papelão da carne. Sentada com a criança no colo, peito de fora, peito que amamenta e que homem não tem. Homem não alimenta. Cabelo desgrenhado, corpo suado, sujo. Mão estendida, olhar selvagem. Criança pequena, moleque que vai crescer moleque já tá no mundo, moleque com fome. Olha lá, se desenhando os muros bem na frente do moleque.

A cidade é amontoado, é amontoado de coisa e acúmulo, acúmulo de coisas, de capital, de sujeira, de lágrima seca, de palavra não dita. Então diz pra mim, diz pra mim no meio disso tudo, diz que você me respeita, diz que você me vê, que me reconhece. Diz que vai me deixar andar, diz que vai me deixar falar, diz que não vai ser escroto, diz que não vai pisar na cabeça dela quando ela estender a mão. A cidade engole e abriga, ao mesmo tempo. Protege e expõe, mas não defende.”

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Espaços de intervenção

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Sempre olhamos para o hospital como um espaço de intervenção. Bem, “intervir”, no âmbito da Medicina, pode ser um procedimento cirúrgico para tratar uma doença. No contexto da arte, entretanto, uma intervenção pode ressignificar uma situação cotidiana, trazer um novo olhar para algo já estabelecido.

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Foi assim que, há 25 anos, Doutores da Alegria escolheu o palhaço como forma de intervenção no hospital. Sua essência questionadora e subversiva quebrou paradigmas em um ambiente pautado pela hierarquia, pela seriedade, pelas regras. E se no início o palhaço gerava estranhamento e indagação sobre sua pertinência, tempos depois inspirou diversas atividades dentro do hospital e foi abraçado pela sociedade, tornando-se ícone do movimento de humanização.

Optamos por estar em locais fronteiriços em que o poder público quase se ausenta. Convivemos diariamente com a doença, a violência em pequenas atitudes, o descaso e o abandono, entre outras tragédias cotidianas – mas também com a cura, com profissionais dedicados, com a superação, com a alegria dos encontros.

Intervir junto a crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade e risco social em hospitais públicos nos fez transitar, como organização, pelos campos da saúde, da cultura e da assistência social. Do lado de fora dos hospitais, ampliamos canais de diálogos reflexivos com a sociedade e investimos em formação e pesquisa.

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Neste caminho, em 2016 Doutores da Alegria trouxe uma nova governança, composta por um diretor presidente e quatro diretores eleitos pelos associados. E uma nova tarefa institucional, que substituiu a nossa missão, propondo a arte como mínimo social, ou seja, como uma das necessidades básicas essenciais para o desenvolvimento digno do ser humano, assim como alimentação, saúde, moradia e educação.

O conceito de mínimo social ainda está sendo digerido pela organização, contudo ele já aponta para um novo espaço de intervenção muito além do ambiente hospitalar: a atuação com políticas públicas em uma perspectiva de construção e garantia de direitos. Assim como há 25 anos, talvez causemos estranhamento e indagações, mas atuar na fronteira também faz parte de nosso ofício.

_texto originalmente publicado no Portal Setor 3