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“Para quem está no hospital, existe uma dimensão da saúde importantíssima e que não é suprida por medicamentos. Trata-se da capacidade de sonhar.”

O pretexto é da atriz Cris Muñoz, que se apresentou nesta semana no Hospital Estadual Eduardo Rabello, no Rio de Janeiro, pelo projeto Plateias Hospitalares. A partir de uma experiência pessoal muito ligada ao ambiente hospitalar – sua filha nasceu com 27 semanas de gestação, sendo diagnosticada como autista aos dois anos; sua mãe é portadora de Alzheimer há 18 anos – ela enxergou nesta rotina intensa um desejo de transmutar a dor.

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O desejo foi potencializado pela amiga Flávia Lopes, atriz que também carrega uma experiência intensa entre médicos, exames, procedimentos, SUS: ela acompanha o marido, que teve leucemia e fez um transplante de medula.

“Nós duas temos experiências hospitalares e, como profissionais, há algum tempo queríamos dar outras cores, resignificar afetivamente nosso lugar nisso tudo. Pensamos em quem passa também por experiências semelhantes e tivemos a percepção de que, para quem está em ambiente hospitalar, existe uma dimensão da saúde importantíssima e que não é suprida por medicamentos: trata-se da capacidade de sonhar. Quando alguém perde essa capacidade, invariavelmente, o corpo definha.”, conta Cris.

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A peça “Onde Moram os Sonhos”, da companhia As Comediantes, foi escolhida para percorrer sete hospitais do estado do Rio de Janeiro, se apresentando de forma gratuita a pacientes, acompanhantes, profissionais de saúde e comunidades do entorno. Elas contam a história de três aventureiras que aterrissam no espaço hospitalar e ali, através da imaginação, da música e da interação com o público descobrem onde moram os sonhos.

“O trabalho em hospital e, principalmente, na rede pública, fortalece minha crença de que a arte é diretamente fonte de saúde: mental, emocional, psicológica e, também, biológica.”, afirma Cris Muñoz, que tem mais de trinta anos de teatro, dos quais dezoito dedicados ao estudo e à prática da palhaçaria. Hoje, ela é responsável pelo Núcleo de Palhaçaria da mais antiga escola técnica de teatro da América Latina, a ETEC Martins Pena.

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E com tantos anos de teatro, tendo se apresentado para públicos dos mais diversos, o contato com a arte dentro do hospital, para ela e as demais atrizes da companhia, tem um impacto extraordinário:

“É difícil descrever uma experiência que nos coloca num lugar de empatia tão agudo. O público parece ver-se nas personagens e nós neles. É uma experiência de humanidade. Cada lugar nos atravessa de forma diferente, mas em todos nos sentimos gratas demais por poder dizer para essas pessoas: sonha vai, você pode!”.