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Centenas de pessoas deixaram o feriado de lado para refletir e praticar o palhaço em três dias de encontro propostos por Doutores da Alegria.

O 4º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital teve início ontem, dia 12 de novembro, e segue até o dia 14 em São Paulo. Na programação há mesas de discussão, oficinas e intervenções artísticas para grupos de todo o Brasil que usam a máscara do palhaço para atuar em hospitais.

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Neste encontro vamos discutir o compromisso com o trabalho, sua profissionalização e como formar uma rede engajada”, conta Raul Figueiredo, tutor do programa Palhaços em Rede. Ele introduziu o primeiro dia de debates com a mesa “Contexto e tendências da ação do palhaço na atualidade”.

A psicóloga e pesquisadora Morgana Masetti trouxe reflexões que estão sendo debatidas mundo afora. falou sobre doenças do mundo atual, felicidade e relações afetivas. “A doença e a tristeza, que fazem parte da experiência humana, começam a ser vistas como desnecessárias na humanidade. Elas tentam ser silenciadas. Os sintomas falam alguma coisa da minha ligação com o mundo, e eles precisam ser entendidos, não silenciados.

Morgana também trouxe a ideia do palhaço como meio, não um fim. “O palhaço ativa algo em mim que me faz querer chegar em algum lugar. Como trabalhar essa energia que o palhaço mobiliza em mim?”, questionou ela.

A discussão seguiu com Thais Ferrara, diretora artística do Doutores da Alegria, que falou sobre humanização e sua trajetória até virar política pública. “O palhaço virou ícone da humanização, mas quando decidimos entrar no hospital, nossa proposta era completamente artística, humanização sequer passava pela cabeça. Com o passar dos anos nosso objetivo artístico foi sendo colocado a serviço da humanização”, conta ela.

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“A humanização se pautou no movimento feminista, quando a saúde da mulher veio à tona e começaram a ser criados programas como mãe canguru, hospital da criança, aleitamento materno, alojamento conjunto. Com o tempo entenderam que era preciso democratizar as práticas, dialogar com o paciente e, principalmente, partir da gestão”, finalizou.

A seguir Daiane Carina apresentou um dos temas mais importantes do encontro: o novo marco regulatório, que regulamenta, traz regras e obrigações às organizações do terceiro setor.

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“A lei surgiu por uma convergência de fatores: ausência de uma lei especifica para regular o setor, falta de planejamento, monitoramento, ausência de dados sistematizados e pouca capacitação”, conta ela. O principal objetivo do marco é dar mais transparência para as parcerias realizadas com o governo – algo que teve evidência em 2007, durante a CPI das ONGs.

Segundo Daiane, o terceiro setor já alcança 5% do PIB brasileiro e tem migrado do assistencialismo para um campo profissional. “Para prestar um serviço para pessoas em situação de vulnerabilidade social, será preciso se constituir como organização e ter um diagnóstico da realidade onde você vai atuar, ter planejamento e indicadores das suas ações”, conta ela.

A mesa encerrou com Nando Bolognesi, que esteve no elenco do Doutores da Alegria por cinco anos e trouxe um olhar para a função social do palhaço. “O palhaço tem uma capacidade de se disfarçar e de se apresentar como uma figura diferente do que é, um tipo difícil de identificar porque a primeira camada que aparece é a camada fofa, simpática, confiável, mas o palhaço é subversivo, é político, e isso não é uma opção, é uma condição”, conta ele.

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A manhã encerrou com uma intervenção surpresa do palhaço Klaus, criado por Márcio Douglas, do elenco do Doutores da Alegria. Ele provocou os participantes, trazendo uma versão diferente da máscara do palhaço.

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