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Estávamos na pediatria, que fica no 3º andar do hospital, subindo as escadas, virando à esquerda, quando encontramos duas angolanas, uma mãe e sua filha de dois anos.

A filha adorou a música que eu, Dr. Mané, e Dr. Mingal tocávamos no quarto.

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- Ela gosta muito de música! Costumo cantar para ela…, disse a mãe.

Pedimos então uma palhinha, mas a mãe disse que só sabia músicas de Angola. 
- Tipo o kuduro?, perguntou Dr. Mingal.
- Sim!, riu a mãe.
- Canta pra mim que eu sei dançar o kuduro!, pediu o besteirologista. 

Kuduro é um gênero musical e um gênero de dança que surgiu em Angola. É um ritmo influenciado por outros gêneros como kizomba, semba, reggae, afro house e rap. E então ficou assim: a mãe cantava com a filha, eu ajudava com a melodia e o Dr. Mingal dançava o kuduro com toda a sua malemolência.

A demonstração estava tão boa que muitos pacientes de outros quartos foram ver o que estava acontecendo ali. Um grande encontro de culturas.

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Ao final da música, sob aplausos e risos de todos, a menina olhou para o besteirologista balançando a cabeça.

- Não é assim, Mingal! Você não sabe dançar!
- Então como é?
, perguntou ele. 

E a menininha mostrou a dança da sua Angola ao som da mãe, que cantava rindo e chorando. Uma cena daquelas realmente inesquecíveis.

Márcio Douglas, conhecido como Dr. Mané Pereira, escreve do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo