Um papo cabeça sobre arte e saúde no hospital

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Foi ainda sob os efeitos do calor de 38 graus, em uma rua estreita do Rio de Janeiro, próxima à famosa Escadaria Selarón, que trinta pessoas toparam se encontrar para um bate papo sobre arte e saúde.

Quem conduziu o encontro “Reflexões sobre saúde no mundo contemporâneo” foi a psicóloga hospitalar Morgana Masetti. Há mais de 20 anos pesquisando a arte – especificamente a palhaçaria – no ambiente hospitalar, Morgana trouxe reflexões em torno do entendimento que a sociedade tem sobre doenças contemporâneas, a constante medicalização dos sintomas e o papel da arte inserido na saúde.

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“Hoje, o mal estar social vem sendo tratado como um mal estar individual. Problemas que seriam tratados como coletivos são tratados como pessoais.”, disse. Ela deu o exemplo da situação de violência no Rio de Janeiro, que é um mal estar social gerador de emoções como o medo. O combate muitas vezes se dá no nível individual, com o uso de medicamentos como calmantes.

Esta medicalização de sintomas individuais vem amparada pela catalogação de doenças como as enfermidades do vazio: depressão, insônia, ansiedade. Para cada doença, um bocado de remédios que controlam emoções e desequilíbrios próprios do ser humano. Morgana refletiu ainda sobre as imposições que a sociedade delega ao “eu” como, por exemplo, a obrigatoriedade de se buscar a felicidade e compartilhar isso com seus conhecidos.

Neste sentido, o sintoma pode ser visto como um lugar de resistência, um ponto de interrogação à sociedade terapêutica. A doença e a tristeza, que fazem parte da experiência humana, começam a ser vistas como desnecessárias na humanidade. Elas tentam ser silenciadas. Os sintomas falam alguma coisa da minha ligação com o mundo, e eles precisam ser entendidos, não silenciados.”, explica ela.

Escutar e intervir

A plateia levantou questões como a importância da escuta, principalmente por parte do profissional de saúde. Dio Jaime, palhaço da Cia Sapato Velho, contribuiu: “A escuta é fundamental, porque senão você não escuta a criança que não quer brincar. Você prepara um monte de coisas, músicas, mágicas, e encontra um médico que ganha mal, que perdeu uma criança naquela noite. Você pode piorar o ambiente.”, disse ele.

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Ao focar no trabalho de artistas como os palhaços do Doutores da Alegria, Morgana Masetti reforçou a possibilidade de a arte estabelecer vínculos no hospital. “O artista cria uma linguagem para afetos que pedem passagem, fazendo com que o imaginário possa circular novamente. E isso gera uma mobilidade em relações que já estão estabelecidas. Posso brincar dentro de um hospital, estabelecer outra linha histórica, outra realidade que ajude o paciente a atravessar o que está passando., diz a psicóloga.

O papel do artista no hospital foi outro tema relevante. Caberia à classe artística rever sua intervenção neste ambiente, tendo a clareza de que o trabalho não precisa ter como proposta a busca pela felicidade, uma vez que esta pode ser um gatilho para as enfermidades do vazio.

Eliane Fernandes, da Secretaria Municipal de Saúde, trouxe a perspectiva do gestor hospitalar: “Hoje muitos projetos chegam ao hospital sem objetivo, sem metodologia. Eu valorizo o trabalho com afetos, com memórias; não somente alegria. É preciso uma conduta pra entrar em um hospital”, reforçou.

Após a palestra, os participantes abordaram práticas ligadas à intervenção do Doutores da Alegria. No Rio de Janeiro, a organização atua por meio do projeto Plateias Hospitalares, abrindo espaço para que artistas de rua e de palco possam intervir em hospitais públicos.

Você lembra da primeira vez em que viu um palhaço?

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Ver um palhaço ou palhaça pela primeira vez é uma experiência inusitada.

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Talvez o circo seja o lugar que mais foi palco do encontro entre crianças e palhaços. Mais recentemente a televisão, com seus personagens memoráveis, ocupou este espaço de encontro. E ambos os lugares têm em comum a distância: da cadeira na plateia ao sofá de casa, palhaços e crianças permanecem afastados, interagindo somente por meio da risada conquistada com uma gag clássica. Um ou outro pequenino tem a chance de dividir o palco, se unindo às trapalhadas do palhaço de circo.

No hospital, o palhaço se aproxima da criança, vai ao seu encontro.

Neste movimento, precisa se livrar da maquiagem e do figurino pesados (que, bem, são ótimos para quem os enxerga à distância!) e compor um personagem menos caricato, que possa se aproximar de um leito de hospital sem causar tanto estranhamento. Muitos dos palhaços do Doutores da Alegria, com suas origens no circo, passaram por este processo antes de incorporar o elenco. Surge o besteirologista, uma figura inusitada naquele ambiente.

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E é assim que alguns milhares de crianças (e adultos) tomam contato pela primeira vez com um palhaço: no hospital. Podemos dizer que a situação de adversidade traz esse “privilégio”? A possibilidade de um encontro potente, olho no olho, em um momento em que as emoções estão à flor da pele, carrega uma vivência única e sublime.

Palhaços e crianças estão, ali, mais próximos do que nunca. À distância de um toque. 

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O resultado desta união pode ser uma experiência de alegria. Mas também pode ser uma descoberta, uma pulga atrás da orelha, um momento poético ou até um choro contido – como muitas das histórias contadas neste Blog revelam.

E você, lembra-se do seu primeiro contato com um palhaço ou palhaça? Conte pra gente como – e onde! – foi.

As lições do mais longo estudo sobre a vida adulta

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Manter hábitos saudáveis certamente melhora a nossa vida: alimentar-se bem, dormir o suficiente, manter o check-up em dia, fazer exercícios e tudo o mais. Acontece que um novo ingrediente foi adicionado ao balaio: manter relacionamentos saudáveis.

Pelo menos é isso que traz um estudo – possivelmente o mais longo feito sobre a vida adulta – feito pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Eles investigam, há mais de 75 anos, o que nos mantêm saudáveis e felizes enquanto passamos pela vida.

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O Estudo de Desenvolvimento Adulto, coordenado hoje pelo psiquiatra e psicanalista Dr. Robert Waldinger acompanhou a vida de 724 homens, dos quais 60 ainda estão vivos e participam do estudo. E há dez anos, as esposas destes homens também participam do estudo. O próximo passo é incluir os mais de dois mil filhos destas pessoas. Veja aqui o estudo completo.

Nesta palestra de 2015 no TED Talks, ele explica a descoberta. “Ouvimos constantemente que devemos priorizar o trabalho, dar nosso melhor e conquistar mais coisas. E nos dão a impressão que essas são as coisas que devemos correr atrás para se ter uma vida boa.”, conta Dr. Waldinger.

 

A cada dois anos, os pesquisadores enviam questionários, entrevistam alguns participantes, conversam com suas esposas e filhos, recebem seus boletins de saúde e até escaneiam seus cérebros.  O volume de informações gerado é impressionante e certamente trará novas descobertas.

Mas Dr. Waldinger é categórico quanto ao aprendizado principal extraído do estudo. “Quais são as lições que extraímos das dezenas de milhares de páginas de informação que geramos sobre essas vidas? Bem, as lições não são sobre riqueza ou fama ou trabalhar mais e mais. A mensagem mais clara que tiramos desse estudo de 75 anos é esta: bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis. Ponto final.”

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E ele lista três grandes lições sobre relacionamentos durante a vida:

Conexões sociais são muito boas para nós, a solidão é tóxica

Estar conectado com a família, amigos e comunidade manteve os participantes fisicamente mais saudáveis e mais felizes do que as pessoas com poucas conexões. Já pessoas mais isoladas do que elas gostariam de estar tem uma experiência de vida diferente: descobrem que são menos felizes, sua saúde decai precocemente na meia idade, seu cérebro se deteriora mais cedo e vivem vidas mais curtas do que aqueles que não são solitários. 

O que importa é a qualidade dos seus relacionamentos mais próximos

Não se trata apenas do número de amigos que você tem, ou se você está ou não em um relacionamento sério, mas sim da qualidade dos seus relacionamentos mais próximos. Casamentos muito conflituosos, por exemplo, sem muito afeto, podem afetar a saúde em longo prazo, enquanto que viver em meio a relações boas e reconfortantes parecem nos proteger durante o envelhecimento.

“Nossos homens e mulheres mais felizes em uma relação relataram, aos 80 anos, que nos dias que tinham mais dor física, seu humor continuava ótimo. Mas as pessoas que estavam em relacionamentos infelizes, nos dias que tinham mais dor física, esta era intensificada pela dor emocional”, conta o pesquisador.

Relações saudáveis protegem não apenas nossos corpos, mas também nossos cérebros

As pessoas em relacionamentos nos quais sentem que realmente não podem contar com a outra pessoa são as que acabam tendo declínio de memória mais cedo. E esses relacionamentos bons não precisam ser tranquilos o tempo todo. 

“Alguns de nossos casais octogenários podiam discutir um com o outro dia sim, dia não, mas contanto que sentissem que poderiam contar um com o outro quando as coisas ficavam difíceis, aquelas discussões não prejudicavam suas memórias.”, finaliza. 

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Cultivar bons relacionamentos ao longo da vida é mesmo um trabalho incansável.

Demanda energia para passar por momentos conflituosos e nada tem a ver com fama, riqueza ou grandes conquistas. Bem, e se você já praticou seu exercício preferido hoje ou dormiu bem nesta noite, que tal encontrar aquele amigo de infância ou convidar seu parceiro para um passeio inesperado?

7 sugestões para seu amigo secreto

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Final de ano sempre tem aquele amigo secreto da firma, da família, da vizinhança. Até no hospital tem amigo secreto. 

E como bons besteirologistas e palpiteiros, queremos deixar aqui a nossa listinha de sugestões para as confraternizações deste ano. Vamos lá:

Para o amigo que anda desanimado, uma porção de injeção de ânimo.

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Para o amigo fitness que adora frango com batata doce: um pesinho de leve.

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Para o amigo em busca de um amor: um cupido de plantão.

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Para o amigo esquecido (esquece do seu aniversário, de pagar aquele boleto e até de buscar o paciente depois da alta, tsc tsc): um lembrete de dedo.

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Para o amigo que reclama do guarda-roupa (e já pediu antecipadamente uma “brusinha” de presente): um look de arrasar o quarteirão.

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Para o amigo que anda sem grana até pro picolé: uma nota alta.

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Para o amigo que virou mamãe ou papai neste ano: um ursinho ursão.

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E se nada certo, ou se o seu amigo não gostar do presente, mande ele escrever uma cartinha pro Papai Noel e ser mais claro da próxima vez, tá? :) 

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O médico mudou. E, bem, o palhaço também.

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Lá pelos anos 90, quem tinha maior autoridade e prestígio dentro de um hospital era o médico. O profissional era o detentor do conhecimento, em seu julgamento e em suas mãos repousavam o destino de muitos. A seriedade era quase que lhe imposta, uma vez que qualquer erro podia lhe custar uma vida.

Foi neste cenário que surgiu o Doutor da Alegria, sujeito com um jaleco cheio de cacarecos, uma aparência questionável, entendido de Besteirologia, sem autoridade nenhuma e fadado ao erro. A ideia era justamente contrapor a autoridade médica, trazendo um novo olhar para as relações e a hierarquia dentro de um ambiente em que a saúde e a doença caminham juntas.

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Pois bem. Quem acompanha a rotina de um hospital hoje, quase 30 anos depois, sabe que o poder da figura médica perdeu fôlego, apesar de histórias recentes como esta.

O oncologista Drauzio Varella ajuda a entender pra quem está do lado de fora: “A lógica de mercado invadiu o sistema de saúde. Administradores alheios à profissão trouxeram palavras de ordem às quais [nós, médicos] não estávamos habituados: produtividade, racionalização da mão de obra, economia de escala, lucratividade, fusões, corporações, capital de risco.”

Em um artigo para a Folha de S.Paulo sobre os últimos 50 anos da Medicina no país, Drauzio conta como a figura médica foi absorvida pela indústria e pelo avanço da ciência. Se, por um lado, o profissional testemunhou um salto de qualidade técnica da medicina, por outro “o desinteresse dos colegas frustrados com os salários e as condições de trabalho fizeram perder parte do prestígio que tínhamos na sociedade”, escreve ele. O artigo inteiro pode ser lido aqui.

Os meios de comunicação modernos, que trazem conteúdo à ponta do dedo, abriram as portas do conhecimento para o paciente de hoje, que é muito mais informado que há 50 anos. “Os médicos que nos precederam transmitiam mensagens de saúde ao encontrar as pessoas nas ruas, nas praças, nas festas da comunidade. As praças de hoje são as estações de rádio, os canais de televisão, o Facebook, o Google, o YouTube e os sites da internet. Muitos dos que nos introduziram na profissão eram médicos autoritários, que impunham suas condutas sem levar em conta as idiossincrasias individuais.”, conta Drauzio Varella.

E se a função do médico moderno é a de trazer alternativas para que o paciente possa decidir – sim, ele mesmo! – sobre qual delas se adapta melhor às suas necessidades e desejos particulares, qual seria a função do palhaço que atua no hospital?

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Contrapor a figura de um médico empoderado parece não fazer mais sentido. Em muitos relatos neste Blog fica clara a parceria que o palhaço estabelece com o médico, como nesta história em que a equipe de saúde pediu aos palhaços que dessem a tão almejada alta hospitalar a uma criança. Ou nesta organização, em que palhaços são autorizados a acompanhar procedimentos cirúrgicos, reduzindo o estresse e facilitando o diagnóstico pela equipe médica.

A aliança entre médicos e palhaços que atuam de maneira profissional foi conquistada aos poucos, com profundo respeito aos saberes de cada um.

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E se na nova ordem o paciente deixou de ser o centro das atenções no sistema de saúde, como bem lembra Drauzio, para médicos e palhaços ele continua sendo a razão pela qual decidimos entrar pelas portas de hospitais todos os dias. Com jalecos ou cacarecos, com diagnósticos difíceis ou sorrisos inesperados.

O que nos faz rir?

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“O que nos faz rir?” Foi a partir desta indagação que o dramaturgo Luis Alberto de Abreu desenvolveu uma conversa na última semana na nossa sede.

Luis Alberto de Abreu é dramaturgo e roteirista, autor de mais de sessenta peças teatrais. Desenvolve roteiros para cinema, microsséries e, mais recentemente, colaborou para a novela Velho Chico.

falamos aqui sobre o riso e sua passagem pelo tempo. Diante de uma plateia cheia, o dramaturgo trouxe a ideia de que o riso é uma atividade humana, fundamentalmente desorganizada, desestruturada.

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“A postura de quem ri não tem padrão, pois o riso é caótico. É uma expressão de alegria, rimos porque estamos relaxados e estamos relaxados porque vivemos em grupo, em segurança, desde a revolução agrária.”, iniciou ele.

O riso também pode ser agressivo. Para o filósofo Mikhail Bakhtin, o riso é um instrumento de combate ao autoritarismo, à intolerância e à falsa moral da sociedade. Durante a Idade Média, rir era subversivo, era um ato de rebeldia, uma característica essencial da cultura popular – e, por isso, vulgarizado. “Mas nos períodos de colheita, que também eram períodos de festas, o sagrado se unia ao profano. A seriedade convivia com o riso.”, aponta Luis Alberto.

O dramaturgo analisou as obras do filósofo francês Henri Bergson, que propõe que o riso tenta coagir certas manifestações potencialmente nocivas à sociedade. Segundo ele, tudo o que é mecânico, rígido e repetitivo – principalmente em nosso corpo – é material para o riso. Basta lembrar-se de cenas de palhaço. Quantos deles possuem um andar que foge das nossas expectativas? Pois o riso seria justamente uma frustração da nossa expectativa.

O médico neurologista Sigmund Freud também foi alvo da conversa. “Freud acreditava que o riso é uma liberação de neuroses e só existe porque a sociedade reprime nossos instintos primários. O riso é a liberação de alguma repressão. Vamos ao teatro e vemos o que não fazemos em público, vemos a repressão ali ilustrada, e então damos risada daquela situação.”, argumenta ele.

Outras características inerentes ao ato de dar risada estariam relacionadas à parte inferior do corpo humano, a partir da barriga. Assim, também estariam ligadas à comida, às excreções, ao sexo.

O estudo do riso é amplo e a palestra trouxe uma pequena e importante dimensão dele. Há muitos materiais e livros sobre o assunto na Midiateca dos Doutores da Alegria, localizada em nossa sede, em São Paulo. É possível consultá-los agendando um horário pelo telefone (11) 3061-5523.

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Eu tinha esquecido dessa tal humanidade. O hospital me fez lembrar.

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É muito genuíno o sentimento de humanidade que a situação de internação num hospital traz.

Talvez seja o momento da vida em isso mais aflora. Ou quem sabe seja o fato de termos que parar de nos preocupar com coisas da vida mundana para realmente sentir e viver o presente. Porque não importa mais se o trânsito está pesado ou se acabou o arroz em casa, importa agora se vou aguentar o tranco.

E, para isso, é preciso contar com pessoas. Estrutura também, remédios, um pouco de sorte, mas principalmente pessoas.

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Recentemente passei uma semana entre o quarto e a UTI. Duas ambulâncias, dois hospitais, muitos exames, picadas, diagnósticos, corredores. O termo “paciente” é mesmo pra justificar o tempo que se espera e a condição de entrega, sem muita reação, ao tratamento. Etimologicamente, “paciente” deriva do latim pati e do grego pathe, que significam “sofrer” ou “aguentar”. 

Mas eu volto à humanidade.

Assim que sofri o acidente, abri meus olhos e vi à volta dezenas de pessoas em plena rodovia. Você está bem, Gabi? Não se mexa. Calma que a ambulância já vai chegar. Quer que avise algum parente? Reclamavam de quem passava de carro devagarzinho só pra olhar. Faziam sombra para que o sol não atingisse os machucados já doloridos. Uma pena que, deitada, não pude enxergar o rosto de nenhum deles.

Durante esta semana recebi, talvez como em nenhum aniversário, o carinho de muitas pessoas. Em forma de palavras, de visitas, de lembranças e até de posts no Facebook, e foi incrível como isso ajudou no meu fortalecimento. Eu realmente senti a energia que esses amigos passavam.

Mas o que mais me tocou – e ainda toca – foi o que recebi dos profissionais de saúde. A humanidade de cada um em gestos simples como trocar a fralda, dar um banho numa cadeira de rodas depois de dias no leito ou trocar o acesso às veias de forma gentil. Lembro-me da fisioterapeuta que me guiava delicadamente pelos corredores, do rapaz que me ofereceu um cobertor na sala da tomografia, do motorista da ambulância que pedia desculpas após passar na lombada, do médico que me deu alta com um sorriso no rosto.

Na clausura da UTI, só me restava me apegar a estas pessoas. Desejar que estivessem felizes por deixar a família e trabalharem durante a madrugada fria naquele lugar, me fazendo companhia. Cuidando. Nunca fui de me apegar à metafísica, prefiro me apoiar no que posso ver e tocar.

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Ali também entendi, de forma verdadeira e forte, o significado do trabalho dos Doutores da Alegria. A falta que a imaginação despreocupada, a brincadeira e o riso fazem durante a internação – e a importância de manter uma atitude positiva. Pensei na poesia que é preciso ter para quebrar algumas barreiras e tentei supor como seria passar por isso enquanto criança ou idoso e, claro, lembrei do caso do Mateus e da Gabi, moradores de uma UTI, cujo sonho era ver a lua.

Nas duas semanas seguintes, já fora do hospital, valorizei cada pequena vitória e também o privilégio de ter uma família para me amparar naquele momento frágil. Agradeci por poder tomar um solzinho, olhei como pela primeira vez a grama verdinha que nascia na terra, me encantei com a sabedoria do corpo humano.

O tempo passou rápido.

Aos poucos, a vida vai puxando para o centro da roda de novo e o futuro começa a fazer mais parte dos pensamentos que o presente. Mas em tempos tão esquisitos, com hospitais sucateados e a saúde do país agonizando, essa brutal experiência me levou a acreditar neste fio invisível que nos liga: a humanidade. Obrigada a todos.

Gabi, da equipe de Comunicação do Doutores da Alegria.

É sério: rir faz bem à saúde

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É sério: rir faz bem à saúde. Inúmeros estudos, de universidades e instituições relevantes, comprovam que o ato de dar risada e, principalmente o de gargalhar, ativam substâncias em nosso corpo que trazem sensações benéficas.

O riso aumenta os níveis de dopamina, substância ligada ao prazer e o responsável pela alegria. Ela age no cérebro e nos faz sentir prazer, diminuindo os níveis de estresse, e melhora a capacidade do corpo de combater infecções. E tem mais: dar uma gargalhada pode reduzir a sensação de dor. A endorfina liberada no corpo cria um estado leve de euforia e tem ação analgésica, amenizando a sensação de dor.

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Para o neurocientista cognitivo Scott Weems, o humor revela muito sobre nossa humanidade, sobre como pensamos, sentimos e nos relacionamos com o próximo, é a única forma que nosso cérebro encontra para lidar com diversas informações contraditórias ao mesmo tempo. Em suas pesquisas, ele mostra como estes hormônios nos tornaram seres em busca de emoção e de novas maneiras de melhorar a vida. Rindo, se possível.

 “O riso é o resultado da longa batalha cerebral entre emoções e pensamentos opostos. Ao chegar ao ápice da confusão, sem nenhuma alternativa de solucioná-la, rimos. E, assim, não só reconciliamos as ideias contrárias como enxergamos respostas. Rir nos conecta a outras pessoas para dividir nossas lutas, temores e confusões.”, diz ele.

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E, mais recentemente, um estudo finlandês trouxe a hipótese de que outras substâncias do nosso corpo, ativadas pelo riso, são capazes de promover laços afetivos entre todos os que compartilham a risada. Isso também explicaria por que a espécie humana foi capaz de estabelecer relações e vínculos sociais.

Nos hospitais, é fácil perceber como o riso modifica o ambiente e quebra barreiras, aproximando pessoas e criando laços. Não somos cientistas ou estudiosos do assunto, mas como besteirologistas – e bom observadores – seguimos confirmando a hipótese de que rir só traz benefícios à saúde.

7 dicas de como passar o tempo no hospital

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Se tem uma coisa que acontece muito dentro de um hospital é a espera. Todo mundo já passou por isso. 

Esperar pelo atendimento, pelo médico, pelo diagnóstico. Esperar até o soro passar por todas as veias, esperar para o remédio fazer efeito. Pelo resultado do exame, pela visita que não chega, pela dor que não passa. Esperar é dar tempo ao tempo. 

Pra te ajudar a manter a sanidade, os besteirologistas Dra Lola Brígida e Dr. Chicô indicam sete coisas que você pode fazer para passar o tempo no hospital.

1. Tire um cochilo. Onde achar melhor.

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Pode ser no porta soro ou nas cadeiras da recepção. Mas lembre-se de dividir espaço com os coleguinhas que também estão esperando.

2. Espione algum lugar. 

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Só não vale entrar em lugar restrito. E você pode fingir ser médico, como a Lola e o Chicô… Opa, quer dizer, eles são médicos! Besteirologistas! 

3. Abrace alguém de repente.

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Não mais que de repente! E dê aqueles abraços de urso. Cuidado pra não esmagar ninguém com tanto carinho.

4. Diga que vai dar um pulo logo ali.

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Chame alguém pra dar um pulo com você nos arredores do hospital. E daí dê um pulo, faça uma careta e tire uma foto. Vai ficar assim, um pouco estranha…

5. Peça uma senha para atravessar a porta.

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Lembre-se de dar dicas para a pessoa acertar a senha, afinal não queremos mais filas e esperas no hospital. E troque a senha com certa frequência.

6. Toque um pagodinho.

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O pagode anda tão esquecido… Mas é só começar a cantar que todo mundo lembra a letra. Que tal inovar com o Samba do Inala?

7. Distribua cócegas.

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Porque rir é contagioso, né não? 

A Lola e o Chicô querem saber: qual das dicas você vai usar na sua próxima espera?

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Bom humor: nos hospitais e além deles

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Alegria e bom humor são geralmente associados ao trabalho de um palhaço. Ou ao que ele deveria deixar após um dia de trabalho com crianças hospitalizadas.

Mas nem sempre essa associação é absoluta – tudo depende da relação que o palhaço estabelece com a criança. Wellington Nogueira e Vera Abbud, os primeiros artistas do Doutores da Alegria a encararem esta rotina hospitalar, falam sobre esta experiência. A entrevista completa está no site da Revista Trip.

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“Acho que no hospital deparamos com situações que nos fazem ver muitas coisas simples do dia a dia como uma dádiva. Nos faz relativizar as dificuldades. Mas o mal humor faz parte da vida também, pois senão seria uma vida anestesiada, irreal”, conta Vera, que ingressou na organização em 1991 e até hoje atua em hospitais paulistanos como Dra Emily.

Um bom antídoto contra o mal humor e, consequentemente, para ter alegria é você aprender a respirar e tentar rir de si mesmo. Já conheci muita gente tão mal-humorada que chegava a ser engraçada, não para elas mesmas, claro. É preciso ver como você fica ridículo quando escolhe o caminho do mal humor, uma maneira de não olhar para si mesmo. É aí que começa a doença”, completa Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria.

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Ele conta uma história que transcorreu em uma UTI: “A gente estava tocando uma música para a criança, aí o médico chegou e falou “Olha, um violão! Empresta ele aí”. Ele pegou o violão e começou a tocar um rock para a criança. Ela adorou, nunca tinha visto o médico fazendo isso, nem sabia que ele gostava de rock. Aquela criança e aquele médico estavam se relacionando como pessoas, não mais como médico e paciente…”

Segundo Vera, o bom humor traz leveza, mostra outras possibilidades. O humor é uma reação à uma situação de desequilíbrio, é um jeito de falar de um assunto muitas vezes espinhoso mas sem aniquilar as partes envolvidas. É uma forma inclusiva de abordar uma situação. O riso contagiante é para todos, se não for assim temos alguma forma de constrangimento.”

A entrevista completa está aqui. E você, como mantém o bom humor diante das dificuldades do dia a dia?