Congresso Internacional de Palhaços em Hospital: estivemos lá

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A intervenção do palhaço no hospital sob a ótica da cultura, da saúde e da ciência foi o tema discutido em um congresso internacional na cidade de Viena, na Áustria.

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O Health Clowning International Meeting, organizado neste ano pela Red Noses Clowndoctors, aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de abril e conseguiu atrair organizações (gestores e artistas) do mundo inteiro, além de profissionais de saúde e pesquisadores – 400 pessoas de 50 países trocaram experiências em um empolgante encontro.

As pautas foram as diferenças e semelhanças entre as intervenções de palhaço mundo afora, as ações do ponto de vista dos pacientes, o papel do palhaço na sociedade, o estudo científico da intervenção e os desafios que as organizações devem enfrentar no futuro.

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Nossos diretores Daiane Carina, Ronaldo Aguiar e Thais Ferrara representaram Doutores da Alegria na companhia da psicóloga e pesquisadora Morgana Masetti. A equipe participou das plenárias, com assuntos diversos e de interesse comum, das sessões paralelas com apresentações de temas específicos e também das oficinas práticas.

Thais Ferrara apresentou a Escola dos Doutores da Alegria em uma sessão sobre modelos de educação e profissionalização. Apresentar a nova governança da associação Doutores da Alegria ficou sob a responsabilidade de Daiane Carina.

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Morgana Masetti falou sobre as mais recentes pesquisas sobre o palhaço na saúde. Já Ronaldo Aguiar conduziu uma oficina cujo tema foi o corpo cômico dentro do hospital.

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O criador do movimento – o ator americano Michael Christensen, fundador do The Clown Care Unit – também esteve presente: “Isso aqui supera todas as minhas expectativas! Sou muito grato e orgulhoso pelo que nosso movimento se tornou. Este é apenas o começo de algo muito maior, já que o humor pode ser benéfico para muitas áreas fora do ambiente hospitalar.”, expressou ele.

Wednesday Opening Plenary

A convergência entre arte, saúde e ciência se deu nas falas de profissionais de saúde, que dividiram o palco com artistas. Dr. Peter Ahlburg, anestesista do Hospital da Universidade de Aarhus, vê os palhaços como colegas e os consulta regularmente antes de cirurgias na Pediatria. “O aspecto psicológico, emocional, infelizmente, é frequentemente negligenciado no cotidiano do hospital. Médicos e cuidadores não têm tempo e também o conhecimento para isso. Essa é mais uma das razões pelas quais sou muito grato por meus colegas palhaços, pois eles me ajudam e permitem que eu me concentre mais em meu trabalho, criando uma atmosfera relaxada que tem um efeito positivo sobre todos os envolvidos.”, disse ele.

Outra questão levantada foi o impacto do trabalho, assunto de relevância para doadores, patrocinadores, instituições e para a sociedade que apoia as causas. Essa é a razão pela qual mais e mais organizações estão entrando no campo científico e alguns resultados foram compartilhados por Morgana Masetti e pesquisadoras que constituem um núcleo internacional de pesquisa (Itália, Portugal e Brasil).

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O tom austríaco se fez presente pela precisão dos horários em cada evento, o que foi temperado com leveza e bom humor, principalmente pelo mestre de cerimônias, extremamente sério e divertido, e as intervenções de três palhaças.

Wednesday Opening Plenary

Além do encontro, um cabaré de palhaços de vários países e um jantar imperial contribuíram para estreitar os laços entre os participantes. Neste último, os convidados aguardavam por um imperador que “não chegava” e, durante a espera, cada organização era convidada a trazer uma lembrança de seu país para a autoridade.

Doutores da Alegria entrou ao som do kazoo, com duas sombrinhas de frevo: Ronaldo e Daiane dançavam, enquanto Thais comandava o kazoo e Morgana levava uma tiara com nosso miolo mole em sua cabeça – que acabou ficando, claro, com o mestre de cerimônias.

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De volta ao Brasil, a equipe ficou com a missão de preparar um documento com as principais conclusões do encontro, que será apresentado em breve.

E, assim como no encontro realizado há dois anos em Portugal, voltamos convictos de que Doutores da Alegria é uma organização forte e referenciada mundialmente, com uma enorme responsabilidade em função disso.

| fotos: Jakob Polacsek, Angelika Goldmann e Luis Harmer |

Estes foram os textos mais lidos em 2017

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O universo da saúde domina os assuntos discutidos neste Blog. Está em cada história narrada pelos artistas e em cada reflexão trazida pela organização. De forma concreta, como na série sobre o sistema único de saúde, ou entrelaçada em diálogos com palhaços e crianças.

E como 2017 está chegando aos seus últimos suspiros, preparamos uma retrospectiva com os textos mais lidos do ano envolvendo o tema. Você tem um tempinho? 

Entre a ciência e o coração

Nas escolas de Medicina, onde Doutores da Alegria também atua formando estudantes para uma nova atitude, é comum o questionamento: os médicos, ao ganharem em ciência, perdem em coração? 

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Eu sei muito bem com quem você está agora, viu?

Soubemos de sua partida. Assim… Rápida… E a Dra Baju só queria que você soubesse que ela acreditava em você.

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Sentidos e sentimentos

Parece que os adultos acreditam que é perigoso sentir. A criança não tem medo de sentir. Fomos tentar entender na prática e na teoria o que significam alguns sentimentos e outras palavras que o tempo todo batem aqui no coração.

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Desapego: quem consegue, afinal?

Quando um de nossos pequenos pacientes tem alta e vai embora, deixa as boas lembranças dos encontros. Do que brincamos, dos risos trocados. Mas tem partidas que são definitivas e, às vezes, percebemos que nem sempre estamos tão preparados como pensamos…

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Alojamento conjunto: mães e bebês juntos até a alta

Mãe e bebê devem permanecer juntos desde o nascimento até a alta. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde, que reforça a importância do alojamento conjunto nos hospitais. O texto aborda o tema e traz fotos sensacionais de pequeninos, suas mães e palhaços.

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O luto e o que vem antes

Um papo sobre iniciativas que abrem caminho para uma reflexão mais consciente sobre a morte. E trazem um espaço acolhedor, seja ele real ou virtual, para que pessoas se conectem em busca de um recomeço para suas vidas.

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Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Quem manda aqui

É muito raro ouvirmos hoje em dia: “quem manda aqui…”, mas não é invenção, nem ficção. Ainda há médicos que se colocam no patamar da inexistência.

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IMIP - Lana Pinho-48

SUS, capítulo 3: o HU resiste

O Hospital Universitário da USP é essencial para a comunidade local e para a formação de alunos das áreas da saúde. Mas nos últimos anos este hospital de excelência vem agonizando.

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Uma sabiá no isolamento

Soubemos que tinha uma superbactéria no quarto em isolamento. Mas também tinha uma menina. E, pasmem, tinha até uma sabiá.

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É sério: rir faz bem à saúde

Inúmeros estudos, de universidades e instituições relevantes, comprovam que o ato de dar risada e, principalmente o de gargalhar, ativam substâncias em nosso corpo que trazem sensações benéficas.

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Itaci - Lana Pinho-47

O que é ser enfermeira

Enfermeiros e enfermeiras enfrentam batalhas intensas no seu dia a dia e nem sempre saem ilesos. E não só fisicamente, mas da alma e do coração. Assim como palhaços.

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5 coisas que você não sabia sobre Doutores da Alegria

Está lançado o desafio: você sabia de todas essas particularidades do nosso trabalho?

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DOUTORES DA ALEGRIA_2017 - DNG

 

E você: qual foi o seu texto preferido neste ano?

Café com sabor de parceria!

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Atuar há 25 anos como uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, exige muita dedicação e empenho. E agradecer aos parceiros que permitem a continuidade deste trabalho faz parte da nossa rotina. 

Empresas de todo o Brasil suportam os nossos projetos em saúde, cultura e assistência social por meio de doações – via recursos próprios ou leis de incentivo – e fazem parte de um time que acredita na causa da alegria. 

Na última semana, recebemos todos estes parceiros com um delicioso café da manhã na nossa sede, em São Paulo.

DSC_1464café da manhã oferecido pela Padaria Dona Deôla

A abertura do evento foi feita por Luis Vieira da Rocha, atual diretor-presidente do Doutores da Alegria. O fundador da associação, Wellington Nogueira, foi mestre de cerimônias de um encontro que contou com histórias emocionantes narradas pelos palhaços e a entrega de certificados para as empresas. “A razão de estarmos aqui hoje é pra dizer muito obrigado por vocês confiarem e investirem no trabalho do Doutores da Alegria”, disse Wellington Nogueira.

DSC_1582Luis Vieira da Rocha, diretor-presidente do Doutores da Alegria,
fala sobre o momento atual da associação

DSC_1600Luis Vieira da Rocha, diretor-presidente, e Wellington Nogueira, fundador 

A organização do evento ficou por conta da equipe de Mobilização de Recursos. “O café da manhã aqui na sede é o momento que dedicamos para agradecer e homenagear nossos patrocinadores e parceiros. Cada detalhe do que acontece nesse dia é pensado com muito carinho para que eles se aproximem ainda mais do nosso trabalho, sintam-se parte da nossa história e mantenham, junto conosco, o desejo de ter uma relação duradoura.”, afirma Bárbara Saad.

DSC_1626palhaços narram histórias do dia a dia nos hospitais

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DSC_1771empresas recebem certificados de parceria

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Veja aqui todas as fotos do café da manhã com parceiros. E para saber como sua empresa pode colaborar com Doutores da Alegria, entre em contato pelo telefone (11) 3061-5523 ou pelo e-mail parcerias@doutoresdaalegria.org.br. Saiba mais aqui.

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Cinco coisas que você não sabia sobre Doutores da Alegria

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Está lançado o desafio: você sabia de todas essas particularidades do nosso trabalho?

1. Os palhaços não são médicos, são artistas.

A figura do médico foi a nossa inspiração, mas os artistas são formados em áreas das Artes Cênicas, com especialização na linguagem do palhaço. 

Fazemos uma paródia do médico, a figura de maior autoridade nos hospitais, justamente para criar um contraponto na relação com as crianças. Os palhaços se apresentam como besteirologistas e a diferença também se dá na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro. 

Duplas e solo - Lana Pinho-15

2. O trabalho é gratuito para os hospitais, mas não é voluntário.

Doutores da Alegria nasceu com uma vocação artística; estamos comprometidos com a linguagem do palhaço.

Nos hospitais, atuamos em quase todos os setores que dizem respeito à pediatria, do Pronto Socorro à UTI, por 12 horas semanais. Além das intervenções nos hospitais duas vezes durante a semana, os artistas participam de treinamentos todas as sextas-feiras na sede e fazem ensaios para espetáculos. Exigimos comprometimento e profissionalismo.

A maneira como optamos por nos estabelecer, valorizando o trabalho profissional, foi para gerar conhecimento e legado para futuras gerações. Assim, todos os artistas que atuam na associação são remunerados, mas o trabalho é oferecido de forma gratuita para os hospitais e o público beneficiado. 

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3. Nossa inspiração não foi Patch Adams.

Apesar de aparentes semelhanças entre a associação Doutores da Alegria e o ativista Patch Adams, há muitas diferenças na sua forma de atuação.

Ambos beberam da mesma fonte, que é a arte do palhaço. Patch Adams é formado em Medicina e utilizou a linguagem do palhaço para qualificar a sua atuação junto a crianças hospitalizadas. Seu método é terapêutico, ou seja, ele se propõe a levar amor às crianças e se utiliza da comicidade para promover a cura e o bem estar.

Doutores da Alegria, fundada pelo ator Wellington Nogueira em 1991, foi inspirada na iniciativa Clown Care Unit, de Nova York (EUA), que entendia o hospital como um palco possível para o palhaço. Temos um grupo de artistas especialmente treinados que realizam intervenções cênicas em leitos pediátricos de hospitais públicos, mas sem fins terapêuticos. O objetivo é inspirar relações humanas.

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4. Temos uma Escola.

A Escola dos Doutores da Alegria surgiu em 2007 como uma escola de arte, com pedagogia própria no ensino da máscara do palhaço. Ela atua na formação de públicos diversos – desde voluntários de grupos semelhantes a profissionais que queiram exercitar a criatividade – e também de artistas para intervir em palcos diversos, improváveis, onde as escolhas os levarem, como o hospital.

Entre as iniciativas da Escola destaca-se o Programa de Formação de Palhaço para Jovens que oferece a jovens de 17 a 23 anos, em situação de vulnerabilidade social, uma iniciação na carreira artística voltada à linguagem do palhaço.

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5. Somos uma associação, não um grupo.

Com sede em São Paulo e unidades em Recife e Rio de Janeiro, a associação Doutores da Alegria conta hoje com 64 colaboradores, entre artistas e equipe técnica. Todos são remunerados e trabalham de forma não voluntária.

Como uma associação da sociedade civil sem fins lucrativos, Doutores da Alegria possui certificações próprias de entidades civis e prêmios de reconhecimento, além de parcerias com os setores público e privado.

DOUTORES DA ALEGRIA_2017 - DNG

E aí, ficou surpreso? Se tiver alguma dúvida sobre o nosso trabalho, acesse as perguntas frequentes ou mande um sinal de fumaça ;)

Espaços de intervenção

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Sempre olhamos para o hospital como um espaço de intervenção. Bem, “intervir”, no âmbito da Medicina, pode ser um procedimento cirúrgico para tratar uma doença. No contexto da arte, entretanto, uma intervenção pode ressignificar uma situação cotidiana, trazer um novo olhar para algo já estabelecido.

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Foi assim que, há 25 anos, Doutores da Alegria escolheu o palhaço como forma de intervenção no hospital. Sua essência questionadora e subversiva quebrou paradigmas em um ambiente pautado pela hierarquia, pela seriedade, pelas regras. E se no início o palhaço gerava estranhamento e indagação sobre sua pertinência, tempos depois inspirou diversas atividades dentro do hospital e foi abraçado pela sociedade, tornando-se ícone do movimento de humanização.

Optamos por estar em locais fronteiriços em que o poder público quase se ausenta. Convivemos diariamente com a doença, a violência em pequenas atitudes, o descaso e o abandono, entre outras tragédias cotidianas – mas também com a cura, com profissionais dedicados, com a superação, com a alegria dos encontros.

Intervir junto a crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade e risco social em hospitais públicos nos fez transitar, como organização, pelos campos da saúde, da cultura e da assistência social. Do lado de fora dos hospitais, ampliamos canais de diálogos reflexivos com a sociedade e investimos em formação e pesquisa.

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Neste caminho, em 2016 Doutores da Alegria trouxe uma nova governança, composta por um diretor presidente e quatro diretores eleitos pelos associados. E uma nova tarefa institucional, que substituiu a nossa missão, propondo a arte como mínimo social, ou seja, como uma das necessidades básicas essenciais para o desenvolvimento digno do ser humano, assim como alimentação, saúde, moradia e educação.

O conceito de mínimo social ainda está sendo digerido pela organização, contudo ele já aponta para um novo espaço de intervenção muito além do ambiente hospitalar: a atuação com políticas públicas em uma perspectiva de construção e garantia de direitos. Assim como há 25 anos, talvez causemos estranhamento e indagações, mas atuar na fronteira também faz parte de nosso ofício.

_texto originalmente publicado no Portal Setor 3

Diário filmado de um palhaço

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Era um final de tarde frio e cinzento do outono de 1996. Eu, Nereu Afonso, tremia. Não pelo frio, mas pelo nervosismo remanescente do teste seletivo que eu acabara de passar.

Wellington Nogueira, fundador e então diretor do Doutores da Alegria, virou-se para mim e disse a frase que marcaria minha trajetória: “Nereu, quero te convidar oficialmente a integrar o nosso elenco”. Eu gaguejei um “muito obrigado” e, até hoje, confesso que esse sentimento de agradecimento ainda paira no ar.

Passaram-se vinte anos.

Naquela época, Doutores da Alegria era uma jovem associação com cinco anos de idade. Hoje, comemoramos 25!

doutores m boi

Muita coisa aconteceu desde então, para Doutores e para mim. Amadurecemos. Ganhamos experiência e também o bônus e o ônus que acompanham a maturidade. Esperamos ter aprendido – e ainda estar aprendendo – com nossos passos certeiros e, sobretudo, com nossos passos em falso.

Hoje, junto com Duico Vasconcelos, sou parte da dupla de palhaços que inaugurou uma nova experiência dentro da organização: a abertura de um programa-modelo, em funcionamento desde 2016, no Hospital do M’boi Mirim.

M"boi Mirim

O Hospital do M’boi Mirim se situa a uma distância aproximada de 20 quilômetros dos bairros de classe média, onde moramos. Isso equivale a aproximadamente 1h30 de deslocamento em trem, metrô e ônibus. Isso equivale, sobretudo, a uma mudança gradual da paisagem arquitetônica e humana ao longo do trajeto.

m boi mirim

Quanto mais próximo do hospital, menor o número de linhas de ônibus, menor o espaço livre dentro dos ônibus, menor a qualidade das vias, menor a quantidade de áreas verdes, menor a infraestrutura urbana ali presente e, muito visivelmente, menor o poder aquisitivo da população representada por uma mescla de etnias bem mais numerosa – e discriminada – do que a variedade clara e quase monocromática dos que vivem em boa parte dos bairros do centro expandido da cidade.

Trajetos como esse não são novidade para nós. Apenas nos lembram da hecatombe social na qual nosso país insiste em submergir.

Lutando contra esse oceano de desigualdade, há vários anos as intervenções do Doutores da Alegria a hospitais periféricos deixaram de ser uma novidade em nossa associação. Pelo contrário, elas são um um dos eixos centrais de nossa tarefa institucional.

O diário filmado

O filme “Diário de um palhaço de hospital – Dia um” é uma crônica de nosso primeiro dia de trabalho nesse novo ambiente.

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SUS, capítulo 2: muito além da falta de recursos

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Saúde é direito de todos e dever do Estado – é o que diz a Constituição brasileira.

Desde 1988, todos os brasileiros, independentemente de vínculo empregatício, passaram a ter direito à saúde universal e gratuita. Este direito fundamental contribuiu com a qualidade de vida dos brasileiros.

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No capítulo 1 desta série, apresentamos o Sistema Único de Saúde. Um sistema que é referência internacional, com muitas ilhas de excelência e progressos em seus 30 anos de existência. Mas por que a saúde ainda é avaliada como o principal problema dos brasileiros? Vamos tentar entender os grandes problemas se colocam neste esteio.

Financiamento governamental insuficiente

A saúde pública é financiada com recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

O Brasil destina o equivalente a 10% do Orçamento da União para a saúde - um percentual semelhante ao de países como França e Alemanha, mas ainda insuficiente para as necessidades da população. O recurso é muitas vezes mal gerenciado, marcado por fraudes, desperdício e corrupção. 

Em todo o mundo, os recursos para a saúde pública vêm aumentando. Em nosso país, os gastos mantiveram-se estáveis, enquanto a população crescia e envelhecia. E entre 2014 e 2015 tivemos uma retração porque o orçamento é vinculado à arrecadação e, portanto, ao crescimento econômico.

O SUS ficou no meio do caminho, a saúde é direito de todos, o acesso da população aumentou, mas persistiram problemas básicos de qualidade.“, ressalta a médica e professora Lígia Bahia.

online-saude-pibfonte: revista Época

Atendimento ambulatorial precário

Além da falta de hospitais, médicos e de medicamentos em todo o território nacional, o gargalo maior está na dificuldade de conseguir atendimento – os prontos-socorros vivem lotados de pacientes que poderiam ter sido atendidos em consultórios médicos.

O oncologista Drauzio Varella traduz o problema: “Um ambulatório que funciona bem resolve 90% da demanda. 10% são casos mais complexos, que precisam de exames especializados e de hospitais de atendimento terciário, com mais tecnologia. Como o atendimento ambulatorial normalmente é de má qualidade, quando as pessoas ficam doentes, correm para o pronto socorro, pois sabem que, apesar a demora, serão atendidas. E aí vemos filas intermináveis. Se essa pessoa for marcar consulta na unidade de saúde do bairro, pode levar semanas”.

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A porta de entrada do sistema de saúde deveria ser a atenção básica, que inclui postos de saúde, centros de saúde, unidades de Saúde da Família, entre outros. A partir desse primeiro atendimento, haveria o encaminhamento para hospitais e clínicas especializadas.

Envelhecimento da população

O Brasil está envelhecendo. A nossa expectativa de vida hoje é de 75,5 anos. Em 1960, o brasileiro vivia em torno de 55 anos.

Esse avanço rápido se deu graças às melhorias nas condições sanitárias, à alimentação, à vacinação em escala, aos avanços da ciência e à ideia de que a saúde é qualidade de vida, não ausência de doença. O número de pessoas acima dos 60 anos no Brasil (hoje em 12,5%) deverá quase triplicar até 2050, ultrapassando a média mundial, de acordo com o Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento.

E essa realidade vem trazendo uma mudança no perfil de óbitos: as maiores causas de mortalidade no país são doenças cardiovasculares (33%), câncer (20%) e mortes violentas (13%).

Drauzio Varella nos ajuda a entender: “O Brasil fica mais velho e envelhece mal: 52% dos adultos estão acima do peso saudável, metade das mulheres e homens chega aos 60 anos com hipertensão arterial, perto de 12 milhões sofrem de diabetes.

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Como atender às necessidades de uma população que envelhece, engorda, fica sedentária e desenvolve doenças complexas como ataques cardíacos, derrames cerebrais, diabetes e câncer? “Cada um de nós tem que assumir a responsabilidade por sua própria saúde”, ressalta ele. Seria a saúde, além de um direito de todos, também um dever?

Judicialização do SUS

Outra característica que vem marcando o sistema é o enfrentamento das demandas a partir de ações no judiciário.

É simples: o Estado não consegue garantir o direito universal e igualitário à saúde, conforme previsto na Constituição, então a população recorre à Justiça para conseguir medicamentos, vagas para internação, próteses e até mesmo a continuidade do tratamento hospitalar em casa.

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Enquanto muitas ações se refiram a coberturas que deveriam ser garantidas pelo SUS, como solicitação de leitos de UTI, mais de 60% das ações judiciais contra o SUS em São Paulo para aquisição de remédios são iniciadas por pessoas com convênios médicos particulares ou que frequentam clínicas privadas.

É uma espécie de Robin Hood às avessas: tira dos mais pobres para dar a quem tem condições de pagar por um bom advogado. E o que é mais sério: passando na frente de outros que aguardam há mais tempo, mais graves e com expectativa de melhores resultados.“, afirma David Uip, secretário estadual da Saúde de São Paulo.

Nos pequenos municípios, as liminares concedidas aos pacientes são especialmente danosas, desestruturando o SUS. A advogada Lenir Santos explica: “Quando um juiz determina que uma cidadezinha pague um transplante, por exemplo, isso consome com um único paciente 30% dos recursos destinados a cuidar da saúde de milhares de pessoas. É fundamental definir o que o Estado garantirá a todos. E aquilo que for definido tem de ser realmente para todos – em quantidade e em qualidade. O cidadão que recebe uma liminar judicial sai da fila. Passa na frente dos outros pacientes e conquista um recurso que não estará disponível para todo mundo. Isso fere o princípio constitucional da igualdade.

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No final de 2016, o Supremo Tribunal Federal começou a avaliar se os governos devem ser obrigados a dar remédios de alto custo fora da lista do SUS e sem registro no Brasil. Os Estados esperam um freio nos processos, devido ao impacto nas contas públicas para atender demandas individuais. Já pacientes esperam a ampliação do acesso a medicamentos.

As políticas públicas de saúde devem seguir a diretriz de reduzir as desigualdades econômicas e sociais. Contudo, quando o Judiciário assume o papel de protagonista na implementação dessas políticas, privilegia aqueles que possuem acesso qualificado à Justiça, seja por conhecerem seus direitos, seja por poderem arcar com os custos do processo judicial”, analisa o ministro Luis Roberto Barroso, em um artigo sobre a judicialização da saúde.

E agora, José?

Com alguns dos principais problemas do SUS expostos, podemos entender, pelo menos superficialmente, onde estão os gargalos do sistema. Não há uma solução única e a luta pela efetivação do direito à saúde no Brasil ainda permanece. 

No próximo capítulo vamos analisar a situação de um importante hospital público de perto.

SUS, capítulo 1: o direito que todos temos à saúde

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Ser um hospital de atendimento público é a primeira condição para que Doutores da Alegria desenvolva seu trabalho em um equipamento de saúde. Sim: todos os hospitais que atendemos integram o Sistema Único de Saúde.

O SUS é referência internacional, mas enfrenta diversos problemas – muitos deles acompanhados há décadas pelos artistas que integram esta organização.

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A realidade dos hospitais públicos traz questões sociais muito latentes, que envolvem desde a estrutura familiar das crianças e a escassez de direitos básicos até as condições de trabalho dos profissionais de saúde.

Para tentar entender a abrangência do SUS, que tem apenas 30 anos de existência, trazemos uma série de textos e reflexões a partir da experiência do Doutores da Alegria.

De onde veio o SUS?

Antes de 1988, o sistema de saúde brasileiro atendia somente a quem contribuía para a Previdência Social, em torno de 30 milhões de pessoas. Quem não integrava o mercado de trabalho formal dependia da caridade e da filantropia.

Na década de 70 nasceu o Movimento Sanitarista, formado por médicos e outros profissionais preocupados com a saúde pública e com a melhoria das condições de vida da população. O direito à saúde foi uma conquista que veio em 1988, na Constituição brasileira. Ela reconheceu o acesso universal à saúde, por meio de um Sistema Único de Saúde, como um direito fundamental.

“Saúde é direito de todos e dever do Estado”, diz ela. Assim, todos os brasileiros, independentemente de vínculo empregatício, passaram a ter direito à saúde universal e gratuita, financiada com recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

IMIP - Lana Pinho-71

Um dos maiores sistemas de saúde do mundo

Se no início o sistema priorizava a medicina curativa, conceituando saúde meramente como ausência de doença, hoje o SUS atua com atenção integral à saúde, por toda a vida, e define saúde como qualidade de vida.

Em torno de 150 milhões de pessoas são atendidas unicamente pelo SUS em todo o Brasil. Outras 50 milhões possuem planos de saúde e atendimento privado, embora 75% dos procedimentos de alta complexidade sejam realizados no sistema público.

O SUS é referência internacional, um dos maiores sistemas de saúde do mundo, com muitas ilhas de excelência: programas de vacinação (o maior programa gratuito do mundo), transplantes de órgãos, hemocentros, programas de combate à AIDS, serviços de urgência e emergência (SAMU), entre outros.

Com tantas qualidade e progressos em apenas 30 anos, por que a saúde ainda é avaliada como o principal problema dos brasileiros? Você faz ideia? Bem, falamos disso no próximo capítulo…

Nós somos essas mulheres todas

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Melhores condições de vida e de trabalho: esta era a motivação inicial da criação do Dia Internacional da Mulher, há pouco mais de cem anos.

Para celebrar a data e debater questões como racismo e machismo, exibimos ontem o documentário “Minha avó era palhaço”, que conta a trajetória artística da primeira palhaça negra do Brasil, Maria Eliza Alves dos Reis, conhecida como “o” palhaço Xamego. Sua neta, diretora do filme, esteve em nossa sede e conversou com o público depois da exibição.

Hoje, 8 de março, homenageamos as mulheres que trabalham no Doutores da Alegria <3

Algumas são artistas-palhaças, mas também tem administradoras, advogadas, publicitárias, produtoras… Mulheres que dedicam grande parte da sua vida a esta associação. Nós somos essas mulheres todas:

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Vivian SalomãoDaiane Carina

Obrigado por fazerem parte da nossa equipe e dedicarem tanto amor a esta causa. Que todas as mulheres se sintam homenageadas e acolhidas neste dia. E sempre. E sempre!

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12 ideias de figurino para desfilar nos blocos

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Erra quem pensa que roupa de palhaço é fantasia. É figurino, minha gente. Mas no carnaval os palhaços também preparam – aí sim! – fantasias para desfilar pelos blocos da cidade.

Vamos aos modelitos para você se inspirar no carnaval deste ano:


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