Me ajuda a encontrar o Dr. Artur?

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Quando comecei os plantões no Instituto da Criança, não fazia ideia de quem eu iria encontrar. Ali na Pediatria. Bem do lado esquerdo da enfermaria. 6º andar.

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Foi ali, bem pertinho do leito número 6, que encontrei alguém eu mesmo, euzinho, 27 anos depois, no mesmo lugar. Explico: nasci com alguns defeitos de fabricação e, depois de muitos diagnósticos, família me levando pra lá e pra cá, foi no ICr que descobriram o que eu tinha e acabei pousando naquele andar.

Fiquei internado ali dos 4 aos 6 anos. Apertei uns parafusos, fiz troca de óleo e tudo o mais. E só depois de três cirurgias na rebimboca da parafuseta é que a manutenção foi concluída. Sobrevivi com saúde e fui aproveitar a vida! 

O meu carinho por este hospital é muito grande e é impressionante porque parece que tudo está no mesmo lugar. O meu berço ainda está lá, o porta-soro que eu olhava o soro pingar, a janela pela qual eu observava a rua e contava os carros como uma forma de brincar. As mesinhas em frente ao balcão de Enfermagem também estão lá. As crianças desenhando, sentadas como eu desenhava, brincando umas com as outras como eu brincava e, às vezes, chorando com medo de injeção como eu chorava.

Relembrei muitas coisas trabalhando e observando o que acontece no hospital, principalmente na relação dos profissionais com os pacientes.

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O Dr. Artur

Esse relato, de 27 anos atrás, se repete todos os dias em vários hospitais. Mesmo em meio a uma rotina de muito trabalho e sobrecarga, vi vários momentos de afeto. Lembrei do dia em que minha mãe não pôde me visitar. Era um tempo em que os acompanhantes não podiam ficar 24 horas no hospital e chorei muito, sentindo a falta dela no horário de visitas. Daí veio o carinho de uma enfermeira. 

Lembrei também do medo que senti quando ouvi o médico dizer para minha mãe:

- Dona Sonia, vamos ter que fazer mais uma cirurgia… 

Fiquei desesperado, afinal, já era a terceira cirurgia e o problema não se resolvia. Comecei a chorar e, ao ver minha preocupação, o médico me confortou dizendo para eu ficar calmo, pois ele faria o possível para me deixar bom e ir logo para casa brincar. Me senti aliviado.

O nome do médico é Dr. Artur. Lembro como se fosse hoje dos seus óculos pretos, suas orelhas grandes. Eu já o procurei por todo hospital: na cirurgia, no ambulatório, até debaixo do colchão, mas me contaram que ele se aposentou há muitos anos. E ninguém tem mais notícias. Alguém viu ele por aí?

Pois bem, Dr.Artur, espero que este agradecimento chegue até você onde quer que esteja. Obrigado por ter acertado na cirurgia. Por ter brincado comigo. Tudo isso ficou em mim. Hoje sou um besteirologista inspirado por estas memórias.

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Tudo o que vivi nesse tempo ficou em mim e de alguma maneira me tornou um Doutor da Alegria. Sou muito grato por poder realizar este trabalho em parceria com profissionais que dedicam suas vidas a cuidar de outras vidas. Muito obrigado Instituto da Criança, muito obrigado Dr. Artur. 

Anderson Machado, conhecido como Dr. Cavaco, escreve do Instituto da Criança, em SP.

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Mãe é tudo igual? Conheça estas do hospital

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Já ouviram aquela: “Mãe é tudo igual”? Pois bem, as mães que encontramos nos hospitais merecem um estudo aprofundado. E foi o que fizemos.

Acreditem: cada ala do hospital tem sua mãe característica. Em comum, elas têm força e dedicação. Algumas nos provocam, outras desconfiam, muitas nos pegam emprestado e brincam feito crianças. Em homenagem ao Dia das Mães, vamos apresentar quatro tipos mais frequentes que estudamos.

Mãe da neonatal

Tem cara de sono e dorme na primeira oportunidade. Se a gente não tomar cuidado, pode dormir no meio do atendimento. Não entendemos o motivo, pois aqueles anjinhos vivem dormindo, não choram, não comem feito pintinhos, não fazem caquinha na fralda, não dão o menor trabalho… 

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Mãe da enfermaria

Divide espaço com outras diversas mães. Todas se chamam pelo nome (“Olha, Ana, os palhaços estão mangando de tu!”), conhecem as preferências umas das outras (“Toca sofrência, palhaço, que ela gosta!”) e entendem muito de Psicologia Social (“Foi aquela ali que falou, palhaço! Ela é barraqueira!”).

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É a mais animada, falante, dançante e implicante. Não sabemos bem como ela desenvolve essa capacidade, mas consegue simultaneamente arrumar o cabelo, passar sermão no marido, trocar fralda, falar ao celular com a comadre, prestar atenção no que estamos fazendo e, se desconfiar que estamos falando dela, pode, do nada, correr atrás da gente. Ou seja, precisamos estar sempre alertas!

Mãe do canguru

Está sempre às voltas com as seringas de leite. Típica mãe do “coma só esse pouquinho, meu filho”. Todas as vezes que chegamos lá, está alimentando o bebê. Agora sabemos de onde vem essa coisa das mães sempre acharem que os filhos estão magrinhos e precisando comer mais: vem lá do canguru. 

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Ah, sim, todas as “canguretes” amam usar um sutiã gigante especial onde carregam os bebês. Já virou moda por lá.

Mãe da UTI

A mais silenciosa… Quando está lá dentro.

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Contudo, outro dia encontramos com a… Bem, vamos poupar a sua identidade, chamaremos de Celinha. Encontramos a Celinha sentada em uma cadeira, apartada de todos, num canto da UTI. Estava de castigo, entendemos logo. Fizemos exames e liberamos a Celinha para o convívio social! Quando estão do lado de fora, as mães da UTI se juntam em grupos que parecem reunião de bazar.

Mãe quebrada

É a mãe que acabou de perder seu filho. Não sabemos outro nome para designar essa mãe, porque quando a olhamos podemos ver um vaso partido, quebrado em mil cacos. Por uma força inominável, ela não se desfaz. Não sabemos narrar essa mãe, temos ausência de palavras.

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Mas Eliane Brum, escritora e jornalista, achou palavras no escuro do silêncio:

“Só naquele momento, ao apalpar a dor das mulheres cujas crianças viveram mais no seu desejo do que na vida, alcancei a soleira da dor da minha mãe por aquela filha (já morta). Maninha não tinha vivido apenas cinco meses, já que o tempo de um filho não se mede por dias, meses ou anos. Um filho é mundo sem tempo. Eu estava diante de mulheres empaladas pela dor. O resto era mal-entendido. Há mal-entendidos demais numa vida humana.” (Meus Desacontecimentos, de Eliane Brum).

Uma homenagem a todas as mães. Iguais ou não.

Eduardo Filho, mais conhecido como Dr. Dud Grud, e Greyce Braga, a Dra. Monalisa, escrevem do Hospital Barão de Lucena, em Recife.

Estes foram os textos mais lidos em 2017

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O universo da saúde domina os assuntos discutidos neste Blog. Está em cada história narrada pelos artistas e em cada reflexão trazida pela organização. De forma concreta, como na série sobre o sistema único de saúde, ou entrelaçada em diálogos com palhaços e crianças.

E como 2017 está chegando aos seus últimos suspiros, preparamos uma retrospectiva com os textos mais lidos do ano envolvendo o tema. Você tem um tempinho? 

Entre a ciência e o coração

Nas escolas de Medicina, onde Doutores da Alegria também atua formando estudantes para uma nova atitude, é comum o questionamento: os médicos, ao ganharem em ciência, perdem em coração? 

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Eu sei muito bem com quem você está agora, viu?

Soubemos de sua partida. Assim… Rápida… E a Dra Baju só queria que você soubesse que ela acreditava em você.

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Barão de Lucena - Lana Pinho-114

Sentidos e sentimentos

Parece que os adultos acreditam que é perigoso sentir. A criança não tem medo de sentir. Fomos tentar entender na prática e na teoria o que significam alguns sentimentos e outras palavras que o tempo todo batem aqui no coração.

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Desapego: quem consegue, afinal?

Quando um de nossos pequenos pacientes tem alta e vai embora, deixa as boas lembranças dos encontros. Do que brincamos, dos risos trocados. Mas tem partidas que são definitivas e, às vezes, percebemos que nem sempre estamos tão preparados como pensamos…

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Alojamento conjunto: mães e bebês juntos até a alta

Mãe e bebê devem permanecer juntos desde o nascimento até a alta. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde, que reforça a importância do alojamento conjunto nos hospitais. O texto aborda o tema e traz fotos sensacionais de pequeninos, suas mães e palhaços.

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O luto e o que vem antes

Um papo sobre iniciativas que abrem caminho para uma reflexão mais consciente sobre a morte. E trazem um espaço acolhedor, seja ele real ou virtual, para que pessoas se conectem em busca de um recomeço para suas vidas.

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Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Quem manda aqui

É muito raro ouvirmos hoje em dia: “quem manda aqui…”, mas não é invenção, nem ficção. Ainda há médicos que se colocam no patamar da inexistência.

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IMIP - Lana Pinho-48

SUS, capítulo 3: o HU resiste

O Hospital Universitário da USP é essencial para a comunidade local e para a formação de alunos das áreas da saúde. Mas nos últimos anos este hospital de excelência vem agonizando.

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Uma sabiá no isolamento

Soubemos que tinha uma superbactéria no quarto em isolamento. Mas também tinha uma menina. E, pasmem, tinha até uma sabiá.

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É sério: rir faz bem à saúde

Inúmeros estudos, de universidades e instituições relevantes, comprovam que o ato de dar risada e, principalmente o de gargalhar, ativam substâncias em nosso corpo que trazem sensações benéficas.

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Itaci - Lana Pinho-47

O que é ser enfermeira

Enfermeiros e enfermeiras enfrentam batalhas intensas no seu dia a dia e nem sempre saem ilesos. E não só fisicamente, mas da alma e do coração. Assim como palhaços.

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5 coisas que você não sabia sobre Doutores da Alegria

Está lançado o desafio: você sabia de todas essas particularidades do nosso trabalho?

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DOUTORES DA ALEGRIA_2017 - DNG

 

E você: qual foi o seu texto preferido neste ano?

Eu tinha esquecido dessa tal humanidade. O hospital me fez lembrar.

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É muito genuíno o sentimento de humanidade que a situação de internação num hospital traz.

Talvez seja o momento da vida em isso mais aflora. Ou quem sabe seja o fato de termos que parar de nos preocupar com coisas da vida mundana para realmente sentir e viver o presente. Porque não importa mais se o trânsito está pesado ou se acabou o arroz em casa, importa agora se vou aguentar o tranco.

E, para isso, é preciso contar com pessoas. Estrutura também, remédios, um pouco de sorte, mas principalmente pessoas.

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Recentemente passei uma semana entre o quarto e a UTI. Duas ambulâncias, dois hospitais, muitos exames, picadas, diagnósticos, corredores. O termo “paciente” é mesmo pra justificar o tempo que se espera e a condição de entrega, sem muita reação, ao tratamento. Etimologicamente, “paciente” deriva do latim pati e do grego pathe, que significam “sofrer” ou “aguentar”. 

Mas eu volto à humanidade.

Assim que sofri o acidente, abri meus olhos e vi à volta dezenas de pessoas em plena rodovia. Você está bem, Gabi? Não se mexa. Calma que a ambulância já vai chegar. Quer que avise algum parente? Reclamavam de quem passava de carro devagarzinho só pra olhar. Faziam sombra para que o sol não atingisse os machucados já doloridos. Uma pena que, deitada, não pude enxergar o rosto de nenhum deles.

Durante esta semana recebi, talvez como em nenhum aniversário, o carinho de muitas pessoas. Em forma de palavras, de visitas, de lembranças e até de posts no Facebook, e foi incrível como isso ajudou no meu fortalecimento. Eu realmente senti a energia que esses amigos passavam.

Mas o que mais me tocou – e ainda toca – foi o que recebi dos profissionais de saúde. A humanidade de cada um em gestos simples como trocar a fralda, dar um banho numa cadeira de rodas depois de dias no leito ou trocar o acesso às veias de forma gentil. Lembro-me da fisioterapeuta que me guiava delicadamente pelos corredores, do rapaz que me ofereceu um cobertor na sala da tomografia, do motorista da ambulância que pedia desculpas após passar na lombada, do médico que me deu alta com um sorriso no rosto.

Na clausura da UTI, só me restava me apegar a estas pessoas. Desejar que estivessem felizes por deixar a família e trabalharem durante a madrugada fria naquele lugar, me fazendo companhia. Cuidando. Nunca fui de me apegar à metafísica, prefiro me apoiar no que posso ver e tocar.

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Ali também entendi, de forma verdadeira e forte, o significado do trabalho dos Doutores da Alegria. A falta que a imaginação despreocupada, a brincadeira e o riso fazem durante a internação – e a importância de manter uma atitude positiva. Pensei na poesia que é preciso ter para quebrar algumas barreiras e tentei supor como seria passar por isso enquanto criança ou idoso e, claro, lembrei do caso do Mateus e da Gabi, moradores de uma UTI, cujo sonho era ver a lua.

Nas duas semanas seguintes, já fora do hospital, valorizei cada pequena vitória e também o privilégio de ter uma família para me amparar naquele momento frágil. Agradeci por poder tomar um solzinho, olhei como pela primeira vez a grama verdinha que nascia na terra, me encantei com a sabedoria do corpo humano.

O tempo passou rápido.

Aos poucos, a vida vai puxando para o centro da roda de novo e o futuro começa a fazer mais parte dos pensamentos que o presente. Mas em tempos tão esquisitos, com hospitais sucateados e a saúde do país agonizando, essa brutal experiência me levou a acreditar neste fio invisível que nos liga: a humanidade. Obrigada a todos.

Gabi, da equipe de Comunicação do Doutores da Alegria.

Os amigos de fé

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Em 25 anos atuando no dia a dia dos hospitais, colecionamos histórias que evidenciam que a arte do palhaço promove memórias que atravessam o período de internação.

Em cada encontro, aprendemos que o lugar da arte pode ser grandão ou pequenino.IMG_0822

Pode estar em uma música tocada no momento certo, em uma gargalhada no começo do plantão, em uma troca de olhares entre mãe e filho. E até no simples observar de uma nova relação, trazida à tona pela permanência no hospital, como nesta história contada por Sueli Andrade, mais conhecida como Dra Greta Garboreta.

“O R. e o J. passaram um bom tempo juntos no quarto 306. Seus pais contaram que, nesse período, compartilharam tantas ideias, conversas, partidas de videogame e histórias que viraram amigos de fé.

No dia em que o R. recebeu alta, mal conseguimos intervir, porque tanto R. como J. choravam compulsivamente.

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E ainda que morassem no mesmo bairro e seus pais houvessem prometido que os levariam para visitar um ao outro, nenhum deles se conformava com a separação.

O hospital acabou sendo palco de uma convivência ímpar.”

Quem pode dizer que hospital não é lugar de arte?

O luto e o que vem antes

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No final do ano passado, alguns artistas do Doutores da Alegria foram convidados para um grupo de luto de um hospital onde atuamos.

Grupos de luto são espaços de acolhimento para pessoas que perderam entes queridos. São reuniões, muitas vezes conduzidas por voluntários com uma equipe multidisciplinar do hospital, em que se fala sobre morte, sobre luto, sobre saudade, sobre tristeza.

E também sobre vida. Sobre lembranças. Sobre recomeços.

Naquela ocasião, os parentes relataram lembranças que têm de seus filhos com os palhaços, o que nos emocionou muito. “Lembramos de todas as crianças com os relatos e víamos naqueles rostos não pessoas que perderam, que passaram por uma tragédia, mas as pessoas mais fortes que já conhecemos, pessoas que provaram a vida até as últimas consequências e sobreviveram! E que se ajudam mutuamente, com muito carinho!”, conta David Tayiu, um dos artistas-palhaços.

Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Falar sobre a morte pode ser difícil para muita gente. Em um artigo desta semana no jornal inglês The Guardian, o terapeuta Johannes Klabbers traz um sensível relato sobre consolar uma pessoa que está próxima da morte. Reproduzimos um trecho:

“Embora eu conheça médicos excepcionais e enfermeiras que podem e falam com os pacientes sobre a sua morte iminente, é algo que muitos não se sentem qualificados para fazer. Aprendi que consolar uma pessoa gravemente doente é algo que quase qualquer um pode fazer, qualquer que seja sua fé – ou falta dela. Você não precisa de uma qualificação especial, ou de um crachá, ou permissão de uma figura de autoridade, sobrenatural ou não, apenas sua humanidade e determinação.

Muitas vezes a nossa ansiedade sobre dizer ou fazer a “coisa errada” nos leva a decidir não visitar alguém. Oferecer estar lá para alguém, mesmo que eles recusem – e eles podem – nunca está errado. Estar lá significa dar a sua atenção à pessoa, não à sua doença, e concentrar-se em ouvir, não em se preocupar com o que dizer.

Você precisará aceitar que a pessoa pode não querer discutir sua tristeza e medos – pelo menos no início. Eles podem querer falar sobre futebol ou o mais recente episódio de uma série. Ou eles podem apenas precisar de alguém para sentar com eles em silêncio. Você pode se sentir desconfortável ou angustiado, mas seu trabalho é aceitar o seu desconforto e pensar além dele. Você pode mostrar tristeza, mas não sobrecarregá-los com sua dor.”

Aqui no Brasil, um grupo de mulheres que viveram o luto se uniu em 2014 para criar, com a ajuda de financiamento coletivo, a plataforma Vamos falar sobre o luto?. O projeto é um convite para quebrar o tabu, com relatos diversos – um canal de inspiração e de informação para quem vive o luto e também para quem deseja ajudar.

Iniciativas como essas abrem caminho para uma reflexão mais consciente sobre a morte.

E trazem um espaço acolhedor, seja ele real ou virtual, para que pessoas se conectem em busca de um recomeço para suas vidas.

Retrospectiva: 2015 foi assim

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O ano nos reservou histórias e momentos marcantes. Delicados e emocionantes. Raros. Alguns tensos, assustadores. Outros engraçados, transformadores. 

Aqui no Blog os palhaços contaram mais de 100 histórias que os marcaram nos hospitais. Também teve textos reflexivos sobre alegria, saúde, arte… Palavras que compõem o mundo que nos rodeia, e que tem rodado tão rápido. Neste espaço buscamos uma pausa para a leitura, para entregar e dividir com você momentos que nos marcaram. A escrita nos ajuda a manter o passo.

Os melhores momentos de 2015

Saudade de uma internação

Começamos o ano contando sobre a saudade que ficamos de alguns pequenos pacientes que não encontramos mais nos hospitais.

+ > leia a história

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Obrigado, Sacks!

Em março falamos da revelação do neurologista e escritor Oliver Sacks sobre sua doença. Grande inspiração, para nós, Sacks descobrira um câncer em sua fase terminal. Ele faleceu em agosto, aos 82 anos.

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Um olhar além

A força dos encontros e como eles podem afetar o nosso corpo é a base conceitual do nosso trabalho. Falamos sobre como a alegria ativa o corpo humano e traz benefícios para a saúde. Talvez seja a própria saúde.

+ > leia a história

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A música me salvou

A arte em forma de música salvou a vida de uma criança. Lançamos a bandeira do acesso à arte como um direito básico e universal, inclusive para as populações mais vulneráveis, como dissidentes de guerras e pacientes em hospitais públicos.

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Imagine um hospital que…

Falamos sobre um experimento que uniu mais de 600 pessoas de nacionalidades diferentes em busca de um sistema de saúde que atenda às necessidades contemporâneas, com novas forças sociais, econômicas, tecnológicas e epidemiológicas.

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Se algum dia me vir chorando

Nem sempre os besteirologistas são queridos à primeira vista. Naquele dia, precisamos ir além da máscara do palhaço pra fazer a pequena paciente acreditar que por trás daquele nariz havia um ser humano que também era chorão.

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Diário de um pequeno rebelde

Em abril contamos sobre um jovem que insistia na agressividade com os palhaços. Talvez ele apenas precisasse de carinho.

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Histórias de mães

Maio foi o mês das mães. Pedimos a elas que contassem histórias especiais com seus filhos em hospitais. Foram 25 histórias que só podiam ser escritas por mães <3

+ > veja a série de histórias

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Quando a vida real invade a ficção

A Dra. Pororoca ficou gravidíssima esse ano. Ela conta como trabalhou em trio, dois adultos e um bebê na barriga.

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Os dois lados da mesma esquina

Contamos sobre um daqueles momentos que nos pegam de calças curtas. A senhora pedia um abraço pois o neto havia partido.

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O fantástico leilão do Mateus

O Mateus é um jovem paciente da UTI Pediátrica do Hospital do Mandaqui que nos conhece há muito tempo. Ele resolveu presentear cada palhaço com algo muito especial.

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A doença vale a pena

Será possível encontrar algo de precioso na doença? Algo que a faça valer a pena?

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Uma história sobre o inevitável

O que a iminência da morte pode nos provocar, nos ensinar? Aquela visita nos tocou profundamente.

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Essa nossa dúvida

Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos? Dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. 

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Quer mais histórias?

Percorra o Blog dos Doutores da Alegria para ver outras histórias sobre o nosso trabalho. E depois nos conte: qual foi sua história preferida em 2015? Em 2016 tem mais!

Histórias de mãe VIII

Tempo de leitura: 5 minuto(s)

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Janaina Maestri e Sofia

Sofia
A Sofia nasceu antes do tempo. Eu e o pai dela almoçávamos quando começaram umas dores estranhas, mas voltei ao trabalho. Em menos de uma hora as pernas travavam, dores, fui para o hospital, e fiquei um dia inteiro sob supervisão, exames.

A Sofia queria vir ao mundo! E nasceu de oito meses! Eu a vi chorando e, de repente, cadê minha bebê? Nasceu com pulmão forte, nasceu bem! Mas nossa filha foi para UTI devido a uma infecção generalizada. Foram dias de luta, e na madrugada de seu nascimento, o pai dela teve cólica renal. Resultado: papai internado em um hospital, mamãe em outro e Sofia sendo cuidada na UTI. 

Logo depois da minha alta, eu tive que me tornar a Super Mãe! Em meio àquele caos, encontrei pessoas com histórias lindas de superação, mães que estavam há meses praticamente morando dentro do hospital. Eu não me preparei para o que aconteceu… Mas quem se prepara, né? Saí do hospital, após minha alta, chorando, porque eu queria sair ela em meus braços. As visitas chegavam e eu só pensava nela, e me vi sozinha por algumas vezes, enfrentando meus próprios medos, entrando na UTI com as dores de uma cirurgia, com a dor de uma agora mãe que sofre por um filho, que trocaria de lugar!

Enfim, foram nove dias indo ao hospital, e a cada dia algo novo. No quinto dia de vida, a Sofia já se esforçava para levantar a cabeça, tinha força de viver… No nono dia, eu estava no consultório médico e recebi uma ligação. “Sofia está livre da UTI!”. Foi uma correria! E foi meu primeiro dia com ela… Nunca tinha trocado uma fralda e a enfermeira me ensinou; a partir dali comecei os cuidados sozinha! E foi no décimo segundo dia que saímos do hospital. Foi emocionante!

Aproveito esse espaço para dizer a todas as futuras mamães que a gente deve se preparar para um pouco de cada coisa, sempre pensar positivo, mas saber que o sofrimento pode surgir, mas que ele passa, que o maior segredo de todos é a paciência acompanhada do amor. Não foi fácil, e ser mãe não é fácil, a gente sofre junto, a gente se alegra junto, mas que vale muito a pena se dedicar, pois um filho sente e sabe o quanto a gente se dedica a ele(a). Eu vejo minha filha sendo grata por todo meu esforço até hoje, com apenas três anos de idade. Ela me diz todos os dias, eu disse todos, que ela me ama!

Não tem alegria maior na minha vida que nossa filha. Grata, Deus e marido, pela filha maravilhosa que temos!

Anna Celina e Inho

Me chamo Ana Celina. Tenho 43 anos e meu filho fará 26 em setembro. Aos 17 anos me descobri grávida. 17 anos, nem tinha deixado a adolescência direito e já me tornara mãe… E ainda mais mãe de um bebê prematuro.

Meu filho chegou dois meses antes da data prevista, pesava 2.2 kg e media 44 cm. Tinha os pulmões ainda em formação e nasceu roxinho como uma jabuticaba, com dificuldades imensas para respirar. Eu tive pré-eclâmpsia e só pude conhecer meu filho 24 horas depois que ele havia nascido. Foram as piores 24 horas de minha vida, não sabia o que pensar e nem tampouco como me “portar” diante de meu filho.

Mas ao chegar ao berçário e ver aquele serzinho miúdo e que estava ali e precisava de mim, de imediato me transformei na mãe que sempre sonhei ser… Meu filho ficou internado na incubadora respirando artificialmente oito dias e eu não arredei o pé de lá, passava os dias conversando, contando histórias e cantando pro meu pequeno. As enfermeiras e a pediatra me incentivavam a dizer a ele o quanto ele era importante pra mim, e às vezes eu chegava e ele estava choramingando e, ao ouvir minha voz, parava. Ao voltar pra casa, que teve que ser preparada pra chegada dele, passamos mais dois meses sem sair e aos poucos meu pequeno foi ganhando corpo. Com um ano ninguém dizia que ele nascera tão mirradinho…

Talvez nem seja uma história de tanta superação, mas é uma história de muito amor.

Anna Celina e Inho

Hoje meu filho é jornalista, assessor de comunicação e designer gráfico. É um ótimo filho, de muito bom caráter e responsável, um filho do qual me orgulho e amo com todas as forças do meu coração. Não pude ter outros filhos, mas ele me realizou como mãe. Sou atriz, contadora de histórias e intérprete da palhaça Axila há 15 anos.

Luana Dondé Strada e seu pequeno grande homem

Meu nome é Luana, tenho 31 anos e sou mãe do Luiz Otavio, de três anos. Sou enfermeira, atuei em Saúde pública, hospital, SAMU e atualmente em docência. Sempre ajudei o próximo, não somente pela arte do cuidar, e sim por sempre pensar como eu gostaria que os outros cuidassem de mim, da minha família.

Luana

Em 2011 engravidei e, por ser enfermeira, imaginei uma gestação tranquila, tudo planejado, tudo organizado. Tive diabete gestacional e pré-eclâmpsia, mas meu filho amado nasceu com 34 semanas. Lembro como se fosse hoje a noite do dia 15 de novembro de 2011 – uma noite fria, tranquila, porém estranha, eu me sentia estranha, não sei explicar mas escrevendo aqui, posso sentir tudo o que senti aquela noite. Acordei no domingo, 16, mais estranha ainda… Algo de diferente iria acontecer. Liguei para minha ginecologista e fui até o hospital, a 15 km da cidade onde eu morava. Estava de 34 semanas e com 4 centímetro de dilatação. Ela me falou: “Ele não pode nascer.

Permaneci no hospital em observação constante, e às 16 horas a bolsa rompeu. Entrei em desespero total! Os profissionais da enfermagem correndo, chamando minha médica, chamando o pediatra e acionando o centro cirúrgico, e em questão de minutos estava eu no centro cirúrgico. E meu filho nasceu, nasceu bem, super bem, mas minutos depois começou a sofrer para respirar, e eu o vi todo roxinho. Ouvi o pediatra solicitando a UTI Neonatal.

Entrei em desespero pela segunda vez, e o pediatra explicou que seriam somente algumas horas para observação, mas essas horas transformaram-se em 14 longos dias de sofrimento, choro, angústia, medo, insegurança… E o pior de tudo é você ser enfermeira e saber tudo o que estava acontecendo, reconhecer os altos e baixos, e saber onde tudo aquilo poderia parar, ver meu filho entubado, respirando 100% com ajuda de respirador. Eu não queria acreditar que estava passando por isso.

O mais importante de tudo, durante todo esse tempo que não passava nunca, foi incentivar meu filho a respirar, a viver, a lutar pela vida, e a cada visita na UTI, por pior que eu estivesse, eu nunca derramei uma lágrima perto dele, afinal sei que passamos o que sentimos para eles, e por isso mantive-me forte para ele ser forte também.

No 12º dia meu filho saiu do tubo, e dali para frente foi um sucesso, superamos todas as dificuldades, e aprendemos junto que as dificuldades aparecem para nos deixar mais fortalecidos e unidos um com o outro. Hoje ele é o meu pequeno grande homem (é como o chamo) e continua sendo corajoso, igualzinho como ensinei a ele desde o seu primeiro dia de vida.

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Histórias de mães VII

Tempo de leitura: 3 minuto(s)

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Suéllen Hort Gripa e Arthur – Santa Catarina

Foram no total 129 dias de hospital, sendo 100 dias de UTI no Hospital Santa Catarina de Blumenau.

Primeiro o quadro de toda prematuridade. Arthur nasceu em 7 de outubro de 2012, de 31 semanas, pesando 1.775 kg, com 42 cm e parada cardiorrespiratória. Foi ali que começou sua luta pela vida, sua vontade de vencer e viver nesse mundo louco… Logo foi entubado, teve pneumonia, bactéria no sangue, infecções generalizada… Entuba, extuba, cipap, hallo, aff… Cirurgia no estômago devido a uma perfuração com a sonda…

Foram tantas bolsas de sangue, tantas bombas de seringa, tantos exames de sangue, tantos sustos, tantas sessões de fisioterapias respiratórias, precisou fazer a traqueostomia… Mas Arthur lutou, ou melhor, lutamos nós pais, família, amigos e anjos que Deus nos deu de presente (técnicas, enfermeiras, médicos)… O merecedor, sem dúvida, é nosso pequeno anjo, nosso guerreiro Arthur, que nos ensinou a viver um dia após o outro, nos ensinou a ter paciência, nos ensinou a acreditar em Deus e, em especial, nele. Deu uma verdadeira lição de vida.

Suéllen Hort Gripa  (2)

Depois desses 100 dias veio a alta da UTI. Vamos para o quarto? E agora? Foram noites acordados, inseguros, mas sempre, sempre acreditando nele… E novamente uns sustos, apneias, retirada da traqueo, aspirou leite, coloca sonda, tira sonda, ganha e perde peso, fisio respiratória, motora… E assim foram mais 29 dias.

Muita fé, muita luta para chegar nessa data tão especial: nossa alta hospitalar. Sim, no dia 11 de fevereiro de 2013 fomos para casa! Era para ter vindo com sonda gástrica, traqueostomia, mas ele superou e surpreendeu muitas pessoas! Em exames rotineiros após a alta pra casa, descobrimos que além de toda a limitação física e motora, Arthur teve perda auditiva, severa e bilateral… Mais uma batalha a ser enfrentada.

Muito tempo já passou, e nem acredito que esse ano ele completa três anos de luta contínua e sem data pra terminar. Aprendi a viver um dia de cada vez, aprendi a dar valor a cada conquista, por mínima que for, aprendi tanta coisa… Sim, nós temos um filho ESPECIAL, em TODOS os sentidos, e fazemos de TUDO pra tentar dar uma vida mais próxima à normalidade para ele.

Não temos folga. De segunda a sexta, ele faz fisioterapia respiratória e motora, todas as terças e quintas uma hora de estimulação visual e fisioterapia em casa, todas as quartas e sextas vamos para APAE receber mais estimulações, tem fonoterapia, hidroterapia, terapia ocupacional e a parte pedagógica. E nos outros períodos normalmente faz acompanhamento médico, com oftalmo, neuro, gastro, otorrino, geneticista…

Acho que esse é um resumo da nossa vida, do nosso tesouro, do nosso guerreiro! Posso dizer que ele me transformou em todos os sentidos, e não sei o que seria de mim sem ele… Ah, se ele soubesse o quanto me ensina!

Karina Garcia e Gustavo Francisco – São Paulo

Quando Gustavo tinha quatro meses, descobrimos que nasceu com craniossinostose e tinha que passar por cirurgia, pois podia haver o esmagamento do cérebro, ocasionando vários problemas, até mesmo a morte.

Com 10 meses, ele passou por cirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foi uma cirurgia muito delicada e com grande risco de vida. Graças a Deus e às mãos abençoadas dos médicos, foi um sucesso e um milagre! Nosso filho é um guerreiro e somos abençoados por esse milagre!

Karina Garcia

A cada Dia das Mães ver o Gustavo saudável, muito esperto e sapeca é o presente mais precioso que poderia ter no mundo! Te amo muito filho muito! Obrigada por essa homenagem tão linda e pelo trabalho maravilhoso e abençoado que vocês fazem. Trazer alegria mesmo na hora do desespero… Deus os abençoe sempre.

Monica Rodrigues e Giovana

Em 2007 a minha filha Giovana ganhou uma nova oportunidade de vida. Fez um transplante de coração. Estamos muito felizes, e vocês, Doutores da Alegria, estiveram conosco. Obrigada.

Monica Rodrigues (2)

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Histórias de mães VI

Tempo de leitura: 3 minuto(s)

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Cris Moura e Giovana – Rio Grande do Sul

Em 2009, dei entrada na emergência do Hospital Santo Antônio com Giovana aos dois anos de idade. Estava com infecção generalizada. Teve úlcera gástrica, perfuração no estômago por sonda gástrica e obstrução intestinal. Foi para o bloco cirúrgico e ao receber anestesia, teve uma parada cardiorrespiratória. Foi reanimada quatro vezes e conseguiu fazer a cirurgia. Foi para a UTI com falência múltipla de órgãos e os médicos avisaram que minha filha teria horas ou minutos de vida.

Liberaram-me para me “despedir” de minha filha, e, ao seu lado no leito da UTI, rezo e entrego a Deus a vida do meu bem mais precioso. Pedi que se nos permitisse viver juntas, que ele a salvasse, mas que se fosse para que ela vivesse e ficasse com mais sequelas, vegetativa e com dores, então que por mais que me doesse, eu não poderia viver vendo minha filha sofrer.

Cris Moura

No dia seguinte, como um milagre, minha filha se recupera. Apenas seus rins continuavam sem funcionar, e se em 24 horas não voltassem ao normal, teria que passar a fazer hemodiálise. Mais uma vez ela deu a volta por cima, saiu da UTI após sete dias e foi para o leito como se nada daquilo tivesse acontecido…. Se eu acredito em Deus e em milagres? Basta olhar para minha filha e saberá a resposta!

Aos oito aninhos essa pequena grande mulher já passou por tantas lutas nas quais saiu vitoriosa!
#AmoSerMãeEspecial! #MinhaFilhaMeuAnjo!

Fernanda Rodrigues e Matheus

Certo dia, uma médica, após ver alguns exames meus, disse que eu não poderia ter filhos. Meu mundo desabou.

Procurei mais três profissionais e disseram a mesma coisa. Com um fio apenas de esperança procurei o último,  e apostei todas as fichas neste. E foi quem me fez realizar o sonho de ser mãe. Mas não foi nada fácil.

Fiz a cirurgia que foi um sucesso. Era um mioma enorme que me impediria de ter filhos se eu não o retirasse a tempo. Pronto, resolvido. Nada disso! Seis meses depois outro susto. Fui levada com muita urgência ao hospital, sentindo dores no abdômen. Diagnóstico: pedra na vesícula. Mais uma cirurgia e mais miomas que me impediriam de engravidar. Mais uma vez o meu mundo foi ao chão, e já em casa, aos prantos e muito debilitada, clamei ao Senhor! Porque Ele sim poderia reverter todo esse quadro.

Alguns dias depois, comecei a sentir o primeiro sintoma: enjoo. Corri pra fazer um exame de gravidez e estava lá: positivo! Estava com três semanas de gravidez! Sim, durante a cirurgia da vesícula, eu já estava grávida! Que felicidade, não conseguia me conter!Fernanda Rodrigues (1)

30 semanas de gravidez tranquila, aspirando cuidados, se passaram. Minha placenta envelhecida fez com que eu tivesse descolamento, e Matheus, já em sofrimento na minha barriga, teve que ser retirado às pressas para conseguir sobreviver. Começou então a sua grande luta pela vida. Nasceu Matheus, com 1,75 kg, 43 cm, a criança mais guerreira e mais linda e que era meu filho! Ainda na UTI, no dia em que ele mamou pela primeira vez, novamente fui arrancada de perto do meu filho por conta de uma trombose e fiquei internada por dez dias, quando só via meu filho em fotos. Que angústia!

fernanda rodriguesDepois de dez dias sendo medicada, tive uma grande notícia: meu filho estava vindo ficar comigo no quarto. Fiquei tão feliz que parecia que eu tinha parido naquele momento, e desde então nunca mais nos separamos. Meu filho é um campeão que lutou junto comigo para que o nosso Deus mais uma vez fosse glorificado! Hoje ele tem oito anos, 1.35m, 32 kg e uma saúde de ferro! Agradeço a Deus por tudo e por médicos maravilhosos e super preparados que sempre me acompanharam em todos os momentos difíceis pelo qual passamos!

Kelly Britto e Vitória

Kelly Britto (1) Kelly Britto (2)Posso dizer que morri por alguns dias, mas graças a Deus, à minha fé e à fé de outros tantos solidários, pude ver o nascer do sol de mais uma manhã e, mais do que isso, o renascer da minha própria estrela.

Minha história começa em 2010. Ano de Copa do Mundo, ano de esperanças, alegrias, expectativas e sonhos. Mas eu tinha mais que uma copa do Mundo pra festejar… Eu estava grávida. O grande dia chegou e, após alguns dias, pude pegar minha filha em meus braços pela primeira vez… Devido a algumas complicações em seu coraçãozinho, a Vitória ficou oito dias na UTI e só depois disso pude levá-la pra casa. E dei seu primeiro banho. Com seu crescimento aprendemos a despertar a criança dentro de nós… 

No dia 6 de agosto de 2014, Vitória sofreu um traumatismo craniano com afundamento, hemorragia e perda de massa encefálica. Em seguida, teve hemorragia pulmonar seguida de duas paradas cardíacas e duas vértebras do pescoço quebradas. Para os médicos a vitória estava perdida… Mas para o meu Deus a batalha estava apenas começando e a vitória era garantida.

Tivemos alta em 22 de agosto de 2014. A vitória foi nos dada… E ela já voltou pra sua rotina e fazer o que mais gosta, que é dançar! Muito obrigada!

Feliz Dia das Mães! <3

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