Eu tinha esquecido dessa tal humanidade. O hospital me fez lembrar.

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É muito genuíno o sentimento de humanidade que a situação de internação num hospital traz.

Talvez seja o momento da vida em isso mais aflora. Ou quem sabe seja o fato de termos que parar de nos preocupar com coisas da vida mundana para realmente sentir e viver o presente. Porque não importa mais se o trânsito está pesado ou se acabou o arroz em casa, importa agora se vou aguentar o tranco.

E, para isso, é preciso contar com pessoas. Estrutura também, remédios, um pouco de sorte, mas principalmente pessoas.

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Recentemente passei uma semana entre o quarto e a UTI. Duas ambulâncias, dois hospitais, muitos exames, picadas, diagnósticos, corredores. O termo “paciente” é mesmo pra justificar o tempo que se espera e a condição de entrega, sem muita reação, ao tratamento. Etimologicamente, “paciente” deriva do latim pati e do grego pathe, que significam “sofrer” ou “aguentar”. 

Mas eu volto à humanidade.

Assim que sofri o acidente, abri meus olhos e vi à volta dezenas de pessoas em plena rodovia. Você está bem, Gabi? Não se mexa. Calma que a ambulância já vai chegar. Quer que avise algum parente? Reclamavam de quem passava de carro devagarzinho só pra olhar. Faziam sombra para que o sol não atingisse os machucados já doloridos. Uma pena que, deitada, não pude enxergar o rosto de nenhum deles.

Durante esta semana recebi, talvez como em nenhum aniversário, o carinho de muitas pessoas. Em forma de palavras, de visitas, de lembranças e até de posts no Facebook, e foi incrível como isso ajudou no meu fortalecimento. Eu realmente senti a energia que esses amigos passavam.

Mas o que mais me tocou – e ainda toca – foi o que recebi dos profissionais de saúde. A humanidade de cada um em gestos simples como trocar a fralda, dar um banho numa cadeira de rodas depois de dias no leito ou trocar o acesso às veias de forma gentil. Lembro-me da fisioterapeuta que me guiava delicadamente pelos corredores, do rapaz que me ofereceu um cobertor na sala da tomografia, do motorista da ambulância que pedia desculpas após passar na lombada, do médico que me deu alta com um sorriso no rosto.

Na clausura da UTI, só me restava me apegar a estas pessoas. Desejar que estivessem felizes por deixar a família e trabalharem durante a madrugada fria naquele lugar, me fazendo companhia. Cuidando. Nunca fui de me apegar à metafísica, prefiro me apoiar no que posso ver e tocar.

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Ali também entendi, de forma verdadeira e forte, o significado do trabalho dos Doutores da Alegria. A falta que a imaginação despreocupada, a brincadeira e o riso fazem durante a internação – e a importância de manter uma atitude positiva. Pensei na poesia que é preciso ter para quebrar algumas barreiras e tentei supor como seria passar por isso enquanto criança ou idoso e, claro, lembrei do caso do Mateus e da Gabi, moradores de uma UTI, cujo sonho era ver a lua.

Nas duas semanas seguintes, já fora do hospital, valorizei cada pequena vitória e também o privilégio de ter uma família para me amparar naquele momento frágil. Agradeci por poder tomar um solzinho, olhei como pela primeira vez a grama verdinha que nascia na terra, me encantei com a sabedoria do corpo humano.

O tempo passou rápido.

Aos poucos, a vida vai puxando para o centro da roda de novo e o futuro começa a fazer mais parte dos pensamentos que o presente. Mas em tempos tão esquisitos, com hospitais sucateados e a saúde do país agonizando, essa brutal experiência me levou a acreditar neste fio invisível que nos liga: a humanidade. Obrigada a todos.

Gabi, da equipe de Comunicação do Doutores da Alegria.

Os amigos de fé

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Em 25 anos atuando no dia a dia dos hospitais, colecionamos histórias que evidenciam que a arte do palhaço promove memórias que atravessam o período de internação.

Em cada encontro, aprendemos que o lugar da arte pode ser grandão ou pequenino.IMG_0822

Pode estar em uma música tocada no momento certo, em uma gargalhada no começo do plantão, em uma troca de olhares entre mãe e filho. E até no simples observar de uma nova relação, trazida à tona pela permanência no hospital, como nesta história contada por Sueli Andrade, mais conhecida como Dra Greta Garboreta.

“O R. e o J. passaram um bom tempo juntos no quarto 306. Seus pais contaram que, nesse período, compartilharam tantas ideias, conversas, partidas de videogame e histórias que viraram amigos de fé.

No dia em que o R. recebeu alta, mal conseguimos intervir, porque tanto R. como J. choravam compulsivamente.

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E ainda que morassem no mesmo bairro e seus pais houvessem prometido que os levariam para visitar um ao outro, nenhum deles se conformava com a separação.

O hospital acabou sendo palco de uma convivência ímpar.”

Quem pode dizer que hospital não é lugar de arte?

O luto e o que vem antes

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No final do ano passado, alguns artistas do Doutores da Alegria foram convidados para um grupo de luto de um hospital onde atuamos.

Grupos de luto são espaços de acolhimento para pessoas que perderam entes queridos. São reuniões, muitas vezes conduzidas por voluntários com uma equipe multidisciplinar do hospital, em que se fala sobre morte, sobre luto, sobre saudade, sobre tristeza.

E também sobre vida. Sobre lembranças. Sobre recomeços.

Naquela ocasião, os parentes relataram lembranças que têm de seus filhos com os palhaços, o que nos emocionou muito. “Lembramos de todas as crianças com os relatos e víamos naqueles rostos não pessoas que perderam, que passaram por uma tragédia, mas as pessoas mais fortes que já conhecemos, pessoas que provaram a vida até as últimas consequências e sobreviveram! E que se ajudam mutuamente, com muito carinho!”, conta David Tayiu, um dos artistas-palhaços.

Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Falar sobre a morte pode ser difícil para muita gente. Em um artigo desta semana no jornal inglês The Guardian, o terapeuta Johannes Klabbers traz um sensível relato sobre consolar uma pessoa que está próxima da morte. Reproduzimos um trecho:

“Embora eu conheça médicos excepcionais e enfermeiras que podem e falam com os pacientes sobre a sua morte iminente, é algo que muitos não se sentem qualificados para fazer. Aprendi que consolar uma pessoa gravemente doente é algo que quase qualquer um pode fazer, qualquer que seja sua fé – ou falta dela. Você não precisa de uma qualificação especial, ou de um crachá, ou permissão de uma figura de autoridade, sobrenatural ou não, apenas sua humanidade e determinação.

Muitas vezes a nossa ansiedade sobre dizer ou fazer a “coisa errada” nos leva a decidir não visitar alguém. Oferecer estar lá para alguém, mesmo que eles recusem – e eles podem – nunca está errado. Estar lá significa dar a sua atenção à pessoa, não à sua doença, e concentrar-se em ouvir, não em se preocupar com o que dizer.

Você precisará aceitar que a pessoa pode não querer discutir sua tristeza e medos – pelo menos no início. Eles podem querer falar sobre futebol ou o mais recente episódio de uma série. Ou eles podem apenas precisar de alguém para sentar com eles em silêncio. Você pode se sentir desconfortável ou angustiado, mas seu trabalho é aceitar o seu desconforto e pensar além dele. Você pode mostrar tristeza, mas não sobrecarregá-los com sua dor.”

Aqui no Brasil, um grupo de mulheres que viveram o luto se uniu em 2014 para criar, com a ajuda de financiamento coletivo, a plataforma Vamos falar sobre o luto?. O projeto é um convite para quebrar o tabu, com relatos diversos – um canal de inspiração e de informação para quem vive o luto e também para quem deseja ajudar.

Iniciativas como essas abrem caminho para uma reflexão mais consciente sobre a morte.

E trazem um espaço acolhedor, seja ele real ou virtual, para que pessoas se conectem em busca de um recomeço para suas vidas.

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Retrospectiva: 2015 foi assim

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O ano nos reservou histórias e momentos marcantes. Delicados e emocionantes. Raros. Alguns tensos, assustadores. Outros engraçados, transformadores. 

Aqui no Blog os palhaços contaram mais de 100 histórias que os marcaram nos hospitais. Também teve textos reflexivos sobre alegria, saúde, arte… Palavras que compõem o mundo que nos rodeia, e que tem rodado tão rápido. Neste espaço buscamos uma pausa para a leitura, para entregar e dividir com você momentos que nos marcaram. A escrita nos ajuda a manter o passo.

Os melhores momentos de 2015

Saudade de uma internação

Começamos o ano contando sobre a saudade que ficamos de alguns pequenos pacientes que não encontramos mais nos hospitais.

+ > leia a história

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Obrigado, Sacks!

Em março falamos da revelação do neurologista e escritor Oliver Sacks sobre sua doença. Grande inspiração, para nós, Sacks descobrira um câncer em sua fase terminal. Ele faleceu em agosto, aos 82 anos.

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Um olhar além

A força dos encontros e como eles podem afetar o nosso corpo é a base conceitual do nosso trabalho. Falamos sobre como a alegria ativa o corpo humano e traz benefícios para a saúde. Talvez seja a própria saúde.

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A música me salvou

A arte em forma de música salvou a vida de uma criança. Lançamos a bandeira do acesso à arte como um direito básico e universal, inclusive para as populações mais vulneráveis, como dissidentes de guerras e pacientes em hospitais públicos.

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Imagine um hospital que…

Falamos sobre um experimento que uniu mais de 600 pessoas de nacionalidades diferentes em busca de um sistema de saúde que atenda às necessidades contemporâneas, com novas forças sociais, econômicas, tecnológicas e epidemiológicas.

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Se algum dia me vir chorando

Nem sempre os besteirologistas são queridos à primeira vista. Naquele dia, precisamos ir além da máscara do palhaço pra fazer a pequena paciente acreditar que por trás daquele nariz havia um ser humano que também era chorão.

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Diário de um pequeno rebelde

Em abril contamos sobre um jovem que insistia na agressividade com os palhaços. Talvez ele apenas precisasse de carinho.

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Histórias de mães

Maio foi o mês das mães. Pedimos a elas que contassem histórias especiais com seus filhos em hospitais. Foram 25 histórias que só podiam ser escritas por mães <3

+ > veja a série de histórias

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Quando a vida real invade a ficção

A Dra. Pororoca ficou gravidíssima esse ano. Ela conta como trabalhou em trio, dois adultos e um bebê na barriga.

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Os dois lados da mesma esquina

Contamos sobre um daqueles momentos que nos pegam de calças curtas. A senhora pedia um abraço pois o neto havia partido.

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O fantástico leilão do Mateus

O Mateus é um jovem paciente da UTI Pediátrica do Hospital do Mandaqui que nos conhece há muito tempo. Ele resolveu presentear cada palhaço com algo muito especial.

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leilao do mateus - doutores da alegria

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A doença vale a pena

Será possível encontrar algo de precioso na doença? Algo que a faça valer a pena?

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Uma história sobre o inevitável

O que a iminência da morte pode nos provocar, nos ensinar? Aquela visita nos tocou profundamente.

+ > leia a história

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Essa nossa dúvida

Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos? Dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. 

+ > leia a história

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Quer mais histórias?

Percorra o Blog dos Doutores da Alegria para ver outras histórias sobre o nosso trabalho. E depois nos conte: qual foi sua história preferida em 2015? Em 2016 tem mais!

Histórias de mãe VIII

Tempo de leitura: 5 minuto(s)

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Janaina Maestri e Sofia

Sofia
A Sofia nasceu antes do tempo. Eu e o pai dela almoçávamos quando começaram umas dores estranhas, mas voltei ao trabalho. Em menos de uma hora as pernas travavam, dores, fui para o hospital, e fiquei um dia inteiro sob supervisão, exames.

A Sofia queria vir ao mundo! E nasceu de oito meses! Eu a vi chorando e, de repente, cadê minha bebê? Nasceu com pulmão forte, nasceu bem! Mas nossa filha foi para UTI devido a uma infecção generalizada. Foram dias de luta, e na madrugada de seu nascimento, o pai dela teve cólica renal. Resultado: papai internado em um hospital, mamãe em outro e Sofia sendo cuidada na UTI. 

Logo depois da minha alta, eu tive que me tornar a Super Mãe! Em meio àquele caos, encontrei pessoas com histórias lindas de superação, mães que estavam há meses praticamente morando dentro do hospital. Eu não me preparei para o que aconteceu… Mas quem se prepara, né? Saí do hospital, após minha alta, chorando, porque eu queria sair ela em meus braços. As visitas chegavam e eu só pensava nela, e me vi sozinha por algumas vezes, enfrentando meus próprios medos, entrando na UTI com as dores de uma cirurgia, com a dor de uma agora mãe que sofre por um filho, que trocaria de lugar!

Enfim, foram nove dias indo ao hospital, e a cada dia algo novo. No quinto dia de vida, a Sofia já se esforçava para levantar a cabeça, tinha força de viver… No nono dia, eu estava no consultório médico e recebi uma ligação. “Sofia está livre da UTI!”. Foi uma correria! E foi meu primeiro dia com ela… Nunca tinha trocado uma fralda e a enfermeira me ensinou; a partir dali comecei os cuidados sozinha! E foi no décimo segundo dia que saímos do hospital. Foi emocionante!

Aproveito esse espaço para dizer a todas as futuras mamães que a gente deve se preparar para um pouco de cada coisa, sempre pensar positivo, mas saber que o sofrimento pode surgir, mas que ele passa, que o maior segredo de todos é a paciência acompanhada do amor. Não foi fácil, e ser mãe não é fácil, a gente sofre junto, a gente se alegra junto, mas que vale muito a pena se dedicar, pois um filho sente e sabe o quanto a gente se dedica a ele(a). Eu vejo minha filha sendo grata por todo meu esforço até hoje, com apenas três anos de idade. Ela me diz todos os dias, eu disse todos, que ela me ama!

Não tem alegria maior na minha vida que nossa filha. Grata, Deus e marido, pela filha maravilhosa que temos!

Anna Celina e Inho

Me chamo Ana Celina. Tenho 43 anos e meu filho fará 26 em setembro. Aos 17 anos me descobri grávida. 17 anos, nem tinha deixado a adolescência direito e já me tornara mãe… E ainda mais mãe de um bebê prematuro.

Meu filho chegou dois meses antes da data prevista, pesava 2.2 kg e media 44 cm. Tinha os pulmões ainda em formação e nasceu roxinho como uma jabuticaba, com dificuldades imensas para respirar. Eu tive pré-eclâmpsia e só pude conhecer meu filho 24 horas depois que ele havia nascido. Foram as piores 24 horas de minha vida, não sabia o que pensar e nem tampouco como me “portar” diante de meu filho.

Mas ao chegar ao berçário e ver aquele serzinho miúdo e que estava ali e precisava de mim, de imediato me transformei na mãe que sempre sonhei ser… Meu filho ficou internado na incubadora respirando artificialmente oito dias e eu não arredei o pé de lá, passava os dias conversando, contando histórias e cantando pro meu pequeno. As enfermeiras e a pediatra me incentivavam a dizer a ele o quanto ele era importante pra mim, e às vezes eu chegava e ele estava choramingando e, ao ouvir minha voz, parava. Ao voltar pra casa, que teve que ser preparada pra chegada dele, passamos mais dois meses sem sair e aos poucos meu pequeno foi ganhando corpo. Com um ano ninguém dizia que ele nascera tão mirradinho…

Talvez nem seja uma história de tanta superação, mas é uma história de muito amor.

Anna Celina e Inho

Hoje meu filho é jornalista, assessor de comunicação e designer gráfico. É um ótimo filho, de muito bom caráter e responsável, um filho do qual me orgulho e amo com todas as forças do meu coração. Não pude ter outros filhos, mas ele me realizou como mãe. Sou atriz, contadora de histórias e intérprete da palhaça Axila há 15 anos.

Luana Dondé Strada e seu pequeno grande homem

Meu nome é Luana, tenho 31 anos e sou mãe do Luiz Otavio, de três anos. Sou enfermeira, atuei em Saúde pública, hospital, SAMU e atualmente em docência. Sempre ajudei o próximo, não somente pela arte do cuidar, e sim por sempre pensar como eu gostaria que os outros cuidassem de mim, da minha família.

Luana

Em 2011 engravidei e, por ser enfermeira, imaginei uma gestação tranquila, tudo planejado, tudo organizado. Tive diabete gestacional e pré-eclâmpsia, mas meu filho amado nasceu com 34 semanas. Lembro como se fosse hoje a noite do dia 15 de novembro de 2011 – uma noite fria, tranquila, porém estranha, eu me sentia estranha, não sei explicar mas escrevendo aqui, posso sentir tudo o que senti aquela noite. Acordei no domingo, 16, mais estranha ainda… Algo de diferente iria acontecer. Liguei para minha ginecologista e fui até o hospital, a 15 km da cidade onde eu morava. Estava de 34 semanas e com 4 centímetro de dilatação. Ela me falou: “Ele não pode nascer.

Permaneci no hospital em observação constante, e às 16 horas a bolsa rompeu. Entrei em desespero total! Os profissionais da enfermagem correndo, chamando minha médica, chamando o pediatra e acionando o centro cirúrgico, e em questão de minutos estava eu no centro cirúrgico. E meu filho nasceu, nasceu bem, super bem, mas minutos depois começou a sofrer para respirar, e eu o vi todo roxinho. Ouvi o pediatra solicitando a UTI Neonatal.

Entrei em desespero pela segunda vez, e o pediatra explicou que seriam somente algumas horas para observação, mas essas horas transformaram-se em 14 longos dias de sofrimento, choro, angústia, medo, insegurança… E o pior de tudo é você ser enfermeira e saber tudo o que estava acontecendo, reconhecer os altos e baixos, e saber onde tudo aquilo poderia parar, ver meu filho entubado, respirando 100% com ajuda de respirador. Eu não queria acreditar que estava passando por isso.

O mais importante de tudo, durante todo esse tempo que não passava nunca, foi incentivar meu filho a respirar, a viver, a lutar pela vida, e a cada visita na UTI, por pior que eu estivesse, eu nunca derramei uma lágrima perto dele, afinal sei que passamos o que sentimos para eles, e por isso mantive-me forte para ele ser forte também.

No 12º dia meu filho saiu do tubo, e dali para frente foi um sucesso, superamos todas as dificuldades, e aprendemos junto que as dificuldades aparecem para nos deixar mais fortalecidos e unidos um com o outro. Hoje ele é o meu pequeno grande homem (é como o chamo) e continua sendo corajoso, igualzinho como ensinei a ele desde o seu primeiro dia de vida.

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

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Suéllen Hort Gripa e Arthur – Santa Catarina

Foram no total 129 dias de hospital, sendo 100 dias de UTI no Hospital Santa Catarina de Blumenau.

Primeiro o quadro de toda prematuridade. Arthur nasceu em 7 de outubro de 2012, de 31 semanas, pesando 1.775 kg, com 42 cm e parada cardiorrespiratória. Foi ali que começou sua luta pela vida, sua vontade de vencer e viver nesse mundo louco… Logo foi entubado, teve pneumonia, bactéria no sangue, infecções generalizada… Entuba, extuba, cipap, hallo, aff… Cirurgia no estômago devido a uma perfuração com a sonda…

Foram tantas bolsas de sangue, tantas bombas de seringa, tantos exames de sangue, tantos sustos, tantas sessões de fisioterapias respiratórias, precisou fazer a traqueostomia… Mas Arthur lutou, ou melhor, lutamos nós pais, família, amigos e anjos que Deus nos deu de presente (técnicas, enfermeiras, médicos)… O merecedor, sem dúvida, é nosso pequeno anjo, nosso guerreiro Arthur, que nos ensinou a viver um dia após o outro, nos ensinou a ter paciência, nos ensinou a acreditar em Deus e, em especial, nele. Deu uma verdadeira lição de vida.

Suéllen Hort Gripa  (2)

Depois desses 100 dias veio a alta da UTI. Vamos para o quarto? E agora? Foram noites acordados, inseguros, mas sempre, sempre acreditando nele… E novamente uns sustos, apneias, retirada da traqueo, aspirou leite, coloca sonda, tira sonda, ganha e perde peso, fisio respiratória, motora… E assim foram mais 29 dias.

Muita fé, muita luta para chegar nessa data tão especial: nossa alta hospitalar. Sim, no dia 11 de fevereiro de 2013 fomos para casa! Era para ter vindo com sonda gástrica, traqueostomia, mas ele superou e surpreendeu muitas pessoas! Em exames rotineiros após a alta pra casa, descobrimos que além de toda a limitação física e motora, Arthur teve perda auditiva, severa e bilateral… Mais uma batalha a ser enfrentada.

Muito tempo já passou, e nem acredito que esse ano ele completa três anos de luta contínua e sem data pra terminar. Aprendi a viver um dia de cada vez, aprendi a dar valor a cada conquista, por mínima que for, aprendi tanta coisa… Sim, nós temos um filho ESPECIAL, em TODOS os sentidos, e fazemos de TUDO pra tentar dar uma vida mais próxima à normalidade para ele.

Não temos folga. De segunda a sexta, ele faz fisioterapia respiratória e motora, todas as terças e quintas uma hora de estimulação visual e fisioterapia em casa, todas as quartas e sextas vamos para APAE receber mais estimulações, tem fonoterapia, hidroterapia, terapia ocupacional e a parte pedagógica. E nos outros períodos normalmente faz acompanhamento médico, com oftalmo, neuro, gastro, otorrino, geneticista…

Acho que esse é um resumo da nossa vida, do nosso tesouro, do nosso guerreiro! Posso dizer que ele me transformou em todos os sentidos, e não sei o que seria de mim sem ele… Ah, se ele soubesse o quanto me ensina!

Karina Garcia e Gustavo Francisco – São Paulo

Quando Gustavo tinha quatro meses, descobrimos que nasceu com craniossinostose e tinha que passar por cirurgia, pois podia haver o esmagamento do cérebro, ocasionando vários problemas, até mesmo a morte.

Com 10 meses, ele passou por cirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foi uma cirurgia muito delicada e com grande risco de vida. Graças a Deus e às mãos abençoadas dos médicos, foi um sucesso e um milagre! Nosso filho é um guerreiro e somos abençoados por esse milagre!

Karina Garcia

A cada Dia das Mães ver o Gustavo saudável, muito esperto e sapeca é o presente mais precioso que poderia ter no mundo! Te amo muito filho muito! Obrigada por essa homenagem tão linda e pelo trabalho maravilhoso e abençoado que vocês fazem. Trazer alegria mesmo na hora do desespero… Deus os abençoe sempre.

Monica Rodrigues e Giovana

Em 2007 a minha filha Giovana ganhou uma nova oportunidade de vida. Fez um transplante de coração. Estamos muito felizes, e vocês, Doutores da Alegria, estiveram conosco. Obrigada.

Monica Rodrigues (2)

Feliz Dia das Mães! <3

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Cris Moura e Giovana – Rio Grande do Sul

Em 2009, dei entrada na emergência do Hospital Santo Antônio com Giovana aos dois anos de idade. Estava com infecção generalizada. Teve úlcera gástrica, perfuração no estômago por sonda gástrica e obstrução intestinal. Foi para o bloco cirúrgico e ao receber anestesia, teve uma parada cardiorrespiratória. Foi reanimada quatro vezes e conseguiu fazer a cirurgia. Foi para a UTI com falência múltipla de órgãos e os médicos avisaram que minha filha teria horas ou minutos de vida.

Liberaram-me para me “despedir” de minha filha, e, ao seu lado no leito da UTI, rezo e entrego a Deus a vida do meu bem mais precioso. Pedi que se nos permitisse viver juntas, que ele a salvasse, mas que se fosse para que ela vivesse e ficasse com mais sequelas, vegetativa e com dores, então que por mais que me doesse, eu não poderia viver vendo minha filha sofrer.

Cris Moura

No dia seguinte, como um milagre, minha filha se recupera. Apenas seus rins continuavam sem funcionar, e se em 24 horas não voltassem ao normal, teria que passar a fazer hemodiálise. Mais uma vez ela deu a volta por cima, saiu da UTI após sete dias e foi para o leito como se nada daquilo tivesse acontecido…. Se eu acredito em Deus e em milagres? Basta olhar para minha filha e saberá a resposta!

Aos oito aninhos essa pequena grande mulher já passou por tantas lutas nas quais saiu vitoriosa!
#AmoSerMãeEspecial! #MinhaFilhaMeuAnjo!

Fernanda Rodrigues e Matheus

Certo dia, uma médica, após ver alguns exames meus, disse que eu não poderia ter filhos. Meu mundo desabou.

Procurei mais três profissionais e disseram a mesma coisa. Com um fio apenas de esperança procurei o último,  e apostei todas as fichas neste. E foi quem me fez realizar o sonho de ser mãe. Mas não foi nada fácil.

Fiz a cirurgia que foi um sucesso. Era um mioma enorme que me impediria de ter filhos se eu não o retirasse a tempo. Pronto, resolvido. Nada disso! Seis meses depois outro susto. Fui levada com muita urgência ao hospital, sentindo dores no abdômen. Diagnóstico: pedra na vesícula. Mais uma cirurgia e mais miomas que me impediriam de engravidar. Mais uma vez o meu mundo foi ao chão, e já em casa, aos prantos e muito debilitada, clamei ao Senhor! Porque Ele sim poderia reverter todo esse quadro.

Alguns dias depois, comecei a sentir o primeiro sintoma: enjoo. Corri pra fazer um exame de gravidez e estava lá: positivo! Estava com três semanas de gravidez! Sim, durante a cirurgia da vesícula, eu já estava grávida! Que felicidade, não conseguia me conter!Fernanda Rodrigues (1)

30 semanas de gravidez tranquila, aspirando cuidados, se passaram. Minha placenta envelhecida fez com que eu tivesse descolamento, e Matheus, já em sofrimento na minha barriga, teve que ser retirado às pressas para conseguir sobreviver. Começou então a sua grande luta pela vida. Nasceu Matheus, com 1,75 kg, 43 cm, a criança mais guerreira e mais linda e que era meu filho! Ainda na UTI, no dia em que ele mamou pela primeira vez, novamente fui arrancada de perto do meu filho por conta de uma trombose e fiquei internada por dez dias, quando só via meu filho em fotos. Que angústia!

fernanda rodriguesDepois de dez dias sendo medicada, tive uma grande notícia: meu filho estava vindo ficar comigo no quarto. Fiquei tão feliz que parecia que eu tinha parido naquele momento, e desde então nunca mais nos separamos. Meu filho é um campeão que lutou junto comigo para que o nosso Deus mais uma vez fosse glorificado! Hoje ele tem oito anos, 1.35m, 32 kg e uma saúde de ferro! Agradeço a Deus por tudo e por médicos maravilhosos e super preparados que sempre me acompanharam em todos os momentos difíceis pelo qual passamos!

Kelly Britto e Vitória

Kelly Britto (1) Kelly Britto (2)Posso dizer que morri por alguns dias, mas graças a Deus, à minha fé e à fé de outros tantos solidários, pude ver o nascer do sol de mais uma manhã e, mais do que isso, o renascer da minha própria estrela.

Minha história começa em 2010. Ano de Copa do Mundo, ano de esperanças, alegrias, expectativas e sonhos. Mas eu tinha mais que uma copa do Mundo pra festejar… Eu estava grávida. O grande dia chegou e, após alguns dias, pude pegar minha filha em meus braços pela primeira vez… Devido a algumas complicações em seu coraçãozinho, a Vitória ficou oito dias na UTI e só depois disso pude levá-la pra casa. E dei seu primeiro banho. Com seu crescimento aprendemos a despertar a criança dentro de nós… 

No dia 6 de agosto de 2014, Vitória sofreu um traumatismo craniano com afundamento, hemorragia e perda de massa encefálica. Em seguida, teve hemorragia pulmonar seguida de duas paradas cardíacas e duas vértebras do pescoço quebradas. Para os médicos a vitória estava perdida… Mas para o meu Deus a batalha estava apenas começando e a vitória era garantida.

Tivemos alta em 22 de agosto de 2014. A vitória foi nos dada… E ela já voltou pra sua rotina e fazer o que mais gosta, que é dançar! Muito obrigada!

Feliz Dia das Mães! <3

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Carol Mesentieri e Guilherme – Rio de Janeiro

Gostaria de gritar pro mundo o quanto sou grata por tudo que fizeram pelo meu filho! Como o assunto é mãe, nada melhor que tentar demonstrar toda minha gratidão para quatro profissionais que foram “mães” não só para o meu filho, mas para mim também!

Há exatamente dois meses, meu filho Guilherme, de 13 anos, estava com muita dificuldade em engolir alimentos sólidos. Sem a alimentação adequada foi emagrecendo e ficando fraquinho, com muita febre. Corri com ele para o hospital e acharam melhor interná-lo pra poder descobrir de onde estava vindo a dificuldade de se alimentar. Ficamos 21 dias na pediatria de um hospital público aqui de Petrópolis, o Hospital Alcides Carneiro.

Durante esse tempo, meu filho foi fazendo todos os exames possíveis e imagináveis e desde o primeiro dia o que mais me encantou foi a paciência, a atenção e o carinho com os quais ele foi atendido. Por elas conseguirem enxergar além dos sintomas físicos, com uma sensibilidade incomparável. Por elas conseguirem tirar dele todos os dias um sorriso mágico e até mesmo gargalhadas, mesmo depois de várias noites cansativas. Por incentivá-lo para que ele se alimentasse melhor, mostrando sempre que ele era capaz. Permitiam que ele escolhesse o que ele queria para o almoço, lanche e jantar com a ajuda da nutricionista. Sim! A nutricionista foi conversar conosco! Não imaginaria que em um hospital público e tão grande houvesse tempo para que uma nutricionista fosse nos procurar.

E mesmo com todo aquele trabalho cansativo, quando iam examinar meu filho parecia que o mundo não existia em volta. A atenção era toda pra ele, como acontecia com todas as outras crianças. Isso é dedicação, é amor ao trabalho, é respeito aos pacientes, é admirável! Demonstravam imensa alegria quando iam nos informar que estava tudo bem em algum resultado de exame. Me ouviram, me acalmavam nos momentos em que mais me sentia insegura, sempre me mostrando o melhor caminho a seguir, como as mães fazem com seus filhos. E assim, estamos caminhando com mais segurança e tranquilidade. Carol Mesentieri

Deus foi muito generoso em colocá-las em nosso caminho: as pediatras Dra Pâmela Montagni, Dra Eneida Veiga, Dra Maria Eduarda Galvão e Dra Solimar Stumpf, que também foram por esse período mães tanto pra mim como pro meu pequeno. Agradeço imensamente a Ele todos os dias por isso. Que Ele continue as abençoando e as guiando sempre, cada uma em sua nobre missão, assim como a de vocês!

O meu carinho e respeito eterno a todos esses profissionais que sem dúvida alguma são mamães de tantas pessoas, e claro, anjos enviados por Deus! Como não amá-los? Muito, muito obrigada pela oportunidade de conseguir passar tudo o que aconteceu com a gente! Agradeço a Deus todos os dias pela vida do meu filho!

Ser mãe é chorar, se desesperar, é se encontrar, é sentir o amor mais inexplicável e puro, é ter orgulho, é ser completa, é TUDO! <3

Silvana Maria dos Santos e Gabrieli

Silvana Maria dos Santos (1)
Gabrieli nasceu no dia 6 de agosto de 2009. Uma gravidez muito desejada e esperada por 12 anos. Com 31 semanas, nasceu pesando 1,7kg, e com atresia de esôfago. Com quatro dias, operou e passou por mais 30 dias de UTI.

Foram dias longos. De alegria, quando descobríamos que ela tinha engordado umas graminhas! De tristeza, quando na visita víamos que tinha retornado ao respirador. De euforia, quando chegávamos e era hora do banho! De muita emoção, quando a segurei pela primeira vez… Graças a Deus hoje ela está ótima e com saúde.

Tânia Tomé e sua mãe Sandra – São Paulo

Tania Tome  (1)Tania Tome  (2)Minha mãe chama-se Sandra, tem 68 anos. Há cinco anos, ela estava lavando o banheiro com sabão, escorregou, caiu. Bateu a cabeça no muro do banheiro e fraturou uma vértebra do pescoço e uma vértebra da lombar. A médica disse que se ela fraturasse mais acima não resistiria.

Passamos 15 dias no Hospital do Mandaqui. Num dos plantões, o enfermeiro queria que minha mãe tomasse leite, mas ela não toma leite. E queria que ela engolisse o remédio deitada, e ela ficou com medo de engolir e engasgar. Então, o enfermeiro queria fazer minha mãe engolir o comprimido de qualquer maneira. E ela começou a chorar.

Falou: “Aproveita mesmo para me fazer engolir o remédio, que não posso me defender.” E ele foi embora, e ela não engoliu o remédio. Teve uma crise de choro.

E vocês, Doutores da Alegria, apareceram na ortopedia. Era época de carnaval. Conversaram com ela, com amor.

“Você está chorando?”, perguntaram. “Não chora. Quando nós voltarmos aqui, não queremos ver você chorando.” E ela parou de chorar na hora. Teve alta. E se vocês voltaram, não a viram chorando. Sou muito grata a vocês pelo trabalho que realizam no Hospital do Mandaqui.

Feliz Dia das Mães! <3

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Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

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Ivana Paiva e Gabriel – Fortaleza

Ivana PaivaEra 12 de outubro de 1995, estava no comércio quando me chamaram urgente para ver meu pequeno Gabriel, de apenas oito meses. Ele estava com muita febre e vomitando. Corri com ele ao hospital da cidade, aguardei por horas a consulta. Foi diagnosticado com pneumonia e nos mandaram para casa. À noite, como era carequinha, observei sua fonte bem alta (“fontanela abaulada”, depois aprendi). Na manhã seguinte fui às pressas para capital, onde havia marcado uma consulta com seu pediatra. Ele disse que com quase toda a certeza Gabriel poderia estar com meningite. Tudo escureceu, me faltou o chão.

Fomos encaminhados a um hospital e fizemos a punção. Chorei muito, pois o médico ficou com o exame nas mãos, aguardando o pagamento, para que desse o diagnóstico. Foi algo humilhante. Pagamos e descobrimos a meningite. Cai ao chão e o entreguei nas mãos de Deus verdadeiramente. Fomos encaminhados para outro hospital, onde teríamos o tratamento adequado à doença: Hospital São José. Quando fizemos os exames, a médica nos perguntou se acreditávamos em Deus, pois o caso dele se tratava de um milagre. Sofri, chorei, mas para nossa alegria nosso pequeno saiu de lá curado, doze dias depois, e sem nenhuma sequela.

Sei que fomos abençoados, pois no dia seguinte outro bebê vindo do interior chegara com o mesmo diagnóstico, mas como teria demorado muito para vir, e com diagnóstico inicial errado, não resistiu. Hoje meu filho tem 20 anos, é universitário e um homem temente a Deus!

Soraya Pereira e seu Herói – Belo Horizonte

MEU HERÓISoraya A C Pereira.Deus me presenteou com um filho especial que viveu 2 anos e 7 meses praticamente morando na Santa Casa de Belo Horizonte. Foram muitas internações entre CTI e no quarto do hospital. Foram muitos sofrimentos convividos com ele e Deus. Nesta vivência conheci muitos pais e filhos na mesma história. Ainda sinto muito a falta dele, mas por mais que amemos nossos filhos, não podemos deixá-los conosco em imenso sofrimento. E foi sofrimento inexplicável,  até que conversei muito com Deus e os profissionais da Medicina e então falei pro meu filho que ele poderia ir descansar e que eu ficaria bem. Não aguentava mais ver o meu filho sofrendo.

E tenho sonhado com o meu filho. Ele me mostrou o lugar em que está agora – uma casa toda amarelinha e um jardim todo florido. E de suas mãozinhas saíam fluxos dourados de virtudes. Ele estava lindo, andando, falando e saudável. Eu sei que ele está sempre comigo e eu o sinto. Eu o chamo de meu Herói e meu Campeão. Agradeço sempre a Deus por ter sido a mãe de um anjo da luz. Aprendi muito com ele… Sempre o amarei. Peço a Deus que o ampare e o proteja sempre.

Agradeço pela oportunidade de poder compartilhar com vocês, seus trabalhos são abençoados, vocês nos fortalecem em momentos de sofrimento.

Mary Medrado – Rio de Janeiro

Traumatismo craniano causado por um atropelamento, corridas pela madrugada com quadro febril, mordida de cachorro… Perdi as contas, mas passou! Tivemos atendimentos de primeira linha nos hospitais Miguel Couto, Souza Aguiar e Andaraí. Mary Medrado

E os meus agradecimentos a toda equipe do Hospital Lourenço Jorge, que com o mesmo carinho e dedicação englobam o atendimento de primeira linha recebido pela minha filha. Deus abençoe a todos!

Feliz Dia das Mães! <3

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Tatiane Ramos e Fernando

Quando estava grávida de seis meses do meu filho Fernando, fui atropelada e fiquei em coma. Os médicos disseram que ele tinha 90% de chance de nascer com sequelas devido à pancada, e perguntaram se eu queria fazer exames para detectar alguma sequela cerebral.

Não fiz exames porque independente da saúde dele eu cuidaria e o amaria de qualquer jeito! Apesar de tudo que poderia dar errado, ele nasceu perfeito! Com seis meses, pegou uma infecção e quase perdeu a perna, ficou uma semana internado e foram longos dias vendo o sofrimento dele. Hoje ele é esse rapaz lindo de 14 anos, com uma saúde de ferro!

Fui diagnosticada recentemente e estou fazendo radioterapia! Ele quem cuida de mim junto com a irmã. Já fui voluntária em hospitais e sei como e bom levar alegria às pessoas! Luto para ter minha vida de volta, e poder fazer novamente a diferença! #amor #esperança #alegria

Tatiane Ramos

Obrigada pelo carinho e dedicação que vocês nos dedicam! Quando vejo um palhaço, vejo mais humanidade, vejo a solidariedade por trás da maquiagem, pois somente quem traz alegria e felicidade conhece o que é amor de verdade!

Fernanda de Paula Silva e Mariana – São Paulo

Fernanda SilvaEm janeiro de 2010, quando tinha apenas dois anos e meio, começamos a notar que havia algo errado com nossa filha Mariana. Ela não brincava, só chorava, dizia que estava triste e cansada… Íamos ao parque, à praça e à piscina, mas nada estava bom. Levamos ao médico diversas vezes, mas eles diziam que era o jeito dela, pois clinicamente estava bem.

Até que um dia, ao buscá-la na escola, a professora me informou que, ao descer uma escada, a perna da Mariana tremeu e fraquejou. Uma luz vermelha acendeu em meu coração de mãe. Levei-a correndo ao hospital e pedi exames. Nada. Disseram que era uma virose e que eu observasse. Observei e, no dia seguinte ela piorou. Não levantava do sofá. Estava prostrada!

Corri para o Hospital Sírio Libanês e disse que não sairia de lá sem um diagnóstico preciso. Fizeram uma tomografia e aí veio a notícia: Mariana tinha um tumor cerebral de 6 cm de diâmetro. Um ependimoblastoma entre os quatro ventrículos! Nosso mundo caiu!

Foi internada e dois dias depois passou por uma cirurgia de nove horas de duração para retirada de um pedaço do tumor para biópsia. Gravíssimo! Grau 4! Chance mínima de responder ao tratamento. Após uma semana, outra cirurgia para tentarem retirar o máximo possível do tumor. Mais nove horas de terror! Tiraram 90%. Após doze dias de muito sofrimento na UTI, fomos para o quarto e alguns dias depois iniciou-se a quimioterapia. Quinze dias sem comer, nem beber absolutamente nada! Desidratação e desnutrição… Foram dez sessões de quimio. Diversas internações por infecções e muitas transfusões de sangue.

Nesse meio tempo, os médicos decidiram que era necessário fazer radioterapia. Esperaram ela fazer três anos, pois a rádio só é indicada a partir dos sete, mas tinham que fazer! Foram 45 sessões de rádio no crânio e na coluna. Anestesia geral todos os dias, exceto aos domingos.

Após dois anos de todos esses tratamentos, o tumor havia sumido. Atualmente ela faz acompanhamento com diversos médicos, mas as sequelas são mínimas, diante de tudo isso. Os médicos até hoje choram quando a veem, pois acreditam que ela é um milagre mesmo.

Foram dias terríveis de muita dor e sofrimento, mas sempre tive a certeza de que ela sairia viva e saudável dessa. Nunca, em nenhum momento duvidei disso! Hoje ela é uma criança linda e especialmente saudável!

Vivian Farias e Felipe – São Paulo

Engravidei do Felipe em abril de 2012. Fiz meu pré-natal, ultrassom, tudo certo. Em janeiro de 2013 ele nasceu, de parto normal, pesando 3,45 kg e com 49 cm. Vivian Farias

Assim que ele nasceu, a enfermeira disse que seu ânus estava imperfurado – coisa que acontece com um bebê a cada 5 mil. Eu não entendi nada pois não sabia que o significava aquilo! Descobri que ele não tinha o orifício para evacuar. No dia seguinte o cirurgião precisaria avaliá-lo. No sábado pela manhã, o médico nos disse que ele passaria por uma colostomia. Foi muito doloroso para todos nós. Além de ser uma cirurgia forte, o Felipe tinha apenas dois dias de vida. O meu sonho de sair logo com ele do hospital, nos meus braços, ali ficava.

Tudo certo após a primeira cirurgia. Felipe foi direto para UTI para o acompanhamento. Quando tinha cinco dias, eu pude pela primeira vez pegá-lo em meus braços, e foi muito emocionante. Com sete dias, ele teve alta, e enfim fomos para casa.

Ali começava nossa luta pelas bolsas de colostomia, que não eram baratas. Descobri um hospital chamado Darcy Vargas que fornecia as bolsas gratuitamente. Íamos todo mês buscá-las. Com 11 meses, Felipe realizou sua segunda cirurgia, a da abertura do ânus, e passamos mais sete dias no hospital. Graças a Deus, ele foi se recuperando. A partir daí, tínhamos que ir uma vez por semana ao hospital para estimular o ânus, ou seja, fazer dilatações. Era horrível, muito doloroso, mas necessário. Enfim mais alguns meses se passaram, e com um ano e quatro meses, foi marcada a cirurgia do fechamento da colostomia, para que ele pudesse evacuar normal, que alegria! No dia 23 de abril de 2014, Felipe internou e começou o jejum. No dia seguinte, sem a mamadeira. Até que no dia 25 só podia ingerir água, o que foi muito difícil, pois imagine ter que controlar a fome de um bebê!

No dia 26 a cirurgia foi realizada, e mais uma vez deu tudo deu certo. No dia seguinte, o Felipe pôde finalmente tomar sua mamadeira, muita emoção! Ficamos no hospital até o dia 30 de abril, e tudo caminhou certo. Hoje, com dois anos e 3 meses, completou um mês da sua última cirurgia. Tenham fé que tudo dará certo!

Feliz Dia das Mães! <3

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