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Tempo de retornar

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A gente visitava Emily toda semana, às segundas e quartas, desde que ela tinha dois anos. 

Ano passado, aos cinco anos, muita coisa mudou na vida dela. Ela esticou, começou a falar, seus dentes de leite tomaram toda a boca, mudou de leito e ganhou um carrão com motorista particular – uma cadeira de rodas pra se locomover pelo Hospital da Restauração, em Recife, onde ela morava. 

Emily não gostava que ninguém chorasse perto dela, e logo saía da sua boca o comando:
- Engole o choro! – por sinal, nunca vimos uma lágrima sua. 

Apesar de ter nascido com uma doença que impede grande parte dos movimentos, Emily brilhou como a balizinha do Bloco do Miolinho Mole neste ano.

Doutores HR  - Lana Pinho-19

No final de março, a gente se despediu.

Através de uma cartinha daquela campanha dos Correios, Emily conseguiu os aparelhos de que precisava para poder ir para casa; e a sua cidade, Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco, foi só festa para receber a pequena. O vídeo abaixo mostra um pouco dessa história:

Emily, sentiremos sua falta às segundas e quartas, mas estamos certos de que encontrará alegria em sua casa, junto à família! Saúde e muita bobisse!

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O palhaço observa

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Ele toca logo cedo. O palhaço acorda, olha, vê a hora, aperta função “soneca” e dorme mais um pouco, se alongando. Ele toca novamente. Não tem jeito: o palhaço levanta, toma banho, café, se prepara e sai. Não esquece nunca de levá-lo no bolso. 

No ponto de ônibus, ninguém se olha, estão todos conectados. Só tiram os olhos dele pra ver se é o ônibus certo. Entram no coletivo, passam o Bilhete Único, não olham pra cara do cobrador que está ali – muitas vezes também conectado no seu mundo. O palhaço observa: ninguém se olha, ninguém conversa. 

O palhaço observafonte: YouPIx

O palhaço desce do ônibus e pega o trem lotado de gente; e cada pessoa está com um aparelho, ligado, ouvindo música, jogando, rede social ou qualquer outra opção que o aparelho e o plano fornecem, é só baixar. É e tanto aparelho… Ai Pad, Ai Fone, Tablete, G3… Ai Pim. Ai, conversa comigo, ai, me escuta, ai, que doideira! 

E assim o trem segue. Hebraica-Rebouças, Cidade Jardim, Vila Olímpia, Berrini, Morumbi, Granja Violeta, Santo Amaro, Socorro, Jurubatuba, Autódromo, Primavera-Interlagos. Durante todo o trajeto, um rio – sujo – que mesmo assim tem muita beleza pra se ver. Capivaras, quero-quero, garças e uma infinidade de animais e aves que ninguém vê. O palhaço observa. 

Chega ao Grajaú. Palhaço desce, sobe a ladeira, se prepara e vai trabalhar. No corredor e nos quartos, muitas crianças e mães, todos com seus aparelhos. Quando não estão no mundo virtual, filmam, fotografam seus filhos com os palhaços. Vamos nessas fotos para o Brasil inteiro. 

O palhaço observa

Dia desses, uma criança deitada com seu aparelho nem olhou para os palhaços que estavam na porta do quarto, perguntando se podiam entrar. Silêncio. A criança não olhou.

O palhaço observa

E o palhaço não perdeu tempo e com a boca soltou um poderoso e barulhento PUM. Todos olharam para a porta, inclusive o menino, e riram muito. Os palhaços, que nem sempre são bobos, aproveitaram a oportunidade, entraram no quarto e fizeram seu trabalho. 

Esse foi um dia em que um PUM venceu o mundo virtual, mesmo que por alguns minutos. SALVE OS PUNS.

Dr. Valdisney (Val Pires)
Hospital do Grajaú – São Paulo

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