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Eu te via, mas não te enxergava

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Quantas coisas passam despercebidas ao longo do dia. 

A janela aberta nos ofertando paisagens e soprando brisas. O passarinho cantando no portão, até que ouvi, mas nem olhei e já esqueci. O café da manhã feito às pressas. Olhando a TV nem percebi que já comi, será que estava bom? Bom, não dá tempo de repetir. O vizinho deu bom dia, mas passei com o vidro fechado e o fone de ouvido alto. 

Barão de Lucena - Lana Pinho-5

Pego o caminho da praia, lembro-me de apreciar no primeiro minuto, depois me perco em pensamentos e acelero. A hora não espera e na fila do elevador ninguém conversa, os olhos estão interessados em outras vidas habitadas em redes sociais.

E lá vamos nós dando início aos likes de cada dia. Estou perdendo o controle, sinto necessidade de pegar o celular e gastar tempo, hipnotizada por esta tela que me diz mais dos outros do que de mim. Faz muito tempo que visitamos a UTI e sempre encontramos alguns pacientes que moram lá. 

E talvez por isso eu via, mas não enxergava algumas coisas. 

Barão de Lucena -  Lana Pinho_-23

Depois de tantas visitas, parando no leito e falando, pela primeira vez eu enxerguei os olhos dela, uma garotinha de uns três anos. Foi em um desses segundos que tudo congela e fiz questão de gastar meu tempo olhando para aqueles olhos, e pela primeira vez nos conectamos. 

Senti vergonha por não ter parado naquele olhar antes. Percebi que ela tem olhos verdes e a pupila dilatada. Da íris à alma. Sim! A partir desse encontro, mesmo sabendo antes que existia vida ali, fui levada para além do que pode ser visto. Uma menina que há muito tempo mora ali, cuja rotina se limita a sentar e deitar, cuja paisagem são outras crianças, muitas paralisadas.

Não tem esconde-esconde, amarelinha, seu rei mandou. 

Pequenina, vou pedir à dona Chica que ela não atire mais o pau no gato, e que seu rei mande o rato parar de roer suas roupas. Que a Bela Adormecida desperte e venha brincar com você. Quem sabe Aladdin empreste o tapete voador para darmos umas voltinhas no País das Maravilhas e, por favor, pequena, não vamos aceitar nenhuma maçã!

Sim, existem pessoas nesse mundo e no encantado que não são tão boas… Precisamos estar atentas. Quando estiver ficando escuro, a gente dorme e sonha e amanhece para sonhar mais. Que a vista da janela lhe oferte sempre arco-íris. E que seus olhos grandes e contadores de histórias estejam sempre brilhando, dizendo tanto de você.

Barão de Lucena - Lana Pinho-53

Prometo não mais passar sem antes enxergar aquela que habita por dentro do olhar. 

E mesmo só nos olhando, é tanta conversa calada, e mesmo sem falar muita coisa, eu sei tanto dela e ela de mim. Pequena, com você aprendi a parar e contemplar; e enxergar e calar dizendo muito. Porque conversa boa também pode ser conversa calada.

Dra Svenza e Dr. Lui,
mais conhecidos como Luciana Pontual e Luciano Pontes,
direto do Hospital da Restauração, em Recife.

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Só entra quem bate

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Nos hospitais, as portas nem sempre ficam abertas. Às vezes, nem tem portas. 

E antes ou depois de uma porta tem um ambulatório lotado. Para nós, palhaços, está mais para um laboratório besteirológico, onde fazemos várias experiências.

IMIP - Lana Pinho-71

Além das consultas gerais, nos ambulatórios fazemos atendimentos focados, porque tem sempre alguém que apresenta um faniquito no pé, um riso frouxo precisando de aperto.

Lá também tem duas enfermarias. E as portas vivem sempre abertas, facilitando a entrada e a saída. Acontece que toda vez que estamos lá, às terças e quintas, fechamos as portas e só entra quem bate! Explicamos em alto e bom som:

- Tomamos essa decisão por medida de precaução quase “adestradora”, pois soubemos que entraram uns palhaços no hospital e não queremos ser confundidos, entendem?

IMIP - Lana Pinho-73

No começo tudo foi estranhado, mas depois bater na porta virou brincadeira. E todos passavam pelo procedimento: pacientes, médicos, enfermeiras, pessoal da limpeza, acompanhantes… Às vezes, quando alguém não batia na porta, até voltava para bater!

Intervir no hospital é acreditar na capacidade de gerar movimento, mudanças e sutilezas a partir de outro olhar sobre coisas que geralmente não fazemos.

Bater na porta antes de entrar em qualquer lugar é até normal, mas no hospital… Vem! É só bater para saber!

Dr. Lui (Luciano Pontes)
IMIP – Recife

Tudo por um sanduba

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Dra Guadalupe e eu entramos juntos no quarto da F., no Hospital do Mandaqui. Ela comia um sanduíche aparentemente muito gostoso.tudo por um sanduba

- Chicô, eu vou ali na janela tentar chamar a atenção dela. Daí quando ela me olhar, você pega o sanduba, beleza?, arquitetou Guadalupe.

Demos início ao plano. Guadalupe começou a falar que estava vendo o Super Homem, depois a Mulher Maravilha, dançou lambada e até fez uma dança no porta-soro… Mas F. mantinha os olhos em mim, como se incrivelmente soubesse que íamos pegar seu sanduíche. Tive outra ideia e chamei a doutora de canto.

- Já sei! Vou cantar uma música que precisa de palmas! Ela vai deixar o sanduba na mesa pra bater palma e você pega! 

Comecei a tocar: Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! 

tudo por um sanduba

Nessa hora a garota nos olhou e disse meio espantada:
- HOJE É MEU ANIVERSÁRIO! 

Ficamos surpresos com essa providência divina! Ah, mas não nos esquecemos do sanduba.
- Ah, como é seu aniversário, tem que bater palma!
- Claro! 

Pensamos que seria a vitória da nossa barriga, mas eis que a menina colocou o sanduíche na boca pra bater palmas! Ahhhh! Resultado: eu e Guadalupe começamos a soluçar e a cantar o parabéns, que ali mais parecia uma marcha fúnebre…

Dr. Chicô (Nilson Domingues)
Hospital do Mandaqui – São Paulo

Doutores recomenda: Território do Brincar

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Você sabe como brincam as crianças em aldeias indígenas? E a criançada à beira da praia, no Ceará? Em grandes metrópoles, como se dá a brincadeira?

O documentário Território do Brincar traz algumas respostas sobre o universo lúdico infantil de todo o Brasil. A estreia acontece no Dia Mundial do Brincar, 28 de maio, em São Paulo e no Rio de Janeiro e no dia 4 de junho em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, João Pessoa e Santos.

Entre abril de 2012 e dezembro de 2013, os documentaristas Renata Meirelles e David Reeks, acompanhados de seus filhos, visitaram comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral, revelando o país através dos olhos de nossas crianças. Nos encontros surgiram intensas trocas e diálogos, por meio de gestos, expressões e saberes que foram cuidadosamente registrados em filmes, fotos, textos e áudios.

O longa-metragem faz parte do Projeto Território do Brincar, uma parceria com o Instituto Alana. Além do filme, a iniciativa conta com exposição itinerante, duas séries infantis para a TV e um livro em produção.

territorio do brincar

Fazendo um paralelo, Doutores da Alegria tem o brincar como seu território de ação. As brincadeiras propostas pelos palhaços estabelecem um mundo de ficção essencial para a efetividade do trabalho. E tudo começa com os adultos e crianças acreditando que estão recebendo a visita de um profissional do hospital: o besteirologista.

Adriana Friedmann, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento, acredita que brincar é essencial na vida de qualquer criança desde que nasce. “No ato de brincar, a criança está absolutamente mergulhada em um espaço sagrado, conectada profundamente com o presente de forma orgânica, corpo, sensações, emoções e todos seus sentidos participam destes processos. Brincar é a possibilidade de viver a fantasia, a imaginação, imitar o mundo adulto, o mundo animal e a natureza. Brincando as crianças são desafiadas a se superarem, a descobrirem. Brincar é a forma de as crianças fazerem poesia e nos contarem quem são, o que sentem, o que vivem, seus medos, suas preferências, seus potenciais e suas limitações.”, conta ela em entrevista à Agência Brasil.

Saiba mais sobre o projeto acessando www.territoriodobrincar.com.br.

A criança do vovô

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Alguns adultos nunca deixam “sua criança” se esconder por trás das inúmeras couraças que a vida nos obriga a vestir.

O vovô do M., um garotinho de apenas quatro anos, é uma prova de que é realmente possível não só preservarmos a nossa criança interior, quanto também acioná-la sempre que o momento pedir. Ao entrarmos no quarto, o M. e a sua mãe sorriram, e o seu avô, que também não nos conhecia, disse um sonoro e super disposto ENTREM!“. 

O menino estava com a cama repleta de brinquedos e um deles era um boneco que congela pessoas. Dra Mary En foi a primeira a ser “congelada”, mas o vovô, rápido como um flash, a descongelou.

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Então o boneco (conduzido pelo M., claro) tratou de congelar a besteirologista de novo! A dra Baju ficou olhando aquele zigue-zague e gritou: Vovô!”. E ele, comprando a brincadeira, tornou a descongelar a Mary En.

A disputa entre o boneco e o vovô era acirrada, mas o pequeno M., com uma esperteza maior que o seu tamanho, congelou a todos no quarto. Congelados, não sabíamos o que fazer. O nosso vovô também estava paralisado.

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Inesperadamente, a mãe do garotinho grita: Ahááaaa!. Descongelou todo mundo e atacou o pequeno com cócegas!

Descobrimos, nesse momento, que o vovô não era o único que tinha a poção mágica do descongelamento… Foi incrível! Aproveitamos pra tomar um “antídoto” que não permitiria mais que ficássemos congeladas e saímos fugidas, antes que o tal “antídoto” perdesse o efeito…

Nessa fuga, percebemos o quão legal foi o encontro com essa família. A mãe do M. é uma mulher muito doce e alegre e o vovô nos surpreendeu lindamente, levando-nos ao mundo da imaginação numa naturalidade e rapidez incríveis! Que encontro! Pura alegria!

Dra Mary En e dra Baju (Enne Marx e Juliana de Almeida)
Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira – Recife

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Semana Mundial do Brincar começa neste domingo

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De 25 a 31 de maio acontece a Semana Mundial do Brincar em todo o Brasil, com brincadeiras abertas para a comunidade, palestras e ciclos de debates a partir do tema “brincar”. A mobilização é promovida pela Aliança pela Infãncia e tem por objetivo contribuir para o aumento da sensibilização e da consciência sobre a importância do brincar e o respeito que devemos ter por esta ação.

Doutores da Alegria participa da Semana por meio de sua atuação nos hospitais da capital, levando alegria e estimulando a brincadeira com as crianças hospitalizadas. A maior parte das atividades é gratuita e há opções como shows, oficinas, rodas de capoeira, piqueniques e contação de histórias com músicas. programação completa está aqui

Segundo a Aliança pela Infância, a brincadeira é uma atividade essencial de expressão e desenvolvimento da criança, além de ser fonte de aprendizado, transmissão de saberes e de educação. Saiba mais acessando o site sobre a Semana ou ligando no (11) 11 3578-5004.

Bate e rebate

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Às vezes a gente escuta coisas no hospital que batem e rebatem em nós, palhaços, de um jeito diferente. E como não senti-las?

O fato aconteceu quando uma adolescente angustiada com seu tratamento recebeu nossa visita no Hospital PROCAPE, no Recife. Ela era de poucas palavras e reações. De uma hora pra outra, sem mais nem menos, ela me chamou de “porco”.

Parado na porta, eu, por trás da máscara, pensei no que senti ao ouvir isso. Sim, é verdade que me tocou, mas eu sabia que não era de verdade que ela falava. Rapidamente, procurei uma solução para reverter a situação e, fazendo um drama, falando choroso, eu disse:

- Olha, já me chamaram de tudo aqui: de “porta-soro” a “poste de amarrar jegue”, mas “porco? ÓINC! ÓINC!

Soltando essa onomatopeia de porco, “revelei” que, talvez, eu, dr. Lui, fosse um. Saí correndo e a dra. Baju ficou cuidando da situação dramática. Nisso, peguei meu receituário besteirológico e desenhei um porcoChamei Baju e pedi que entregasse à menina. Esperei que ela recebesse a receita médica e, de onde eu estava, só ouvi a gargalhada. Rebati!

Também no PROCAPE, um paciente já íntimo nosso estava todo chateado. Perguntamos a ele se tinha sido por nossa causa, se tínhamos feito algo errado, ao que ele respondeu que não. Perguntamos se tinha sido a enfermeira, ele também disse que não.

Perguntamos se tinha sido algum médico e ele respondeu que sim! Que o médico tinha tocado na barriga dele e que tinha doído. Perguntamos se ele queria que nos vingássemos e ele respondeu que sim.

Então, fomos atrás do médico!


Ao nos depararmos com ele – o dr. Eler-, combinamos que o trancaríamos no banheiro e ele aceitou! Entramos na enfermaria do nosso paciente acompanhados do doutor:

- Então, Dr. Eler… Como vai o senhor?… Vamos entrar aqui, bater aquele papo…

E foi aí que o “trancamos” no banheiro e começamos a bater no porta, enquanto o dr. Eler gritava:

- Ai! Socorro! Desculpa, dra. Baju! Desculpa, dr. Lui!

Em seguida, abrimos a porta do banheiro e, quando saímos, o nosso paciente estava com um sorriso que parecia uma talhada de melancia! É, ele rebateu!

por dr. Lui (Luciano Pontes) e dra. Baju (Juliana Almeida)

Rapidinhas do Itaci

A Dra. Greta Garboreta encontrou a M. Assim que ela a viu, fez um “bico”.

DRA. GRETA – Com esse bico você parece um passarinho!
M. – Ei! Eu sou uma gente, não passarinho! 

O I. tinha ganhou um videogame. Muito esperto, o Dr. Mané Pereira tentou negociar com ele todo tipo de coisa em troca do brinquedo: celular de plástico, seu boeco, sua viola, seu cabelo. O garoto rejeitou tudo. 

Mané, eu já disse! E P I Ó NÃO! Eu não vou trocar! - na língua dele, N A Ó til é igual a E P I Ó!

Pelo menos o Mané parou de perturbá-lo.

O quarto da amizade

Essa foi durante uma visita ao F., garoto paraguaio que ficou nosso amigo quando batizamos seu quarto de “o quarto da amizade”:

MANÉ - F., eu vou encontrar com meus amigos hoje e queria que você me dissesse como se fala “eu sou super legal” em espanhol.
F. – Se fala “chancho gordo”!
MANÉ – Que legal! E como eu falo para os meus amigos que eles são legais?
F. – Fala que eles são “um bando de gallinas chuecas”!

Mané ensaiou a pronúncia e saiu todo feliz, dizendo que ia fazer o maior sucesso junto à rapaziada. Greta, que sempre conversa em espanhol com ele, olhou para Fernando, que lhe deu uma piscadela. Ok, ela entendeu seu recado… 

A dúvida

A Greta falou para a E. que ela havia nascido de um ovo e que sofria muito com uma séria dúvida.

DRA. GRETA – E., quem nasceu primeiro, eu ou minha mãe?
E. – Greta, é o seguinte: o primeiro do primeiro do primeiro, que é a unha da sua mão, é o ovo, não a galinha, a vó da vó da sua vó, é ovo! A vó da sua vó, e sua vó, é ovo!
DRA. GRETA – Mas e eu e a minha mãe?
E. – Sua mãe é sua mãe e você é palhaço, oras! 

Uma perfeita aula sobre árvore genealógica.

Serve pra quê?

O Dr. Mané passou o dia negociando a Dra. Greta Garboreta, mas ninguém a queria. Foi falar com o pequeno V.:

V. – Mané, porque você não quer a Greta?
DR. MANÉ – Ela não serve para nada!
V. – Serve sim!
DR. MANÉ – Serve para quê?
V. – Ela serve para alegrar o seu dia, você vive rindo dela!

“Positivo!”

Entramos no quarto do r. e, como sempre, ele estava caladão. Greta fez sinal de “positivo”. Ele respondeu com “positivo”, apontou o indicador e ele a seguiu. Greta fez sinal de “paz e amor”. Ele também.

O Dr. Mané se manifestou:

DR. MANÉ – Que é que vocês estão fazendo?
DRA. GRETA – Estamos conversando!
DR. MANÉ – E o que vocês estão dizendo?
DRA. GRETA – O R. vai fazer os sinais e eu vou traduzir, ok?
DR. MANÉ – Tá!

O menino fez sinal de positivo.
DRA. GRETA – Isso quer dizer: Vou te socar!

Fez sinal com o indicador.
DRA. GRETA – Isso quer dizer: “Se liga!”

Fez sinal de “paz e amor”.
DRA. GRETA – Isso quer dizer:” Vou furar seus olhos!” 

Ao som dos risos do R., Mané foi se despedindo e saiu. O menino sorriu para Greta e lhe fez sinal de “positivo” ao que ela disse:

Ei! Não me soca não!

E saiu correndo. 

Dra. Greta Garboreta (Sueli Andrade)
Dr. Mané Pereira (Márcio Douglas)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci) – São Paulo
Junho de 2013 

Rapidinhas de hospital (SP)

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Dr. Charlito

“A tímida J., que acompanhamos por vários meses, aos poucos foi se deixando levar pelas brincadeiras, quer dizer, procedimentos besteirológicos. Dia desses ela descobriu o nosso grande segredo.

Vocês são carecas! - disse ela, que também se encontra nesse estado (sem cabelos) temporariamente.

Lógico que tentamos disfarçar, mas era tarde… J. já havia descoberto tudo! O legal é que a descoberta foi um passo gigantesco para a nossa relação, que durou mais que o mês de São João inteirinho. Diferente do nosso cabelo, o da garotinha já está crescendo livre, leve, solto… E de alta, que é o mais importante!”

Dr. Charlito (Ronaldo Aguiar) e Dr. Sandoval (Sandro Fontes)
Instituto da Criança

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“Ultimamente temos recebido muitos bebês no Hospital do Campo Limpo. Tem de todas as idades, cores e gênios. Tem os que preferem a gente de perto e os que preferem a gente de longe. Tem os que curtem um som e os que curtem um papo… Ou um sapo. Mas todos são uns bochechudos gostosos! Eles chegam a passar 3 ou 5 vezes na fila da bochecha só para nascerem lindos para as mamães não pararem de beijá-los.”

Dra Crica Canaleta (Christiane Galvan)
Hospital do Campo Limpo

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Dr. Pistolinha

“Tivemos um encontro mágico com o K. na UTI do Hospital Universitário. Digo mágico porque descobrimos que o K. era mágico. Aliás, foi o Dr. Pistolinha quem descobriu. Ele estava com dois elásticos, presos um ao outro. A UTI inteira tentou soltar os elásticos e ninguém conseguiu…. Mas o K., com apenas um sopro, conseguiu soltar os elásticos! E não foi só isso: depois ele conseguiu fazer com que um dos elásticos sumisse. Ficamos maravilhados com o poder do menino e a Dra Lola perguntou a ele, discretamente, se ele conseguiria fazer o Dr. Pistolinha desaparecer do mapa.

É que ele é muito chato, fala demais, solta pum no elevador, toma mamadeira até hoje, se acha lindo…, disse a besteirologista.

Nessa hora o Dr. Pistolinha voltou para falar com a Dra Lola e escutou tudo! E não adiantou se justificar, ele ficou bravo e saiu dando golpes de elástico pela UTI. O K. riu tanto com o caso que não teve concentração necessária para fazer com que os três sumissem juntos da sua frente… ”

Dra Lola Brígida (Luciana Viacava)
Hospital Universitário