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O palhaço leva tempo e (muito) trabalho

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Nos primeiros meses do ano, diversas pessoas frequentaram a nossa Escola, tornando a sede dos Doutores da Alegria um espaço dinâmico e vivo também durante as noites.

O curso Formação Básica de Palhaço, oferecido a profissionais e estudantes de Artes Cênicas, trouxe interessados em uma iniciação na construção da máscara – o nariz vermelho. Durante três meses, 24 alunos aprenderam sobre a noção do ridículo, a descoberta e o desenvolvimento individual da personalidade e do caráter de cada palhaço.

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A formação foi oferecida de forma gratuita pelas empresas Eaton, Magazine Torra Torra, Farmacêutica EMS, Laticínios Tirolez e Cobasi, que doaram recursos via Programa de Ação Cultural – ProAc*. Assim, a participação no curso envolvia um processo seletivo e o envio de material.  

A expectativa dos aprovados era das mais diversas. “Acreditei que iria sair de lá com um palhaço batizado com nome, figurino e tudo! Mas não foi assim. E que bom que não foi assim. Fui entendendo que é preciso tempo e trabalho para construir um palhaço. E que essa construção é minha! É trabalho meu, como artista, fazer nascer esse palhaço. ”, conta a atriz Juliana Birchal. “Sei que é uma formação bem embasada e direcionada e me interesso pela forma como a instituição e sua escola vêem o palhaço.”, ressalta o mímico Bruno Iyda Saggese.

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O processo de descoberta foi acompanhado de exercícios, brincadeiras tradicionais e princípios fundamentais do jogo. A metodologia envolveu três perspectivas didáticas: corpo, jogo e música. “O processo criativo é caótico, demanda tempo e calma. Para depurar uma identidade, ampliamos uma poética física, um repertório e habilidade musical, e uma qualidade de jogo onde o impacto do outro define quem sou.”, afirmam as formadoras Roberta Calza e Soraya Saide.

“Uma coisa muito importante que as vivências me trouxeram foi de tentar digerir melhor as situações, os ambientes, antes de intervir.”, explica Bruno. A Escola dos Doutores da Alegria tem cursos para diversos públicos, muitos deles gratuitos, que envolvem a linguagem do palhaço e o repertório conquistado nos hospitais. Ter alunos circulando sempre pela nossa sede, com histórias e trajetórias artísticas diferentes, fomenta um diálogo sobre saúde, arte e alegria. E também sobre palcos improváveis onde a ação do palhaço se faz necessária.

“Era enriquecedor observar uns aos outros, presenciar o nascimento de cada palhaço, tão potente e ao mesmo tempo tão diverso! Encontrei parcerias no curso que estão amadurecendo e espero estar em breve atuando mais com a linguagem do palhaço!”, conta Juliana.

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Para os próximos meses estão programadas outras formações em São Paulo, com inscrições abertas: Palhaço para Curiosos, Palhaço Interventor e Plateias Hospitalares.

* Eaton (cota Risada), Magazine Torra Torra (cota Sorriso), Farmacêutica Ems (cota Narigada), Laticínios Tirolez e Cobasi (cota Cócega)

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Expectativas comuns

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“Foi sem dúvida um evento extraordinário em minha vida. Obrigado pela oportunidade e pela experiência.” 

Este é o final de um depoimento que chegou pra gente. Parece até de alguém hospitalizado, mas na verdade é do Marcio de Souza, aluno que participou de um curso dos Doutores da Alegria em Recife. O Marcio trabalha no Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente da Polícia Civil de Pernambuco e nos tocou muito com suas palavras.

O curso era O palhaço pelo buraco da fechadura, que se propunha a investigar a lógica incomum e a liberdade com que o palhaço se relaciona com a vida. Pra quem  não sabe ainda, Doutores da Alegria ampliou suas atividades e trouxe o olhar e a experiência do hospital para a sala de aula. A ideia não é formar ninguém pra trabalhar com crianças hospitalizadas, e sim aprender sobre a nobre arte do palhaço, além de propor uma nova relação a partir do encontro com o outro.

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Eis o depoimento completo:

“Caros amigos,

Foi uma experiência ímpar vivenciar a construção do palhaço, ou a descoberta do que é ser palhaço. Sempre flertei com as artes em geral, seja como apreciador de obras literárias, cinematográficas, musicais; ou como pretenso criador de poemas, contos, crônicas e até um romance (não publicado).

Mas sempre como hobbies e, na verdade, acabei me afastando um pouco do processo de criação artística por conta de compromissos profissionais, familiares e ações “objetivas” do mundo “real”, que obscureceram um pouco esta minha relação com o imaginário. A vivência no curso representou para mim a possibilidade de um retorno a uma intimidade com o imaginário, da qual, como já disse antes, afastei-me. Abriu para mim possibilidades de mergulhar neste universo libertário da imaginação, da fantasia e da simplicidade do “pastelão” e do nonsense.

Minha realidade de atuação, no Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente da Polícia Civil de Pernambuco, é bem parecida com o que se vê em alas hospitalares de Pediatria, pois lidamos também com crianças feridas e machucadas (não só concretamente, mas também subjetivamente), vítimas em geral de crimes de violência doméstica e abuso sexual intra familiar e que necessitam também de conforto e ações que as ajudem a superar tais ferimentos.

Desde já manifesto meu desejo de participar de novas oficinas que por ventura venham acontecer, que me permitam viver e deixar solto o palhaço que, talvez, sempre fui, mas que obscureci por motivos tantos…

Paz e sorrisos,

Marcio de Souza.” 

Em cursos como este, pessoas heterogêneas aparecem com expectativas comuns. Querem ampliar sua percepção, sair de sua zona de conforto, estar disponível para os encontros da vida. Marcio nos surpreendeu pelo olhar que revelou em relação às crianças. Puxa, obrigado! <3 <3 <3

O primeiro dia

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Nada como o primeiro dia de aula! Para uns, pavoroso, para outros, gerador de expectativas.

Hoje os alunos da sexta turma do Programa de Formação de Palhaço para Jovens chegaram à sede dos Doutores da Alegria e foram recebidos pelos ex-alunos, que prepararam uma linda surpresa. O medo foi embora e deu lugar a uma alegria sem tamanho, expressa no olhar de cada jovem.

Vestidos de palhaços, os alunos formados brincaram com os 27 novos pupilos, dançaram e os presentearam. No final da dinâmica, deram conselhos sobre os próximos dois anos de estudo, que envolvem aulas diárias sobre a máscara do palhaço. Carolyn Ferreira, ex-aluna, lembrou que eles precisam aproveitar a oportunidade.

- O programa é um curso muito completo. Cada um tem suas escolhas particulares, mas é preciso focar aqui. Vivam esses dois anos!

Heraldo Firmino, coordenador do projeto, pediu para que eles comecem a aguçar o olhar no dia a dia, principalmente em relação às crianças.

- Acreditem! As crianças acreditam em cada coisa! E a gente precisa acreditar em muita coisa pra poder portar a máscara do palhaço!

Sejam bem-vindos!

Convite para cantar em qualquer canto

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A Escola dos Doutores da Alegria abre a programação do ano com dois cursos destinados ao público em geral: Palhaço para Curiosos, ministrado por Thais Ferrara e Marcelo Marcon, e o novo Canto em Qualquer Canto, ministrado por Raul Figueiredo.

Convidamos Raul Figueiredo, que também é tutor do programa Palhaços em Rede, para falar um pouco sobre o novo curso.

“Estamos iniciando uma nova linha de cursos na Escola dos Doutores da Alegria, com foco no treino para desenvolvimento de habilidades. O primeiro treino será ministrado por mim, para quem quiser soltar a voz e cantar. São encontros despretenciosos, onde cada um traz o que sabe. Vale quem nunca cantou, quem se arrisca no chuveiro e quem já tem uma certa experiência.

A ideia é colocar todos para cantar em grupo, estimulando a percepção musical. Iremos abrir vozes e aprender a nos ouvir em coro. Após os oito encontros, esperamos que cada um tenha, pelo menos, somado mais quatro músicas ao seu repertório.

Fico aguardando a sua presença para poder compartilhar o que tenho pesquisado musicalmente nos últimos anos!”

As inscrições para ambos os cursos estão abertas no site dos Doutores da Alegria até 1 de março.

O fracasso do super-herói

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Agosto foi um mês mais curto para nós dentro dos hospitais. Isso se deve ao fato de termos nos ausentado para seguir uma formação profissional ligada ao nosso ofício. Sim, senhoras e senhores, palhaçada se aprende e tal aprendizado necessita de manutenção e renovação.

E o que era basicamente um exercício técnico durante nosso curso, graças à adaptação dos palhaços e à colaboração das crianças, se tornou uma inventiva cena que se reproduziu várias vezes durante o mês no Hospital do Mandaqui. Imaginem vocês:

Eu, Dr. Zequim Bonito, ao perceber que os jovens pacientes ostentam figuras de super-heróis estampados em suas camisas, bonés, toalhas, chinelos etc, decidi mostrar à garotada e à minha parceira, Dra Emily, que eu sou um super-herói de verdade!

Vesti minha ridícula cueca rosa por cima da calça e comecei a levantar um haltere em mímica. A mímica é bem realizada, afinal passei duas semanas treinando tal exercício durante a formação. Aí, para a minha raiva e para o deleite da meninada, Dra Emily retira o peso das minhas cansadas mãos utilizando apenas… A ponta dos dedos! Era o golpe que faltava em minha dignidade!

Depois disso, cada menino também quis pegar o peso da forma mais provocativa possível: com a ponta do nariz, com a língua, com a orelha, com o sopro… Minha tentativa de ser mais forte e melhor do que os outros foi por água abaixo. Sai cabisbaixo do quarto sem entender o porquê de tamanho fracasso.

Vejam vocês, duas semanas de treinamento profissional, uma mímica perfeita, e tudo isso para “fracassar” no final. É, senhoras e senhores, nesse mundo onde todo mundo quer ser mais do que o outro, é sempre bom lembrar que somos falíveis, humanos e, no fundo, muito parecidos.

Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso)
Dra Emily (Vera Abbud)
Hospital do Mandaqui – SP
Agosto de 2012

À sua 15a. edição

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“Nasceu da vontade expressa de um público de se aproximar da arte do palhaço sem querer se tornar palhaço. Um misto de curiosidade com muita vontade de se jogar em algo novo, e também certo receio, já que pertencem a outras áreas profissionais que não a artística. Será que eu posso?”

Será que eu posso?

Thais Ferrara, palhaça dos Doutores da Alegria desde 1993, criou o curso Palhaço para curiosos, campeão de inscrições da nossa Escola. O curso está com inscrições abertas (aqui!) e é indicado para o público em geral que tem curiosidade sobre o palhaço, mas não necessariamente deseja se tornar um. E ninguém melhor que a Thais pra falar sobre a metodologia do curso!

“O Curiosos surgiu em março de 2008… E lá vamos nós para a 15a. edição! Descobrimos que matar a curiosidade é um bom pretexto para colocar o pé num primeiro estágio desse universo intenso que é o palhaço, nem sempre colorido, engraçado, mas também inusitado, diferente. Expectativas e julgamentos devem ser deixados do lado de fora. Viver o presente, simples assim.

O curso cria um espaço que abriga as limitações que nunca têm lugar. Acorda um lado que nossa educação faz dormir. Junta pessoas dispostas a jogar sem precisar ganhar e convivem com o que está por vir. Uma coisa é aquilo que usufruímos da graça do palhaço, a outra é experimentar como se constrói a graça.”

A ideia do curso é se divertir

Uma dupla de formadores (a própria Thais e, nesta edição, a também palhaça Luciana Viacava) coordena as vivências, o que reforça um valor importante que rege o trabalho dos palhaços nos hospitais: a parceria.”

Veja mais informações sobre o curso e faça a sua inscrição clicando aqui.