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Mãe é tudo igual? Conheça estas do hospital

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Já ouviram aquela: “Mãe é tudo igual”? Pois bem, as mães que encontramos nos hospitais merecem um estudo aprofundado. E foi o que fizemos.

Acreditem: cada ala do hospital tem sua mãe característica. Em comum, elas têm força e dedicação. Algumas nos provocam, outras desconfiam, muitas nos pegam emprestado e brincam feito crianças. Em homenagem ao Dia das Mães, vamos apresentar quatro tipos mais frequentes que estudamos.

Mãe da neonatal

Tem cara de sono e dorme na primeira oportunidade. Se a gente não tomar cuidado, pode dormir no meio do atendimento. Não entendemos o motivo, pois aqueles anjinhos vivem dormindo, não choram, não comem feito pintinhos, não fazem caquinha na fralda, não dão o menor trabalho… 

Barão de Lucena - Lana Pinho-133

Mãe da enfermaria

Divide espaço com outras diversas mães. Todas se chamam pelo nome (“Olha, Ana, os palhaços estão mangando de tu!”), conhecem as preferências umas das outras (“Toca sofrência, palhaço, que ela gosta!”) e entendem muito de Psicologia Social (“Foi aquela ali que falou, palhaço! Ela é barraqueira!”).

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Grajaú - Lana Pinho-102

É a mais animada, falante, dançante e implicante. Não sabemos bem como ela desenvolve essa capacidade, mas consegue simultaneamente arrumar o cabelo, passar sermão no marido, trocar fralda, falar ao celular com a comadre, prestar atenção no que estamos fazendo e, se desconfiar que estamos falando dela, pode, do nada, correr atrás da gente. Ou seja, precisamos estar sempre alertas!

Mãe do canguru

Está sempre às voltas com as seringas de leite. Típica mãe do “coma só esse pouquinho, meu filho”. Todas as vezes que chegamos lá, está alimentando o bebê. Agora sabemos de onde vem essa coisa das mães sempre acharem que os filhos estão magrinhos e precisando comer mais: vem lá do canguru. 

Auto de Natal - Doutores - Lana Pinho-59

Barão de Lucena - Lana Pinho-34

Ah, sim, todas as “canguretes” amam usar um sutiã gigante especial onde carregam os bebês. Já virou moda por lá.

Mãe da UTI

A mais silenciosa… Quando está lá dentro.

Itaci - Lana Pinho-180

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Contudo, outro dia encontramos com a… Bem, vamos poupar a sua identidade, chamaremos de Celinha. Encontramos a Celinha sentada em uma cadeira, apartada de todos, num canto da UTI. Estava de castigo, entendemos logo. Fizemos exames e liberamos a Celinha para o convívio social! Quando estão do lado de fora, as mães da UTI se juntam em grupos que parecem reunião de bazar.

Mãe quebrada

É a mãe que acabou de perder seu filho. Não sabemos outro nome para designar essa mãe, porque quando a olhamos podemos ver um vaso partido, quebrado em mil cacos. Por uma força inominável, ela não se desfaz. Não sabemos narrar essa mãe, temos ausência de palavras.

IMIP - Lana Pinho-114

Mas Eliane Brum, escritora e jornalista, achou palavras no escuro do silêncio:

“Só naquele momento, ao apalpar a dor das mulheres cujas crianças viveram mais no seu desejo do que na vida, alcancei a soleira da dor da minha mãe por aquela filha (já morta). Maninha não tinha vivido apenas cinco meses, já que o tempo de um filho não se mede por dias, meses ou anos. Um filho é mundo sem tempo. Eu estava diante de mulheres empaladas pela dor. O resto era mal-entendido. Há mal-entendidos demais numa vida humana.” (Meus Desacontecimentos, de Eliane Brum).

Uma homenagem a todas as mães. Iguais ou não.

Eduardo Filho, mais conhecido como Dr. Dud Grud, e Greyce Braga, a Dra. Monalisa, escrevem do Hospital Barão de Lucena, em Recife.

Histórias de mãe VIII

Tempo de leitura: 5 minuto(s)

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

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Janaina Maestri e Sofia

Sofia
A Sofia nasceu antes do tempo. Eu e o pai dela almoçávamos quando começaram umas dores estranhas, mas voltei ao trabalho. Em menos de uma hora as pernas travavam, dores, fui para o hospital, e fiquei um dia inteiro sob supervisão, exames.

A Sofia queria vir ao mundo! E nasceu de oito meses! Eu a vi chorando e, de repente, cadê minha bebê? Nasceu com pulmão forte, nasceu bem! Mas nossa filha foi para UTI devido a uma infecção generalizada. Foram dias de luta, e na madrugada de seu nascimento, o pai dela teve cólica renal. Resultado: papai internado em um hospital, mamãe em outro e Sofia sendo cuidada na UTI. 

Logo depois da minha alta, eu tive que me tornar a Super Mãe! Em meio àquele caos, encontrei pessoas com histórias lindas de superação, mães que estavam há meses praticamente morando dentro do hospital. Eu não me preparei para o que aconteceu… Mas quem se prepara, né? Saí do hospital, após minha alta, chorando, porque eu queria sair ela em meus braços. As visitas chegavam e eu só pensava nela, e me vi sozinha por algumas vezes, enfrentando meus próprios medos, entrando na UTI com as dores de uma cirurgia, com a dor de uma agora mãe que sofre por um filho, que trocaria de lugar!

Enfim, foram nove dias indo ao hospital, e a cada dia algo novo. No quinto dia de vida, a Sofia já se esforçava para levantar a cabeça, tinha força de viver… No nono dia, eu estava no consultório médico e recebi uma ligação. “Sofia está livre da UTI!”. Foi uma correria! E foi meu primeiro dia com ela… Nunca tinha trocado uma fralda e a enfermeira me ensinou; a partir dali comecei os cuidados sozinha! E foi no décimo segundo dia que saímos do hospital. Foi emocionante!

Aproveito esse espaço para dizer a todas as futuras mamães que a gente deve se preparar para um pouco de cada coisa, sempre pensar positivo, mas saber que o sofrimento pode surgir, mas que ele passa, que o maior segredo de todos é a paciência acompanhada do amor. Não foi fácil, e ser mãe não é fácil, a gente sofre junto, a gente se alegra junto, mas que vale muito a pena se dedicar, pois um filho sente e sabe o quanto a gente se dedica a ele(a). Eu vejo minha filha sendo grata por todo meu esforço até hoje, com apenas três anos de idade. Ela me diz todos os dias, eu disse todos, que ela me ama!

Não tem alegria maior na minha vida que nossa filha. Grata, Deus e marido, pela filha maravilhosa que temos!

Anna Celina e Inho

Me chamo Ana Celina. Tenho 43 anos e meu filho fará 26 em setembro. Aos 17 anos me descobri grávida. 17 anos, nem tinha deixado a adolescência direito e já me tornara mãe… E ainda mais mãe de um bebê prematuro.

Meu filho chegou dois meses antes da data prevista, pesava 2.2 kg e media 44 cm. Tinha os pulmões ainda em formação e nasceu roxinho como uma jabuticaba, com dificuldades imensas para respirar. Eu tive pré-eclâmpsia e só pude conhecer meu filho 24 horas depois que ele havia nascido. Foram as piores 24 horas de minha vida, não sabia o que pensar e nem tampouco como me “portar” diante de meu filho.

Mas ao chegar ao berçário e ver aquele serzinho miúdo e que estava ali e precisava de mim, de imediato me transformei na mãe que sempre sonhei ser… Meu filho ficou internado na incubadora respirando artificialmente oito dias e eu não arredei o pé de lá, passava os dias conversando, contando histórias e cantando pro meu pequeno. As enfermeiras e a pediatra me incentivavam a dizer a ele o quanto ele era importante pra mim, e às vezes eu chegava e ele estava choramingando e, ao ouvir minha voz, parava. Ao voltar pra casa, que teve que ser preparada pra chegada dele, passamos mais dois meses sem sair e aos poucos meu pequeno foi ganhando corpo. Com um ano ninguém dizia que ele nascera tão mirradinho…

Talvez nem seja uma história de tanta superação, mas é uma história de muito amor.

Anna Celina e Inho

Hoje meu filho é jornalista, assessor de comunicação e designer gráfico. É um ótimo filho, de muito bom caráter e responsável, um filho do qual me orgulho e amo com todas as forças do meu coração. Não pude ter outros filhos, mas ele me realizou como mãe. Sou atriz, contadora de histórias e intérprete da palhaça Axila há 15 anos.

Luana Dondé Strada e seu pequeno grande homem

Meu nome é Luana, tenho 31 anos e sou mãe do Luiz Otavio, de três anos. Sou enfermeira, atuei em Saúde pública, hospital, SAMU e atualmente em docência. Sempre ajudei o próximo, não somente pela arte do cuidar, e sim por sempre pensar como eu gostaria que os outros cuidassem de mim, da minha família.

Luana

Em 2011 engravidei e, por ser enfermeira, imaginei uma gestação tranquila, tudo planejado, tudo organizado. Tive diabete gestacional e pré-eclâmpsia, mas meu filho amado nasceu com 34 semanas. Lembro como se fosse hoje a noite do dia 15 de novembro de 2011 – uma noite fria, tranquila, porém estranha, eu me sentia estranha, não sei explicar mas escrevendo aqui, posso sentir tudo o que senti aquela noite. Acordei no domingo, 16, mais estranha ainda… Algo de diferente iria acontecer. Liguei para minha ginecologista e fui até o hospital, a 15 km da cidade onde eu morava. Estava de 34 semanas e com 4 centímetro de dilatação. Ela me falou: “Ele não pode nascer.

Permaneci no hospital em observação constante, e às 16 horas a bolsa rompeu. Entrei em desespero total! Os profissionais da enfermagem correndo, chamando minha médica, chamando o pediatra e acionando o centro cirúrgico, e em questão de minutos estava eu no centro cirúrgico. E meu filho nasceu, nasceu bem, super bem, mas minutos depois começou a sofrer para respirar, e eu o vi todo roxinho. Ouvi o pediatra solicitando a UTI Neonatal.

Entrei em desespero pela segunda vez, e o pediatra explicou que seriam somente algumas horas para observação, mas essas horas transformaram-se em 14 longos dias de sofrimento, choro, angústia, medo, insegurança… E o pior de tudo é você ser enfermeira e saber tudo o que estava acontecendo, reconhecer os altos e baixos, e saber onde tudo aquilo poderia parar, ver meu filho entubado, respirando 100% com ajuda de respirador. Eu não queria acreditar que estava passando por isso.

O mais importante de tudo, durante todo esse tempo que não passava nunca, foi incentivar meu filho a respirar, a viver, a lutar pela vida, e a cada visita na UTI, por pior que eu estivesse, eu nunca derramei uma lágrima perto dele, afinal sei que passamos o que sentimos para eles, e por isso mantive-me forte para ele ser forte também.

No 12º dia meu filho saiu do tubo, e dali para frente foi um sucesso, superamos todas as dificuldades, e aprendemos junto que as dificuldades aparecem para nos deixar mais fortalecidos e unidos um com o outro. Hoje ele é o meu pequeno grande homem (é como o chamo) e continua sendo corajoso, igualzinho como ensinei a ele desde o seu primeiro dia de vida.

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Histórias de mães VII

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Suéllen Hort Gripa e Arthur – Santa Catarina

Foram no total 129 dias de hospital, sendo 100 dias de UTI no Hospital Santa Catarina de Blumenau.

Primeiro o quadro de toda prematuridade. Arthur nasceu em 7 de outubro de 2012, de 31 semanas, pesando 1.775 kg, com 42 cm e parada cardiorrespiratória. Foi ali que começou sua luta pela vida, sua vontade de vencer e viver nesse mundo louco… Logo foi entubado, teve pneumonia, bactéria no sangue, infecções generalizada… Entuba, extuba, cipap, hallo, aff… Cirurgia no estômago devido a uma perfuração com a sonda…

Foram tantas bolsas de sangue, tantas bombas de seringa, tantos exames de sangue, tantos sustos, tantas sessões de fisioterapias respiratórias, precisou fazer a traqueostomia… Mas Arthur lutou, ou melhor, lutamos nós pais, família, amigos e anjos que Deus nos deu de presente (técnicas, enfermeiras, médicos)… O merecedor, sem dúvida, é nosso pequeno anjo, nosso guerreiro Arthur, que nos ensinou a viver um dia após o outro, nos ensinou a ter paciência, nos ensinou a acreditar em Deus e, em especial, nele. Deu uma verdadeira lição de vida.

Suéllen Hort Gripa  (2)

Depois desses 100 dias veio a alta da UTI. Vamos para o quarto? E agora? Foram noites acordados, inseguros, mas sempre, sempre acreditando nele… E novamente uns sustos, apneias, retirada da traqueo, aspirou leite, coloca sonda, tira sonda, ganha e perde peso, fisio respiratória, motora… E assim foram mais 29 dias.

Muita fé, muita luta para chegar nessa data tão especial: nossa alta hospitalar. Sim, no dia 11 de fevereiro de 2013 fomos para casa! Era para ter vindo com sonda gástrica, traqueostomia, mas ele superou e surpreendeu muitas pessoas! Em exames rotineiros após a alta pra casa, descobrimos que além de toda a limitação física e motora, Arthur teve perda auditiva, severa e bilateral… Mais uma batalha a ser enfrentada.

Muito tempo já passou, e nem acredito que esse ano ele completa três anos de luta contínua e sem data pra terminar. Aprendi a viver um dia de cada vez, aprendi a dar valor a cada conquista, por mínima que for, aprendi tanta coisa… Sim, nós temos um filho ESPECIAL, em TODOS os sentidos, e fazemos de TUDO pra tentar dar uma vida mais próxima à normalidade para ele.

Não temos folga. De segunda a sexta, ele faz fisioterapia respiratória e motora, todas as terças e quintas uma hora de estimulação visual e fisioterapia em casa, todas as quartas e sextas vamos para APAE receber mais estimulações, tem fonoterapia, hidroterapia, terapia ocupacional e a parte pedagógica. E nos outros períodos normalmente faz acompanhamento médico, com oftalmo, neuro, gastro, otorrino, geneticista…

Acho que esse é um resumo da nossa vida, do nosso tesouro, do nosso guerreiro! Posso dizer que ele me transformou em todos os sentidos, e não sei o que seria de mim sem ele… Ah, se ele soubesse o quanto me ensina!

Karina Garcia e Gustavo Francisco – São Paulo

Quando Gustavo tinha quatro meses, descobrimos que nasceu com craniossinostose e tinha que passar por cirurgia, pois podia haver o esmagamento do cérebro, ocasionando vários problemas, até mesmo a morte.

Com 10 meses, ele passou por cirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foi uma cirurgia muito delicada e com grande risco de vida. Graças a Deus e às mãos abençoadas dos médicos, foi um sucesso e um milagre! Nosso filho é um guerreiro e somos abençoados por esse milagre!

Karina Garcia

A cada Dia das Mães ver o Gustavo saudável, muito esperto e sapeca é o presente mais precioso que poderia ter no mundo! Te amo muito filho muito! Obrigada por essa homenagem tão linda e pelo trabalho maravilhoso e abençoado que vocês fazem. Trazer alegria mesmo na hora do desespero… Deus os abençoe sempre.

Monica Rodrigues e Giovana

Em 2007 a minha filha Giovana ganhou uma nova oportunidade de vida. Fez um transplante de coração. Estamos muito felizes, e vocês, Doutores da Alegria, estiveram conosco. Obrigada.

Monica Rodrigues (2)

Feliz Dia das Mães! <3

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Histórias de mães V

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Carol Mesentieri e Guilherme – Rio de Janeiro

Gostaria de gritar pro mundo o quanto sou grata por tudo que fizeram pelo meu filho! Como o assunto é mãe, nada melhor que tentar demonstrar toda minha gratidão para quatro profissionais que foram “mães” não só para o meu filho, mas para mim também!

Há exatamente dois meses, meu filho Guilherme, de 13 anos, estava com muita dificuldade em engolir alimentos sólidos. Sem a alimentação adequada foi emagrecendo e ficando fraquinho, com muita febre. Corri com ele para o hospital e acharam melhor interná-lo pra poder descobrir de onde estava vindo a dificuldade de se alimentar. Ficamos 21 dias na pediatria de um hospital público aqui de Petrópolis, o Hospital Alcides Carneiro.

Durante esse tempo, meu filho foi fazendo todos os exames possíveis e imagináveis e desde o primeiro dia o que mais me encantou foi a paciência, a atenção e o carinho com os quais ele foi atendido. Por elas conseguirem enxergar além dos sintomas físicos, com uma sensibilidade incomparável. Por elas conseguirem tirar dele todos os dias um sorriso mágico e até mesmo gargalhadas, mesmo depois de várias noites cansativas. Por incentivá-lo para que ele se alimentasse melhor, mostrando sempre que ele era capaz. Permitiam que ele escolhesse o que ele queria para o almoço, lanche e jantar com a ajuda da nutricionista. Sim! A nutricionista foi conversar conosco! Não imaginaria que em um hospital público e tão grande houvesse tempo para que uma nutricionista fosse nos procurar.

E mesmo com todo aquele trabalho cansativo, quando iam examinar meu filho parecia que o mundo não existia em volta. A atenção era toda pra ele, como acontecia com todas as outras crianças. Isso é dedicação, é amor ao trabalho, é respeito aos pacientes, é admirável! Demonstravam imensa alegria quando iam nos informar que estava tudo bem em algum resultado de exame. Me ouviram, me acalmavam nos momentos em que mais me sentia insegura, sempre me mostrando o melhor caminho a seguir, como as mães fazem com seus filhos. E assim, estamos caminhando com mais segurança e tranquilidade. Carol Mesentieri

Deus foi muito generoso em colocá-las em nosso caminho: as pediatras Dra Pâmela Montagni, Dra Eneida Veiga, Dra Maria Eduarda Galvão e Dra Solimar Stumpf, que também foram por esse período mães tanto pra mim como pro meu pequeno. Agradeço imensamente a Ele todos os dias por isso. Que Ele continue as abençoando e as guiando sempre, cada uma em sua nobre missão, assim como a de vocês!

O meu carinho e respeito eterno a todos esses profissionais que sem dúvida alguma são mamães de tantas pessoas, e claro, anjos enviados por Deus! Como não amá-los? Muito, muito obrigada pela oportunidade de conseguir passar tudo o que aconteceu com a gente! Agradeço a Deus todos os dias pela vida do meu filho!

Ser mãe é chorar, se desesperar, é se encontrar, é sentir o amor mais inexplicável e puro, é ter orgulho, é ser completa, é TUDO! <3

Silvana Maria dos Santos e Gabrieli

Silvana Maria dos Santos (1)
Gabrieli nasceu no dia 6 de agosto de 2009. Uma gravidez muito desejada e esperada por 12 anos. Com 31 semanas, nasceu pesando 1,7kg, e com atresia de esôfago. Com quatro dias, operou e passou por mais 30 dias de UTI.

Foram dias longos. De alegria, quando descobríamos que ela tinha engordado umas graminhas! De tristeza, quando na visita víamos que tinha retornado ao respirador. De euforia, quando chegávamos e era hora do banho! De muita emoção, quando a segurei pela primeira vez… Graças a Deus hoje ela está ótima e com saúde.

Tânia Tomé e sua mãe Sandra – São Paulo

Tania Tome  (1)Tania Tome  (2)Minha mãe chama-se Sandra, tem 68 anos. Há cinco anos, ela estava lavando o banheiro com sabão, escorregou, caiu. Bateu a cabeça no muro do banheiro e fraturou uma vértebra do pescoço e uma vértebra da lombar. A médica disse que se ela fraturasse mais acima não resistiria.

Passamos 15 dias no Hospital do Mandaqui. Num dos plantões, o enfermeiro queria que minha mãe tomasse leite, mas ela não toma leite. E queria que ela engolisse o remédio deitada, e ela ficou com medo de engolir e engasgar. Então, o enfermeiro queria fazer minha mãe engolir o comprimido de qualquer maneira. E ela começou a chorar.

Falou: “Aproveita mesmo para me fazer engolir o remédio, que não posso me defender.” E ele foi embora, e ela não engoliu o remédio. Teve uma crise de choro.

E vocês, Doutores da Alegria, apareceram na ortopedia. Era época de carnaval. Conversaram com ela, com amor.

“Você está chorando?”, perguntaram. “Não chora. Quando nós voltarmos aqui, não queremos ver você chorando.” E ela parou de chorar na hora. Teve alta. E se vocês voltaram, não a viram chorando. Sou muito grata a vocês pelo trabalho que realizam no Hospital do Mandaqui.

Feliz Dia das Mães! <3

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Histórias de mães IV

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Ivana Paiva e Gabriel – Fortaleza

Ivana PaivaEra 12 de outubro de 1995, estava no comércio quando me chamaram urgente para ver meu pequeno Gabriel, de apenas oito meses. Ele estava com muita febre e vomitando. Corri com ele ao hospital da cidade, aguardei por horas a consulta. Foi diagnosticado com pneumonia e nos mandaram para casa. À noite, como era carequinha, observei sua fonte bem alta (“fontanela abaulada”, depois aprendi). Na manhã seguinte fui às pressas para capital, onde havia marcado uma consulta com seu pediatra. Ele disse que com quase toda a certeza Gabriel poderia estar com meningite. Tudo escureceu, me faltou o chão.

Fomos encaminhados a um hospital e fizemos a punção. Chorei muito, pois o médico ficou com o exame nas mãos, aguardando o pagamento, para que desse o diagnóstico. Foi algo humilhante. Pagamos e descobrimos a meningite. Cai ao chão e o entreguei nas mãos de Deus verdadeiramente. Fomos encaminhados para outro hospital, onde teríamos o tratamento adequado à doença: Hospital São José. Quando fizemos os exames, a médica nos perguntou se acreditávamos em Deus, pois o caso dele se tratava de um milagre. Sofri, chorei, mas para nossa alegria nosso pequeno saiu de lá curado, doze dias depois, e sem nenhuma sequela.

Sei que fomos abençoados, pois no dia seguinte outro bebê vindo do interior chegara com o mesmo diagnóstico, mas como teria demorado muito para vir, e com diagnóstico inicial errado, não resistiu. Hoje meu filho tem 20 anos, é universitário e um homem temente a Deus!

Soraya Pereira e seu Herói – Belo Horizonte

MEU HERÓISoraya A C Pereira.Deus me presenteou com um filho especial que viveu 2 anos e 7 meses praticamente morando na Santa Casa de Belo Horizonte. Foram muitas internações entre CTI e no quarto do hospital. Foram muitos sofrimentos convividos com ele e Deus. Nesta vivência conheci muitos pais e filhos na mesma história. Ainda sinto muito a falta dele, mas por mais que amemos nossos filhos, não podemos deixá-los conosco em imenso sofrimento. E foi sofrimento inexplicável,  até que conversei muito com Deus e os profissionais da Medicina e então falei pro meu filho que ele poderia ir descansar e que eu ficaria bem. Não aguentava mais ver o meu filho sofrendo.

E tenho sonhado com o meu filho. Ele me mostrou o lugar em que está agora – uma casa toda amarelinha e um jardim todo florido. E de suas mãozinhas saíam fluxos dourados de virtudes. Ele estava lindo, andando, falando e saudável. Eu sei que ele está sempre comigo e eu o sinto. Eu o chamo de meu Herói e meu Campeão. Agradeço sempre a Deus por ter sido a mãe de um anjo da luz. Aprendi muito com ele… Sempre o amarei. Peço a Deus que o ampare e o proteja sempre.

Agradeço pela oportunidade de poder compartilhar com vocês, seus trabalhos são abençoados, vocês nos fortalecem em momentos de sofrimento.

Mary Medrado – Rio de Janeiro

Traumatismo craniano causado por um atropelamento, corridas pela madrugada com quadro febril, mordida de cachorro… Perdi as contas, mas passou! Tivemos atendimentos de primeira linha nos hospitais Miguel Couto, Souza Aguiar e Andaraí. Mary Medrado

E os meus agradecimentos a toda equipe do Hospital Lourenço Jorge, que com o mesmo carinho e dedicação englobam o atendimento de primeira linha recebido pela minha filha. Deus abençoe a todos!

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Histórias de mães III

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Tatiane Ramos e Fernando

Quando estava grávida de seis meses do meu filho Fernando, fui atropelada e fiquei em coma. Os médicos disseram que ele tinha 90% de chance de nascer com sequelas devido à pancada, e perguntaram se eu queria fazer exames para detectar alguma sequela cerebral.

Não fiz exames porque independente da saúde dele eu cuidaria e o amaria de qualquer jeito! Apesar de tudo que poderia dar errado, ele nasceu perfeito! Com seis meses, pegou uma infecção e quase perdeu a perna, ficou uma semana internado e foram longos dias vendo o sofrimento dele. Hoje ele é esse rapaz lindo de 14 anos, com uma saúde de ferro!

Fui diagnosticada recentemente e estou fazendo radioterapia! Ele quem cuida de mim junto com a irmã. Já fui voluntária em hospitais e sei como e bom levar alegria às pessoas! Luto para ter minha vida de volta, e poder fazer novamente a diferença! #amor #esperança #alegria

Tatiane Ramos

Obrigada pelo carinho e dedicação que vocês nos dedicam! Quando vejo um palhaço, vejo mais humanidade, vejo a solidariedade por trás da maquiagem, pois somente quem traz alegria e felicidade conhece o que é amor de verdade!

Fernanda de Paula Silva e Mariana – São Paulo

Fernanda SilvaEm janeiro de 2010, quando tinha apenas dois anos e meio, começamos a notar que havia algo errado com nossa filha Mariana. Ela não brincava, só chorava, dizia que estava triste e cansada… Íamos ao parque, à praça e à piscina, mas nada estava bom. Levamos ao médico diversas vezes, mas eles diziam que era o jeito dela, pois clinicamente estava bem.

Até que um dia, ao buscá-la na escola, a professora me informou que, ao descer uma escada, a perna da Mariana tremeu e fraquejou. Uma luz vermelha acendeu em meu coração de mãe. Levei-a correndo ao hospital e pedi exames. Nada. Disseram que era uma virose e que eu observasse. Observei e, no dia seguinte ela piorou. Não levantava do sofá. Estava prostrada!

Corri para o Hospital Sírio Libanês e disse que não sairia de lá sem um diagnóstico preciso. Fizeram uma tomografia e aí veio a notícia: Mariana tinha um tumor cerebral de 6 cm de diâmetro. Um ependimoblastoma entre os quatro ventrículos! Nosso mundo caiu!

Foi internada e dois dias depois passou por uma cirurgia de nove horas de duração para retirada de um pedaço do tumor para biópsia. Gravíssimo! Grau 4! Chance mínima de responder ao tratamento. Após uma semana, outra cirurgia para tentarem retirar o máximo possível do tumor. Mais nove horas de terror! Tiraram 90%. Após doze dias de muito sofrimento na UTI, fomos para o quarto e alguns dias depois iniciou-se a quimioterapia. Quinze dias sem comer, nem beber absolutamente nada! Desidratação e desnutrição… Foram dez sessões de quimio. Diversas internações por infecções e muitas transfusões de sangue.

Nesse meio tempo, os médicos decidiram que era necessário fazer radioterapia. Esperaram ela fazer três anos, pois a rádio só é indicada a partir dos sete, mas tinham que fazer! Foram 45 sessões de rádio no crânio e na coluna. Anestesia geral todos os dias, exceto aos domingos.

Após dois anos de todos esses tratamentos, o tumor havia sumido. Atualmente ela faz acompanhamento com diversos médicos, mas as sequelas são mínimas, diante de tudo isso. Os médicos até hoje choram quando a veem, pois acreditam que ela é um milagre mesmo.

Foram dias terríveis de muita dor e sofrimento, mas sempre tive a certeza de que ela sairia viva e saudável dessa. Nunca, em nenhum momento duvidei disso! Hoje ela é uma criança linda e especialmente saudável!

Vivian Farias e Felipe – São Paulo

Engravidei do Felipe em abril de 2012. Fiz meu pré-natal, ultrassom, tudo certo. Em janeiro de 2013 ele nasceu, de parto normal, pesando 3,45 kg e com 49 cm. Vivian Farias

Assim que ele nasceu, a enfermeira disse que seu ânus estava imperfurado – coisa que acontece com um bebê a cada 5 mil. Eu não entendi nada pois não sabia que o significava aquilo! Descobri que ele não tinha o orifício para evacuar. No dia seguinte o cirurgião precisaria avaliá-lo. No sábado pela manhã, o médico nos disse que ele passaria por uma colostomia. Foi muito doloroso para todos nós. Além de ser uma cirurgia forte, o Felipe tinha apenas dois dias de vida. O meu sonho de sair logo com ele do hospital, nos meus braços, ali ficava.

Tudo certo após a primeira cirurgia. Felipe foi direto para UTI para o acompanhamento. Quando tinha cinco dias, eu pude pela primeira vez pegá-lo em meus braços, e foi muito emocionante. Com sete dias, ele teve alta, e enfim fomos para casa.

Ali começava nossa luta pelas bolsas de colostomia, que não eram baratas. Descobri um hospital chamado Darcy Vargas que fornecia as bolsas gratuitamente. Íamos todo mês buscá-las. Com 11 meses, Felipe realizou sua segunda cirurgia, a da abertura do ânus, e passamos mais sete dias no hospital. Graças a Deus, ele foi se recuperando. A partir daí, tínhamos que ir uma vez por semana ao hospital para estimular o ânus, ou seja, fazer dilatações. Era horrível, muito doloroso, mas necessário. Enfim mais alguns meses se passaram, e com um ano e quatro meses, foi marcada a cirurgia do fechamento da colostomia, para que ele pudesse evacuar normal, que alegria! No dia 23 de abril de 2014, Felipe internou e começou o jejum. No dia seguinte, sem a mamadeira. Até que no dia 25 só podia ingerir água, o que foi muito difícil, pois imagine ter que controlar a fome de um bebê!

No dia 26 a cirurgia foi realizada, e mais uma vez deu tudo deu certo. No dia seguinte, o Felipe pôde finalmente tomar sua mamadeira, muita emoção! Ficamos no hospital até o dia 30 de abril, e tudo caminhou certo. Hoje, com dois anos e 3 meses, completou um mês da sua última cirurgia. Tenham fé que tudo dará certo!

Feliz Dia das Mães! <3

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Histórias de mães II

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Vivian Fernandes Barbosa e Helena

Vivian Fernandes Barbosa

Julho de 2014, um simples exame de rotina mudaria nossos dias. Ouvir do oncologista que a Heleninha, minha tão sonhada filha no auge dos seus 5 aninhos, apresentava exames que mostravam um quadro terminal, um tumor na suprarrenal e nódulos no pulmão, não foi nada fácil.

Internação, um “mundo” de exames, anestesias, cirurgias… Meses depois, ouvir do mesmo médico: “exame normal, pode comemorar!” Felizmente, não tenho muita explicação, só posso dizer que passamos, todos nós, por um milagre! Somente a fé, o amor e a esperança para superar tantos conflitos – físicos, financeiros e emocionais – que uma doença traz.

Amo ainda mais a Deus, pois Ele ouviu meu clamor, meu choro, meu grito e enxugou cada lágrima colocando pessoas tão especiais (família, amigos, médicos, enfermeiros, contadores de histórias e muitos, muitos outros) nesta corrente pela vida da minha filha.

Neste ano o Dia das Mães tem um sabor ainda mais especial! Te amo Deus pai, te amo filha Helena.

Rosamary Ribeiro e Roberta – Pernambuco

Nossas experiências ruins tiveram início em janeiro de 1983, quando Roberta, minha filha, contava dois anos e três meses de idade e estávamos morando em Tabira, interior de Pernambuco.

Tudo começou com uma rouquidão. Viemos a Recife levar Roberta ao pediatra, que indicou a avaliação de um otorrino. Em sua avaliação, durante a 1ª cirurgia, avisou que o problema poderia retornar… Três meses depois, mais uma cirurgia. Na 3ª cirurgia, estando Roberta respirando por um tubo, sofreu a 1ª parada cardíaca – durante a reanimação, “minha galega” perdeu os dois dentinhos da frente – e ainda ocorreu uma lesão na garganta, deixando sua voz baixa e rouquinha… Nunca mais voltou ao normal.

Tentávamos tudo que nos ensinavam: chá, benzedeira, tratamento espiritual e até outros profissionais da área para saber mais alguma coisa sobre esse problema. Tudo parecia sempre mais complicado. Três meses depois, nova cirurgia… A quarta, e nesta tivemos a confirmação de que a doença não seria tratada com poucas cirurgias, seriam necessários mais alguns tantos procedimentos.

Na 5ª cirurgia, um grande susto. O médico saiu da sala de cirurgia comunicando que havia acontecido uma intercorrência – Roberta havia sofrido outra parada cardíaca e todos os esforços estavam sendo feitos para trazê-la de volta… O desespero nos tomou conta! O pai esmurrava as paredes desesperado e inconsolado; a avó havia desmaiado de tanta angústia; e eu, num momento de sofrimento insuportável, abri a bolsa e peguei o Novo Testamento, que sempre tinha comigo. Antes de abrir, aleatoriamente, orei a Jesus dizendo: “Senhor, quero muito que minha filha fique comigo, mas para ela ser feliz, se for de tua vontade permite que os médicos consigam reanimá-la.” Abri o livro e a página trazia a passagem da ressurreição de Lázaro. Senti que Deus respondia às minhas preces!

O médico então voltou, Roberta estava viva. Depois de um período de observação, minha galega foi então levada ao quarto… Molinha, por ainda outros três dias, podíamos ver em seu corpinho as marcas das tantas tentativas de reanimação, a pele branquinha mostrava marcas no tronco, braços e coxas.

Algum tempo depois pudemos conhecer a médica otorrino que acompanha Roberta até hoje (mais de 30 anos depois). A rotina de cirurgias programadas estava começando: primeiro a cada 3 meses, depois a cada 2 meses, mensalmente e então, todas as semanas. Aos nove anos Roberta totalizava 24 cirurgias, havia usado tubos na garganta para respirar duas vezes por longos períodos, mas o problema da laringe havia sanado.

Rosamary Ribeiro

Outros sustos menores ainda vieram, outras cirurgias para extrações e implantes dentários, apendicite, pedras na vesícula, dedo quebrado… E hoje, Roberta já foi submetida a mais de 40 cirurgias. Em 2004, minha filha então se formou em Enfermagem. Atuando em alguns hospitais, não se conformando em certas situações, e ansiosa em ajudar ainda mais os pacientes, em 2006, fez novo vestibular e formou-se em Medicina em julho de 2013.

Feliz Dia das Mães! <3 Em breve mais histórias.

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Histórias de mães

Tempo de leitura: 3 minuto(s)

A criança é o foco do nosso trabalho, a protagonista das muitas histórias que escrevemos juntos nos hospitais. Mas nesse enredo tem outras personagens que ajudam a compor as histórias: os familiares.

A maior parte das crianças fica acompanhada de suas mães durante seu tratamento. Mães que param a vida lá fora, que mal têm tempo para se cuidar, que dormem em poltronas gastas pelo tempo – este que às vezes teima em não passar.

Pois são essas mães que confiam em nosso trabalho e abrem caminho para que possamos brincar com seus filhos. Sabem, inconscientemente (ou não), que esses encontros contribuem significativamente para a saúde deles. Essas mães são o ponto de partida de encontros que rendem boas gargalhadas, pequenas descobertas ou apenas uma troca de olhares. Podem ser o ponto final de algumas histórias que não gostaríamos que terminassem… Assim é, a vida tem mesmo um enredo imprevisível, nos obriga a viver o tempo presente.

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

Marlene Riguete e Fernanda – Minas Gerais

“Fernanda nasceu aos sete meses e duas semanas devido à minha gestação complicada e a uma pré-eclâmpsia. Mas isso foi fácil, sobrevivemos facilmente! Depois é que foi um pouco mais difícil…

Aos três anos e três meses foi diagnosticada com leucemia “LLA”. Minha guerreira mais uma vez deu um show de fé, coragem e determinação, passou por todo o sofrimento do tratamento e complicações até os seis anos de idade. A cada novo dia, minha pequena amanhecia com um sorriso ainda mais vibrante e sempre dizia: Papai do Céu já me curou!

Moramos no interior de Minas Gerais e o tratamento é na Santa Casa de Misericórdia em Belo Horizonte, a seis horas da nossa casa. Às vezes íamos e voltávamos uma vez por semana, no mesmo dia, no carro da Secretaria de Saúde. Outras vezes íamos e passávamos uma temporada por lá, ficávamos na Casa de Apoio Aura, que nos acolhia com muito carinho e muito nos ajudou e nos ajuda até hoje. Deus mais uma vez foi misericordioso e a livrou do transplante. Fez três anos consecutivos de quimioterapia, caiu o cabelo por duas vezes e hoje, aos 9 anos, graças a Deus está curada, linda, inteligente e tem vida completamente normal.Marlene RigueteAdorava receber a visita dos Doutores da Alegria. Parabéns pelo lindo trabalho de vocês, que é levar diversão e alegria a todas as crianças e a nós, pais, também, pois nos ajuda a esquecer um pouquinho do lugar em que estamos e da batalha que enfrentamos!

Agradeço a Deus todos os dias pela cura da minha filha e por ter permitido que eu fosse e continuasse sendo mãe dessa guerreira tão especial na minha vida! A história é longa, mas a vitória é maior ainda!

Ligia Maria Ribeiro Delmont e Beatriz

“Bom dia!” Palavra que significou muito nos 11 dias de internação da Beatriz, filha amada que na época tinha dois anos e cinco meses de vida.

Bia, assim chamada desde a barriga pelos irmãos Lucas e Giovana, precisava de uma correção no coração. Desde o nascimento se apresentava diferente, e com muitas idas e vindas a diferentes pediatras, chegou-se ao cardiologista que sentenciou: cirurgia para correção de PCA. Esse nome bonito nos assustou. Após correria com convênios, reconciliações familiares (porque quando filho precisa, a gente passa por cima de qualquer orgulho ou diferença) e o acolhimento de todos (porque quando criança precisa, a família e amigos se compadecem), conseguimos a internação. Despedimos dos irmãos, pai, tio e avós e lá ficamos em nosso quarto, transformado em lar. Fotos pela parede, bichinhos e cobertinhas preferidas, sopinha da vovó, visitas queridas, intercalados a muitos exames e orientações.

A cada dia acordávamos e eu falava: “Bom dia, flor do dia, hoje mais um dia de alegria, folia, fantasia e magia!” E assim seguíamos confiantes, ligando para os irmãos e reportando o dia de folia e magia.

Enfim a cirurgia… O que dizer? Força e fé inabaláveis com o real entendimento do Pai Nosso: “…seja feita a Tua vontade aqui na terra como nos céus…” Difícil, desafiador, muitas lágrimas escondidas, muito medo guardado e muita aceitação sendo construída em meu ser.

Cirurgia, UTI, retirada dos pontos… Conviver com a saudades dos filhos/irmãos, da rotina tão prazerosa, porque quando se está no hospital sonha-se com a correria do dia a dia, dos bons dias de cara amassada, das refeições com todos, do preparo do lanche para a escola, uniformes, verificar agenda pra poder encaixar atendimentos com horário dos filhos… Ufa! Que doce e viva correria!

Depois foi sair do hospital e  agradecer por todo o carinho e atendimento recebido, ver que existem pessoas maravilhosas que fizeram a estadia ser um imenso crescer de vida e consciência. E voltar à rotina da vida com a certeza de estarmos todos mais fortes e cientes da finitude da vida, da real importância de valorizarmos cada momento juntos e da alegria que é agradecer a cada dia vivido. Bom dia! Boa vida!”

Feliz Dia das Mães! <3

+ veja Histórias de Mães II

+ Você sabia?

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