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Mãe é tudo igual? Conheça estas do hospital

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Já ouviram aquela: “Mãe é tudo igual”? Pois bem, as mães que encontramos nos hospitais merecem um estudo aprofundado. E foi o que fizemos.

Acreditem: cada ala do hospital tem sua mãe característica. Em comum, elas têm força e dedicação. Algumas nos provocam, outras desconfiam, muitas nos pegam emprestado e brincam feito crianças. Em homenagem ao Dia das Mães, vamos apresentar quatro tipos mais frequentes que estudamos.

Mãe da neonatal

Tem cara de sono e dorme na primeira oportunidade. Se a gente não tomar cuidado, pode dormir no meio do atendimento. Não entendemos o motivo, pois aqueles anjinhos vivem dormindo, não choram, não comem feito pintinhos, não fazem caquinha na fralda, não dão o menor trabalho… 

Barão de Lucena - Lana Pinho-133

Mãe da enfermaria

Divide espaço com outras diversas mães. Todas se chamam pelo nome (“Olha, Ana, os palhaços estão mangando de tu!”), conhecem as preferências umas das outras (“Toca sofrência, palhaço, que ela gosta!”) e entendem muito de Psicologia Social (“Foi aquela ali que falou, palhaço! Ela é barraqueira!”).

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Grajaú - Lana Pinho-102

É a mais animada, falante, dançante e implicante. Não sabemos bem como ela desenvolve essa capacidade, mas consegue simultaneamente arrumar o cabelo, passar sermão no marido, trocar fralda, falar ao celular com a comadre, prestar atenção no que estamos fazendo e, se desconfiar que estamos falando dela, pode, do nada, correr atrás da gente. Ou seja, precisamos estar sempre alertas!

Mãe do canguru

Está sempre às voltas com as seringas de leite. Típica mãe do “coma só esse pouquinho, meu filho”. Todas as vezes que chegamos lá, está alimentando o bebê. Agora sabemos de onde vem essa coisa das mães sempre acharem que os filhos estão magrinhos e precisando comer mais: vem lá do canguru. 

Auto de Natal - Doutores - Lana Pinho-59

Barão de Lucena - Lana Pinho-34

Ah, sim, todas as “canguretes” amam usar um sutiã gigante especial onde carregam os bebês. Já virou moda por lá.

Mãe da UTI

A mais silenciosa… Quando está lá dentro.

Itaci - Lana Pinho-180

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Contudo, outro dia encontramos com a… Bem, vamos poupar a sua identidade, chamaremos de Celinha. Encontramos a Celinha sentada em uma cadeira, apartada de todos, num canto da UTI. Estava de castigo, entendemos logo. Fizemos exames e liberamos a Celinha para o convívio social! Quando estão do lado de fora, as mães da UTI se juntam em grupos que parecem reunião de bazar.

Mãe quebrada

É a mãe que acabou de perder seu filho. Não sabemos outro nome para designar essa mãe, porque quando a olhamos podemos ver um vaso partido, quebrado em mil cacos. Por uma força inominável, ela não se desfaz. Não sabemos narrar essa mãe, temos ausência de palavras.

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Mas Eliane Brum, escritora e jornalista, achou palavras no escuro do silêncio:

“Só naquele momento, ao apalpar a dor das mulheres cujas crianças viveram mais no seu desejo do que na vida, alcancei a soleira da dor da minha mãe por aquela filha (já morta). Maninha não tinha vivido apenas cinco meses, já que o tempo de um filho não se mede por dias, meses ou anos. Um filho é mundo sem tempo. Eu estava diante de mulheres empaladas pela dor. O resto era mal-entendido. Há mal-entendidos demais numa vida humana.” (Meus Desacontecimentos, de Eliane Brum).

Uma homenagem a todas as mães. Iguais ou não.

Eduardo Filho, mais conhecido como Dr. Dud Grud, e Greyce Braga, a Dra. Monalisa, escrevem do Hospital Barão de Lucena, em Recife.

Posso fazer um ultra som?

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Na nossa primeira semana de trabalho, no começo do ano, conhecemos um garoto. Foi um encontro rápido e potente.

Eu (Dr. Lui) e o Dr. Marmelo entramos na enfermaria. Tinha uns leitos vazios e outros ocupados por crianças que dormiam. O lugar não tinha muita luz, mas a que tinha era suficiente pra deixar o ambiente visível. Paramos na porta, fitamos toda a enfermaria e vimos que apenas um leito tinha acompanhante, pois as mães e pais das crianças tinham ido almoçar. Fomos direto para lá.

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Lá estavam sua mãe e uma técnica de Enfermagem. A mãe ajudava a técnica com os seus afazeres e a técnica arrumava o soro da criança, que estava de olhos fechados, deitado. O menino tem aproximadamente 8 anos, vive no mundinho dele, como toda criança. E este mundo é bem próximo do mundo do palhaço, onde nada é o que é, as coisas são o que a gente quiser.

Eu tenho um violão. Posso fazer um ultra som?, perguntou o Marmelo com voz suave.

Pra quem não sabe ainda, o nosso “ultra som” nada tem a ver com o exame de imagem. Na Besteirologia, ultra som é um diagnóstico feito com música. A mãe e a técnica deram um sorriso de canto de boca, autorizando a gente a cantarolar a música. Dr. Lui logo perguntou se podia ajudar e sacou do bolso um triângulo de cor prata.

- Estou pronto!, disse o Lui.

Dr. Marmelo arrumou o jaleco, organizou a calça, o cabelo, apoiou a perna, testou a voz, reorganizou o jaleco, foi para onde tinha luz, desistiu, voltou, deu calor, pegou novamente o violão, coçou o nariz…

- E essa música é pra hoje?, perguntou a mãe.

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Começamos a cantar. Não saiam palavras, apenas sons da nossa boca: vogais, sílabas, pa, pipa, teca, pi ri pi… O menino abriu um sorrisão daqueles. E elas – a mãe e a técnica se juntaram no riso.

- Olha, ele riu!, falou a mãe.
- Nunca vi esse menino dar uma risada…, confirmou a técnica.

Pronto, mais um ultra som com diagnóstico positivo.

Marcelo Oliveira (Dr. Marmelo) e Luciano Pontes (Dr. Lui) escrevem do Hospital da Restauração, no Recife.

Todo dia ela faz tudo sempre… Igual?

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Toda segunda e quarta trabalhamos no Instituto da Criança, em São Paulo.

Como este hospital é muito grande e complexo, temos dois itinerários diferentes, com duas duplas de palhaços. Ou seja, somos quatro palhaços dentro das veias pulsantes deste hospital no coração da cidade.

Meio pessoa, meio palhaço 

Pela manhã, chegamos e cumprimentamos as moças que ficam na recepção e vamos para uma salinha onde ficam nosso figurino, maquiagem e utensílios médicos besteirológicos. Entenda-se por isso instrumentos musicais, bolhas de sabão e outros objetos inusitados como galinha de plástico, máquina fotográfica de brinquedo, flores de tecido e até uma calçola tamanho GG furada.

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Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Já neste meio tempo, que leva em média meia hora, encontramos muitas pessoas e nos relacionamos com cada uma delas, seja por um aceno ou um bom papo matinal com os mais chegados. E isso ainda em processo, meio “pessoa gente”, meio palhaços. 

PS, enfermaria, UTI…

Depois, já totalmente caracterizados como Dr. Dadúvida e Dra. Pororoca, partimos rumo ao Pronto Socorro. Muitos amigos por lá, equipe calorosa. Em alguns dias cheio de pacientes, médicos, residentes, enfermeiros e outros profissionais; em outros o movimento e a intensidade estão mais brandos e até certa tranquilidade paira no ar. A verdade é que, na maioria das vezes, até o corredor vira lugar para maca e paciente

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De lá, seguimos de elevador para o terceiro andar, na ala destinada aos convênios. Outro ambiente, outra arquitetura, outra disposição de quartos e pacientes. Outros parceiros, parceiras. Começamos com nossa conversa sobre o número de pacientes no dia, o que se repete em cada novo ambiente que chegamos, e especificidades sobre os quartos. Logo partimos para uma prosa mais pessoal, um comentário sobre o penteado novo de uma enfermeira, uma brincadeira com a moça da limpeza, e assim começamos os atendimentos. 

Subimos um lance de escada e no quarto andar temos a Enfermaria. Farra garantida com os profissionais de lá… Encontramos enfermeira que samba, enfermeiro sorridente e cantor, pacientes que ficam bastante tempo no hospital e, por conta disso, acabamos construindo muitas e muitas histórias juntos. São sempre 21 crianças internadas, o máximo que pode acontecer é terem 20, mas sempre com alguém por chegar. 

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De lá, no mesmo quarto andar, partimos para a temida e gelada (sim, lá é muito frio!) UTI. Ali soam apitos e outros sons, deixando uma música permanente no ar. Mas por baixo da seriedade e gravidade do ambiente, encontramos espaço para o olhar e a delicadeza, e até por que não dizer, para a bobeira. Saindo da UTI pegamos carona no elevador e voltamos para a salinha onde tudo começou. 

Toda segunda e quarta

Uma jornada diária, como tantos outros profissionais fazem naquele complexo-complexo-hospitalar. Risadas, lágrimas, tristeza, esperança, cansaço, mal humor, amor, dor, espanto, desdém, compaixão, afeto, raiva, doença, saúde, vida e morte.

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Toda segunda e quarta o mesmo itinerário, toda segunda e quarta conhecemos pessoas novas, toda segunda e quarta reencontramos pessoas. Toda segunda e quarta. Ou quarta e segunda, como bem gostamos de lembrar. Tudo sempre igual, mas cada dia, um dia diferente.

Dra. Pororoca, mais conhecida como Layla Ruiz,
escreve do Instituto da Criança, em São Paulo.

Uma sabiá no isolamento

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Antes de entrar na UTI pediátrica, perguntamos a duas técnicas de Enfermagem se havia algo que precisávamos saber antes de começar as visitas. É uma prática habitual em nossa rotina de trabalho. 

- Sim, isolamento na enfermaria 4.
- Não podem entrar.
- Mas podem ficar na porta.
- Usem máscara, avental e luva se quiserem entrar.
- Por que tudo isso?, perguntei.
- É uma superbactéria, Dr. Euzébio!

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Fiquei assustado e quase comecei a chorar, dizendo que não iria lá por nada nesse mundo. Dr. Micolino, meu parceiro, me convenceu a fazer o contrário, me empurrando até a porta da tal enfermaria onde reinava a superbactéria que impedia a entrada dos médicos.

A porta estava fechada e não se ouvia um ruído sequer. Havia um monte de papel toalha na pia, logo na entrada da enfermaria. Peguei algumas folhas, usando-as como escudo, e bati na porta. Instantes depois um homem muito simpático abriu a porta. Era o pai da F., que ria das nossas caras inquisidoras. 

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Ficamos na porta do quarto e olhamos por todos os cantos, de cima a baixo, procurando a tal vilã. A superbactéria estava muito bem escondida, quem sabe até já havia fugido. Depois de nos apresentarmos, cantamos uma canção para a menina, que nos olhava com seriedade. 

Até cheguei a achar que não estava gostando. Só que ao final da canção, ela balbuciou algo tão baixinho que o pai teve que traduzir.

- Entra!
- Eles não podem, respondeu o pai.
– Então canta outra!

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Dessa vez foi Micolino quem pegou a viola e puxou a canção do sabiá, enquanto eu puxei um pedaço de papel colorido e comecei a construir, ali mesmo, um pássaro que bate asas.

- Pai, não deixa eles irem embora!, o pai traduziu para nós.

Terminada a canção, tinha em minhas mãos uma sabiá de papel, que pegou carona nas mãos do pai da F. e saiu batendo asas para dar-lhe um beijinho na testa. A última frase nem precisou de tradução. De onde estava, ela sorriu e nos mandou um beijo dizendo: Volta, viu?.

Dr. Eu_zébio, mais conhecido como Fábio Caio,
direto do IMIP, em Recife.

Quando o besteirologista virou paciente

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Já fazia um tempo que eu, Dr. Cavaco, estava de férias, na prateleira, empoeirado, esperando um chamado. Eis que surgiu a oportunidade.                 

Cheguei junto com Dr. Marmelo na enfermaria do IMIP e encontramos uma garotinha de seus quatro anos chorando bem alto, sentadinha no colo da mãe. Ela olhou para nós, parou de chorar, respirou fundo, e voltou a chorar bem alto! As outras sete crianças, com seus respectivos acompanhantes e enfermeiras, pareciam não aguentar mais aquele chororô.

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Dr. Marmelo começou examiná-la, procurando a causa daquele vazamento de lágrimas, e a mãe dela ria da situação dizendo que também não sabia do que se tratava. Comecei então a fazer um exame sovacal na garota e logo encontrei a causa: bexiga solta em seu sovaco. 

Começamos a examinar a bexiga e vimos que ela estava murcha. Resolvemos esticá-la pra ver se melhorava. Marmelo segurou uma ponta, eu segurei na outra ponta e fomos esticando, esticando, até que o tonto soltou a bexiga, dando uma estilingada na minha mão, me fazendo chorar mais que a menina! Foi aí que ela parou de chorar e começou uma risada muito boa de ouvir!

Mas não parou por aí. Fui dar uma bronca no Marmelo por sua trapalhada e, quando levantei meu braço para apontar o dedo naquele nariz vermelho, meu ombro saiu do lugar. Isso mesmo, um deslocamento real, sem brincadeira. Acho que estava meio enferrujado de tanto tempo parado… Logo que percebi, disfarcei a dor, me despedi das pessoas e Marmelo me ajudou a entrar na sala das enfermeiras. 

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Cheguei com muita dor e elas continuavam a rir, pensando que era palhaçada, que eu estava fingindo. Somente quando tiramos o nariz – isso mesmo, gente, é um hábito nosso tirar o nariz quando precisamos falar sério – foi que elas acreditaram e rápido vieram me ajudar. Sentei na cadeira e, depois de uns minutos, consegui colocar o ombro no lugar. É que já tenho experiência com isso, sou quase um super-herói como o homem elástico, o problema é que não consigo controlar estes “poderes”. 

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Minha pressão começou a baixar por conta da dor, minha visão foi escurecendo, pensei que eu ia desmaiar! As enfermeiras me levaram para a maca, ficaram abanando com lençóis (me senti a Cleópatra no Egito), mediram a pressão e até furaram meu dedo pra fazer testes. Viram que a minha glicose estava baixa e logo me trouxeram um chocolate para ajudar a subi-la. Adorei esse remédio! A tangerina também! Depois chamaram a Dra Flávia e ela pediu que eu ficasse deitado em observação. Marmelo ficou observando com os olhos tão abertos que até encontrou um ovo na minha maca.

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O corredor estava cheio de crianças batendo na porta, querendo saber o que aconteceu com o Cavaco. Dr. Marmelo foi até lá e explicou que tudo aconteceu porque eu estava grávido, mas depois de botar o ovo, eu estava bem melhor e teria que ir para casa, conforme orientação médica.

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Mas fiquem tranquilos! Eu já estou ótimo! Passei na oficina para apertar os parafusos. Gostei muito de como fui atendido pela equipe de plantão e deixo um agradecimento especial a todos que estão no hospital trabalhando com carinho e prontos para ajudar até um besteirologista necessitado!

Dr. Cavaco (Anderson Machado)
Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP (Recife)

O verdadeiro significado do corredor

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Eu, Dr. Eu, e a Dra Baju estávamos em pleno atendimento quando percebemos a E. num cantinho nos observando de longe. Pensei:

Deve ser um caso de “timidus chorosus” ou “gritus alarmanticus”!

Continuamos atendendo, mas pra ter um melhor parecer da paciente que nos aguardava, resolvi ligar o meu detector infalível. Ela continuava lá, encostada na parede, apoiada numa perna, enquanto a outra fazia um semicírculo pr’um lado e pro outro.

Bem, não era gritus alarmanticus, tivemos certeza.

Quando finalmente fomos atendê-la, descartamos a possibilidade de ser o timidus chorosus. Ela olhou pra mim, olhou pra Dra. Baju, fez uma cara de quem esconde um riso no canto da boca e correu. Imediatamente, com a pressa que nos cabia, desatamos atrás na mesma carreira. Vimos quando entrou na Enfermaria e fomos atrás, chegamos no exato momento em que ela entrava no banheiro.

Paramos subitamente próximos do leito, pois algo nos dizia: aí tem coisa! O silêncio reinou por alguns segundos. Estatelados no meio da Enfermaria, não ousamos dar nem mais um passo. Ao perceber nossa presença no quarto, a E., do alto de seus três anos e tantos, saiu do banheiro com uma mão na cintura e a outra com o dedo em riste apontando para os dois Besteirologistas atônitos com o ocorrido. Disse:

SAIAM AGOLA DESSE MEU HOSPITAL, SEUS PALAÇOS! HOJE É DIA DA MINHA CILULGIA! NÃO QUELO SABER DE NADA!

Ainda bem que minha peruca, ops, meu cabelo, estava bem preso na cabeça. A Dra. Baju tentou argumentar enquanto caminhávamos decididos com passos para trás:

Ma… ma… mas…

QUIETOS!  SAIAM DAQUIIIIIIIIIIIIIII!

Recado dado, palhaços estatelados. A E. desatou a correr atrás da gente, ao que descongelamos e fugimos. Esbarramos um no outro, erramos a porta, nos confundimos e saímos correndo pelo corredor, e neste exato momento entendemos o verdadeiro significado da palavra “corredor” e agradecemos fazendo bom uso dele. Nem deu tempo de esperar o elevador, desembestamos escada abaixo com a leve impressão de que a E. se deliciava com a vitória…

Dr. Eu Zébio (Fábio Caio)
Dra. Baju (Juliana Almeida)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife
Janeiro de 2012

Ciências e sumiços

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Alguns misteriosos fatos ocorreram neste mês no Hospital Barão de Lucena…

Num dia normal, descemos as escadas, como de costume, e fomos ao andar térreo para atender na Emergência. Tudo como sempre: andar térreo, sair da Emergência, corredor, depois primeira à esquerda, primeira à direita, em frente e… CADÊ O AMBULATÓRIO?  CADÊ AS CRIANÇAS?

Dr. Euzébio - Cadê as crianças?

Nada, nenhum e ninguém.

O que aconteceu aqui? “Ah, deve ter sido só um desencontro de horários”, pensamos. O ambulatório deve ter convidado as crianças para tomar um lanche lá embaixo.  Subimos pro terceiro andar.  Saímos da escadaria, como de costume, viramos pro corredor à direita e… CADÊ A ENFERMARIA ? CADÊ AS CRIANÇAS?  Foi aí que começamos a ficar com muito medo. Tudo estava sumindo, de repente.

Não que a gente acredite nessas coisas, mas pensamos logo em Mula-sem-cabeça, Cuca, Lobisomem. Brrrrr! Quando estávamos todos juntos tirando par ou ímpar pra saber quem entrava primeiro no banheiro, surpresa! A enfermeira entrou perguntando se já tínhamos visto as crianças do ambulatório no primeiro andar e se já tínhamos visto as novíssimas enfermarias do lado esquerdo da escada, no terceiro andar. Foi aí que compreendemos tudinho.

Quem é que em sã consciência teve coragem de fazer mudanças tão significativas sem nos consultar? Somos especialistas em transferências médicas, decoração e mudanças de ambiente! Um nobre cientista de seis anos, profundo conhecedor de Folclore aplicado à Medicina, recentemente me orientou: “É o Saci, Monalisa. É o Saci que muda tudo de lugar”.

E é por isso que nós não duvidamos de mais nada. Aplicamos essa máxima científico-folclorista à Besteirologia e solucionamos o problema. Ainda bem que conseguimos descobrir onde ele havia escondido o ambulatório, as enfermarias e as crianças, e tivemos um plantão tranquilo. Até que começamos a desconfiar de uma “Mulher de Branco” que andava atrás de nós. E aí foi um salve-se quem puder.

Hospital Barão de Lucena – Recife
agosto de 2011
Dr. Euzébio (Fábio Caio)
Dr. Marmelo (Marcelo Oliveira)
Dra. MonaLisa (Greyce Braga)