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Profissionais de saúde e palhaço: formação é fundamental

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A relação com profissionais de saúde foi tema da mesa “Outras formas de atuação” durante o Encontro Nacional de Palhaços. A discussão foi além e abrangeu a formação básica para que um palhaço atue em hospital.

Mauro Fantini, coordenador do grupo Narizes de Plantão, forma estudantes da área da saúde. Ele trouxe uma pesquisa que fez com estes alunos antes e após as intervenções nos hospitais. A ideia era entender se a experiência de palhaço acrescentava algo a quem atuava com saúde.1 - 2016-11-13-PHOTO-00000014

“O que é palhaço pra você?” era a pergunta. Frases como “Eu achava que aprenderíamos a contar piadas, a sermos engraçados e estarmos sorrindo o tempo todo” e “Achei que aprenderíamos truques e números ensaiados para usarmos no hospital” apareceram muito. Entre as palavras, surgiram: alegria, despreocupação, brincar, personagem, inocência, rir, amor, diversão.

Depois de passar pelo processo de formação, os alunos voltavam a responder ao questionamento. Entre as respostas: “Aprendi a lidar comigo mesmo, com as coisas em que sou bom e com as que tenho dificuldade. Aprendi a lidar com meus erros e a aceitar os erros dos outros” e “Eu lido com pessoas o tempo todo, desde pacientes doentes até colegas competitivos. Agora eu consigo aceitar melhor o que a outra pessoa está me propondo”.

E as palavras se ampliaram e se modificaram totalmente: encontro, sentimento, desprendimento, momento, ser, criança, essência, descoberta, escuta.

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Alexandre Penha, do grupo voluntário Terapia da Alegria, oferece formação a estudantes de áreas da saúde em todo o país. Por ser formado em Artes Cênicas, ele traz este olhar para formar os jovens.

Ele iniciou questionando quantas pessoas haviam se formado de forma tradicional. “Não há universidade focada no palhaço no Brasil. O que usar em formação então?”, disse ele. A solução foi avançar com o que chamou de pedagogia da descoberta, que serviria para democratizar o acesso ao palhaço em todo o país – principalmente para pessoas que nunca tiveram contato com Artes Cênicas, como estudantes da área da saúde.

A mesa seguiu com uma ampla discussão sobre diferentes maneiras de formar um palhaço para atuar no hospital. Formadores da Escola dos Doutores da Alegria se juntaram à mesa para discutir o tema e mostrar o que temos oferecido. Muito foi falado sobre a escassez de cursos abrangentes no país, e sobre o oferecimento de oficinas curtas que não aprofundam a linguagem. Os grupos deram seus depoimentos sobre como qualificam o trabalho que é oferecido aos hospitais. 

Eles chegaram

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A semana começou com a sede dos Doutores da Alegria cheia. Cheia de jovens de vários cantos, de olhares curiosos.

Vinte e cinco pessoas que decidiram que, pelos próximos dois anos, dissecarão a linguagem do palhaço, aprendendo sobre cada peculiaridade dessa figura. Os ingressantes no Programa de Formação de Palhaço para Jovens têm entre 17 e 23 anos e foram selecionados em um longo processo, que envolveu análise de currículo, oficinas práticas e visitas de assistentes sociais (este último por se tratar de um projeto destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade social).

Eles foram recebidos por ex-alunos do programa, que fizeram questão de dedicar sua manhã para a recepção dos novatos. E o que aconteceu? Veja só:

Bem-vindos

Os palhaços formados se espalharam pelas ruas, indicando o caminho até a nossa sede.

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Senta que lá vem história

Uma conversa de abertura do curso. De onde viemos? Pra onde vamos? O coordenador do projeto, Heraldo Firmino, explica tudo.

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Aula trote

Os novatos acreditam que estão participando de uma aula séria quando, na verdade, se trata de uma brincadeira. Olhares atentos, desconfiados. Quem comandou tudo foi Edgard Tenório, assistente da Escola.

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Os ex-alunos reaparecem e novamente dão as boas-vindas. 

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E começa uma divertida gincana entre eles, uma oportunidade pra se conhecerem da melhor forma: brincando!

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Apadrinhamento

Cada novato foi apadrinhado por um ex-aluno. Rolaram presentinhos e muitos conselhos.

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Queridos alunos, que estes sejam anos especiais pra vocês! Bora estudar!

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Payazos en rede

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Em outubro, fui para uma imersão besteirológica de cinco dias em Buenos Aires. 

Junto com a artista formadora Roberta Calza, levamos a metodologia da Escola dos Doutores da Alegria para o grupo Alegria Intensiva, que atua em oito hospitais locais. 

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Além das oficinas artísticas, acompanhamos alguns palhaços e coordenadores do grupo em dois hospitais. Discutimos muito sobre a natureza do trabalho, os programas de formação que temos no Brasil (Formação de Jovens, Palhaços em Rede) e sobre a promulgação da lei que recentemente instituiu a presença obrigatória de palhaços atuando nas pediatrias da Argentina. 

Neste texto quero falar sobre esse último tópico.

A lei determina que hospitais públicos da província de Buenos Aires serão obrigados a ter artistas especializados na arte do palhaço para a reabilitação de pacientes. 

A questão é muito delicada, pois envolve um trabalho que de fato é pouco conhecido com profundidade pela sociedade. Somente após a promulgação da lei, dois grupos foram chamados para pensar o treinamento e a seleção de todos os artistas que atuarão em hospitais. 

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Estão previstos dez meses de formação para o início das atividades e os perfis de intervenção divergem. Assim como no Brasil, há grupos profissionais e grupos voluntários atuando com diferentes abordagens. O Alegria Intensiva seleciona palhaços profissionais com formação (3 a 15 anos de experiência) para seu elenco; o Payamédicos, por exemplo, é composto por voluntários que visitam pacientes internados sem formação artística e sem treinamento contínuo, recebem apenas uma orientação. Há muitas questões a serem discutidas e articuladas. 

Qual o perfil desse palhaço? Qual a sua função artístico-social? Ele faz a paródia do médico (autoridade) ou entra sem jaleco (homem comum)? Qual é o seu roteiro no hospital e que tipo de informação troca com a equipe de plantão? Há uma formação artística e uma orientação básica para a atuação no hospital? 

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O desejo do Alegria Intensiva é o de garantir essa formação para os interessados; sua preocupação é em como regulamentar essa atuação adequada e dentro do conformes previstos na lei. 

Para isso, querem iniciar diálogos com outros grupos que atuam na Argentina e discutir quais as necessidades desse trabalho por lá. Recomendei a eles que participem do Healthcare Clowning International Meeting 2016, um congresso com lideranças internacionais que discutirá, ano que vem em Lisboa, o trabalho do palhaço em hospital.

Um olhar para dentro e outro para fora! E o intercâmbio com Doutores da Alegria certamente foi um passo nesse sentido.

Passo inspirador

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Inspirados pelo trabalho que realizavam junto ao ator Michael Christensen nos hospitais de Nova York, alguns artistas trouxeram para seus países de origem uma incumbência: levar a intervenção do palhaço para hospitais mundo afora.

doutores-no-cdi-1108-4-728(foto: The Big Apple Circus Clown Care Unit, Nova York)

Wellington Nogueira iniciou sua jornada em São Paulo, em 1991, causando espanto e estranhamento quando colocava-se na posição de besteirologista para atender crianças. Nascia Doutores da Alegria. Quem poderia imaginar que o hospital, local sério e sisudo, pudesse abrigar os serviços de um palhaço que reivindicava a posição do médico?

No mesmo ano, Caroline Simonds afrancesou a sua experiência e criou o Le Rire Médecin em Paris.

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Caroline Simonds (docteur girafe) et Rene? Philippe (Rene? l'Ele?gant) a? l'Institut Gustave Roussy (94 Villejuif) Association Le rire me?decin (Paris) le 7 juin 2007

Duas organizações que, inspiradas pela função social do palhaço no hospital, cresceram levando a bandeira da arte como coprotagonista no sistema de saúde. Com sua pesquisa, validaram a atuação, oferecendo cursos para artistas e para o público em geral que deseja entrar em contato com a lógica do palhaço.

Nesta semana Le Rire Médecin nos contou que conseguiu obter, por meio de um processo de certificação, o reconhecimento público de seu programa de treinamento profissional na França. Isso significa que o curso de formação do seu Training Institut agora fornece diploma de ator-palhaço em instituições de saúde.

A conquista da organização francesa é de todos nós! Ao criar uma certificação, estamos caminhando para a profissionalização e o reconhecimento da profissão de besteirologista ou, como dizemos também aqui no Doutores da Alegria, o palhaço-interventor. Parabéns, Le Rire Medecins!”, parabenizou Wellington Nogueira.

Um grande triunfo após quase 25 anos de trajetória. Quem sabe é o primeiro passo para pensar essa conquista em terras tupiniquins?

Nós fomos: Congreso de Payasos Hospitalarios

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Dia desses chegou um convite para que participássemos do 2º Congreso de Payasos Hospitalarios em Cali, na Colômbia, organizado pela CaliClown. Quem representou a gente foi o Raul Figueiredo, ator, palhaço e tutor do programa Palhaços em Rede.

Congreso de Payasos Hospitalarios

Além de participar das palestras, ele ministrou uma oficina para mais de vinte pessoas – e tudo em espanhol! Acompanhe o diário de viagem do Raul:

“Assim que cheguei ao congresso, acompanhei as apresentações de Tsour Shriqui, do Dream Doctors de Israel, e de Wendy Ramos, do Bolaroja do Peru. Johana Barreneche, ex-aluna da Escola dos Doutores da Alegria, fez uma tese sobre o nosso trabalho e a apresentou no primeiro dia do congresso. Também tive boas conversas com Moshe Cohen (EUA), Luis Silva (Clown em Vie – Suíça), Magdalena Dragicevic (Clown Celula Roja – Chile e Equador), Juan Carlos Salazar (Titiriclaun Fundación Com-tacto – Colômbia) e com Ilana Levy (CaliClown – Colômbia).

No sábado e no domingo ministrei a oficina de palhaço para hospital. O lugar era uma antiga casa reformada. Um espaço cultural onde à noite estava acontecendo um festival de cinema. Muito bacana!

Na oficina haviam 24 pessoas, sendo cinco alunos de Medicina, dos quais quatro nunca tinham tido nenhum contato com teatro ou palhaço! Por outro lado havia palhaços com muitos anos de atuação em hospital. Assim, optei por exercícios que dialogassem com esse público tão diversificado. Mesclei as dinâmicas com os comentários sobre o palhaço e a atuação em hospital, criando os links para que pudessem entender a transposição do que fazemos em sala de aula para o atendimento.

Após um exercício, um aluno desabafou:

- Eu sempre entrei para ganhar, todas as outras oficinas falavam isso. Essa é a primeira vez que eu perco o jogo, mas entendi que a plateia ganhou com isso, se divertiam quando eu me equivocava.

Tivemos uma boa conversa após o improviso com objetos: o que precisamos de fato para a nossa atuação no hospital?Apresentei a música “Chapéu tem 3 pontas” e perguntei se eles tinham algo parecido. Uma das alunas cantou “Mi barba tiene 3 pelos” e criei na hora uma coreografia para brincar com ela trabalhando: memória, escuta, percepção e constrangimento.

No segundo dia estavam mais atentos, mais rápidos e precisos, com o corpo dilatado, tônus e olhar aceso. Falamos sobre maquiagem e figurino para hospital, sobre a autoridade, as competências, como o palhaço trabalha as suas habilidades, citei alguns palhaços que se esforçavam em fazer direito e como isso era engraçado, gostamos de torcer pelos mais fracos.

Todos foram muito generosos nos comentários e agradecimentos. Esperam que voltemos no próximo encontro. Muitos disseram que o conteúdo da oficina serve para além do palhaço, que utilizarão no seu trabalho e na vida!

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Obrigado pela oportunidade e nos vemos em uma próxima! HASTA LUEGO!!

O Raul também ministra oficinas na Escola dos Doutores da Alegria, em São Paulo. Quer saber mais? Escreva nos comentários do Blog ou envie um e-mail para doutores@doutoresdaalegria.org.br.

Primeiras abordagens

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Entre as inúmeras perguntas que chegam pra gente diariamente, elencamos algumas básicas pra quem pensa em fazer visitas a crianças hospitalizadas. As dicas abaixo não substituem uma formação, são apenas um pontapé inicial do que acreditamos para que seja feito um trabalho ético e com qualidade, sempre respeitando quem está do outro lado.

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De todas, sem dúvida a mais importante é: não esqueça nunca de que você lidará com jovens. Uma parte está doente, mas a outra está saudável! Olhe sempre de igual para igual, e não com piedade ou dó, isso faz mal.

Se você tem dúvidas sobre maquiagem, consulte este link. E entre em contato conosco, se quiser: rede@doutoresdaalegria.org.br.

PRIMEIRA ABORDAGEM

Perguntas como “Tudo bem?” devem ser trocadas por “Como vocês estão hoje?”. Muitas crianças não estão bem em meio a um tratamento no hospital, e uma pergunta mal entendida pode dificultar o primeiro encontro.

DIAGNÓSTICO

Converse com a equipe de Enfermagem para saber se tem alguma situação em que o paciente esteja com uma aparência que possa assustar um leigo – por exemplo, um tumor muito grande no rosto. Isso é fundamental para que não fiquem sem saber o que fazer. Se não souberem lidar, não entrem no quarto.

JOVENS ACIMA DE TUDO

Não podemos, antes de qualquer coisa, nos esquecer de que eles são jovens! Uma parte está doente, mas a outra está saudável! Olhe sempre de igual para igual, e não com piedade ou dó, isso faz mal.

TROCA DE INFORMAÇÕES

As crianças de longa internação passam grande parte do tempo na brinquedoteca e aprendem muitas atividades manuais. Vocês podem trocar informações. O que eles podem ensinar para vocês?

CUIDADOS COM HIGIENE – ISOLAMENTO

Muitas crianças podem estar usando máscara, outras podem estar fracas e não podem ter contato com nenhum vírus ou bactéria. Por isso é muito importante respeitar os avisos nas portas, lavar as mãos antes e depois de sair de um quarto (sempre leve e use álcool gel).

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MÚSICAS, BRINCADEIRAS E HISTÓRIAS

É interessante levar um violão para cantar músicas que eles gostem de ouvir. Vocês podem fazer uma pesquisa antes, com a equipe do hospital e os acompanhantes, para saber o que as crianças gostam. Atenção sempre para o volume em determinados locais.

Outra ferramenta são livros para contar histórias. Proponha jogos que não exigem movimentação, caso as crianças estejam tomando medicação intravenosa ou não possam sair da cama. Um bom exemplo é jogo “Stop”.

TOMOU NOTA? :o)

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O primeiro dia

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Nada como o primeiro dia de aula! Para uns, pavoroso, para outros, gerador de expectativas.

Hoje os alunos da sexta turma do Programa de Formação de Palhaço para Jovens chegaram à sede dos Doutores da Alegria e foram recebidos pelos ex-alunos, que prepararam uma linda surpresa. O medo foi embora e deu lugar a uma alegria sem tamanho, expressa no olhar de cada jovem.

Vestidos de palhaços, os alunos formados brincaram com os 27 novos pupilos, dançaram e os presentearam. No final da dinâmica, deram conselhos sobre os próximos dois anos de estudo, que envolvem aulas diárias sobre a máscara do palhaço. Carolyn Ferreira, ex-aluna, lembrou que eles precisam aproveitar a oportunidade.

- O programa é um curso muito completo. Cada um tem suas escolhas particulares, mas é preciso focar aqui. Vivam esses dois anos!

Heraldo Firmino, coordenador do projeto, pediu para que eles comecem a aguçar o olhar no dia a dia, principalmente em relação às crianças.

- Acreditem! As crianças acreditam em cada coisa! E a gente precisa acreditar em muita coisa pra poder portar a máscara do palhaço!

Sejam bem-vindos!

O fracasso do super-herói

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Agosto foi um mês mais curto para nós dentro dos hospitais. Isso se deve ao fato de termos nos ausentado para seguir uma formação profissional ligada ao nosso ofício. Sim, senhoras e senhores, palhaçada se aprende e tal aprendizado necessita de manutenção e renovação.

E o que era basicamente um exercício técnico durante nosso curso, graças à adaptação dos palhaços e à colaboração das crianças, se tornou uma inventiva cena que se reproduziu várias vezes durante o mês no Hospital do Mandaqui. Imaginem vocês:

Eu, Dr. Zequim Bonito, ao perceber que os jovens pacientes ostentam figuras de super-heróis estampados em suas camisas, bonés, toalhas, chinelos etc, decidi mostrar à garotada e à minha parceira, Dra Emily, que eu sou um super-herói de verdade!

Vesti minha ridícula cueca rosa por cima da calça e comecei a levantar um haltere em mímica. A mímica é bem realizada, afinal passei duas semanas treinando tal exercício durante a formação. Aí, para a minha raiva e para o deleite da meninada, Dra Emily retira o peso das minhas cansadas mãos utilizando apenas… A ponta dos dedos! Era o golpe que faltava em minha dignidade!

Depois disso, cada menino também quis pegar o peso da forma mais provocativa possível: com a ponta do nariz, com a língua, com a orelha, com o sopro… Minha tentativa de ser mais forte e melhor do que os outros foi por água abaixo. Sai cabisbaixo do quarto sem entender o porquê de tamanho fracasso.

Vejam vocês, duas semanas de treinamento profissional, uma mímica perfeita, e tudo isso para “fracassar” no final. É, senhoras e senhores, nesse mundo onde todo mundo quer ser mais do que o outro, é sempre bom lembrar que somos falíveis, humanos e, no fundo, muito parecidos.

Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso)
Dra Emily (Vera Abbud)
Hospital do Mandaqui – SP
Agosto de 2012

De onde veio a Escola?

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A Escola dos Doutores da Alegria existe formalmente desde 2007. Foram vários os motivos que nos inspiraram a criar este espaço, que hoje abriga cursos e programas de formação para públicos variados.

O Núcleo de Formação e Pesquisa possui suas bases teóricas e práticas no trabalho de hospital e na sala de aula, nos contou um pouco sobre como a Escola foi estruturada. Na próxima edição da Gazeta dos Doutores contaremos mais sobre o DNA da Escola.

“O contato do palhaço com a criança no hospital e 21 anos de prática geraram para o Doutores da Alegria reflexão, conhecimento e metodologia de sua ação. Neste tempo aprendemos que as práticas artísticas geram experiências importantes  de aprendizado. Esse aprendizado acontece através da qualidade das relações estabelecidas, no nosso caso, dentro dos hospitais, na sala de aula e em todos os lugares onde somos convidados a interagir. Essa qualidade advém, em parte, pela forma como o palhaço percebe a realidade e se relaciona com ela.

Ele é movido pela curiosidade e flexibilidade, pela capacidade de aceitar erros e transformá-los em recursos para a interação, pela atitude de valorizar a ação do outro por mais absurda que ela se apresente ao olhar racional. E é esse olhar que define os pilares da criação da Escola dos Doutores da Alegria. ”

Aproximar-se do palhaço

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Muita gente pergunta sobre os cursos da Escola dos Doutores da Alegria.

“Os cursos são para formar Doutores da Alegria?”

“Qualquer pessoa vira palhaço depois de fazer o curso?”

“Existe curso pela internet?”

A resposta para todas, caros amigos, é não.  A Escola dos Doutores foi estruturada a partir da cultura da alegria e a nossa intenção com os cursos é aproximar pessoas heterogêneas (engenheiros, artistas, professores, empresários…) da máscara do palhaço. A gente diz “aproximar” porque é isso que fazemos: convidamos a colocar a pontinha do pé no turbilhão de emoções que é o palhaço. Mergulhar de cabeça é coisa que leva anos*.

Veja o texto da Soraya Saide, coordenadora da nossa Escola, sobre a formação:

“A ética do encontro e da alegria representa a base de nossa Escola. Abrimos as portas para dialogar com a sociedade e tornar acessível, por meio de cursos e programas de formação, a linguagem do palhaço. O aprendizado aqui é  traduzido pela máxima “a máscara se dá pelo outro”, que significa que a sala de aula está sempre em construção, levando em conta a experiência de vida e a história de cada aluno e abrindo um espaço de possibilidades, tentativas e descobertas. Essa metodologia nasceu em parte da experiência, dos questionamentos de conteúdos e dinâmicas nos cursos ministrados e em parte da prática nos hospitais, da abordagem com as crianças.

Dra Sirena (Soraya Saide)

A ação no hospital inspirou a Escola num aspecto essencial – o trabalho em dupla. Assim, dois formadores exercitam a parceria em sala de aula, buscando juntos e com os alunos um aprendizado vivo, cunhado na experiência, nas diferenças de bagagem e na medida de cada um.

Os cursos oferecidos têm duração variável e públicos distintos, de modo que garantem espaço tanto para quem quer conhecer os conceitos e princípios do palhaço como para quem busca um espaço mais aprofundado de estudo,
pesquisa e treino.

A Escola valoriza mais as perguntas que as respostas, mais as tentativas e os erros. Assim, ela gera um terreno propício para a formação de artistas autorais, engajados e comprometidos com seu tempo, desassossegados, provocadores e curiosos. O que temos hoje a aprender nos encontros entre crianças e palhaços em hospitais? O que reserva o futuro para este trabalho?

Estamos gradualmente estruturando a Escola para que ela seja uma escola semeadora de uma cultura de alegria que nos convida a cultivar a saúde ampla em nossas relações com a vida.”

*O único curso da Escola que forma artistas na arte do palhaço é o Programa de Formação de Palhaço para Jovens, com duração de dois anos (e terceiro opcional) e aulas diárias na sede dos Doutores em São Paulo. Saiba mais.