Congresso Internacional de Palhaços em Hospital: estivemos lá

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A intervenção do palhaço no hospital sob a ótica da cultura, da saúde e da ciência foi o tema discutido em um congresso internacional na cidade de Viena, na Áustria.

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O Health Clowning International Meeting, organizado neste ano pela Red Noses Clowndoctors, aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de abril e conseguiu atrair organizações (gestores e artistas) do mundo inteiro, além de profissionais de saúde e pesquisadores – 400 pessoas de 50 países trocaram experiências em um empolgante encontro.

As pautas foram as diferenças e semelhanças entre as intervenções de palhaço mundo afora, as ações do ponto de vista dos pacientes, o papel do palhaço na sociedade, o estudo científico da intervenção e os desafios que as organizações devem enfrentar no futuro.

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Nossos diretores Daiane Carina, Ronaldo Aguiar e Thais Ferrara representaram Doutores da Alegria na companhia da psicóloga e pesquisadora Morgana Masetti. A equipe participou das plenárias, com assuntos diversos e de interesse comum, das sessões paralelas com apresentações de temas específicos e também das oficinas práticas.

Thais Ferrara apresentou a Escola dos Doutores da Alegria em uma sessão sobre modelos de educação e profissionalização. Apresentar a nova governança da associação Doutores da Alegria ficou sob a responsabilidade de Daiane Carina.

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Morgana Masetti falou sobre as mais recentes pesquisas sobre o palhaço na saúde. Já Ronaldo Aguiar conduziu uma oficina cujo tema foi o corpo cômico dentro do hospital.

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O criador do movimento – o ator americano Michael Christensen, fundador do The Clown Care Unit – também esteve presente: “Isso aqui supera todas as minhas expectativas! Sou muito grato e orgulhoso pelo que nosso movimento se tornou. Este é apenas o começo de algo muito maior, já que o humor pode ser benéfico para muitas áreas fora do ambiente hospitalar.”, expressou ele.

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A convergência entre arte, saúde e ciência se deu nas falas de profissionais de saúde, que dividiram o palco com artistas. Dr. Peter Ahlburg, anestesista do Hospital da Universidade de Aarhus, vê os palhaços como colegas e os consulta regularmente antes de cirurgias na Pediatria. “O aspecto psicológico, emocional, infelizmente, é frequentemente negligenciado no cotidiano do hospital. Médicos e cuidadores não têm tempo e também o conhecimento para isso. Essa é mais uma das razões pelas quais sou muito grato por meus colegas palhaços, pois eles me ajudam e permitem que eu me concentre mais em meu trabalho, criando uma atmosfera relaxada que tem um efeito positivo sobre todos os envolvidos.”, disse ele.

Outra questão levantada foi o impacto do trabalho, assunto de relevância para doadores, patrocinadores, instituições e para a sociedade que apoia as causas. Essa é a razão pela qual mais e mais organizações estão entrando no campo científico e alguns resultados foram compartilhados por Morgana Masetti e pesquisadoras que constituem um núcleo internacional de pesquisa (Itália, Portugal e Brasil).

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O tom austríaco se fez presente pela precisão dos horários em cada evento, o que foi temperado com leveza e bom humor, principalmente pelo mestre de cerimônias, extremamente sério e divertido, e as intervenções de três palhaças.

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Além do encontro, um cabaré de palhaços de vários países e um jantar imperial contribuíram para estreitar os laços entre os participantes. Neste último, os convidados aguardavam por um imperador que “não chegava” e, durante a espera, cada organização era convidada a trazer uma lembrança de seu país para a autoridade.

Doutores da Alegria entrou ao som do kazoo, com duas sombrinhas de frevo: Ronaldo e Daiane dançavam, enquanto Thais comandava o kazoo e Morgana levava uma tiara com nosso miolo mole em sua cabeça – que acabou ficando, claro, com o mestre de cerimônias.

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De volta ao Brasil, a equipe ficou com a missão de preparar um documento com as principais conclusões do encontro, que será apresentado em breve.

E, assim como no encontro realizado há dois anos em Portugal, voltamos convictos de que Doutores da Alegria é uma organização forte e referenciada mundialmente, com uma enorme responsabilidade em função disso.

| fotos: Jakob Polacsek, Angelika Goldmann e Luis Harmer |

Passo inspirador

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Inspirados pelo trabalho que realizavam junto ao ator Michael Christensen nos hospitais de Nova York, alguns artistas trouxeram para seus países de origem uma incumbência: levar a intervenção do palhaço para hospitais mundo afora.

doutores-no-cdi-1108-4-728(foto: The Big Apple Circus Clown Care Unit, Nova York)

Wellington Nogueira iniciou sua jornada em São Paulo, em 1991, causando espanto e estranhamento quando colocava-se na posição de besteirologista para atender crianças. Nascia Doutores da Alegria. Quem poderia imaginar que o hospital, local sério e sisudo, pudesse abrigar os serviços de um palhaço que reivindicava a posição do médico?

No mesmo ano, Caroline Simonds afrancesou a sua experiência e criou o Le Rire Médecin em Paris.

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Caroline Simonds (docteur girafe) et Rene? Philippe (Rene? l'Ele?gant) a? l'Institut Gustave Roussy (94 Villejuif) Association Le rire me?decin (Paris) le 7 juin 2007

Duas organizações que, inspiradas pela função social do palhaço no hospital, cresceram levando a bandeira da arte como coprotagonista no sistema de saúde. Com sua pesquisa, validaram a atuação, oferecendo cursos para artistas e para o público em geral que deseja entrar em contato com a lógica do palhaço.

Nesta semana Le Rire Médecin nos contou que conseguiu obter, por meio de um processo de certificação, o reconhecimento público de seu programa de treinamento profissional na França. Isso significa que o curso de formação do seu Training Institut agora fornece diploma de ator-palhaço em instituições de saúde.

A conquista da organização francesa é de todos nós! Ao criar uma certificação, estamos caminhando para a profissionalização e o reconhecimento da profissão de besteirologista ou, como dizemos também aqui no Doutores da Alegria, o palhaço-interventor. Parabéns, Le Rire Medecins!”, parabenizou Wellington Nogueira.

Um grande triunfo após quase 25 anos de trajetória. Quem sabe é o primeiro passo para pensar essa conquista em terras tupiniquins?

O palhaço entra no hospital

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“Tal qual o circo, o movimento de vida do palhaço é incessante e se revela uma eterna busca: onde vou meter meu nariz agora? Em que outro lugar posso entrar? De que forma?

É óbvio que ele não se pergunta racionalmente essas questões, pois esse é um movimento involuntário inerente ao seu ser, assim como as batidas do seu coração. É sua sina, seu destino, sua missão, a razão pela qual sua espécie evolui. Exatamente por isso ele não se pergunta se deve ou não ir; ele vai. E assim, o conhecimento tácito dos bobos vai ecoando, buscando quem esteja aberto a escutá-lo.

Michael Christensen

© Roberto Setton

Em 1986, Michael Christensen – que além de ator e palhaço é co-fundador do Big Apple Circus, considerando um dos cinco melhores do mundo – foi convidado a fazer uma apresentação para as crianças da Cardiologia Pediátrica do Columbia Presbyterian Babies" Hospital. Ele aceitou o convite, mas depois pensou: “Caramba, eu nunca me apresentei para uma plateia como essa, o que é que eu vou fazer?”.

Foi aí que ele conheceu o hospital e teve a ideia de se apresentar como médico. Todo mundo ficou meio reticente, afinal não se sabia como os médicos reagiriam ao ver um palhaço se passando por médico, mas o chefe da Pediatria entrou na brincadeira e apresentou Michael a seus parceiros como “grandes professores eméritos da arte chamada Medicina”. Quando entrou em cena, todos acharam aquele médico um pouco estranho. Dois minutos de apresentação depois, todo mundo tinha a certeza de que o homem era completamente estranho, porque ele apresentou para aquelas crianças suas inovações na Medicina:

Uma tranfusão de milkshake, um transplante de nariz vermelho, um colega desnutricionista – que ensinou as crianças a classificar grupos alimentares entre pipoca, pizza, chocolate e cerveja.

O sucesso da apresentação foi tão grande que eles foram convidados a visitar outras crianças e por onde passaram ocorreu uma transformação, uma mudança de comportamento significativa entre os pacientes, os pais, as enfermeiras e… os médicos. E o hospital continuou convidando Michael para voltar, para voltar, para voltar – e, dessa forma, começou o que hoje conhecemos como o The Big Apple Circus Clown Care Unit.”

Trecho extraído do livro “Doutores da Alegria – O lado invisível da vida”, de Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria.