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Diário filmado de um palhaço

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Era um final de tarde frio e cinzento do outono de 1996. Eu, Nereu Afonso, tremia. Não pelo frio, mas pelo nervosismo remanescente do teste seletivo que eu acabara de passar.

Wellington Nogueira, fundador e então diretor do Doutores da Alegria, virou-se para mim e disse a frase que marcaria minha trajetória: “Nereu, quero te convidar oficialmente a integrar o nosso elenco”. Eu gaguejei um “muito obrigado” e, até hoje, confesso que esse sentimento de agradecimento ainda paira no ar.

Passaram-se vinte anos.

Naquela época, Doutores da Alegria era uma jovem associação com cinco anos de idade. Hoje, comemoramos 25!

doutores m boi

Muita coisa aconteceu desde então, para Doutores e para mim. Amadurecemos. Ganhamos experiência e também o bônus e o ônus que acompanham a maturidade. Esperamos ter aprendido – e ainda estar aprendendo – com nossos passos certeiros e, sobretudo, com nossos passos em falso.

Hoje, junto com Duico Vasconcelos, sou parte da dupla de palhaços que inaugurou uma nova experiência dentro da organização: a abertura de um programa-modelo, em funcionamento desde 2016, no Hospital do M’boi Mirim.

M"boi Mirim

O Hospital do M’boi Mirim se situa a uma distância aproximada de 20 quilômetros dos bairros de classe média, onde moramos. Isso equivale a aproximadamente 1h30 de deslocamento em trem, metrô e ônibus. Isso equivale, sobretudo, a uma mudança gradual da paisagem arquitetônica e humana ao longo do trajeto.

m boi mirim

Quanto mais próximo do hospital, menor o número de linhas de ônibus, menor o espaço livre dentro dos ônibus, menor a qualidade das vias, menor a quantidade de áreas verdes, menor a infraestrutura urbana ali presente e, muito visivelmente, menor o poder aquisitivo da população representada por uma mescla de etnias bem mais numerosa – e discriminada – do que a variedade clara e quase monocromática dos que vivem em boa parte dos bairros do centro expandido da cidade.

Trajetos como esse não são novidade para nós. Apenas nos lembram da hecatombe social na qual nosso país insiste em submergir.

Lutando contra esse oceano de desigualdade, há vários anos as intervenções do Doutores da Alegria a hospitais periféricos deixaram de ser uma novidade em nossa associação. Pelo contrário, elas são um um dos eixos centrais de nossa tarefa institucional.

O diário filmado

O filme “Diário de um palhaço de hospital – Dia um” é uma crônica de nosso primeiro dia de trabalho nesse novo ambiente.

Você também pode gostar:

Doutores recomenda: Mi Corazón Sufre

Ah, nada como ir ao teatro! 

Até 28 de setembro a Cia Vai Antonio! de Teatro apresenta o espetáculo Mi Corazón Sufre em São Paulo, sob direção de Nereu Afonso (também conhecido aqui como dr. Zequim Bonito).

É uma oportunidade muito bacana pra ver alguns artistas dos Doutores da Alegria no palco. O melodrama narra a trajetória de duas jovens, Clara e Eva, que, em épocas distintas, avançam entre os amores e ódios que as circundam.

Mi Corazón Sufre

Até 28 de setembro
Sábados às 19h30 e domingo às 18h
Funarte São Paulo – Sala Carlos Miranda
Al. Nothmann, 1058 – próximo ao metrô Santa Cecília

Mi Corazon Sufre
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos

Ingressos

R$ 10 reais – Inteiro
R$ 5 reais – Meia (estudantes, idosos, professores da rede pública e deficientes)

Mais informações em www.facebook.com/Família-Campari.