O que vai ter nesse mundo tão azul?

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Você imagina um ser humano pesando menos de um quilo? 

Bem, não é fácil de imaginar, não. Um ser humano que pesa menos que o prato do almoço da Dra. Juca! Mas sim, estas pequenas pessoas existem e muitas delas estão lá no berçário do Hospital Universitário. Ou no berçário do Hospital Barão de Lucena, em Recife.

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Todas as semanas as vemos crescer, engordar, aprender a mamar e, muitas vezes, aprender a respirar sozinhas! São pequenos heróis e heroínas que saem das barrigas das mamães antes do previsto e precisam lutar muito pra sobreviver.

E para isso, contam com uma equipe de profissionais de saúde que, além de muito carinho, possui um conhecimento e uma habilidade enormes para lidarem com essa batalha pela vida. Pais e mães também estão lá diariamente na luta com seus pequenos. Ah, eles ainda contam conosco, besteirologistas! 

Barão de Lucena - Lana Pinho-36

E é incrível vê-los crescer e sair do aquário, quero dizer, da incubadora… É que gostamos de chamar as incubadoras de aquário, ainda mais quando elas estão azuis e nossos pequenos usando óculos escuros. Muito lindos! 

Aproveitamos para fazer uma homenagem a estes pequeninos e aos profissionais de saúde no espetáculo Numvaiduê, que está em temporada até 29 de outubro no Teatro Eva Herz, em São Paulo. A música da cena é mais ou menos assim:

Como vai ser? O que vai ter nesse mundo tão azul?
O que será que tem detrás daquela porta
Uma estrada reta ou uma estrada torta?
Como vai ser? O que vai ter nesse mundo tão azul?

Tenho medo e tenho vontade
E a barriga da minha mãe já dá saudade
Como vai ser? O que vai ter nesse mundo tão azul?

Eu ouvi que nada é perfeito
Mas colo é colo, beijo é beijo e peito é peito!
Como vai ser? O que vai ter nesse mundo… Multicor?

NUMVAIDUÊ 3 - DNG

Juliana Gontijo, mais conhecida como Dra. Juca Pinduca, escreve do Hospital Universitário da USP, em São Paulo.

Último capítulo de novela une palhaços e revela mistério no hospital

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Um hospital, dois palhaços, uma equipe de profissionais de saúde. Enredo de novela mexicana. E um grande mistério.

Cinco anos depois da estreia de Intrigas, a Novela, finalmente saiu o quarto e último capítulo da saga dos besteirologistas Dr. Mané Pereira e Dr. Pinheiro. A trama gira em torno de um envelope que circula de mão e mão pelos corredores de um hospital. 

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A novela foi idealizada e produzida pelos próprios palhaços, que envolveram a equipe do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, em uma grande brincadeira. As gravações foram feitas durante as visitas às alas pediátricas e tiveram uma pausa de cinco anos por conta do rodízio de palhaços em outros hospitais.

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Em 2016, Mané e Pinheiro retomaram os plantões neste hospital e puderam dar um fim à novela. Neste capítulo final chega a hora de descobrir o que tinha no envelope…

Veja os outros capítulos – todos sob a alcunha da Idiot Filmis!

E aí, conta pra gente o que você achou! Quem sabe os palhaços não se inspiram para criar outra novela?

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Profissionais de saúde e palhaço: formação é fundamental

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A relação com profissionais de saúde foi tema da mesa “Outras formas de atuação” durante o Encontro Nacional de Palhaços. A discussão foi além e abrangeu a formação básica para que um palhaço atue em hospital.

Mauro Fantini, coordenador do grupo Narizes de Plantão, forma estudantes da área da saúde. Ele trouxe uma pesquisa que fez com estes alunos antes e após as intervenções nos hospitais. A ideia era entender se a experiência de palhaço acrescentava algo a quem atuava com saúde.1 - 2016-11-13-PHOTO-00000014

“O que é palhaço pra você?” era a pergunta. Frases como “Eu achava que aprenderíamos a contar piadas, a sermos engraçados e estarmos sorrindo o tempo todo” e “Achei que aprenderíamos truques e números ensaiados para usarmos no hospital” apareceram muito. Entre as palavras, surgiram: alegria, despreocupação, brincar, personagem, inocência, rir, amor, diversão.

Depois de passar pelo processo de formação, os alunos voltavam a responder ao questionamento. Entre as respostas: “Aprendi a lidar comigo mesmo, com as coisas em que sou bom e com as que tenho dificuldade. Aprendi a lidar com meus erros e a aceitar os erros dos outros” e “Eu lido com pessoas o tempo todo, desde pacientes doentes até colegas competitivos. Agora eu consigo aceitar melhor o que a outra pessoa está me propondo”.

E as palavras se ampliaram e se modificaram totalmente: encontro, sentimento, desprendimento, momento, ser, criança, essência, descoberta, escuta.

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Alexandre Penha, do grupo voluntário Terapia da Alegria, oferece formação a estudantes de áreas da saúde em todo o país. Por ser formado em Artes Cênicas, ele traz este olhar para formar os jovens.

Ele iniciou questionando quantas pessoas haviam se formado de forma tradicional. “Não há universidade focada no palhaço no Brasil. O que usar em formação então?”, disse ele. A solução foi avançar com o que chamou de pedagogia da descoberta, que serviria para democratizar o acesso ao palhaço em todo o país – principalmente para pessoas que nunca tiveram contato com Artes Cênicas, como estudantes da área da saúde.

A mesa seguiu com uma ampla discussão sobre diferentes maneiras de formar um palhaço para atuar no hospital. Formadores da Escola dos Doutores da Alegria se juntaram à mesa para discutir o tema e mostrar o que temos oferecido. Muito foi falado sobre a escassez de cursos abrangentes no país, e sobre o oferecimento de oficinas curtas que não aprofundam a linguagem. Os grupos deram seus depoimentos sobre como qualificam o trabalho que é oferecido aos hospitais. 

Equipe musical

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A equipe de saúde do Hospital Geral do Grajaú é bem musical.

Descobrimos uma dupla de estudantes internos, oriundos do Mato Grosso, com um talento especial para o violão e o canto.

Eu, dr. Zequim, passei meu instrumento para eles e, junto com a minha parceira, Greta Garboreta, ficamos uns bons minutos apenas ouvindo e nos deliciando… Trabalho duro esse, não?

equipe musical

Junto conosco uma pequena multidão se formou no balcão de enfermagem da Cirurgia Pediátrica. O tempo deu uma parada. Seus colegas internos não sabiam do talento de seus pares. Os pacientes, adultos e crianças não imaginavam que futuros médicos também podiam se divertir durante o trabalho.

Mal sabem os estudantes-músicos, ou talvez saibam inconscientemente, que aquela quebra na rotina pode ser inibidora de estresse e, consequentemente, geradora de uma melhor relação com pacientes e professores que por lá circulam. 

equipe musical

  1. Equipe musical, mas não tanto.

Na UTI ela já é conhecida como “Tomatinho”. Na verdade, trata-se de uma auxiliar de Enfermagem que se vê como compositora e intérprete.

É só ela começar a cantar que o tempo fecha, as nuvens se carregam e suas colegas fogem de perto dela. Não se sabe o que incomoda mais, se é a melodia descompassada ou a letra estapafúrdia.

Pra resumir, a nobre composição relata a triste história de um pobre tomatinho que virou ketchup. Ninguém aguenta mais. E como ela sabe disso, ela canta, ela canta! E o povo foge, rindo, rindo. 

equipe musical

É, minha gente, a concorrência para nós anda quente por aquelas bandas. Estudantes com talento para o canto, auxiliares de Enfermagem com talento para o humor… Tá tudo certo! Quem ganha são as crianças!

Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso), direto do Hospital Geral do Grajaú, em São Paulo.

O Samba do Inala

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Os besteirologistas Mingal e Chicô se preparavam para mais um dia de trabalho no Hospital Santa Marcelina, mas Mingal se distrai e sonha com um sambinha divertido junto com enfermeiras e pacientes… Opa, será que foi só um sonho mesmo?

Com vocês… O Samba do Inala!

Somos todos humanos

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Estar no Hospital do Campo Limpo é se defrontar com o humano de uma forma quase cruel.

Lá vemos como nós, humanos, nos importamos pouco com os outros humanos. Digo “nós” porque tento incluir os humanos que estão no poder, os humanos que depois de algum tempo ocupando estas posições se esquecem que também são humanos. Para compensar, lá os médicos e enfermeiros são super humanos, trabalham por muitos e se envolvem com cada caso, com cada pessoa, compreendem, respeitam e agradecem a nossa presença. 

Em uma sociedade que falta tudo, principalmente o básico para sobreviver, se sentem frustrados por suas limitações. A impressão que tenho é a de que gostariam não somente de curar a doença, mas a vida daquelas pessoas. 

No Hospital do Campo Limpo somos colocados na posição de parceiros, de quem faz a diferença. 

Nossa parceria com os médicos se nota assim que chegamos na maternidade e encontramos as doutoras mais lindas do universo, para as quais prometemos fazer um programa de entrevistas com questões besteirológicas atuais! Espero que consigamos realizar isso! Depois de nos localizarem da realidade diária, vamos ao trabalho e nos deparamos com bebês e mães quase crianças. 

Antes de chegarmos no pronto socorro infantil, passamos por um corredor surreal – ou real em demasia. Às vezes as macas dos adultos lotam todos os espaços, e lá os médicos e enfermeiros sempre nos recebem com um sorriso transbordante, o que nos enche de energia para fazer um trabalho especial, principalmente porque se misturam crianças com muito medo e crianças com muita vontade de jogar com os besteirologistas. Sempre é necessária a construção cirúrgica de uma grande partitura que inclui profissionais de saúde, mães, crianças e palhaços! Todos nesse pequeno universo em evolução sabem que tudo ali poderia ser muito melhor se vivêssemos num mundo mais humano, onde a política corrupta e o lucro não fossem foco principal. 

Na enfermaria encontramos as enfermeiras mais guerreiras que já vi. Não param um segundo… Ficamos até tontos só de ver! Sempre nos solicitam para casos especiais que só os besteirologistas podem resolver, sempre nos colocam a par da realidade daquelas crianças e sabem que estamos ali não para fazer todos esquecerem seus problemas com a alegria, mas para que possam pensar a vida sendo resolvida de uma forma mais alegre. 

Neste mês tivemos uma grande alegria: o F., que acompanhamos já há alguns meses, conseguiu um transplante de coração! Sua mãe veio muito feliz nos dar a notícia e prometemos visitá-lo e fazer uma grande homenagem. Ao entrarmos na UTI, a um metro de distância, uma mãe velava seu filho que estava em morte encefálica… Os humanos podiam começar a se enxergar como um só organismo, assim seriam mais rápidos os transplantes. 

O M. é cadeirante e um grande amigo. Espera ansioso pela nossa visita todas as terças e quintas. Ele sempre pede a dança maluca do dr. Dadúvida e para que o dr. De Derson cheire o álcool gel para ficar “bêbado”. De tanto lhe perturbar para se alimentar, nos disse rapidamente na última visita:

- Já estou comendo e muito bem!

É sempre nosso assistente e seu quarto se enche com todas as crianças do corredor. 

Todas essas crianças estão chegando – com seus  olhares puros, ainda não contaminado pelas ansiedades egoístas – para abrir os nossos olhos, para sabermos que é possível renovar, recomeçar, virar as páginas equivocadas e tentarmos de novo. E construirmos uma casa nova, onde ver o outro feliz seja o grande sentido de tudo.

Dr. Da Dúvida (Davi Taiu) e dr. Dederson (Anderson Spada)