BLOG
 

Lembrança de uma ala adulta

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Aconteceu mês passado, durante o São Joãozinho. Passávamos pelas alas do Hospital do Campo Limpo em um cortejo musical. Nove palhaços-cangaceiros, instrumentos musicais, forró no pé.

Fomos abordados por uma médica com um pedido: que fôssemos à ala adultaTratava-se de um adolescente que estava com muita dor, em cuidados paliativos. Topamos.

E passamos por áreas nunca antes adentradas, como o PS adulto. O que de início era só uma visita a uma ala desconhecida virou um belo encontro com pessoas diversas!

20160517124026_IMG_3857

Desbravamos grandes enfermarias com muitos leitos e procura daqui, entra ali, chegamos ao leito do adolescente. Estava separado em um quarto pequeno, bem estreito. Eu, Dra Manela, entrei primeiro. Com dificuldade para chegar ao outro lado da cama, me virei de lado e cheguei até a cabeceira da cama.

Lá estava ele. Cheguei até seus olhos. Cumprimentei, me apresentei e disse que estava muito feliz de poder conhecê-lo. Percebi que ele não falava, pois estava com traqueostomia e a mobilidade não era a usual. O menino foi se comunicando à sua maneira, arregalava os olhos.

Fui chamando palhaço por palhaço e aquele quarto minúsculo de repente estava tomado por besteirologistas! E mais sanfona, violino, zabumba, triângulo, viola… Perguntei se ele gostaria de escutar uma música e ele mostrou que sim. Estávamos prontos para começar a cantar quando fui interrompida:

- Cuidado! A Manela pode soltar um pum aqui dentro!

Ele sorriu. Disse a ele que era invenção dos colegas e que não ligasse para o que falavam. Mantendo contato visual, reiniciei a música. E lá veio outro se aproximando do campo de visão do garoto.

- É verdade, a Manela sempre faz isso antes de cantar!

20160516115852_IMG_3255

E foi assim: cada palhaço entrava no campo de visão do rapaz e falava que era a mais pura verdade… E cada vez que outro entrava, piorava a minha situação, dizendo coisas horríveis a meu respeito! Acabou que difamaram a minha vida, e então me despedi dizendo que não era mais possível ficar mais ali. Ele gostou, era nítido.

Ao sairmos do quarto mantive contato sonoro com ele, pois sabia que ele não conseguiria se virar para nos ver, e disse ao grupo que agora estava aliviada pois acabara de soltar meu pum e, ufa, poderíamos cantar! E lá de fora cantamos e saímos ao som do Xodó do mestre Gonzagão. Coisa boa!

02_IMG_6866

Foi emocionante ver do lado de for a equipe nos agradecendo por mais essa! Coisas que vêm de dentro emocionam mesmo. Não sabia que meu pum emocionava tanto assim!

Dra Manela (Paola Musatti)
Hospital Municipal do Campo Limpo – São Paulo

Um dia a cada dia

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

A enfermaria está lotada de criança. Umas têm faixa na cabeça, outras estão amarradas no fio do soro. Tem criança com gesso no braço e tem criança dormindo no colo da mãe.

um dia a cada dia (4)

Tem pequenino que está careca, com dor de barriga, e aquela que caiu da árvore. Tem criança que fala palavras carinhosas e tem aquelas que xingam. E agora, com essa moda de celular, tem criança que nem olha no nosso olho.

Encontramos com R., de aproximadamente 12 anos. Ele é esticado, toma quase toda a cama. Logo no primeiro encontro, mandou a gente calar a boca.

1º encontro

O menino disse que estava querendo silêncio e que não era pra gente tocar violão. Foi uma confusão. 

um dia a cada dia (1)

– R., a gente promete que nunca vai tocar uma música na sua presença. Mas a gente quer mostrar uma música que a gente fez pra você. Podemos?
– Não!, respondeu o garoto, não quero vocês tocando nenhuma música. Vão embora e não cheguem perto de mim.
– Mas é uma música tão bonita. Fala de flor. Mas, como você não quer ouvir, a gente promete que nunca vai cantar essa música pra você.

Aí, cantávamos a música.

– Porque a gente tem noção das coisas e não vai tocar. Mas, se a gente não tivesse bom senso, com certeza tocaria essa música.

Então, tocávamos novamente. E saímos da enfermaria tocando a música só pra mostrar pra ele que nunca a gente vai tocar aquela música ali.

– Ei, mas vocês estão tocando!gritou o menino. 

2º encontro

Percebemos que seu travesseiro tinha uma estampa florida.

– Nossa, R.! Quantas flores na sua cama. Podemos levar uma pra gente?
– Não.
– Mas, olha pra essa flor, está caindo. Olha! Peguei... A flor é sua. Cuida dela! É só colocar meia gota de água três vezes ao dia. 

O menino segurou a flor e a jogou no chão. 

3º encontro

Quando o R. nos avistou de longe cobriu o rosto com o cobertor. Paramos ao seu lado e vimos que a flor estava ao lado da cama. Sua mãe tinha apanhado do chão e guardado.

um dia a cada dia (3)

– R., por que você virou todo o seu corpo pra gente? 

Ele devia estar aprontando alguma coisa. Sem esperarmos ele solta um pum muito forte!

– NOSSA! SOCORRO!e saímos correndo da enfermaria. O garoto só ria!

4º encontro

Ele dormia. Deixamos um recadinho:

Querido R.,
Passamos aqui hoje e vimos que você estava dormindo.
O seu pum foi quase como uma bomba nuclear. Mas sobrevivemos.
 

um dia a cada dia (2)

5º encontro

Um belo dia, atendendo na UTI, vimos que um dos leitos estava sendo por um garoto grande, que tomava quase todo o espaço. Quando chegamos perto vimos que era o R.

Tinha feito uma cirurgia. Estava dormindo.

– Oi, R.! Aqui é Dr. Marmelo e Dr. Euzébio - e cantarolamos uma música pra ele. Quando acordou, olhou bem fixo pra gente.
– Cadê minha mãe? Eu quero minha mãe - disse com sua voz calma e baixa.
– Sua mãe está ali fora. Ela vai entrar já, já. 

6º encontro

Em um dos plantões besteirológicos, andando pela enfermaria, vimos que o garoto tinha saído da UTI. Estava deitado na cama, com sua mãe ao lado.

O garoto sorriu quando acenamos e nos cumprimentou. Ficamos em silêncio. Esperávamos uma bronca!

A mãe dele sorria. Ela sempre se divertia vendo a gente correndo com medo do R. Talvez já estivesse esperando a saída maluca dos besteirologistas pela porta da enfermaria, mas dessa vez foi diferente.

Diferente dos dias que se passaram. Assim como é na vida. Todo dia um dia. Nos olhamos. O menino olhou pra o Dr. Euzébio:
– O senhor trocou de roupa. Cadê sua camisa amarela?

… 

Dr. Eu_zébio (Fábio Caio) e Dr. Marmelo (Marcelo Oliveira)
Hospital da Restauração – Recife

Lá dentro, lá fora

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Toda relação vive de altos e baixos.

Todos os casamentos, namoros ou amizades que eu conheço são como o dia e a noite: ora brilhantes, ora obscuros. As relações entre os seres humanos são como a vida, em constante transformação. Nada está dado, tudo está para ser conquistado

Com esse pensamento filosófico existencial em mente, eu, Dra Lola Brígida, resolvi dar um tempo em minha relação com o Dr Charlito, meu parceiro de plantões besteirológicos no hospital. Apenas um tempo, uma leve separação, um passo em retirada para poder seguir adiante. Nada de rupturas, brigas ou desencontros. 

la dentro la fora

A verdade verdadeira é que Charlito tem fortes problemas de gases… Flatulências… Pum mesmo. Já desenvolveu inclusive uma tese de doutorado sobre o assunto, com direito a demonstração ao vivo. Em cada quarto que chega demonstra suas habilidades e as diferentes formas de deixar sair aquele incômodo ar preso em sua barriga. Tem o lambreta (que sai com o motor ligado), tem o casas bahia (em suaves prestações), tem o naja (silencioso, mas fatal) e tem aquele que sempre vem acompanhado (sem legendas). 

la dentro la fora

Eu, uma jovem senhora de faro apurado, sufocada nesta relação aromática, resolvi ir respirar em outra freguesia: fui passar um tempo fora. Então nesse mês foi assim: ele dentro, eu fora

Lá dentro ele andou com outras mulheres: Dra Guadalupe, Dra Nina Rosa e Dra Sakura. Isso foi o que fiquei sabendo, fora o que eu não sei. A V., nossa paciente da hemodiálise, estava até organizando o casamento dele com a Sakura! Vejam só! Acho que a Sakura tem rinite, desvio de septo ou falta de sensibilidade nasal! 

la dentro la fora

E eu, lá fora, só levei fora! Fui atrás de outros rapazes, mas só fiquei pra trás. Busquei novas aventuras e só encontrei desventuras. Atravessei o oceano e entrei pelo cano, embarquei num navio e naufraguei, escalei montanhas rochosas e levei uma rocha na monta. 

Assim cabisbaixa, voltei para Charlito. Antes um cheiro conhecido do que ficar sem marido. 

Lola Brígida (Luciana Viacava)
Instituto da Criança – São Paulo

Você também pode gostar:

Uma coisa misteriosa debaixo da coberta

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Tudo aconteceu no 4º andar, na Pediatria do Hospital Universitário. Dr. Sandoval e Dr. Valdisney entram em um quarto onde está apenas um pequeno menino acompanhado de sua mãe. 

A mãe estava sentada ao lado da cama de seu filho, que estava deitado junto ao seu cobertor marrom, com apenas com uma perna engessada pra fora da coberta. Os besteirologistas se apresentam e dão início à consulta. Sandoval nota que o cobertor está se mexendo sozinho – era o pé do menino debaixo da coberta – e comenta alto com Valdisney. 

debaixo da coberta

Logo os dois besteirologistas começam a ficar intrigados com o movimento do cobertor e chegam à conclusão de que existe algo a mais embaixo da coberta, além do simpático menino. Assim arquitetam um plano: Sandoval pega seu instrumento musical para bater na tal coisa que se mexia na coberta e Valdisney fica na retaguarda. Não deu muito certo… Todas as tentativas de pegar a tal coisa misteriosa sempre terminavam com uma batida na cabeça do Valdisney. E Sandoval sempre errava a mira. 

Uma coisa debaixo da coberta - luciana serra

Muitas tentativas depois e árduas cacetadas em suas cabeças, os besteirologistas desistem:

- Acho que essa coisa debaixo da coberta só vai parar de mexer depois de um belo pum! 

E não é que o menino levou a sério e soltou um belo de um pum alto e estrondoso debaixo da coberta? Todos caíram num ataque de risadas: criança, palhaços e a mãe com as bochechas vermelhas de vergonha. 

O problema foi resolvido! A coberta se aquietou e só sobraram risos e gargalhadas. Alguns segundos depois os besteirologistas foram saindo de fininho, pois o cheiro não estava muito agradável…

Dr. Sandoval e Dr. Valdisney (Sandro Fontes e Val Pires)
Hospital Universitário – São Paulo

Ninguém acreditou

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Rafael, Natan, Guilherme, Gustavo, Vitoria, Alice, Jonathan, David, David, Vitoria, Lauro, Samuel, Gabriel, Miguel, Rafaela, Rafaella, Luiza, Vitoria, Isabela, Isabella, Carlos, Emanuela, Benício, Miguel, Miguel, Miguel, Davi, David, Vitoria, Bruna, Mateus, Matheus, Jonas, nomes, nomes, nomes que às vezes têm apelido de leito 13, 19, 2, nomes solitários, nomes compostos, nomes simples, nomes comuns, nomes criativos, nomes únicos, nomes que se repetem, nomes de criança, nomes de adultos, nomes de velho, nomes de criança adulta, nome de adulto criança, nome de criança criança.

De Derson é filho de Derson, o piolho do Daduvida é Epaminondas, a pulga do De Derson é Mijardina.

A dra Chang é Cheung, a Bia é Beatriz, a diretora Merry Christmas é Cris Mary.

Nome de pressa é emergência, nome de necessidade é urgência.

Nome de atenção é cuidado, nome de cuidado é gentileza, nome de gentileza é carinho, nome de carinho é amor. Todo nome quer amor!

Esta semana o Paulo me disse: nós temos que apreciar o momento! Mesmo que o momento seja difícil de apreciar! E eu acendi! Acender é verbo, verbo não é nome. Eu percebi que a alegria está no estar e também na Esther, no Marcos na Clara, na Melissa.

Nome de besteirologista do Hospital do Campo Limpo é Nina Rosa, Dus’Cuais, Pororoca, Mané, Daduvida e De Derson.

Nome de médico é Roberto, Aparecida, Sheila, Andrea, Polyana, Rochele, Regiane, Marcelo, Monica…

Nesse mês a Andrea trouxe seus filhos que há tempos mandamos vídeos e músicas gravados exclusivamente para eles, seus nomes são Gabriela e Gustavo. A Gabriela nos mandou um recado essa semana: Mãe, fala pros palhaços que já sei ler!

Nome de enfermeira é Shizuko, Mariléia, Luzinete, Deleuza, Cléo….

O Gabriel fez buh! O palhaço se assusta, bate a cara na parede e se esquece do próprio nome.

Nome de delegado é José da lei, Danley, José Darnley.

Descobrimos que todas as bundas, ops, retaguardas, forébis, traseiras, são partidas! E mais: possuem um pequeno orifício com o nome de fiofó! Todos os fiofós soltam pum! Esse leva o nome de pum porque peido é muito feio, por isso nunca digo, o De Derson fala peido, às vezes fico em dúvida se prefiro peido ou pum! Às vezes me escapa. Me escapa a palavra e o próprio pumpeido e temos que sair correndo do quarto!

Bicho também tem nome, descobrimos que as crianças com roupa de bicho não são crianças, são criOnças.

Médico adora perguntar se criança faz cocô, acho que médico não faz, nunca foi visto um médico fazendo cocô, não fazem e têm um pouquinho de inveja das crianças por isso! Besteirologista faz!

Nesse mês, nossas intimidades foram reveladas. Fizemos uma visita de cara limpa, sem maquiagem, sem figurino, sem nariz… O nariz vermelho! Ninguém acreditou que o David era o Daduvida e o Anderson o De Derson.

ninguem acreditou

ninguem acreditou

ninguem acreditou

Dr. Daduvida (David Taiyu)
Hospital do Campo Limpo – São Paulo

Você também pode gostar:

O palhaço observa

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Ele toca logo cedo. O palhaço acorda, olha, vê a hora, aperta função “soneca” e dorme mais um pouco, se alongando. Ele toca novamente. Não tem jeito: o palhaço levanta, toma banho, café, se prepara e sai. Não esquece nunca de levá-lo no bolso. 

No ponto de ônibus, ninguém se olha, estão todos conectados. Só tiram os olhos dele pra ver se é o ônibus certo. Entram no coletivo, passam o Bilhete Único, não olham pra cara do cobrador que está ali – muitas vezes também conectado no seu mundo. O palhaço observa: ninguém se olha, ninguém conversa. 

O palhaço observafonte: YouPIx

O palhaço desce do ônibus e pega o trem lotado de gente; e cada pessoa está com um aparelho, ligado, ouvindo música, jogando, rede social ou qualquer outra opção que o aparelho e o plano fornecem, é só baixar. É e tanto aparelho… Ai Pad, Ai Fone, Tablete, G3… Ai Pim. Ai, conversa comigo, ai, me escuta, ai, que doideira! 

E assim o trem segue. Hebraica-Rebouças, Cidade Jardim, Vila Olímpia, Berrini, Morumbi, Granja Violeta, Santo Amaro, Socorro, Jurubatuba, Autódromo, Primavera-Interlagos. Durante todo o trajeto, um rio – sujo – que mesmo assim tem muita beleza pra se ver. Capivaras, quero-quero, garças e uma infinidade de animais e aves que ninguém vê. O palhaço observa. 

Chega ao Grajaú. Palhaço desce, sobe a ladeira, se prepara e vai trabalhar. No corredor e nos quartos, muitas crianças e mães, todos com seus aparelhos. Quando não estão no mundo virtual, filmam, fotografam seus filhos com os palhaços. Vamos nessas fotos para o Brasil inteiro. 

O palhaço observa

Dia desses, uma criança deitada com seu aparelho nem olhou para os palhaços que estavam na porta do quarto, perguntando se podiam entrar. Silêncio. A criança não olhou.

O palhaço observa

E o palhaço não perdeu tempo e com a boca soltou um poderoso e barulhento PUM. Todos olharam para a porta, inclusive o menino, e riram muito. Os palhaços, que nem sempre são bobos, aproveitaram a oportunidade, entraram no quarto e fizeram seu trabalho. 

Esse foi um dia em que um PUM venceu o mundo virtual, mesmo que por alguns minutos. SALVE OS PUNS.

Dr. Valdisney (Val Pires)
Hospital do Grajaú – São Paulo

Você também pode gostar:

Uma pérola da Música-Científica

Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Mês de março foi um mês musical.           

A dupla Charlito e Zequim Bonito, no auge de sua inspiração, literalmente soltou nos quartos e corredores do Itaci a instrutiva e revolucionária canção “Pum-Molécula”. A canção é uma pérola da Música-Científica, gênero musical inventado pela dupla ao mesmo tempo que a canção. E você tem o privilégio de conhecer a obra primeira mão!


Calma, calma, à primeira vista as coisas podem ter lá um “quê” de nojentas, mas vá mais fundo e preste atenção no caráter científico dos versos… Na esperança de que o registro escrito de nossa canção te sensibilize da mesma maneira que o registro sonoro sensibilizou os jovens pacientes do Itaci, transcrevemos abaixo nossa joia rara.
 

O PUM-MOLÉCULA
(letra e música: dr. Zequim Bonito; coreografia: dr. Charlito) 

Pense no pum
Como uma mera molécula
Flutuando pelo ar
Livre leve e feliz

Flutuando pelo ar
Em busca de um nariz

Pense no pum
Como uma mera molécula
Flutuando pelo ar
Livre, leve e feliz

Que antes do nariz
Morava em outro lugar

Este último verso, para quem não o entende na hora, vem acompanhado de uma coreografia que, apesar de abstrata, ajuda a ilustrar o teor da mensagem científica da canção.

Até agora, a aceitação tem sido relativamente boa entre os pacientes e acompanhantes. Além disso, a mistura entre cara de nojo e riso, que surge no público no final da execução da música, se revela um exercício muito bom para os músculos do rosto. Daí nossa insistência em continuar difundindo essa tão benéfica canção em todos os cantos do hospital… Gostou?

Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso) e dr. Charlito (Ronaldo Aguiar)

Duas histórias do Oswaldo Cruz

É sempre um prazer escrever pra informar o que ninguém informou e fazer fofocas que ninguém fez. Portanto, preparem-se para as notícias a seguir, pois vocês podem fazer parte da próxima fofoca!

Entramos no quarto da V., uma moça de 12 anos que, deitada em seu leito, assistia à televisão com o controle remoto na mão e não deu a menor importância para os besteirologistas.

Pedimos para entrar no quarto e nada de resposta. Ela trocou de canal e largou o controle.

Eu, impressionado, fui testar o poder daquela máquina controladora. Com o controle na mão, apertei um botão mirando para a Dra. Tan Tan, que começou a se tremer toda. Logo que desliguei a tremedeira dela, vi um sorriso da garotaApertei outro botão e a Dra. Tan Tan pôs a língua pra fora, ficando desesperada, correndo pelo quarto, e V. começou a rir.

Mirei o controle para a mãe da menina e apertei o botão do PUM. E não é que ela fez PUM mesmo? Tudo bem que saiu pela boca, mas já foi o suficiente para a V. cair na gargalhada.

=====================

Estamos atendendo uma nova ala na sala de espera, onde há diversos adultos. São mais de 60, todos os dias. O problema é que sempre chegamos perguntando quem é o próximo da fila, mas poucos se manifestam querendo o atendimento individual.

A maioria das pessoas fica sentada, rindo da nossa cara e dizendo que somos palhaços. Achamos isso uma falta de absurdo! De tão bravos, ficamos até com pouco de falta de ar. Isso é bullyingA solução temporária que demos para o problema foi atender todos em conjunto, assim eles estão cada vez mais confiantes na Besteirologia!

Aconteceram muito mais fatos, mas paramos aqui de escrever para não gastar muito papel. Quem quiser mais fofocas pode nos parar pra conversar pelos corredores e alamedas, ou ligar para o nosso telefone: 70 – 70 – 70… Se não der, 70 de novo!

Dra. Tan Tan (Tamara Floriano)
Dr. Cavaco (Anderson Machado)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife
Agosto de 2013 

Você também pode gostar:

Consequências de um elevador cheio

Dia desses pegamos o elevador para chegar até a Pediatria do Instituto da Criança. Nada fora da rotina.

O elevador estava cheio, também como de costume. E tinha de tudo um pouco: médico, palhaço, enfermeira, ascensorista, criança, acompanhante, funcionário de limpeza…

Cada um apertou o seu botão para chegar ao lugar indicado e esperaram. Alguns em silêncio, outros conversando, outros rindo, outros cantando. Até que, de repente, em uma fração de segundos, antes que a porta do elevador abrisse, um cheiro silencioso e deselegante subiu às nossas narinas. Alguns não se manifestaram, outros taparam seus narizes com suas roupas, outros deram risada, outros reclamaram…

Foi uma experiência quase extra sensorial, que durou dez segundos entre um andar e outro! 

Foi tão “forte” para nós que repercutiu em nosso trabalho e acabou virando um “ultrassom sambístico” que caiu no nariz do povo, ops!, quer dizer, na boca e no ouvido do povo! Acompanhe a letra: 

♫ ♪ Não solte pum…

Não solte pum no elevador, não solte não

Pois o ar que eu respiro

Não pode ter poluição

Não solte pum no elevador, não solte não

Tenha santa consciência e segure este botão ♫ ♪              

Uma observação: até hoje não descobrimos quem foi…

Dr. De Derson (Anderson Spada)
Dr. Sandoval (Sandro Fontes)
Instituto da Criança – São Paulo
Abril de 2013 

Rapidinhas do Hospital da Criança

Dra. Pororoca

Besteirologia tripla

Olá! Você sabe quem somos nozes?

Não.

Somos um trio de besteirologistas.

Trio de quê?

De besteirologistas. Você sabe o que é isso?

Não.

Somos médicos especializados em bobeiras, bobagens, bobices, besteiras, tonterias, idiotices e idiotosses. Esta última é para dias de idiotice com tosse.

É mais ou menos assim que entramos nos quartos dos nossos pequenos pacientes, explicando tim-tim-por-tim-tim quem somos e o que pretendemos, afinal compartilhamos  o pensamento de que “quem avisa amigo é!”

E assim, falando logo de cara sobre as intenções de um besteirologista, tudo fica mais fácil e a bagunça, ops, quer dizer, a consulta fica garantida. 

Efeito gasoso

O Hospital Nossa Senhora Lourdes, intimamente intitulado “Nossinha”, amanheceu em chamas com a notícia de que o Dr. D Pendy fazia parte de uma quadrilha que explodia caixas eletrônicos pelas madrugadas afora.

O danando era o fornecedor oficial do gás orgânico usado nas explosões por possuir um alto poder de combustão. Dr. D. Pendy se dedicava muito à sua função, mantendo uma dieta de atleta à base de muito repolho, ovo cozido e carne de soja.

Pena que a farra durou pouco! O besteirologista foi pego com a boca na botija e acabou vendo o sol nascer quadrado no chilindró da primeira esquina.

Às Dras. Lola e Pororoca coube a difícil missão de dar conta de explicar para todo mundo sobre o sumiço do colega gasoso. Discretas que são,  não contaram a verdade para ninguém… Só mesmo para meia dúzia de enfermeiras curiosas, duas dúzias de pacientes e três ou quatro funcionários.

Dr. D. Pendy (Dagoberto Feliz)
Dra. Pororoca (Layla Roiz)
Dra. Lola Brígida (Lu Viacava)
Hospital Nossa Senhora de Lourdes
Maio de 2011

Você também pode gostar: