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Primeira mesa do Encontro Nacional discute o palhaço e traz tendências

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Centenas de pessoas deixaram o feriado de lado para refletir e praticar o palhaço em três dias de encontro propostos por Doutores da Alegria.

O 4º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital teve início ontem, dia 12 de novembro, e segue até o dia 14 em São Paulo. Na programação há mesas de discussão, oficinas e intervenções artísticas para grupos de todo o Brasil que usam a máscara do palhaço para atuar em hospitais.

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Neste encontro vamos discutir o compromisso com o trabalho, sua profissionalização e como formar uma rede engajada”, conta Raul Figueiredo, tutor do programa Palhaços em Rede. Ele introduziu o primeiro dia de debates com a mesa “Contexto e tendências da ação do palhaço na atualidade”.

A psicóloga e pesquisadora Morgana Masetti trouxe reflexões que estão sendo debatidas mundo afora. falou sobre doenças do mundo atual, felicidade e relações afetivas. “A doença e a tristeza, que fazem parte da experiência humana, começam a ser vistas como desnecessárias na humanidade. Elas tentam ser silenciadas. Os sintomas falam alguma coisa da minha ligação com o mundo, e eles precisam ser entendidos, não silenciados.

Morgana também trouxe a ideia do palhaço como meio, não um fim. “O palhaço ativa algo em mim que me faz querer chegar em algum lugar. Como trabalhar essa energia que o palhaço mobiliza em mim?”, questionou ela.

A discussão seguiu com Thais Ferrara, diretora artística do Doutores da Alegria, que falou sobre humanização e sua trajetória até virar política pública. “O palhaço virou ícone da humanização, mas quando decidimos entrar no hospital, nossa proposta era completamente artística, humanização sequer passava pela cabeça. Com o passar dos anos nosso objetivo artístico foi sendo colocado a serviço da humanização”, conta ela.

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“A humanização se pautou no movimento feminista, quando a saúde da mulher veio à tona e começaram a ser criados programas como mãe canguru, hospital da criança, aleitamento materno, alojamento conjunto. Com o tempo entenderam que era preciso democratizar as práticas, dialogar com o paciente e, principalmente, partir da gestão”, finalizou.

A seguir Daiane Carina apresentou um dos temas mais importantes do encontro: o novo marco regulatório, que regulamenta, traz regras e obrigações às organizações do terceiro setor.

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“A lei surgiu por uma convergência de fatores: ausência de uma lei especifica para regular o setor, falta de planejamento, monitoramento, ausência de dados sistematizados e pouca capacitação”, conta ela. O principal objetivo do marco é dar mais transparência para as parcerias realizadas com o governo – algo que teve evidência em 2007, durante a CPI das ONGs.

Segundo Daiane, o terceiro setor já alcança 5% do PIB brasileiro e tem migrado do assistencialismo para um campo profissional. “Para prestar um serviço para pessoas em situação de vulnerabilidade social, será preciso se constituir como organização e ter um diagnóstico da realidade onde você vai atuar, ter planejamento e indicadores das suas ações”, conta ela.

A mesa encerrou com Nando Bolognesi, que esteve no elenco do Doutores da Alegria por cinco anos e trouxe um olhar para a função social do palhaço. “O palhaço tem uma capacidade de se disfarçar e de se apresentar como uma figura diferente do que é, um tipo difícil de identificar porque a primeira camada que aparece é a camada fofa, simpática, confiável, mas o palhaço é subversivo, é político, e isso não é uma opção, é uma condição”, conta ele.

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A manhã encerrou com uma intervenção surpresa do palhaço Klaus, criado por Márcio Douglas, do elenco do Doutores da Alegria. Ele provocou os participantes, trazendo uma versão diferente da máscara do palhaço.

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Como vim parar aqui?!

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Depois de 20 anos atuando no Doutores da Alegria resolvi parar, olhar para trás e fazer uma retrospectiva artística. Senta que lá vem história!

pai-aços(na foto: Raul Figueiredo e seu filho João Gabriel)

VINDO DO INTERIOR

Venho de uma família religiosa que trabalhou por muitos anos como voluntária em uma associação que atendia cerca de 150 mulheres em condições de vulnerabilidade social na minha cidade natal, Catanduva, interior do Estado de São Paulo. 

Toda semana, minha mãe ensinava às moças como se deve cuidar de uma casa, dava noções de higiene, dicas sobre alimentação, aulas de bordado e crochê. Meu pai também ajudava, em um domingo por mês, conversando com os maridos das mulheres e regularizando sua situação. Muitos deles eram desempregados, ex-presidiários, sem carteira de trabalho, título de eleitor ou certificado de reservista. 

Aos sábados percorríamos as ruas do bairro recolhendo jornais pela vizinhança, que depois eram estocados na garagem da minha casa para serem vendidos aos comerciantes e feirantes. Esse dinheiro era usado para a manutenção do trabalho voluntário da instituição e para minha mãe comprar tecidos e costurar pijaminhas para as crianças, filhos dos casais assistidos por eles. 

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Vivi essa realidade dos 10 aos 16 anos e sempre que estava de férias ou em casa sem tarefas da escola, ia com a minha mãe à associação e ficava tocando violão para as crianças na creche. Também fui tocar violão em asilos com meus pais e isso foi inspirador para mim. Sempre pensei em fazer o mesmo quando crescesse!

POR QUE RESOLVI SER PALHAÇO

Depois de passar pela música (piano e violão), pelo canto e pelas Artes Cênicas (ator), vi no palhaço a possibilidade de abraçar todas as Artes, pois o palhaço é tragicômico, melodramático, nonsense, lúdico e exige muita habilidade física e mental. Exercitar-se como palhaço é reconhecer-se a cada dia, ampliando os horizontes da imaginação, deixando o impossível cada vez mais possível.

Pergunto-me: será que dava para ser outra coisa?

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CHEGANDO A SÃO PAULO

Em 1992 terminei o curso de Artes Cênicas na UNICAMP e vim morar em São Paulo. Comecei a atuar em algumas companhias paulistanas de teatro e conheci o trabalho dos Doutores da Alegria em 1995 por meio da atriz Alexandra Golik, que atuava comigo e já fazia parte do elenco. 

Nesse mesmo ano fiz teste e fui selecionado para entrar na ONG

NO DOUTORES DA ALEGRIA

Atuei por 11 anos como o besteirologista Dr. Zappata Lambada em todos os hospitais que o programa atende e atendeu em São Paulo, e também em outras unidades da ONG.

Estive nas montagens de espetáculos infantis (“Vamos brincar de médico” e “Senhor Dodói”), ambos premiados e com excelentes críticas e aceitação do público, e atuei como músico substituto no infantil “Poemas esparadrápicos”, produzido pelo elenco da unidade de Recife.

Também estive em outras apresentações como o saudoso “Midnight Clowns”. Em empresas, participei de muitas palestras institucionais, inúmeros RISOs 9000 e outras ações. 

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Durante esse período de atuação comecei a dar algumas oficinas de música e jogos para o elenco de palhaços, em nossos treinamentos às sextas-feiras. Essa experiência rendeu um convite para integrar a equipe de formação da organização. Desde 2007 dou aula na Escola dos Doutores da Alegria, mas lá em 1999 eu já ajudava na construção de conteúdo. 

Atualmente sou professor de música no segundo ano do Programa de Formação de Palhaço para Jovens e auxilio na criação da trilha sonora do exercício cênico. 

Foi em 2007 que também criamos o programa Palhaços em Rede, do qual sou tutor desde o seu início. Nessa função tive o prazer de viajar pelos quatro cantos do país dando oficinas de orientação e formação para grupos de palhaços com diferentes formas de atuação que visitam hospitais. 

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Trocamos ricas experiências em nome de um movimento: a arte estimulando a mudança, promovendo a qualidade das relações humanas e cultivando a saúde.

Quase 21 anos… Doutores da Alegria é uma parte de mim. E já que vim parar aqui, daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Doutores recomenda: Ópera do Malandro por Cia da Revista

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Um espetáculo sensacional entra em cartaz em São Paulo com participação de um dos artistas que compõem o elenco dos Doutores da Alegria. Ópera do Malandro, reconhecido musical de Chico Buarque, estreia no Espaço Cia da Revista sob direção de Kleber Montanheiro – um ex-besteirologista – e com Raul Figueiredo, mais conhecido aqui como dr. Zapatta Lambada, hoje tutor do programa Palhaços em Rede.

O espetáculo é apresentado às sextas, sábados, domingos e segundas-feiras sempre às 20h no Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, próximo às estações Marechal Deodoro e Santa Cecília do metrô). Os ingressos (R$ 80 inteira e R$ 40 meia entrada) podem ser adquiridos no site www.compreingressos.com ou pelo telefone (11) 3791-5200. A Ópera do Malandro traz 18 atores em cena fazendo uma releitura da versão original de Chico, com diversas canções que relembram e homenageiam seu autor.

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A trama é composta por temas como prostituição, contrabando e outras ilegalidades, mostrando o poderoso chefão Duran (o nosso Raul Figueiredo) às voltas com uma encrenca, pois sua filha se apaixona por um malandro que vive de golpes. O casamento com a herdeira de Duran não passa de mais um golpe do malandro e serve de gatilho para uma trama em que todos tentam tirar vantagem de todos. O musical provoca uma reflexão direcionada ao indivíduo em seu contexto social: os pequenos delitos, os acontecimentos do dia a dia que possibilitam a malandragem e a sociedade em que esse malandro atual vive inserido.

Vale a pena assistir… Doutores recomenda!

Oficina Palhaços em Rede no Rio Grande do Sul

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Em setembro do ano passado, o grupo Esquadrão da Alegria participou de uma oficina de orientação dos Doutores da Alegria com o objetivo de aprimorar sua presença no hospital. O grupo atua nas cidades de Santa Maria, Canoas, Porto Alegre e São Borja, todas no Rio Grande do Sul.

Encontrei um grupo bastante disponível, que comprava as propostas e as provocações. Trouxeram na bagagem muitos jogos para trabalhar e fortalecer a relação entre eles.”, conta Raul Figueiredo, tutor do programa Palhaços em Rede, que viajou até a região Sul para ministrar o curso.

O formador trabalhou conceitos que a Escola dos Doutores da Alegria desenvolve, como o olhar, o jogo, a escuta, o trabalho em dupla. Havia palhaços com diferentes níveis de formação. “A mistura foi bacana, uns puxavam cenas na estruturação e outros surpreendiam pelo frescor da primeira vez, da descoberta…”, conta Raul.

Para o Esquadrão, a experiência foi muito rica também. “O Raul nos mostrou que a descoberta do nosso palhaço pode ser doce, emocionante e suave. Que a simplicidade, a sensibilidade e o carinho empregado naqueles minutos interagindo com algum paciente, acompanhante ou profissional da saúde marcam para sempre a vida daquelas pessoas e por isso devemos estar sempre de coração aberto para dar nosso melhor.”, disse Sendi Spiazzi, integrante do grupo.

O grupo, que atua desde 2007 na região, é composto por 70 integrantes e acredita na formação constante na máscara do palhaço, tendo participado de diversos cursos de capacitação e também do 3º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital, em 2014.

A oficina veio coroar esse momento que o Esquadrão da Alegria está vivendo. Foi um sonho trazer nossos inspiradores pra nos dar um curso.”, contou Luciano Mai, presidente do grupo.

A função do Palhaços em Rede é justamente incentivar e apoiar grupos pelo Brasil. Compartilhar para aprimorar! Saiba mais sobre o programa e sobre oficinas pelo e-mail rede@doutoresdaalegria.org.br.

Obrigado, até o próximo Encontro!

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Depois de quatro dias de imersão no Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital, é hora de voltar pra casa. 

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O evento trouxe muita reflexão, debates e oficinas de orientação para participantes que vieram de todos os cantos do país. A ideia era discutir o trabalho dentro do hospital e a qualidade do que é levado para os pacientes. Raul Figueiredo (dr. Lambada), tutor do programa Palhaços em Rede e um dos idealizadores do Encontro, conta um pouco do que aconteceu por lá:

- veja o resumo do primeiro dia
- veja o resumo do segundo dia
- veja o resumo do terceiro dia

“É com muita alegria que escrevo para agradecer a todos que participaram do 3º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital e contar um pouco o que aconteceu nos quatro dias de evento, no meio do feriado da consciência negra! Creio que esse encontro abriu a consciência de muita gente para uma nova realidade, do que se espera e se exige para continuarmos atuando nos hospitais com potência e qualidade. 

Parabéns a toda equipe de profissionais dos Doutores da Alegria, das diversas áreas, que atuou na produção; aos artistas formadores que deram as oficinas de habilidades – música, jogo, improviso e mágica, assim como a oficina institucional – e aos palhaços que atuaram na Roda Besteirológica. Um agradecimento especial à Mirna e à toda a equipe do Liceu Santa Cruz, que abriu as portas, janelas, armários, geladeiras e ainda estendeu um tapete vermelho para nos receber com carinho e respeito durante todo o evento. 

Uma alegria receber mais de 100 participantes vindos de 13 estados brasileiros: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo representados por 40 grupos: Anjos da Alegria, Arte Cura, Atos & Palhaços, Cia ETC & Clown, Circulo do Riso, Cirurgiões da Alegria, Compartilhando Riso, Clown Fusão, Doutores + Palhaços, Doutores da Pá Virada, Doutores do Coração, Doutores Sorriso, Doutorzinhos, Dr. Vascão, Esparatrapo, Esquadrão da Alegria, Expresso Riso, Fisioterapia com Alegria, G-Palhaços, Gema da Alegria, Hospitalhaços, Instituto Ha Ha Ha, Medicômicos, Narizes de Plantão, Núcleo Artístico GEMA, O olhar do Palhaço, Operação Alegrarte, Operação Arco Íris, Palhaços de Plantão, Palhamédicos, Plantão Sorriso, Presente da Alegria, Projeto Sorrir, Raros da Alegria, Sopradores da Alegria, Sorriso de  Plantão, SOS Alegria, Terapeutas do Sorriso, Trupe da Saúde, Trupe d"Alegria e Viver de Rir.

Agradeço aos nossos convidados médicos: Dra Maria Aparecida Basile e Dr. Luiz Fernando Lopes, e ao filósofo Emílio Terron por abrilhantarem nossas discussões com reflexões sobre o cuidar. Como eu me cuido para entrar no hospital, como cuidar do meu paciente, dos seus acompanhantes e dos profissionais que atuam conosco lado a lado nos corredores, salas de espera e nos quartos… 

Ao Wellington Nogueira e à Morgana Masetti por nos colocarem na linha do tempo e mostrar a importância do que estamos construindo; de qual palhaço somos representantes, temos uma linhagem e em que modelo de hospital atuamos? Como inserir o palhaço no movimento de humanização sem banalizar suas atribuições questionadoras e reflexivas? Como responder artisticamente às provocações que passamos e enfrentamos em nossos atendimentos hospitalares? 

Por fim, aos apoiadores, patrocinadores e aos ouvintes que acompanharam as mesas de discussão, palestras e cabarés! 

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Na abertura do evento tivemos a Roda Besteirológica dos Doutores da Alegria com cenas que saíram dos quartos de hospital e chegaram ao palco. Participaram Marcelo Marcon e Nilson Rodrigues (Dr. Mingal e Dr. Chicô) com Aula de Besteirologia, Layla Ruiz e Raul Figueiredo (Dra. Pororoca e Dr. Lambada) com Firuliru e Asa Branca, Val de Carvalho e Sueli Andrade (Dra. Xaveco e Dra. Greta) com Boneca Tayná, Wellington Nogueira (Dr. Zinho) com Ora, Bolhas!, Márcio Douglas e Du Circo (Dr. Mané e Dr. Pinheiro) com Atendimento – Encontro da Criança e novamente Raul Figueiredo e Val de Carvalho com Trilhares, relembrando uma cena criada em 2006 pela dupla. 

Na segunda noite de cabaré recebemos cenas de diversos grupos que participaram do evento: Eliseu Pereira (Dr. Gaguelho, Cirurgiões da Alegria) com Leôncio, o Gato Louco, Dênis Menezes e Annelise Caneo (Délcio Garapa e Arlinda Pestana, Cirurgiões da Alegria) com Música Havaiana, Sem Nome da dupla Bruno e Micheli Madalozo (Esparadrapo e Tibúrcia, Doutores Palhaços), Bruno Mancuso (Pelúcia, Trupe da Saúde) com Carlinhos Ganha um Ferrorama e várias cenas do Espetáculo Vitamina com os palhaços da Trupe da Saúde. Também nos divertimos com uma dublagem de Alex Mazzanti (Xurumi, Operação Arco Íris) e Renato Garcia (Dr. Gracinha, Gema da Alegria) nos apresentou a canção da bailarina.

Na terceira noite recebemos os artistas do documentário Circo Paraki e sua diretora Priscila Jácomo, que apresentou brilhantemente seus convidados: Pepin e Florzita, Loren e Marília de Dirceu. Que noite incrível tivemos, não? Quem ficou até o final e participou da conversa com certeza entendeu que o palhaço é a alma do circo e fez com que assumíssemos um forte compromisso com esse ofício… Emocionantes os depoimentos do quarteto e o respeito com a plateia. Tiramos o chapéu e aplaudimos de pé!

O Encontro só aconteceu nesse formato por que a rede de palhaços que atuam em hospitais atendeu à nossa provocação para discutir este ofício e contribuiu com questões que os impedem de realizar um trabalho melhor. Juntos pudemos trazer profissionais que nos ajudaram a pensar numa forma de construir um modelo de atuação visando a criação de uma nova profissão, para que em breve ouçamos nossos filhos e netos nos comunicarem que irão prestar vestibular para a faculdade de Besteirologia! 

A Escola dos Doutores da Alegria preparou as oficinas e o conteúdo tendo em vista as necessidades apresentadas na enquete realizada no grupo do Facebook do programa Palhaços em Rede. O que vimos foi um amadurecimento nas discussões e a compreensão do que nos propomos a fazer. A questão sobre quem começou primeiro – Michael Christensen ou Patch Adams – foi esclarecedora para que os participantes entendessem a real diferença entre um palhaço que faz a paródia do médico e o médico que se veste de palhaço. Para um, o palhaço é um fim, uma meta, um objetivo na vida; para o outro, um meio, uma ferramenta para acessar seu paciente. Não basta o amor ao próximo, é necessário estudar… Patch estudou por vários anos a Medicina antes de vestir-se de palhaço… Ele conhece o lugar onde vai atuar… 

O hospital não é um lugar qualquer. Precisamos estar preparados para enfrentar os desafios propostos lá dentro tanto nas questões da saúde como nas questões artísticas, quando nos propomos a vestir a máscara do palhaço, pois ela também requer estudo, assim como vestir a máscara do médico. Parece que isso ficou claro para os participantes! A importância em estudar e aprimorar o conhecimento: “Quem somos, o que fazemos e onde atuamos?”

Vamos fortalecer essa rede com nossas discussões, apontamentos de filósofos, artistas, profissionais da saúde e da nossa sociedade! Foi lindo, tocante, reflexivo, divertido, exaustivo, conflitante, confiante, empolgante, emocionante, relaxante e elegante! Enfim, foi o que deveria ser!

E tudo isso foi filmado pelo Sérgio Nogueira, da Bamboo, acompanhado da sua fiel escudeira Pietra, e o registro fotográfico ficou a cargo da querida Nina Jacobi.

Saímos satisfeitos desse terceiro encontro e deixamos uma provocação para os participantes:

Inspirados em tudo o que vivemos e desfrutamos nesses quatro dias, o que vocês acreditam que possam fazer de imediato já na próxima visita ao hospital? 

No meio do caminho tinha um palhaço…
Tinha um palhaço no meio do caminho
E agora José? Para onde ele vai?
Qual será seu fim?
Qual o meio para chegar a esse fim? 

Daqui a dois anos tem mais! Que em 2015 possam acontecer fóruns regionais conduzidos pelos grupos da rede para que em 2016 as discussões sejam ainda mais esclarecedoras. Que o comprometimento com o trabalho seja um valor alcançado por todos.”

Nós fomos: Congreso de Payasos Hospitalarios

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Dia desses chegou um convite para que participássemos do 2º Congreso de Payasos Hospitalarios em Cali, na Colômbia, organizado pela CaliClown. Quem representou a gente foi o Raul Figueiredo, ator, palhaço e tutor do programa Palhaços em Rede.

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Além de participar das palestras, ele ministrou uma oficina para mais de vinte pessoas – e tudo em espanhol! Acompanhe o diário de viagem do Raul:

“Assim que cheguei ao congresso, acompanhei as apresentações de Tsour Shriqui, do Dream Doctors de Israel, e de Wendy Ramos, do Bolaroja do Peru. Johana Barreneche, ex-aluna da Escola dos Doutores da Alegria, fez uma tese sobre o nosso trabalho e a apresentou no primeiro dia do congresso. Também tive boas conversas com Moshe Cohen (EUA), Luis Silva (Clown em Vie – Suíça), Magdalena Dragicevic (Clown Celula Roja – Chile e Equador), Juan Carlos Salazar (Titiriclaun Fundación Com-tacto – Colômbia) e com Ilana Levy (CaliClown – Colômbia).

No sábado e no domingo ministrei a oficina de palhaço para hospital. O lugar era uma antiga casa reformada. Um espaço cultural onde à noite estava acontecendo um festival de cinema. Muito bacana!

Na oficina haviam 24 pessoas, sendo cinco alunos de Medicina, dos quais quatro nunca tinham tido nenhum contato com teatro ou palhaço! Por outro lado havia palhaços com muitos anos de atuação em hospital. Assim, optei por exercícios que dialogassem com esse público tão diversificado. Mesclei as dinâmicas com os comentários sobre o palhaço e a atuação em hospital, criando os links para que pudessem entender a transposição do que fazemos em sala de aula para o atendimento.

Após um exercício, um aluno desabafou:

- Eu sempre entrei para ganhar, todas as outras oficinas falavam isso. Essa é a primeira vez que eu perco o jogo, mas entendi que a plateia ganhou com isso, se divertiam quando eu me equivocava.

Tivemos uma boa conversa após o improviso com objetos: o que precisamos de fato para a nossa atuação no hospital?Apresentei a música “Chapéu tem 3 pontas” e perguntei se eles tinham algo parecido. Uma das alunas cantou “Mi barba tiene 3 pelos” e criei na hora uma coreografia para brincar com ela trabalhando: memória, escuta, percepção e constrangimento.

No segundo dia estavam mais atentos, mais rápidos e precisos, com o corpo dilatado, tônus e olhar aceso. Falamos sobre maquiagem e figurino para hospital, sobre a autoridade, as competências, como o palhaço trabalha as suas habilidades, citei alguns palhaços que se esforçavam em fazer direito e como isso era engraçado, gostamos de torcer pelos mais fracos.

Todos foram muito generosos nos comentários e agradecimentos. Esperam que voltemos no próximo encontro. Muitos disseram que o conteúdo da oficina serve para além do palhaço, que utilizarão no seu trabalho e na vida!

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Obrigado pela oportunidade e nos vemos em uma próxima! HASTA LUEGO!!

O Raul também ministra oficinas na Escola dos Doutores da Alegria, em São Paulo. Quer saber mais? Escreva nos comentários do Blog ou envie um e-mail para doutores@doutoresdaalegria.org.br.

Você quer falar de quê?

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Neste ano quisemos ouvir o que os outros grupos que trabalham em hospitais querem discutir sobre o trabalho no 3º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospitais, que acontecerá de 20 a 23 de novembro em São Paulo.

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Nada mais justo, afinal a rede é horizontal e a ideia do programa Palhaços em Rede é estimular as trocas. Para tal, contatamos os grupos, estabelecemos um fórum e deixamos as seguintes questões para alimentar a reflexão:

- Quais são os grandes desafios para a humanização nos hospitais?
- Como o seu grupo se relaciona com estes desafios?
- E como se prepara para lidar com eles?

Muita gente boa soltou o verbo e mandou ideias. Foi sensacional!

Após coletar todas as sugestões, Raul Figueiredo, tutor do programa, associou as ideias e conceitos parecidos, inquietações e dúvidas que de alguma forma “conversassem” entre si e redigiu uma proposta, um ponto de partida para a definição das mesas de debate e das oficinas do encontro. A programação final do evento será divulgada em breve.

TEMAS PARA DEBATES: PALESTRAS, MESAS E OFICINAS
GESTÃO: ONG"s E OSCIP"s – ASPECTOS LEGAIS, PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

Estratégias de captação de recursos para os grupos que atuam em hospitais. Talvez elaborar uma oficina que estimule os empreendedores sociais a pensar em outras maneiras de levar a arte do palhaço a outros ambientes e as formas inovadoras de manter o projeto financeiramente.

ARTÍSTICO: O FUTURO DO PALHAÇO NO HOSPITAL

Trazer consciência sobre a responsabilidade que esse trabalho requer nos hospitais e a importância da formação dos palhaços para que o trabalho seja bem feito. Como “regulamentar” nossa atividade? É palhaçoterapia? É risoterapia? É besteirologia? Que diferença faz? Pra quem faz diferença?

Como sair da rotina e reinventar novas formas de atuação, sair da mesmice das ações e formas de reinventar. Como preparar a formação deste palhaço num ambiente que naturalmente se torna o cotidiano dele. E como trazer a consciência do trabalho para as diversas frentes que trabalham no hospital, além da parceria com a Humanização?

Quais são pontos importantes para mantermos uma boa relação com o hospital e sentir o momento de encerrar a parceria?

“SEGURANÇA DO TRABALHO”

Discutir os diversos momentos de “choque” a que estamos suscetíveis em nosso trabalho. O palhaço frente à morte, dor, procedimentos que geram sofrimento, histórias tristes e que nos tocam, mexendo com o nosso emocional. Como interagir com profissionais da área da saúde?

PALHAÇO DE HOSPITAL X TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO

Como transformar os dados das visitas em informações. Que dados buscar? O número de visitas por período, eventos, palestras, festas, aparições, quantidade de pacientes visitados?

Como alimentar essas informações em planilhas para apresentação em patrocinadores e governo? Isso ajuda a realizar contrapartidas, assim como o “balanço anual”?  Desenvolver um sistema único onde os grupos registrados neste sistema alimentem cada um, por região, pra mostrar quanto o “palhaço de hospital” como um todo atende o Brasil.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE – REVISÃO CURRICULAR NAS UNIVERSIDADES / FACULDADES

O palhaço transforma o ambiente hospitalar, mas o palhaço transforma o artista? O que essa experiência artística pode trazer para um futuro profissional de saúde, que treina muitas habilidades técnicas na faculdade, mas nem tantas habilidades interpessoais.

Com o surgimento de grupos de palhaços nas Universidades, como associar a vida acadêmica ao seu palhaço?

MAQUIAGEM E FIGURINO

Um curso sobre figurinos, acessórios e maquiagens adequadas, o que nunca usar e o que quando usar. Fundamentos da música para o hospital, jogo – o palhaço nas atuações e uma oficina de comédia física.

Você tem mais sugestões? Escreva nos comentários! Obrigado a cada um que participou! 

Você também pode gostar:

O que é que tem no seu estojo de maquiagem?

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Temos recebido inúmeros contatos perguntando: Qual é a maquiagem que os palhaços usam no hospital? 

Convidamos Raul Figueiredo, tutor do programa Palhaços em Rede, pra contar o que é importante levar em seu estojo de maquiagem.

Segundo ele, as dicas são um ponto de partida. “Como a maquiagem será criada vai depender do caráter e das características do seu palhaço.“, conta ele. 

Bem, temos no nosso estojo de maquiagem: 

1. O pancake em três cores:
- cor da pele, para fazer um fundo e homogeneizar a pele (aqui varia de acordo com o tom de pele de cada um; quem não tem a pele manchada pula essa etapa);
- o branco, para iluminar olhos, boca, queixo, testa, orelha…
- o vermelho, para ressaltar bochecha, nariz, testa, queixo, orelha… 

2. Lápis preto ou delineador preto
Utilizado para definir áreas como sobrancelha, olhos, boca e alguns traços… 
Alguns ainda usam rímel para alongar e engrossar os cílios. 

3. Batom vermelho para a boca
Também dá pra usar lápis vermelho para definir o contorno. 

Veja a maquiagem dos nossos besteirologistas: /conheca/a-equipe

Para limpar o rosto e retirar a maquiagem podemos usar lenços umedecidos apropriados ou demaquilante com algodão. Alguns desses produtos podem ser encontrados em farmácias e a maioria em lojas de cosméticos. 

E você, o que tem em seu estojo de maquiagem?
Esperamos ter ajudado a tirar a dúvida de mais algum palhaço!

Ajuda, Doutores!

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- Doutores, gostaria de começar um projeto parecido com o de vocês aqui na minha cidade! Como fazer?

Ah, essa é uma das perguntas que mais ouvimos! Como cada cidade tem suas características e cada grupo elege os seus significados para a atuação, não existe uma fórmula mágica. Com a experiência que adquirimos em 22 de anos de atividades, podemos listar algumas premissas básicas que podem nortear as pessoas em um primeiro momento.

Aqui no Doutores…

Aqui no Doutores da Alegria somos palhaços profissionais, com formação nesta linguagem e muitos anos de formação e prática dentro e fora dos hospitais. Mas a grande realidade do Brasil – certamente o país em que a ideia de levar o palhaço para o ambiente hospitalar mais se espalhou – é a de grupos voluntários que visitam hospitais, asilos e orfanatos. São engenheiros, professores, pedagogos, estudantes que dedicam uma parte de seu cotidiano a atividades que beneficiam o próximo. 

Pra tentar orientar e agregar todo mundo, criamos em 2007 o programa Palhaços em Redeque visa, por meio de oficinas de orientação e formação e encontros pontuais – reais e virtuais – compartilhar o conhecimento com grupos e indivíduos que queiram atuar em hospitais. (Guarda esse link pra você ver como funciona – e, quem sabe participar da nossa rede!)

Vamos a algumas premissas básicas!

Relação com o hospital

É importante que o hospital como um todo – o corpo clínico, administrativo e hotelaria – saiba de antemão sobre as visitas, que de comum acordo se estabeleçam as áreas a serem visitadas, quais os dias e horários, e que o hospital designe algum profissional para ser o interlocutor com o grupo.

O interlocutor no hospital

Façam um exercício de responder às perguntas:
Quem dialoga com o grupo? Quem fez o convite? Quem selou o acordo?
Quais os dias, itinerários e os horários acertados com o meu interlocutor?
Como se estabelece esta parceria: direitos e deveres de cada parte? Eventualmente: vaga no estacionamento, espaço para o grupo se reunir e se vestir…

O interlocutor deverá apresentar ao grupo os responsáveis por cada ala a ser visitada. Estes responsáveis (enfermeiros, auxiliares, médicos, psicólogos) precisam passar as recomendações e restrições de cada dia.

Todos os integrantes do grupo têm estas informações (estes nomes)?

O hospital precisa receber uma lista com o nome de todos os integrantes do grupo. Façam uma lista de presença no dia com o itinerário, para evitar confusões caso hajam outros grupos de voluntários.

Sugestão do tutor

Raul Figueiredo, palhaço e tutor do Palhaços em Rede, lembra ainda:

Estabeleçam com o hospital um tempo de experiência, algo entre dois e três meses de trabalho, e depois avaliem a continuidade junto ao hospital. Levantem se há outras intervenções no hospital e organizem a agenda para que não haja sobrecarga num dia. É importante evitar o excesso de atividades para as crianças internadas, pois muitas vezes elas precisam de repouso e o silêncio é a melhor pedida.

 

Seu grupo está nessa fase? Conta aqui pra gente como está sendo todo o processo! Até a próxima!

Não é só uma fantasia

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Existe uma demanda muito grande por orientação e formação. São dezenas de e-mails diários, ligações, mensagens no Facebook, visitas à nossa sede. 

Grande parte daqueles que se aventuram a usar a máscara do palhaço não sabem como se vestir, maquiar e o que fazer quando chegam ao hospital. Normalmente fazem distribuição de balas, bexigas, revistas infantis e bolhas de sabão.

O palhaço, nesse contexto, vira uma “fantasia”, e não um estado de espírito, uma personagem.

Achamos in-crí-vel que as pessoas entendam que é preciso, sim, o mínimo de entendimento da arte do palhaço para se arriscar em um lugar como o hospital. 

Tentando atender a estes pedidos-quase-súplicas criamos em 2007 o programa Palhaços em Rede. Funciona assim: Doutores da Alegria promove encontros e oficinas que disseminam o conhecimento que obtivemos em 22 anos à frente deste trabalho. Também há um fórum on-line para o encontro dos grupos e um espaço no site em que é possível encontrar grupos em todas as regiões do Brasil.

É desta forma que ampliamos o nosso trabalho na horizontal, sem precisar ter uma franquia dos Doutores da Alegria em cada Estado.

O programa também estimula os grupos a terem sua própria identidade e seu meio de obter recursos. Segundo Raul Figueiredo, tutor do programa, é uma forma de contribuirmos na formação de uma nova cultura, de um novo profissional de saúde, inspirado na figura humanizada do palhaço, com seus erros e defeitos. “Afinal de contas, como diz o ditado: ERRAR É HUMANO Mas no hospital ERRAR é sinônimo de incompetência… Daí que esse paradoxo fica interessante e cria um bom jogo entre o palhaço e o médico, o que resulta na sátira feita pelos besteirologistas.”, conta ele.

Tem coisa mais “errada” que um palhaço se achar médico e se especializar em Besteirologia?

A cada dois anos acontece um grande encontro nacional de palhaços em atuam em hospitais. Outras informações sobre encontros e oficinas do Palhaços em Rede podem ser obtidas pelo e-mail rede@doutoresdaalegria.org.br. Toda a receita obtida com a formação é destinada à manutenção das atividades da organização. Saiba mais.