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Retrospectiva: 2015 foi assim

Tempo de leitura: 2 minuto(s)

O ano nos reservou histórias e momentos marcantes. Delicados e emocionantes. Raros. Alguns tensos, assustadores. Outros engraçados, transformadores. 

Aqui no Blog os palhaços contaram mais de 100 histórias que os marcaram nos hospitais. Também teve textos reflexivos sobre alegria, saúde, arte… Palavras que compõem o mundo que nos rodeia, e que tem rodado tão rápido. Neste espaço buscamos uma pausa para a leitura, para entregar e dividir com você momentos que nos marcaram. A escrita nos ajuda a manter o passo.

Os melhores momentos de 2015

Saudade de uma internação

Começamos o ano contando sobre a saudade que ficamos de alguns pequenos pacientes que não encontramos mais nos hospitais.

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Obrigado, Sacks!

Em março falamos da revelação do neurologista e escritor Oliver Sacks sobre sua doença. Grande inspiração, para nós, Sacks descobrira um câncer em sua fase terminal. Ele faleceu em agosto, aos 82 anos.

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Um olhar além

A força dos encontros e como eles podem afetar o nosso corpo é a base conceitual do nosso trabalho. Falamos sobre como a alegria ativa o corpo humano e traz benefícios para a saúde. Talvez seja a própria saúde.

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A música me salvou

A arte em forma de música salvou a vida de uma criança. Lançamos a bandeira do acesso à arte como um direito básico e universal, inclusive para as populações mais vulneráveis, como dissidentes de guerras e pacientes em hospitais públicos.

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Imagine um hospital que…

Falamos sobre um experimento que uniu mais de 600 pessoas de nacionalidades diferentes em busca de um sistema de saúde que atenda às necessidades contemporâneas, com novas forças sociais, econômicas, tecnológicas e epidemiológicas.

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Se algum dia me vir chorando

Nem sempre os besteirologistas são queridos à primeira vista. Naquele dia, precisamos ir além da máscara do palhaço pra fazer a pequena paciente acreditar que por trás daquele nariz havia um ser humano que também era chorão.

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Diário de um pequeno rebelde

Em abril contamos sobre um jovem que insistia na agressividade com os palhaços. Talvez ele apenas precisasse de carinho.

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Histórias de mães

Maio foi o mês das mães. Pedimos a elas que contassem histórias especiais com seus filhos em hospitais. Foram 25 histórias que só podiam ser escritas por mães <3

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Marlene-Riguete

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Quando a vida real invade a ficção

A Dra. Pororoca ficou gravidíssima esse ano. Ela conta como trabalhou em trio, dois adultos e um bebê na barriga.

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Os dois lados da mesma esquina

Contamos sobre um daqueles momentos que nos pegam de calças curtas. A senhora pedia um abraço pois o neto havia partido.

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O fantástico leilão do Mateus

O Mateus é um jovem paciente da UTI Pediátrica do Hospital do Mandaqui que nos conhece há muito tempo. Ele resolveu presentear cada palhaço com algo muito especial.

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A doença vale a pena

Será possível encontrar algo de precioso na doença? Algo que a faça valer a pena?

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Uma história sobre o inevitável

O que a iminência da morte pode nos provocar, nos ensinar? Aquela visita nos tocou profundamente.

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Essa nossa dúvida

Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos? Dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. 

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Quer mais histórias?

Percorra o Blog dos Doutores da Alegria para ver outras histórias sobre o nosso trabalho. E depois nos conte: qual foi sua história preferida em 2015? Em 2016 tem mais!

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Essa nossa dúvida

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Quando decidimos explorar o hospital como palhaços, miramos na figura do médico.

Foi o médico, lá em 1991, que inspirou o personagem “besteirologista”. Nosso figurino recebeu mais uma peça – o suntuoso jaleco, manto da profissão – e itens que parodiavam estetoscópios, termômetros e receituários. Cada artista incorporou o seu besteirologista: Dr. Zinho, Dra. Emily, Dra. Sirena, Dr. Lui e tantos outros.

Palhaços e médicos se colocam a serviço do outro e nutrem-se dos mesmos elementos para suas atuações: olhar, ouvir, compreender necessidades, interagir. O contraste talvez esteja na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro.

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Enquanto um erro do médico pode ser fatal, o besteirologista treina para o tropeço, para bater com a cara na porta. É no erro que se constrói graça e cumplicidade. Como pacientes ou meros espectadores, amparamos a sua fragilidade e rimos de suas trapalhadas.

No hospital a perfeição é exigida em cada detalhe. O palhaço ajuda a lidar com a vulnerabilidade da condição humana, com nossos conflitos e dificuldades, atuando para expandir os limites do comportamento.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

O palhaço nos leva a aceitar a dúvida e a hesitação; enquanto esperamos respostas rápidas e salvadoras da figura médica. Dá pra imaginar o peso da profissão, de cada palavra ou esperança dada!

Hoje o nosso trabalho nos hospitais ainda segue a paródia do médico, mesmo que superficialmente. As visitas leito a leito e o jaleco espelham a profissão. Mas dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos?

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Talvez cada hospital tenha as suas questões. O Instituto da Criança, referência em São Paulo, é diferente do Hospital do Campo Limpo, que é diferente do grande Hospital Barão de Lucena, no Recife, ou do Hospital Santa Maria, que trata pessoas com tuberculose no Rio de Janeiro.

A busca por essa resposta também é motor de diálogos e pesquisas hoje no Doutores da Alegria. Artistas e corpo administrativo pensam juntos. E a reflexão com a sociedade, com quem habita esses lugares públicos, é um passo importante nesta jornada.

Assim como o palhaço, deixemos que a dúvida faça sempre parte do trajeto.

Existir para…

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O dia a dia de uma organização está pautado por constantes e sucessivas indagações.

Por um lado estamos sempre nos perguntando se o propósito lá do início, em 1991, de levar a alegria do palhaço profissional para os hospitais públicos ainda é a estratégia mais contundente que podemos oferecer para transformar uma situação tão delicada que é a internação hospitalar.

E por outro lado, estamos sempre atentos se estamos conseguindo traduzir os fundamentos da organização – sua missão e estratégias – para a sociedade de maneira clara e possibilitando sua participação.  

Este aval da sociedade para uma organização como Doutores da Alegria é fundamental tanto quanto o impacto em nossos pequenos pacientes. Ela representa também o porquê de nossa existência. Essa dinâmica é o motor de uma associação viva, com finalidade pública, que atua inteiramente financiada por recursos da sociedade: verificar constantemente o impacto social das nossas ações e possibilitar que nossas estratégias sejam entendidas e adotadas pelas pessoas. O que era somente nosso por um instante passa a ter muitos donos. 

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Depois de 24 anos temos muito a celebrar pelos resultados alcançados e muito a exigir de nossa atuação adiante para contribuir por mudanças consistentes de que tanto nosso Brasil precisa. Os feitos estão relacionados ao que temos hoje no país de boas ações e políticas para mudar os hospitais, tendo em vista melhorar a experiência da internação pela ótica do paciente e de como o palhaço contribui para isso. E se no início o palhaço gerava estranhamento e indagação de sua pertinência, tempos depois seu exemplo trouxe diversas atividades para dentro hospital com o objetivo de “humanizar” o ambiente.

Parece muito, mas parece ser muito pouco. 

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Ainda muito falta a fazer pela saúde pública no país. Brasil afora, mesmo nos grandes centros, vemos hospitais estagnados, estruturas de serviço totalmente dissociadas dos valores mínimos de cidadania e direitos básicos. Profissionais desvalorizados, mal remunerados e insuficientes. Espaços físicos de atendimento que não poderiam estar em uso em várias funções públicas, muito menos para cuidar de humanos. 

Mesmo com tanto a comemorar, estamos sentindo um gosto amargo de que nosso país avança a passos muito lentos e isso nos persegue nas reflexões e na busca por soluções que gostaríamos de gerar para todos os hospitais brasileiros. 

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Doutores da Alegria atua no campo subjetivo, quer existir para melhorar as relações entre as pessoas. A ficção e a paródia possibilitam um novo significado ao real. O palhaço, ridículo, nada heroico, procura pela sua existência que não se impõe, que não se faz necessária ou importante, traz esta dimensão do humano que parece que está se esvaindo.

A organização transita pela saúde, pela cultura, pela assistência social. Como o ser, que não pode ser fracionado, também não estamos em um único campo de atuação; da mesma forma que não nos associamos à cura dos sintomas, mas deixamos que o organismo manifeste como está funcionando. 

A arte afeta as relações, nos ensina a pensar e a sentir o que não foi dito ou traduzido. Depois de 24 anos, sabemos que nosso existir não é mais o mesmo. Estamos inquietos, sempre buscando. 

 “A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…”

“Comida” (Titãs – Arnaldo Antunes/Sérgio Brito/Marcelo Fromer –  1987)

Luis Vieira da Rocha

A doença vale a pena

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Será possível encontrar algo de precioso na doença? Algo que a faça valer a pena?

Quando um mal-estar toma o nosso corpo, imaginamos que nada de bom podemos tirar dele. Parece uma perda de tempo. Se a doença se apossa, faz morada, o hospital se apresenta um refúgio frio do qual queremos nos livrar o mais rápido possível.

Num leito de hospital o tempo demora a passar. Demora. Demora. D e m o r a. Entramos em contato com situações que possivelmente não vivenciaríamos se estivéssemos saudáveis, mergulhados no trabalho, na família, no círculo social, na faculdade, no trânsito, na academia, no supermercado, ufa!

Na doença, as relações são construídas de forma diferente porque nossa percepção está mais sensível. Os sentidos se aguçam e ficamos mais atentos aos afetos que nos atravessam. O encontro com um palhaço pode ter um valor único naquele momento, assim como a palavra de um médico, e podemos nos surpreender com nossas próprias reações: “como fui corajoso!” ou “ainda tenho muito a enfrentar, mas estou consciente disso”.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

A doença nos tira o domínio sobre o tempo, nos tira o escudo, expõe nosso lado mais fraco, nos coloca de joelhos pela vida, e muitas vezes descobrimos quem somos e do que somos capazes quando baixamos a guarda. A doença obriga a viver o presente, devagar e sempre, um passo de cada vez. O enfrentamento pode ser mais fácil se deixarmos de pensar no futuro. É isso mesmo: o futuro carrega dois afetos que podem nos ludibriar – o medo e a esperança. Deixemos que o presente faça o seu trabalho e que estejamos nele de forma íntegra, colocando as expectativas de lado e eternizando cada momento.

Sim, é possível fazer a doença valer a pena. Não se trata de fazer apologia a ela, e sim de afirmá-la, entender que faz parte da caminhada. “Eu estou doente, mas também estou vivo!”.

Viver de forma afirmativa tira o peso e a culpa de nossas costas e nos habilita a encontrar uma maneira de se relacionar de forma diferente com a vida porque, afinal de contas, ela vale a pena em cada suspiro.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

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O que vem antes

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Depois de uma manhã de trabalho, encontrei a mãe de um paciente que lutava há mais de um ano contra o câncer.

Olhava para o seu rosto e só enxergava felicidade porque ela tinha acabado de receber o diagnóstico de que seu filho estava curado. Aproveitamos que estávamos próximos ao restaurante do hospital e, com um copo de suco, brindamos à vida.

Ela começou a relembrar um fato que me deixou pensativo…

Contou que teve um período da internação de seu filho que foi difícil, pois ele estava com a imunidade muito baixa e precisou ficou em isolamento na UTI. Ela tentava animá-lo e ele dizia para deixá-lo quieto porque “ele iria morrer mesmo“. 

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Nesse mesmo dia os besteirologistas apareceram na UTI e foram autorizados a entrar no quarto dele com aventais e máscaras descartáveis. Fizeram um combate de MC’s para ver quem fazia a melhor rima, pois era o que ele sabia fazer de melhor!

Em um curto espaço de tempo, parecia que tudo tinha mudado e aquele garoto aparentemente abatido, “à beira da morte”, agora morria de rir com as rimas atrapalhadas dos palhaços. 

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Depois de ouvir esse relato, tive a noção de que por muitas vezes não damos conta do que acontece minutos antes dentro de um quarto. Isso merece um brinde…

Porque ouvir isso de uma mãe, em mim, também gera vida!

Dr. Mingal (Marcelo Marcon)
Hospital Santa Marcelina – São Paulo

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Quem tem coragem?

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P. é um adolescente tímido e grande. 

Devido ao seu tamanho, tinha alguma dificuldade para se movimentar rapidamente. Em compensação, seu raciocínio e sua inteligência muito rápidos deixavam os besteirologistas a quilômetros e quilômetros de distância… Mesmo assim, lentamente, ele os acompanhava pelos corredores, sem abrir mão da visita exclusiva em seu quarto.

Dia desses, Pinheiro e Juca entraram em seu quarto e ele logo avisou, em tom dramático:

- Tem um tubarão dentro desse banheiro.
- O QUÊ? Um tubarão dentro do banheiro? Mas como ele foi parar aí?
- Não sei. Mas ele está aí. Abra a porta, entre e verá se não é verdade. 

quem tem coragem

A Juca ficou tão assustada com a possibilidade de encontrar um tubarão no banheiro que armou uma confusão no quarto pra criar coragem e entrar, já que o Pinheiro colocou ela à frente pra cumprir tal proeza. 

Cada vez que tentava abrir a porta, um escândalo acontecia. Até uma escada a Juca colocou na porta do banheiro e subiu, pra parecer maior e, talvez, o tubarão ter medo dela! Mas, para a surpresa de todos, foi na mão do Pinheiro que o tubarão apareceu. Um tubarão de luva hospitalar que, com a ajuda do P., tinha até música de fundo.

quem tem coragem

Com o tempo, o assustador tubarão começou a soltar alguns puns e foi murchando no quarto, segundo relatou o Pinheiro. Juca só teve coragem de voltar naquele quarto na semana seguinte, mas o menino não estava lá. Estava no corredor, e dizia que não podia ficar no seu quarto porque tinha uma cobra lá dentro. Por esse motivo incrível, teve a autorização dos besteirologistas para acompanhá-los no trabalho pelo 4º andar do Instituto da Criança.

Naquele mesmo dia, ele teve alta e foi embora. A imaginação solta do P. trouxe uma série de reflexões sobre o nosso trabalho. E aquele quarto vai ficar pra sempre marcado. Quem tem coragem de entrar?

Dra Juca Pinduca e Dr. Pinheiro (Juliana Gontijo e Du Circo)
Instituto da Criança – São Paulo

E a cor importa?

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Nesse último mês eu, Dr. Dus’Cuais, tenho trabalhado com um lenço de bolso.

Este, que é um item de muita elegância entre os homens, trouxe uma pulga atrás da orelha e me deixou muito intrigado.

Estamos no século 21. O mundo todo recebe informações em tempo real, cada dia que passa evoluímos em questões que antes não se falavam, antigamente as mulheres não podiam nem votar e hoje ocupam presidências… Então por que, ainda, dizemos que azul é cor de menino e rosa é de menina?

Pois é, meu lenço de bolso é rosa, e ouvi muitas coisas só por conta de sua cor.

- Huuuum e esse lenço?
- Nossa, lencinho rosa! 

A cor acabou ficando mais importante do que sua utilidade.

a cor importa

Eu, como bom cavalheiro, uso meu lenço para colocar numa poça de lama, para que uma dama possa passar sem sujar os sapatos. Posso “dar tchau” balançando o lenço porque fica muito mais chique do que um “tchau normal” e também posso emprestar meu lenço para alguém que estiver com vazamento de água nos olhos.

Enfim, além de ser algo muito elegante, o lenço também tem várias utilidades. Mas a pergunta que eu te faço é:

- E a cor importa?

Em tempo: dia desses eu e o dr. Chicô aparecemos com uma câmera na cabeça e gravamos nosso dia de trabalho. As imagens ainda estão na edição, mas em breve teremos cenas inéditas do ponto de vista de um besteirologista. Não perca!

Dr. Dus"Cuais (Henrique Rímoli)
Hospital do Mandaqui – São Paulo

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Bateu saudade do encontrão?

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Seis meses após o nosso encontrão – ou 3º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital – ainda bate saudade.

Encontro Nacional - Luciana Serra

Saudade de compartilhar conhecimentos, experiências e de trocar figurinhas sobre o trabalho no hospital. Pra reviver um pouco do que foi o evento, que reuniu mais de 100 participantes vindos de 13 estados brasileiros, assista ao vídeo que compila cenas dos melhores momentos dos quatro dias de encontro:

E aproveite pra comentar sobre o que ficou para o seu grupo, mudanças que vieram, reflexões… Somos todos ouvidos!

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Você pode segurar minha galinha?

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Vez em quando sempre é bom refletir sobre a essência do nosso trabalho. Uma história antiga habita nosso imaginário e faz parte do rol de grandes encontros e momentos que vivenciamos nos hospitais.

O trecho abaixo faz parte do livro “Boas Misturas – A ética da alegria no contexto hospitalar” (Editora Palas Athena – 2003), de Morgana Masetti, seguido de breve consideração da autora. Leia com calma e guarde uns minutinhos depois para pensar sobre o assunto – se quiser deixar um comentário pra gente com seu pensamento, melhor ainda. Vamos compartilhar saberes.

Trata-se de uma história contada pela artista Vera Abbud, a integrante mais antiga dos Doutores da Alegria, ainda em ação como a dra. Emily.

“Quando se aproximava da porta da UTI, depois de cumprir seu trabalho de manhã na enfermaria infantil, a besteirologista dra. Emily viu Maria, a mãe de Denise, uma menina que ficara internada muito anos por causa de um problema renal.

Sabia que seria um encontro difícil… A menina morrera no dia anterior e seu pai, transtornado pela dor, se suicidara ao receber a notícia. Ele e a esposa, de tanto conviver com a equipe do hospital, tinham concentrado seus afetos ali naquele ambiente, dentro da UTI onde a criança era tratada. Tão presentes e íntimos, eles viraram ajudantes de palhaços.

No trajeto que separava uma da outra, a dra. Emily pensava na dor de Maria. Sem tocar no assunto, a mãe informou que precisava falar com o médico. Já tentara contato via interfone, sem sucesso. Pedira, então, para duas enfermeiras e mesmo assim não obteve resposta. A dra. Emily prometeu ajudá-la:

- Eu vou chamar o dr. João.

- Mas você volta – insistiu a mãe – porque eu já pedi para várias pessoas que entraram aí e ninguém me dá retorno.

- Olha, eu vou deixar minha galinha aqui de refém, para provar que eu vou voltar – disse Emily, tirando a ave de plástico de sua “maleta médica”.

Sem saber explicar por que, a dra. Emily sentiu e constatou que o gesto, tão simples e inesperado diante da situação, deixou Maria confiante de seu retorno. Assim, entrou na UTI à procura do dr. João.

Soube que ele estava na sala de descanso e foi até lá. No caminho, pensava no grande carinho que tinha por ele, uma pessoa muito especial, muito ligada a seus pacientes. Ele se envolvia de tal maneira que chegou a adotar uma criança de quem cuidara, abandonada no hospital pela mãe.

Ao chegar à porta do aposento, a Dra. Emily pediu permissão para entrar e o encontrou sentado à mesa, ao lado da bicama, com o semblante de quem está arrasado.

- Dr. João, a mãe da Denise pediu-me para dizer que precisa falar com o senhor.

Ele mal conseguia articular as palavras. Respondeu, com voz triste:
- Mas a criança… ela… morreu.

Dra. Emily compreendeu, naquele exato momento, que ele mesmo ainda estava tentando se apropriar do que tinha acontecido. Mergulhado em sua própria dor, ele não conseguiria olhar para a mãe da pequena paciente. Nem argumentou, apenas se despediu e fez o caminho de volta, pensando em como contaria para Maria o que estava acontecendo. Mas, para sua surpresa, ela já não estava mais ali, fora embora levando a galinha de plástico.

Tempos depois, a dra. Emily a encontrou, pois de vez em quando ela ainda visitava a equipe, com a qual mantinha forte ligação. Maria lhe disse então que, inexplicavelmente, o fato de receber a galinha de plástico como refém fez com que ficasse mais tranquila e decidisse ir embora para casa. Ela sabia o quanto aquela figura era valiosa para a dra. Emily, por ter vivenciado muitas brincadeiras e “rotinas médicas” envolvendo sua filha.

Voce pode segurar minha galinha - Luciana Serra

Como pode uma galinha de plástico desempenhar um papel tão importante nessa situação? Parece incrível, aos olhos da razão, que isso possa ocorrer. Qualquer profissional que tentasse responder à necessidade daquela mãe, procuraria um arsenal de palavras (ainda que mentalmente, sem expressá-las) capazes de acalmar um pouco sua dor. Simples ilusão humana. O gesto de deixar algo de grande valor para Emily gerou de imediato um espaço de confiança. É desse ponto de partida que se constrói o trabalho dos Doutores da Alegria.”

Enquanto há vida, há esperança

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“Não importa quanto a vida possa ser ruim, sempre existe algo que você pode fazer, e triunfar. Enquanto há vida, há esperança.”

O conhecido astrofísico britânico Stephen Hawking, autor da frase, tem 73 anos e sofre há cinco décadas da doença de Lou Gehrig (ou esclerose lateral amiotrófica), uma atrofia motora que o impede de movimentar quase todo o corpo, obrigando-o a viver confinado em uma cadeira de rodas. Além de ser considerado um dos homens mais brilhantes do mundo, autor da teoria dos buracos negros do universo, o astrofísico também é uma das pessoas com deficiência mais conhecidas na atualidade.

Stephen Hawking

Quando descobriu a doença, os médicos sugeriram que teria alguns meses de vida, nos quais assistiria ao seu declínio físico. Mas Hawking apostou na vida e veio a ser intérprete de uma história fantástica. Sua biografia foi retratada no filme “A Teoria de Tudo“, em cartaz no circuito brasileiro de cinemas.

Pela incrível interpretação em cena, o ator Eddie Redmayne ganhou ontem o Oscar de Melhor Ator. Para dar vida ao personagem, o ator conviveu com pessoas que sofrem da mesma doença e manteve conversas com o cientista. A preparação física foi difícil, envolvendo contorção de músculos, osteopatia e dores, uma vez que precisava ficar por horas com o corpo enrijecido. Mas Redmayne superou: “No final do dia, por mais que eu sentisse dor, eu podia me levantar e ir embora, e ele (Hawking) não podia, nem as muitas pessoas que conheci, por isso fiquei muito grato. Viver neste mundo faz você ser muito grato pela sua própria saúde.

Stephen Hawking e Eddie

Podem dizer que o cientista deve sua longevidade ao contato que tem com a tecnologia, cujas inovações permitiram, por exemplo, que ele conseguisse falar por meio de aparelhos. Ou à sua mente brilhante, que o colocou em contato com o melhor da Medicina. Talvez sim, talvez não… O que importa mesmo é que sua trajetória traz melhores expectativas aos portadores da esclerose lateral amiotrófica.

Sobre sua doença, Stephen Hawking é preciso: “Eu não tenho muita coisa boa para dizer da minha doença, mas ela me ensinou a não ter pena de mim mesmo e a seguir em frente com o que eu ainda pudesse fazer. Comecei a aproveitar a vida sem olhar para trás.”, diz o cientista.

Levando essa frase para o campo de atuação dos Doutores da Alegria, também acreditamos que é preciso não sentir pena. De si mesmo e do outro. A pena diminui a auto-estima, a capacidade de recuperação; e vinda do olhar do outro, cria um distanciamento, uma sensação de inferioridade. Como palhaços, colocamos a nossa arte a serviço dos outros, enxergamos de igual para igual e investimos em relações que empoderem a saúde frente à doença. Sentir pena não faz parte do nosso trabalho.

Assim como Hawking, insistimos que é importante viver o presente. Enquanto há vida, há esperança.

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