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As lições do mais longo estudo sobre a vida adulta

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Manter hábitos saudáveis certamente melhora a nossa vida: alimentar-se bem, dormir o suficiente, manter o check-up em dia, fazer exercícios e tudo o mais. Acontece que um novo ingrediente foi adicionado ao balaio: manter relacionamentos saudáveis.

Pelo menos é isso que traz um estudo – possivelmente o mais longo feito sobre a vida adulta – feito pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Eles investigam, há mais de 75 anos, o que nos mantêm saudáveis e felizes enquanto passamos pela vida.

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O Estudo de Desenvolvimento Adulto, coordenado hoje pelo psiquiatra e psicanalista Dr. Robert Waldinger acompanhou a vida de 724 homens, dos quais 60 ainda estão vivos e participam do estudo. E há dez anos, as esposas destes homens também participam do estudo. O próximo passo é incluir os mais de dois mil filhos destas pessoas. Veja aqui o estudo completo.

Nesta palestra de 2015 no TED Talks, ele explica a descoberta. “Ouvimos constantemente que devemos priorizar o trabalho, dar nosso melhor e conquistar mais coisas. E nos dão a impressão que essas são as coisas que devemos correr atrás para se ter uma vida boa.”, conta Dr. Waldinger.

 

A cada dois anos, os pesquisadores enviam questionários, entrevistam alguns participantes, conversam com suas esposas e filhos, recebem seus boletins de saúde e até escaneiam seus cérebros.  O volume de informações gerado é impressionante e certamente trará novas descobertas.

Mas Dr. Waldinger é categórico quanto ao aprendizado principal extraído do estudo. “Quais são as lições que extraímos das dezenas de milhares de páginas de informação que geramos sobre essas vidas? Bem, as lições não são sobre riqueza ou fama ou trabalhar mais e mais. A mensagem mais clara que tiramos desse estudo de 75 anos é esta: bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis. Ponto final.”

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E ele lista três grandes lições sobre relacionamentos durante a vida:

Conexões sociais são muito boas para nós, a solidão é tóxica

Estar conectado com a família, amigos e comunidade manteve os participantes fisicamente mais saudáveis e mais felizes do que as pessoas com poucas conexões. Já pessoas mais isoladas do que elas gostariam de estar tem uma experiência de vida diferente: descobrem que são menos felizes, sua saúde decai precocemente na meia idade, seu cérebro se deteriora mais cedo e vivem vidas mais curtas do que aqueles que não são solitários. 

O que importa é a qualidade dos seus relacionamentos mais próximos

Não se trata apenas do número de amigos que você tem, ou se você está ou não em um relacionamento sério, mas sim da qualidade dos seus relacionamentos mais próximos. Casamentos muito conflituosos, por exemplo, sem muito afeto, podem afetar a saúde em longo prazo, enquanto que viver em meio a relações boas e reconfortantes parecem nos proteger durante o envelhecimento.

“Nossos homens e mulheres mais felizes em uma relação relataram, aos 80 anos, que nos dias que tinham mais dor física, seu humor continuava ótimo. Mas as pessoas que estavam em relacionamentos infelizes, nos dias que tinham mais dor física, esta era intensificada pela dor emocional”, conta o pesquisador.

Relações saudáveis protegem não apenas nossos corpos, mas também nossos cérebros

As pessoas em relacionamentos nos quais sentem que realmente não podem contar com a outra pessoa são as que acabam tendo declínio de memória mais cedo. E esses relacionamentos bons não precisam ser tranquilos o tempo todo. 

“Alguns de nossos casais octogenários podiam discutir um com o outro dia sim, dia não, mas contanto que sentissem que poderiam contar um com o outro quando as coisas ficavam difíceis, aquelas discussões não prejudicavam suas memórias.”, finaliza. 

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Cultivar bons relacionamentos ao longo da vida é mesmo um trabalho incansável.

Demanda energia para passar por momentos conflituosos e nada tem a ver com fama, riqueza ou grandes conquistas. Bem, e se você já praticou seu exercício preferido hoje ou dormiu bem nesta noite, que tal encontrar aquele amigo de infância ou convidar seu parceiro para um passeio inesperado?

As três principais tendências em saúde para 2018

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Enquanto fazemos uma pausa no trabalho dos hospitais neste início de ano, pesquisamos o que nos aguarda em 2018 no campo da saúde.

Já falamos sobre o salto de qualidade técnica da Medicina nos últimos anos, que teve a tecnologia e os avanços científicos a seu favor. Também colocamos na mesa os dilemas envolvendo o sistema único de saúde no Brasil, um dos únicos no planeta que se coloca à disposição para toda a sua população.

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Pois bem: segundo especialistas em saúde, o ano de 2017 foi marcado por crises na área ao mesmo tempo em que trouxe transformações que devem continuar nos próximos anos. Vejamos então as três tendências em saúde importantes apontadas por eles para 2018:

Avanços tecnológicos relacionados à longevidade

O número de pessoas acima dos 60 anos no Brasil, hoje em 12,5%, deverá quase triplicar até 2050, ultrapassando a média mundial, de acordo com o Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento. Essa realidade vem trazendo uma mudança no perfil de óbitos: as maiores causas de mortalidade no país são doenças cardiovasculares (33%), câncer (20%) e mortes violentas (13%).

O avanço tecnológico já permitiu o desenvolvimento da robótica da Medicina, trouxe qualidade e nitidez a exames de imagens e tornou as cirurgias mais assertivas. Agora, com foco na longevidade, vem trazendo respostas e novos medicamentos para doenças crônicas e degenerativas como o Alzheimer, a esclerose múltipla e o câncer, além de estudar por que envelhecemos e como retardar esse processo.

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Para Frank Pok, chefe de tecnologia no conglomerado farmacêutico AstraZeneca, “será a tecnologia dentro da sua casa, e não aquela em hospitais, que mudará a forma como lidamos com saúde”. Segundo ele, dados obtidos graças a sensores, smartphones e outros produtos podem ser uma fonte poderosa na mão de cientistas e a digitalização vai nos preparar para novos tratamentos, terapias e, claro, para prevenção

Foco na prevenção, diagnóstico precoce e a recuperação da saúde

Cuidar das pessoas antes de precisarem de hospitalização deixou de ser um ideal e vem se tornando uma prática. A preocupação com a saúde está cada vez mais evidente, ainda que mais fortemente entre as classes sociais mais ricas, e se manifesta por meio da alimentação, da atividade física e de hábitos saudáveis.

Recuperar a saúde significa mais qualidade para uma vida cada vez mais longeva. Para os hospitais, o tratamento crônico implica em maiores custos de assistência, e por isso a Medicina preventiva ganha espaço no trabalho e nos investimentos das operadoras de saúde e das empresas.

E o consumo de bens e serviços de saúde só cresce. Segundo levantamento do IBGE divulgado em 2017, as despesas nesta área oscilaram entre 18,5% e 19,6% do total do consumo do governo, entre 2010 e 2015. Já no caso das famílias, as despesas com consumo de bens e serviços de saúde passaram de 7,3% do total de seu consumo, em 2010, para 8,2%, em 2015.

Melhorar a experiência de internação

É certo que durante a internação há um distanciamento do cotidiano e de tudo que nos cerca – objetos, cheiros, hábitos, bichos de estimação, familiares. “Intimidade, identidade, controle sobre a vida, quase tudo vai pro espaço.”, como lembra Soraya Saide, atriz e palhaça do Doutores da Alegria.

Mas muitos hospitais já cruzaram a fronteira de locais frios e sisudos, em que a autoridade do médico e a necessidade de regras e padrões ficam acima de qualquer outra percepção. Se antes acreditava-se que ter qualidade exigia custos elevados e retorno improvável, hoje é claro que somente por meio dela é que as instituições atingirão sua sustentabilidade financeira e perenidade. Isso inclui investimento na formação dos profissionais e nas condições estruturais dos hospitais.

E ações de humanização e práticas artísticas elevam a percepção da qualidade de internação. Alguns exemplos disso são as obras de arte dispostas em todos os corredores do Chelsea and Westminster Hospital, brinquedotecas bem articuladas com as pediatrias e a presença permanente de palhaços profissionais.

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Bem, e se a contribuição do Doutores da Alegria para a saúde envolve melhorar a experiência de internação, ficamos à espreita para saber como estas outras tendências vão impactar no dia a dia de hospitais públicos. Muitos ainda enxergam um grande abismo entre o futuro que se apresenta e as condições presentes, agravadas pela falta de recursos para manter o básico com qualidade.

Que venha 2018!

Estes foram os textos mais lidos em 2017

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O universo da saúde domina os assuntos discutidos neste Blog. Está em cada história narrada pelos artistas e em cada reflexão trazida pela organização. De forma concreta, como na série sobre o sistema único de saúde, ou entrelaçada em diálogos com palhaços e crianças.

E como 2017 está chegando aos seus últimos suspiros, preparamos uma retrospectiva com os textos mais lidos do ano envolvendo o tema. Você tem um tempinho? 

Entre a ciência e o coração

Nas escolas de Medicina, onde Doutores da Alegria também atua formando estudantes para uma nova atitude, é comum o questionamento: os médicos, ao ganharem em ciência, perdem em coração? 

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Eu sei muito bem com quem você está agora, viu?

Soubemos de sua partida. Assim… Rápida… E a Dra Baju só queria que você soubesse que ela acreditava em você.

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Sentidos e sentimentos

Parece que os adultos acreditam que é perigoso sentir. A criança não tem medo de sentir. Fomos tentar entender na prática e na teoria o que significam alguns sentimentos e outras palavras que o tempo todo batem aqui no coração.

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Desapego: quem consegue, afinal?

Quando um de nossos pequenos pacientes tem alta e vai embora, deixa as boas lembranças dos encontros. Do que brincamos, dos risos trocados. Mas tem partidas que são definitivas e, às vezes, percebemos que nem sempre estamos tão preparados como pensamos…

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Alojamento conjunto: mães e bebês juntos até a alta

Mãe e bebê devem permanecer juntos desde o nascimento até a alta. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde, que reforça a importância do alojamento conjunto nos hospitais. O texto aborda o tema e traz fotos sensacionais de pequeninos, suas mães e palhaços.

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O luto e o que vem antes

Um papo sobre iniciativas que abrem caminho para uma reflexão mais consciente sobre a morte. E trazem um espaço acolhedor, seja ele real ou virtual, para que pessoas se conectem em busca de um recomeço para suas vidas.

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Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Quem manda aqui

É muito raro ouvirmos hoje em dia: “quem manda aqui…”, mas não é invenção, nem ficção. Ainda há médicos que se colocam no patamar da inexistência.

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SUS, capítulo 3: o HU resiste

O Hospital Universitário da USP é essencial para a comunidade local e para a formação de alunos das áreas da saúde. Mas nos últimos anos este hospital de excelência vem agonizando.

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Uma sabiá no isolamento

Soubemos que tinha uma superbactéria no quarto em isolamento. Mas também tinha uma menina. E, pasmem, tinha até uma sabiá.

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É sério: rir faz bem à saúde

Inúmeros estudos, de universidades e instituições relevantes, comprovam que o ato de dar risada e, principalmente o de gargalhar, ativam substâncias em nosso corpo que trazem sensações benéficas.

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O que é ser enfermeira

Enfermeiros e enfermeiras enfrentam batalhas intensas no seu dia a dia e nem sempre saem ilesos. E não só fisicamente, mas da alma e do coração. Assim como palhaços.

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5 coisas que você não sabia sobre Doutores da Alegria

Está lançado o desafio: você sabia de todas essas particularidades do nosso trabalho?

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E você: qual foi o seu texto preferido neste ano?

Eu tinha esquecido dessa tal humanidade. O hospital me fez lembrar.

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É muito genuíno o sentimento de humanidade que a situação de internação num hospital traz.

Talvez seja o momento da vida em isso mais aflora. Ou quem sabe seja o fato de termos que parar de nos preocupar com coisas da vida mundana para realmente sentir e viver o presente. Porque não importa mais se o trânsito está pesado ou se acabou o arroz em casa, importa agora se vou aguentar o tranco.

E, para isso, é preciso contar com pessoas. Estrutura também, remédios, um pouco de sorte, mas principalmente pessoas.

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Recentemente passei uma semana entre o quarto e a UTI. Duas ambulâncias, dois hospitais, muitos exames, picadas, diagnósticos, corredores. O termo “paciente” é mesmo pra justificar o tempo que se espera e a condição de entrega, sem muita reação, ao tratamento. Etimologicamente, “paciente” deriva do latim pati e do grego pathe, que significam “sofrer” ou “aguentar”. 

Mas eu volto à humanidade.

Assim que sofri o acidente, abri meus olhos e vi à volta dezenas de pessoas em plena rodovia. Você está bem, Gabi? Não se mexa. Calma que a ambulância já vai chegar. Quer que avise algum parente? Reclamavam de quem passava de carro devagarzinho só pra olhar. Faziam sombra para que o sol não atingisse os machucados já doloridos. Uma pena que, deitada, não pude enxergar o rosto de nenhum deles.

Durante esta semana recebi, talvez como em nenhum aniversário, o carinho de muitas pessoas. Em forma de palavras, de visitas, de lembranças e até de posts no Facebook, e foi incrível como isso ajudou no meu fortalecimento. Eu realmente senti a energia que esses amigos passavam.

Mas o que mais me tocou – e ainda toca – foi o que recebi dos profissionais de saúde. A humanidade de cada um em gestos simples como trocar a fralda, dar um banho numa cadeira de rodas depois de dias no leito ou trocar o acesso às veias de forma gentil. Lembro-me da fisioterapeuta que me guiava delicadamente pelos corredores, do rapaz que me ofereceu um cobertor na sala da tomografia, do motorista da ambulância que pedia desculpas após passar na lombada, do médico que me deu alta com um sorriso no rosto.

Na clausura da UTI, só me restava me apegar a estas pessoas. Desejar que estivessem felizes por deixar a família e trabalharem durante a madrugada fria naquele lugar, me fazendo companhia. Cuidando. Nunca fui de me apegar à metafísica, prefiro me apoiar no que posso ver e tocar.

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Ali também entendi, de forma verdadeira e forte, o significado do trabalho dos Doutores da Alegria. A falta que a imaginação despreocupada, a brincadeira e o riso fazem durante a internação – e a importância de manter uma atitude positiva. Pensei na poesia que é preciso ter para quebrar algumas barreiras e tentei supor como seria passar por isso enquanto criança ou idoso e, claro, lembrei do caso do Mateus e da Gabi, moradores de uma UTI, cujo sonho era ver a lua.

Nas duas semanas seguintes, já fora do hospital, valorizei cada pequena vitória e também o privilégio de ter uma família para me amparar naquele momento frágil. Agradeci por poder tomar um solzinho, olhei como pela primeira vez a grama verdinha que nascia na terra, me encantei com a sabedoria do corpo humano.

O tempo passou rápido.

Aos poucos, a vida vai puxando para o centro da roda de novo e o futuro começa a fazer mais parte dos pensamentos que o presente. Mas em tempos tão esquisitos, com hospitais sucateados e a saúde do país agonizando, essa brutal experiência me levou a acreditar neste fio invisível que nos liga: a humanidade. Obrigada a todos.

Gabi, da equipe de Comunicação do Doutores da Alegria.

SUS, capítulo 4: o que entra pela porta do hospital é o social

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Nos últimos capítulos desta série SUS, trouxemos dados sobre a saúde no país e a situação agonizante em que se encontra o Hospital Universitário da USP, em São Paulo.

Hoje o foco é outro equipamento de saúde pública: o Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, conhecido como Hospital Municipal do Campo Limpo, onde Doutores da Alegria também atua, todas as terças e quintas-feiras, há 13 anos.

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Um raio-X do hospital

Localizado na região Sul da cidade, o hospital recebe diariamente 1200 pessoas, a maioria dos bairros de Capão Redondo, Jardim Ângela, Jardim São Luiz e cidades vizinhas como Embu, Taboão e Itapecerica da Serra. Referência em traumas e neurocirurgia, atende muitos casos graves e acidentes. 

O hospital tem 27 anos de existência e ocupou um espaço importante na região, que sofria com a inexistência de um hospital de grande porte. Desde 2008, parte da demanda foi absorvida pelo Hospital M"boi Mirim.

foto-hospital-campo-limpofoto: www.fiquemsabendo.com.br

Em 2005, o Campo Limpo passou por sua primeira reforma, que expandiu o número de leitos, além de melhorar as instalações do pronto-socorro, do centro cirúrgico e do centro de imagens. Em 2013, foram reabertas as vagas da UTI, que recebe em média 29 internações por mês e 344 por ano, segundo dados do portal da Prefeitura.

Entre 2013 e 2015, o Hospital do Campo Limpo liderou as reclamações de pacientes, representando 13% do total de reclamações contra os hospitais municipais da capital. E segundo apuração recente do jornal Folha de S.Paulo, toda a verba prevista para a compra de materiais e novos equipamentos (R$ 1,2 milhão) no Campo Limpo está congelada e faltam insumos básicos, como gaze e esparadrapo. 

O Hospital do Campo Limpo é um reflexo da comunidade local.

A região atendida pelo hospital é uma das mais populosas da cidade, com mais de 1,5 milhão de pessoas, grande parte em situação de vulnerabilidade social. Destas, 26% moram nas 237 favelas localizadas entre as subprefeituras do Campo Limpo e do M"boi Mirim.

Além da falta de habitação e saneamento básico, entre os maiores problemas da região se destacam a violência, a mobilidade e a falta de creches e opções de lazer e cultura para crianças e adolescentes. Um complexo quebra-cabeça que em nada contribui para a promoção da saúde.

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“Encontramos muitas crianças acidentadas; uma que caiu da laje, outra que foi atropelada por uma moto, o outro que atropelou a perua escolar que passava na rua, outra que a mãe não quis mais, outro que foi violentado, enfim… Reflexo da dura realidade em que vive a maior parte da população do nosso país., conta a atriz e palhaça Luciana Viacava, que atua ao lado de Vera Abbud neste ano no hospital.

Histórias de bebês e crianças abandonadas são das mais frequentes. Mães muito novas, situações evitáveis, drogas; mas crianças e pais adoráveis e profissionais muito empenhados. Para o ator e palhaço David Tayiu, estar no Hospital do Campo Limpo é se defrontar com o humano de uma forma quase cruel.

“Antes de chegarmos no pronto socorro infantil, passamos por um corredor surreal – ou real em demasia. Lá, os médicos e enfermeiros são super humanos, trabalham por muitos e se envolvem com cada caso, com cada pessoa, compreendem, respeitam e agradecem a nossa presença. Em uma sociedade que falta tudo, principalmente o básico para sobreviver, se sentem frustrados por suas limitações. A impressão que tenho é a de que gostariam não somente de curar a doença, mas a vida daquelas pessoas.”, conta ele. 

Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

A questão social no Hospital Municipal do Campo Limpo é muito forte e presente. O que entra pela sua porta reflete o abandono a que esta população está submetida, em diversas instâncias, em um local em que o Estado quase se ausenta.

Vera Abbud, que atua há 25 anos em hospitais públicos de São Paulo, sempre faz a mesma pergunta, engasgada na memória de cenas e histórias que se repetem. “Quando atos como esses se repetem incansavelmente numa mesma parcela da cidade durante anos a fio, não está na hora de se perguntar se essa parcela da cidade está sendo bem cuidada, observada e protegida com dignidade pelas autoridades responsáveis?.

Enquanto palhaços, não temos respostas, brincamos com as perguntas. Mas enquanto artistas e membros de uma organização da sociedade civil, temos a responsabilidade de buscar caminhos para uma saúde universal e que vá além da ausência de doença.

Música nos hospitais: arte e tecnologia em favor do cuidar

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Falar de música em hospitais não é novidade. Há muita afinidade entre a arte da música e a arte de cuidar.

Como traz Eliseth Leão, estudiosa do assunto, “em culturas diversas, o médico e o músico são representados por uma mesma imagem ou símbolo. O Imperador Amarelo, na antiga China, é considerado o fundador da Medicina e da música. Na mitologia grega, Apolo simboliza a estreita relação que existe entre a música e a Medicina.”

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Uma reportagem recente da Folha de S.Paulo questiona a ausência de música nas UTIs. “Um aspecto que poucas pessoas param para pensar é o som em um ambiente de UTI. Bipes, alarmes sinalizando que um batimento cardíaco ficou muito baixo ou muito alto. Ou que a oxigenação caiu, um elétrodo saiu do lugar. Também é constante o som da televisão, o som de uma respiração artificial, o som de um choro contido. Enfermeiros e médicos passam plantões, celulares apitam, telefones tocam”, escreve a repórter Camila Appel.

Ela também descreve uma experiência no Hospital da University College, em Londres. Foi organizado um show ao lado do hospital, com transmissão ao vivo aos pacientes através de fones de ouvido e ipads esterilizados.

Práticas inovadoras também vêm surgindo por aqui, com a perspectiva de obter um resultado terapêutico através da música. Em abril, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, se associou ao Spotify (serviço de distribuição de streaming, podcasts e vídeos) para oferecer playlists/seleções musicais especiais para seus pacientes e clientes.

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Há playlists diversas, entre elas para o Serviço de Hemodinâmica, Ressonância Magnética e Banco de Sangue. Os ouvintes são convidados a avaliar a sua experiência ao entrar em contato com a música em momentos determinados, de modo que estudos possam verificar quais aspectos e como a música atua na promoção de bem-estar. A pesquisa é conduzida por Eliseth Leão, com curadoria de pessoas como o Maestro Walter Lourenção, que já regeu a Orquestra Municipal de São Paulo e a OSESP.

Para Doutores da Alegria, a música é facilitadora na construção de relações sensíveis. Ela é base, recheio, fundo, entrelinhas e silêncios. A música faz parte de todos os nossos projetos, desde o ukulelê tocado pelo besteirologista ao lado do leito de uma criança até um cortejo musical com sanfona e bumbo que ressoa pelos corredores da enfermaria. Também está na grade curricular dos nossos cursos e em ações com a Escola de Música do Estado de São Paulo.

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Além das habilidades do palhaço, é fundamental ter bons ouvidos. Não necessariamente ouvidos absolutos, mas ouvidos acurados.

“Pode-se criar algo a partir do som repetitivo que sai de uma máquina que monitora o coração. Claro que a máquina que monitora um coração não é um metrônomo, que pode ser regulado para a música que será tocada, mas podemos ouvir esta pulsação com ouvidos de palhaço, e então cabe preencher a partitura desse monitoramento. Entre um pi e outro, cabe um estalar de língua, uma nota na flauta, um batuque discreto, um acorde de violão ou uma percussão corporal qualquer. Depois dessa experiência, a criança passa a escutar este som ao lado de seu leito, com outros ouvidos, mesmo na ausência dos palhaços”, conta Thais Ferrara, atriz, palhaça e musicista, hoje Diretora de Formação do Doutores da Alegria.

Dentro ou fora dos hospitais, a música conta histórias, emociona, inspira. Ela também serve para abrir canais com a criança que está distante, receosa ou, ainda, deprimida pelas circunstâncias da doença.

“Pode também ser um fundo musical para uma ação que já está acontecendo. Já acompanhamos crianças até o centro cirúrgico, com uma bandinha que abria espaço no “trânsito” pelos corredores do hospital. Já fizemos serenata da janela, para crianças em isolamento, e para enfermeiras no balcão da Enfermagem”, conta Thais. 

Com as novas tecnologias disponíveis, iniciativas como transmissões de música ao vivo e uso de playlists para pacientes certamente alcançarão mais hospitais e farão parte da nossa realidade em um futuro próximo.

Cabe aos profissionais de saúde – e aos besteirologistas, claro – saber como se aproveitar destes recursos para promover algo milenar: a arte de cuidar.

SUS, capítulo 1: o direito que todos temos à saúde

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Ser um hospital de atendimento público é a primeira condição para que Doutores da Alegria desenvolva seu trabalho em um equipamento de saúde. Sim: todos os hospitais que atendemos integram o Sistema Único de Saúde.

O SUS é referência internacional, mas enfrenta diversos problemas – muitos deles acompanhados há décadas pelos artistas que integram esta organização.

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A realidade dos hospitais públicos traz questões sociais muito latentes, que envolvem desde a estrutura familiar das crianças e a escassez de direitos básicos até as condições de trabalho dos profissionais de saúde.

Para tentar entender a abrangência do SUS, que tem apenas 30 anos de existência, trazemos uma série de textos e reflexões a partir da experiência do Doutores da Alegria.

De onde veio o SUS?

Antes de 1988, o sistema de saúde brasileiro atendia somente a quem contribuía para a Previdência Social, em torno de 30 milhões de pessoas. Quem não integrava o mercado de trabalho formal dependia da caridade e da filantropia.

Na década de 70 nasceu o Movimento Sanitarista, formado por médicos e outros profissionais preocupados com a saúde pública e com a melhoria das condições de vida da população. O direito à saúde foi uma conquista que veio em 1988, na Constituição brasileira. Ela reconheceu o acesso universal à saúde, por meio de um Sistema Único de Saúde, como um direito fundamental.

“Saúde é direito de todos e dever do Estado”, diz ela. Assim, todos os brasileiros, independentemente de vínculo empregatício, passaram a ter direito à saúde universal e gratuita, financiada com recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

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Um dos maiores sistemas de saúde do mundo

Se no início o sistema priorizava a medicina curativa, conceituando saúde meramente como ausência de doença, hoje o SUS atua com atenção integral à saúde, por toda a vida, e define saúde como qualidade de vida.

Em torno de 150 milhões de pessoas são atendidas unicamente pelo SUS em todo o Brasil. Outras 50 milhões possuem planos de saúde e atendimento privado, embora 75% dos procedimentos de alta complexidade sejam realizados no sistema público.

O SUS é referência internacional, um dos maiores sistemas de saúde do mundo, com muitas ilhas de excelência: programas de vacinação (o maior programa gratuito do mundo), transplantes de órgãos, hemocentros, programas de combate à AIDS, serviços de urgência e emergência (SAMU), entre outros.

Com tantas qualidade e progressos em apenas 30 anos, por que a saúde ainda é avaliada como o principal problema dos brasileiros? Você faz ideia? Bem, falamos disso no próximo capítulo…

Pokemon Go nos hospitais – ou como o virtual constrói novas relações

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Muitos tratamentos exigem que a criança hospitalizada faça caminhadas pelos corredores para se recuperar. Levantar da cama, esforçar-se para mexer o corpo, encontrar outras pessoas e respirar novos ares pode contribuir para deixar o hospital mais rápido.

O jogo para celular Pokemon Go, que recentemente chegou ao Brasil, vem incentivando crianças de hospitais mundo afora a deixarem seus leitos em busca de uma boa aventura. Profissionais de saúde e familiares dos pequenos também entram na brincadeira, caçando os bichinhos e tornando o hospital um lugar um pouco menos frio.

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Com base na realidade virtual, o jogador precisa andar e mover seu celular para caçar os bichinhos. “As crianças estão explorando um lugar que, há cinco minutos, talvez elas tivessem medo. Agora elas querem ver cada canto do hospital e aprender sobre ele”, conta J.J Bouchard, profissional da administração do C.S. Mott Children’s Hospital, nos Estados Unidos.

Além do benefício da caminhada, o jogo tem promovido encontros. Segundo o jornal Huffington Post, o pequeno Ralphie, de seis anos, tem transtorno do espectro autista e sente dificuldade em situações sociais. Mas jogar Pokemon Go ajudou-o a conhecer crianças de sua idade pelos corredores.

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Aqui no Brasil, as crianças hospitalizadas vêm fazendo uso do celular há muitos anos para se distrair dos longos momentos de internação. Os palhaços, que traduzem o mundo a partir de uma linguagem própria, entram no jogo, criando uma relação que transita entre o virtual e o real com cada criança. Pokemon Go certamente trará uma nova experiência para as intervenções artísticas.

Até quando o jogo será interessante a ponto de manter os pequenos caminhando não sabemos. E que outras inovações baseadas na realidade virtual surgirão… Também não. O fato é que o mundo virtual não tem fronteiras e pode desassossegar relações humanas, alterando a rotina de locais bastante intocáveis como os hospitais.

O que nos resta é continuar apostando na força dos encontros que dão um empurrãozinho para a recuperação da saúde.

Em 1990

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Nos anos 90, no início do trabalho dos Doutores da Alegria, os hospitais brasileiros tinham uma estrutura diferente do que vemos hoje – não havia, por exemplo, diferenciação entre a ala infantil e a ala adulta.

A proposta de levar um palhaço para dentro do hospital era muito inovadora porque a ideia que as pessoas tinham era a do palhaço de circo, acostumado a lidar com grandes plateias. O que um médico acharia de uma figura como esta entrando em um quarto de uma criança debilitada? Vocês podem imaginar.

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Mas Wellington Nogueira tinha visto o surgimento dessa atividade em Nova York e tinha certeza de que o trabalho traria resultados se o artista fosse inserido no ambiente hospitalar como integrante do quadro profissional – e não como um visitante, com um trabalho pontual em uma data comemorativa.

Foi assim que ele apresentou o “besteirologista”, o palhaço que fazia a paródia do médico, e convenceu as diretorias hospitalares e os profissionais de saúde de que era uma tarefa permanente. 

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No final da década, o Estatuto da Criança e do Adolescente já avançava e garantia direitos como a presença de um acompanhante junto às crianças hospitalizadas. Na mesma época, o Programa Nacional de Humanização trazia novas diretrizes para os hospitais e reconhecia os benefícios da intervenção do palhaço.

Em 1997 Doutores da Alegria recebeu o Prêmio Criança, da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança. Em paralelo, pesquisas comprovavam que a presença contínua do palhaço trazia melhoras ao tratamento médico, além de qualificar as relações humanas naquele ambiente.

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Este cenário tornou o trabalho da ONG reconhecido e muito bem avaliado por diretorias, por profissionais de saúde e principalmente pelo seu público, as crianças!

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Na década seguinte o trabalho se solidificou e Doutores da Alegria ampliou sua atuação. Em 2009 e em 2010 recebeu o Prêmio Cultura e Saúde, iniciativa conjunta dos Ministérios da Cultura e da Saúde.

E hoje, quase 25 anos depois, há mais de 1.000 iniciativas semelhantes espalhadas pelo país e milhares de pessoas buscando a qualificação do trabalho para atuar junto às crianças. Que assim seja!

Existir para…

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O dia a dia de uma organização está pautado por constantes e sucessivas indagações.

Por um lado estamos sempre nos perguntando se o propósito lá do início, em 1991, de levar a alegria do palhaço profissional para os hospitais públicos ainda é a estratégia mais contundente que podemos oferecer para transformar uma situação tão delicada que é a internação hospitalar.

E por outro lado, estamos sempre atentos se estamos conseguindo traduzir os fundamentos da organização – sua missão e estratégias – para a sociedade de maneira clara e possibilitando sua participação.  

Este aval da sociedade para uma organização como Doutores da Alegria é fundamental tanto quanto o impacto em nossos pequenos pacientes. Ela representa também o porquê de nossa existência. Essa dinâmica é o motor de uma associação viva, com finalidade pública, que atua inteiramente financiada por recursos da sociedade: verificar constantemente o impacto social das nossas ações e possibilitar que nossas estratégias sejam entendidas e adotadas pelas pessoas. O que era somente nosso por um instante passa a ter muitos donos. 

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Depois de 24 anos temos muito a celebrar pelos resultados alcançados e muito a exigir de nossa atuação adiante para contribuir por mudanças consistentes de que tanto nosso Brasil precisa. Os feitos estão relacionados ao que temos hoje no país de boas ações e políticas para mudar os hospitais, tendo em vista melhorar a experiência da internação pela ótica do paciente e de como o palhaço contribui para isso. E se no início o palhaço gerava estranhamento e indagação de sua pertinência, tempos depois seu exemplo trouxe diversas atividades para dentro hospital com o objetivo de “humanizar” o ambiente.

Parece muito, mas parece ser muito pouco. 

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Ainda muito falta a fazer pela saúde pública no país. Brasil afora, mesmo nos grandes centros, vemos hospitais estagnados, estruturas de serviço totalmente dissociadas dos valores mínimos de cidadania e direitos básicos. Profissionais desvalorizados, mal remunerados e insuficientes. Espaços físicos de atendimento que não poderiam estar em uso em várias funções públicas, muito menos para cuidar de humanos. 

Mesmo com tanto a comemorar, estamos sentindo um gosto amargo de que nosso país avança a passos muito lentos e isso nos persegue nas reflexões e na busca por soluções que gostaríamos de gerar para todos os hospitais brasileiros. 

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Doutores da Alegria atua no campo subjetivo, quer existir para melhorar as relações entre as pessoas. A ficção e a paródia possibilitam um novo significado ao real. O palhaço, ridículo, nada heroico, procura pela sua existência que não se impõe, que não se faz necessária ou importante, traz esta dimensão do humano que parece que está se esvaindo.

A organização transita pela saúde, pela cultura, pela assistência social. Como o ser, que não pode ser fracionado, também não estamos em um único campo de atuação; da mesma forma que não nos associamos à cura dos sintomas, mas deixamos que o organismo manifeste como está funcionando. 

A arte afeta as relações, nos ensina a pensar e a sentir o que não foi dito ou traduzido. Depois de 24 anos, sabemos que nosso existir não é mais o mesmo. Estamos inquietos, sempre buscando. 

 “A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…”

“Comida” (Titãs – Arnaldo Antunes/Sérgio Brito/Marcelo Fromer –  1987)

Luis Vieira da Rocha