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Viu o que você fez?

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O menino assistia a um desenho de super-heróis quando chegamos.

Nos apresentamos como besteirologistas: Dra Greta e Dr. Pinheiro. Nenhuma reação por parte dele. A mãe disse que ele era sério, então ficamos sérios. Ele dividia o olhar entre a TV e os besteirologistas.

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Eis que Greta começa a sentir algo, um tremelique.

Dr. Pinheiro – O que é isso?
Dra Greta – Não sei, tô sentindo uma transformação!

Ela se dirige ao fundo do quarto. O menino acompanha com os olhos.
Pinheiro – Greta, aonde você vai?
Greta – Calma, Pinheiro! Preciso de um lugar secreto. 

Dr. Pinheiro percebe a movimentação. Começa a tocar a trilha sonora do Batman. Mesmo sem entender, mãe e filho acompanham tudo atentamente. Eis que Greta surge! 

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Greta – Eu sou a BateGreta! Estou aqui para mostrar os meus super poderes!

O garoto solta um sorriso. BateGreta, desastrada, bate em todas as coisas do quarto. Dr. Pinheiro tenta contê-la, mas não consegue. E o garoto começa a gargalhar.

BateGreta lança um raio fulminante em Pinheiro! Seu chapéu começa a desobedecê-lo, não para em sua cabeça, dá voltas em seu braço, se equilibra no nariz… Nesse momento o garoto já não controla sua risada e… Ops!

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MãeFilho, você fez xixi nas calças de tanto rir!, diz ela carinhosamente.
Pinheiro – Viu o que você fez, Greta?
Greta – Eu não fiz nada, são os meus superpoderes!
Pinheiro – Já pra fora!

BateGreta ainda dá de cara com a porta ao sair do quarto.

Mãe – Nossa! É a primeira vez que o vejo rir tanto desde que está aqui. Obrigada! Vamos trocar a calça, filho?

Dra Greta Garboreta,
conhecida fora dos hospitais como Sueli Andrade,
direto do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, em São Paulo.

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Doutores recomenda: Se fosse fácil não teria graça (SP)

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Nando Bolognesi, ou Palhaço Comendador Nelson, integrou o elenco do Doutores da Alegria há alguns anos.

Aos 21 anos, ele descobriu ser portador de esclerose múltipla. Hoje, aos 46 anos, ele traz para o palco o espetáculo Se fosse fácil não teria graça, em que relata como superou as dificuldades da doença degenerativa e incurável. Para isso, ele usa a experiência como palhaço na vida real para contar, de maneira emocionante e divertida, como tem enfrentado as situações mais corriqueiras.

Nando provoca risos e emoção ao mostrar como dificuldades podem ser transformadas em alegrias, desafios e realizações, e convida a refletir sobre a vida, a morte e a existência humana.

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Onde, quando?

Quintas-feiras, até 4 de agosto (exceto dia 30/06), às 21h
Teatro Tucarena – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo
Duração: 80 minutos
Indicação de faixa etária: 14 anos
Capacidade: 176 lugares
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia entrada) e R$ 10 (estudantes, professores e funcionários da PUC)
bilheteria: terça-feira a domingo das 14h às 20h
www.ingressorapido.com.br 
(11) 4003-1212

Bom humor é bom

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Nem todo mundo sabe, mas o foco do trabalho dos Doutores da Alegria é artístico e não possui fins terapêuticos. Apesar disso, alguns resultados atestam a transformação do ambiente hospitalar a partir do encontro da criança com o besteirologista. Mas como a gente percebe o impacto do bom humor na recuperação de pacientes?

De duas maneiras principais: na observação diária e por meio de pesquisas (veja mais abaixo).

Entre outros resultados, já comprovamos que:

- uma criança mais alegre e animada colabora e responde melhor ao tratamento;
- o bom humor pode ajudar o paciente a se relacionar com o tratamento, com os profissionais e com os desafios da doença de uma maneira mais rica em possibilidades;
- ao passar por uma situação de internação, o bom humor traz a oportunidade de reflexão acerca de novas formas de viver a vida a partir da cura.

Para Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria, “o bom humor pode nos lembrar que existe vida ANTES da morte”.

E fora dos hospitais? Qual a importância do humor no dia a dia?

Ah, ele influencia em nossas escolhas! Você escolhe o que te tira ou não do sério e não se deixa abater facilmente, demonstrando uma atitude mais otimista e esperançosa frente aos obstáculos. Para nos ajudar a manter o bom humor, Wellington dá algumas dicas:

“Em primeiro lugar, respirar, sempre, porque esse simples ato já nos relaxa e oxigena; respirar fundo e expelir o ar devagar é uma ótima forma de relaxamento. Nos hospitais, aprendi a enxergar que além da doença existe um lado saudável na criança que pode ser estimulado. Podemos fazer a mesma coisa e nos agarrar ao que está bom: posso estar no trânsito e escolher ficar amargurado ou ouvir uma música agradável, pensar em algo bom que me aconteceu e até mesmo planejar algo para fazer quando sair do trânsito!

Enquanto existe vida, existe sempre a oportunidade para pensarmos nesse lado mais saudável. Ter consciência de que temos essa escolha já nos faz mais fortes! Se nos posicionarmos como vítimas do tempo e do mundo, assim seremos; se fizermos a escolha pela saúde e pela alegria genuína, colheremos os frutos também.”

Como você faz para manter o bom humor no seu cotidiano?

* Sobre as pesquisas: Doutores da Alegria tem a pesquisa em seu DNA. Como organização da sociedade civil, tem a responsabilidade de prestar contas do impacto social de seu trabalho. O primeiro registro com os resultados do impacto do programa de visitas foi realizado com a publicação “Soluções de Palhaços”, de Morgana Masetti, que apresenta, dentre contos que misturam ficção e realidade, resultados da pesquisa qualitativa aplicada junto às crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. Em 2008 apresentamos resultados de uma pesquisa realizada junto ao Instituto Fonte com profissionais de saúde de hospitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em 2013 uma nova pesquisa realizada no Recife trouxe resultados semelhantes.

Da criança que ele é


As besteirologistas Xaveco Fritza e Juca Pinduca foram alertadas sobre um caso delicado na Pediatria do Hospital do Mandaqui.

O menino D., de treze anos, estava internado. Por causa de um acerto de contas entre traficantes, ele apanhou e levou tiros na perna. Ele trouxe consigo todo o peso da tragédia de sua vida, não somente pelo estado clínico que se encontrava, mas principalmente pelo linguajar, com muitas frases obscenas, palavrões e ameaças.

Munidas de música, poesia e bobagens, as palhaças entraram em seu quarto, que estava bastante pesado para as outras três crianças, mais ou menos da mesma idade, juntamente com seus acompanhantes.  Todos apavorados com a situação.

As duas sabiam que atrás daquela fúria existia um olhar de criança escondido. Esta era a única certeza que elas tinham e com isso trabalharam. Após muitas palavras de recusa, D. se escondeu nas cobertas. Até que… 

Ei! E aquela gaita nas costas dela? – perguntou ele para a Dra. Xaveco, que logo respondeu:

Não é gaita, é um acordeon. Uma sanfona… Quer ver?

Posso tocar?, disse ele.

Você sabe? 

E ele, orgulhoso demais para dizer que não sabia: Sei!

A besteirologista então propôs um teste e disse que, se ele passasse, poderia tocar no forró junto com elas. Ele achou o absurdo engraçado, esboçando pela primeira vez um sorrisoA Dra. Pinduca entregou a ele o acordeon e ajudou com os acordes. O menino se entregou totalmente à curiosidade daquele som. Após saciar a sua vontade, como criança inquieta que é, disse que queria tocar o outro instrumento. 

Esta é uma clarineta. Você não pode tocar porque tem de colocar a boca aqui e eu já fiz isso, entendeu? Podemos fazer uma serenata se você aplaudir no final. Topa? 

Diante da promessa de aplausos, elas prepararam um pequeno palco com as escadinhas da cama e tocaram como se estivessem em um grande concerto. E estavam mesmo… Quando a música terminou, todos aplaudiram, inclusive o menino!

Exageradamente emocionadas com o suposto sucesso do concerto, as besteirologistas distribuíram autógrafos nos seus bloquinhos coloridos com frases absurdas, porém amorosas. Antes de sair do quarto, a Dra. Xaveco viu o menino arrancando um pedaço de esparadrapo do seu curativo. 

O que você está fazendo?, perguntou ela.

Quero colar essa lembrança aqui na cama, disse olhando o pequeno papel com muito carinho. Apesar de todo o contexto social que o embalara, D. era uma criança envolvida em um momento de sonho e poesia.

Dra. Xaveco Fritza (Val de Carvalho)
Dra. Dona Juca Pinduca (Juliana Gontijo)
Hospital do Mandaqui – São Paulo
Março de 2013 

Pequenas transformações

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Outra criança que tem nos trazido momentos de surpresa no Hospital Oswaldo Cruz é o V. O nosso primeiro encontro aconteceu logo no começo do ano, mas ele não interagiu conosco. Ele nos olhava desde que não olhássemos pra ele – era essa a condição subentendida.

Foi com muita alegria que presenciamos certa vez um riso no canto da boca, daqueles bem discretos que só os especialistas sabem que se trata de um sorriso. Depois veio o riso de boca inteira, que foi motivo de muito orgulho, alternado, é claro, com vários encontros indefiníveis.

Nas últimas semanas o V. parece outro. Ri , brinca, conversa, dá susto e interage, mostrando pra gente que ele não parece outro, mas que ele é outro. A transformação foi tão incrível que chegamos a desconfiar de que se tratava de outro menino. Eu e a Dra. Baju nos questionamos se não estávamos chamando de “V.” uma outra criança: uma criança que desejávamos que fosse ele!

Mas a mágica se fez: aquele era o “V.”, de verdade!

Dra. Baju (Juliana Almeida)
Dr. Eu Zébio (Fábio Caio)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife
Setembro de 2012

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